Delfos - Jornalismo Parcial
   Quadrinhos - Guerras Secretas (Jim Shooter, Mike Zeck & John Beatty – Secret Wars – Marvel – 1984)

Capa das edições nacionais

            Poucas séries na cronologia Marvel foram tão importantes como esta Guerras Secretas. Uma imensa estória em 12 partes, envolvendo os principais heróis e vilões do universo Marvel. A lista de convocados para a guerra envolve medalhões do porte de Homem-Aranha, X-Men e Hulk do lado dos heróis e Doutor Destino, Lagarto, Ultron e Galactus do lado dos vilões, tornando esta uma aventura essencial para qualquer pessoa que goste de quadrinhos.

            A premissa é simples: uma entidade cósmica chamada Beyonder cria um planeta e transporta para lá os seres mais poderosos da Terra, dividindo-os em dois grupos. Sem mais delongas, Beyonder diz: “Destruam seus inimigos e todos os seus sonhos serão realizados! Nenhum de seus desejos me é impossível de realizar!” Pronto. A confusão está armada e brigas começam a surgir dos dois lados.

            Do lado heróico, o motivo para a discussão é a presença de Magneto, o arquiinimigo dos X-Men, que não é bem recebido para lutar do lado de Capitão América e companhia, por mais que Charles Xavier, o principal antagonista do mestre do magnetismo, defenda sua presença no grupo. Do lado do mal, a disputa pelo poder e pela liderança do grupo é o estopim de suas discussões.

            Diferenças resolvidas, é hora da porrada. Claro, com tantos personagens, o roteirista Jim Shooter tinha que centralizar a estória em alguém. Infelizmente, os escolhidos, do lado dos heróis foram Reed Richards e Capitão América, deixando de lado heróis mais carismáticos e populares, como os X-men e o Homem-Aranha, sendo que este último deve pronunciar menos de dez frases nas centenas de páginas da série. Por outro lado, a vilania é bem mais divertida, tendo seu argumento centralizado em Doutor Destino e Galactus, dois dos vilões mais legais da Marvel.

            Esta série é famosa, principalmente pelas repercussões que teve na cronologia. A mais afetada delas foi, sem dúvida, a do Homem-Aranha, que encontrou o seu famoso uniforme negro no planeta criado por Beyonder. Empolgado com uma roupa nova que não rasgava, que podia mudar de visual e que, principalmente, produzia sua própria teia, o Homem-Aranha traz este uniforme de volta à Terra e continua a usá-lo em suas aventuras, mesmo após o fim da guerra de Beyonder. Depois de algum tempo com o novo uniforme, o Aranha descobre que o uniforme negro era, na verdade, um simbionte, um organismo vivo que estava tentando dominá-lo. Depois de muitas aventuras, reviravoltas e enrolações como só a Marvel sabe fazer, este uniforme acabaria dando origem ao um dos mais poderosos e perigosos inimigos do Homem-Aranha e o que eu mais gostaria ver em um filme do herói: Venom. Acho que depois dessa, Peter Parker teria preferido permanecer com seu uniforme rasgado.

             Voltando, Guerras Secretas é uma aventura que merece ser lida por fãs de quadrinhos no geral, não tanto pela sua estória, que não é nada além de razoável e tem um final decepcionante, mas pela importância que ela viria a ter no futuro da cronologia, permanecendo, até hoje, como uma das mais importantes da Marvel.

            Publicada nos EUA em 1984/1985, Guerras Secretas chegou ao nosso ensolarado país pela Abril Jovem em duas ocasiões: a primeira, em 1986 e a segunda e última (até o momento) entre dezembro de 1994 e abril de 1995 na extinta revista A Teia do Aranha números 62 a 66.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:51 PM
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   Clássicos - CDs - Grave Digger – Tunes of War (G.U.N Records – 1996)

            O Accept pode ser considerado o grande pioneiro do Heavy Metal alemão, tendo começado as suas atividades no final dos anos 70; mas coube ao Grave Digger, ao Running Wild, ao Rage e ao Helloween o pleno desenvolvimento do estilo e a criação do que hoje conhecemos por Power Metal.

            No caso do Grave Digger, temos uma história curiosa: Eles apareceram pela primeira vez em uma compilação chamada Rock From Hell no começo dos anos 80 e, naquela época, assim como o Running Wild, tinham a sua imagem associada ao satanismo. Ainda naquela década lançaram discos muito legais como o Heavy Metal Breakdown e alcançaram um relativo sucesso. Alguns anos depois, em 1987, com o avanço da onda Glam que tomava conta das rádios, eles trocaram o nome da banda para Digger e lançaram um álbum comercial horroroso chamado Stronger Than Ever que, obviamente, foi um fracasso e a banda resolveu encerrar as suas atividades.

            Seis anos depois, Chris Boltendahl (vocalista) reformulou toda a banda, retomou o nome Grave Digger e voltaram a fazer o que sabem melhor: tocar o bom e velho Heavy Metal.

            Lançado em 1996, Tunes Of War é justamente o ápice, tanto comercial quanto técnico, desse recomeço na história do Grave Digger. Inspirado pelo filme Coração Valente (Braveheart), foi também o primeiro trabalho conceitual da banda, contanto a história da Escócia e suas guerras pela separação do Império Britânico.

            Em Tunes Of War, temos um Power Metal extremamente empolgante com letras muito bonitas e um instrumental excepcional, fruto dos bons músicos presentes nesse “renascimento” do grupo. Para se ter uma idéia da importância deste álbum na carreira dos alemães, basta darmos uma pequena olhada nas músicas aqui presentes. Scotland United, The Ballad Of Mary, The Dark Of The Sun e o hino da banda Rebellion (The Clans Are Marching) estão sempre presentes nos shows desde que o álbum foi lançado.        As outras músicas podem não ser tão conhecidas mas mantém o nível guiadas pelo incrível clima épico criado pelas gaitas de fole e efeitos especiais presentes no CD.

            O único defeito deste disco é a mixagem, que acabou deixando as guitarras altas demais, ofuscando um pouco os demais instrumentos e os vocais estridentes de Chris (um dos pontos mais característicos da banda)

            Tunes Of War é uma aula de Heavy Metal com muito vigor e energia, fruto da experiência acumulado com anos de estrada e com as pisadas na bola de outrora.

            Um outro problema que eu, infelizmente, preciso comentar é a dificuldade de se achar o Tunes Of War em terras brasileiras, pois existe apenas a versão importada, com preços totalmente fora de nossa realidade. Tomara que alguma gravadora se interesse em lançar este clássico do Power Metal por um preço mais justo por aqui. Os headbangers brasileiros merecem. (Nota do Carlos: Tunes Of War foi lançado em versão nacional na época do seu lançamento, trazendo no mesmo disco, as faixas bônus do EP The Dark Of The Sun. Esta versão, infelizmente, está fora de catálogo já há muito tempo).



 Escrito por Bruno Sanchez às 4:04 PM
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   Clássicos - Cinema & Vídeo – História Sem Fim (Neverending Story – EUA – 1984)

            Deve ser uma das primeiras lembranças da minha vida. Um filme cheio de bichos assustadores estréia no cinema. Eu, uma criança na tenra idade de quatro anos, morro de medo de um monstro imenso, feito de pedra, ao vê-lo na propaganda de TV. Meu pai, ao meu lado, tenta me ensinar para não julgar pela aparência e que aquele monstrengo horrível era, na verdade, bonzinho. Dizendo que já tinha assistido ao filme (até hoje não sei se ele realmente havia assistido), insistia para que eu fosse com ele ao cinema e garantia que eu ia gostar. Depois de muita resistência, concordei e, meio relutante, fomos ao cinema assistir ao filme dos monstros.

            Logo no início, percebi que o Homem de Pedra era realmente bonzinho mas, infelizmente, ele e as outras criaturas do mundo chamado Fantasia estavam em perigo, pois uma força chamada Nada estava devorando tudo. Paralelamente, a Imperatriz Criança estava doente e, se ela viesse a falecer, Fantasia não teria mais chances de sobreviver. Havia apenas uma esperança: um jovem guerreiro chamado Atreyu (Noah Hathaway) tem que encontrar uma cura para a imperatriz, conseqüentemente salvando o mundo da fantasia.

            Atreyu não está sozinho em sua jornada. Além de seu cavalo, também tem uma companhia muito especial. Um menino chamado Bastian (Barret Oliver), que está lendo as aventuras de Atreyu no porão de sua escola, vai acompanhá-lo até o fim e terá um importante papel no destino de Fantasia.

            No caminho, o herói vai conhecer muitas criaturas fantásticas que vão ajudá-lo e atrapalhá-lo. A mais fascinante delas é, sem dúvida, o dragão da sorte Falkor (veja foto abaixo). Durante toda minha infância, eu me imaginava voando com Falkor pelas terras de Fantasia, encontrando todas as criaturas mágicas do filme, exatamente como Bastian, quando tem a chance de fazer um pedido.

O dragão Falkor. Foto: Divulgação

            E não é só na estória que se concentram as qualidades de História Sem Fim: os efeitos especiais também são fantásticos. Falkor e o Homem de Pedra se movimentam de forma tão real que dão um banho em muitos personagens feitos em computação gráfica hoje, mais de 20 anos depois de seu lançamento. Tudo isso ainda é embalado por uma trilha sonora fantástica. A música tema do Falkor, em especial, é lindíssima.

            Baseado em um livro de Michael Ende, a influência de História Sem Fim é imensa e pode ser percebida ainda hoje, sobretudo em discos de Heavy Metal. O Stratovarius, por exemplo, fez uma música baseada no filme (Fantasia, do álbum Elements Pt. 1), onde é possível até ouvirmos a voz da Imperatriz Criança dizendo “Fantasia can rise in you”. E a influência não pára aí, outras bandas também foram claramente influenciadas pela “estória que nunca termina”, como o Rhapsody e o Avantasia, apenas para citar os dois mais óbvios.

            Apesar de ser um filme para crianças, História Sem Fim é tão bonito e emocionante, que merece ser assistido por qualquer pessoa que não teve o prazer de assistí-lo em sua infância. E eu só tenho a agradecer ao meu pai, por ter insistido em me levar a um filme que eu não queria assistir e que marcaria, positivamente, a minha vida.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:58 AM
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   Cinema - Adeus, Lênin! (Goodbye, Lenin! – Alemanha – 2002)

            É inegável o choque que a Alemanha Oriental deve ter sofrido em novembro de 1989, quando o muro de Berlim foi derrubado. De um dia para o outro, uma nação inteira teve que modificar seus costumes abraçando a cultura e o consumismo do outrora inalcançável mundo ocidental. Não que eles tenham se importado. Na verdade, a maior parte do povo alemão ficou realmente empolgado com o “admirável mundo novo” à sua espera.

            Porém, mais ou menos uma década depois, a nação começou a sentir os efeitos colaterais do capitalismo, como o famigerado desemprego (que abrange também outras colônias dos EUA, como o nosso Brasil), gerando um movimento de nostalgia que varreu a nação. Chamado de Ostalgie, teve como conseqüência o retorno de costumes, programas de TV e produtos anteriores à queda. Nesse cenário, também surgiu Adeus, Lênin!, escrito e dirigido por Wolfgang Becker.

            A estória começa pouco antes da queda do muro, onde Christiane (Katrin Sass) cuida sozinha de seus dois filhos. Ideológica, Christiane ama a pátria e todos os valores representados pelo socialismo. Ao ver seu filho Alex (Daniel Bruhs) sendo espancado por policiais, ela tem um enfarte e entra em coma.

            Ao despertar, oito meses depois, o país está completamente diferente. Após a queda do muro, as roupas mudaram, a propaganda invadiu sua cidade, nem mesmo sua marca de pepinos preferida podia ser encontrada nos supermercados locais. Como se já não fosse problema suficiente, o médico avisa Alex que um choque pode ser fatal para Christiane. Como contar a ela, então, que tudo em que ela acreditava não existe mais? Resposta: não contar. Alex resolve isolar a mãe da sociedade, criando um verdadeiro abrigo socialista em seu quarto. O mais incrível é que Alex consegue criar no quarto o que países inteiros não conseguiram: um socialismo perfeito. Mas por quanto tempo uma mentira desse porte pode sobreviver?

            Apesar de ser considerado uma comédia, Adeus, Lênin! alterna suas piadas com momentos bem dramáticos. Vale pela idéia (que é ótima), por demonstrar muito bem o choque entre duas culturas, o que sempre rende boas piadas e, principalmente, por nos fazer refletir sobre a cultura e hábitos que adotamos. Podia ser um pouco mais curto, é verdade, mas isso não tira seus (muitos) méritos.

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:54 PM
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   Cinema - Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday – EUA – 2003)

            Quando assisti ao trailer deste Sexta-Feira Muito Louca exclamei: “Já vi esse filme antes.”

            Eu estava certo. Afinal, a fórmula da troca de personalidades já foi usada tantas vezes que vai acabar virando um gênero de filme. Vamos ter comédias escrachadas, comédias românticas e... comédias de troca de personalidades. Exemplos desse gênero não faltam. Desde o ótimo Quero Ser Grande, passando por Trocando as Bolas e Vice-Versa, até o recente Garota Veneno, a fórmula já foi devidamente testada e aprovada diversas vezes.

            O que eu não sabia é que esta nova empreitada no troca-troca de personagens é, na verdade, uma refilmagem. O filme original chama-se Se Eu Fosse Minha Mãe (não por acaso Freaky Friday é o nome original) e, como é de 1976, trata-se, possivelmente, do primeiro filme do gênero.

            A trama é básica: mãe e filha não se entendem e vivem brigando. Para ensinar-lhes uma lição, uma senhora chinesa oferece um biscoitinho da sorte e, quem diria, elas trocam de personalidade. O problema é que isso acontece na véspera do casamento da mãe e no dia de um show da filha (sim, ela tem uma banda). A partir daí, elas se envolvem em situações engraçadas e constrangedoras demonstrando a diferença entre a vida de gente grande e a de adolescente.

            Com boas atuações de Jamie Lee Curtis (a mãe) e Lindsay Lohan (a filha), Sexta-feira Muito Louca é um filme engraçado, mas não muito. O típico “filme Sessão da Tarde”, recomendado para quem quer se divertir sem ter que pensar muito.

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:35 PM
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   CDs - Halford – Live Insurrection (Sanctuary - 2001)

 

            Quando Rob Halford resolveu sair do Judas Priest no começo dos anos 90, todos imaginaram que seria o fim da linha para ambos. No entanto, após algumas tropeçadas, as duas partes conseguiram seguir em frente com suas carreiras e lançaram belos trabalhos: O Judas com o seu novo vocalista Tim “Ripper” Owens e o Halford com seus projetos (primeiro o Thrash do Fight, depois o fraquinho Industrial Two e, finalmente, o poderoso Heavy Metal Tradicional do Halford).

            Neste registro ao vivo, temos um belo apanhado de toda a carreira de Rob, desde os tempos do Judas, passando por todos os seus projetos, exceto pelo Two, que não se tratava de um projeto de Heavy Metal.

            Este duplo ao vivo deve ser entendido como uma espécie de “coletânea” das bandas por onde a Rainha do Metal (Rob é homossexual assumido) já passou, contendo muitos clássicos do Judas em versões matadoras (Breaking The Law, Metal Gods, Electric Eye, etc), mas o que mais chama a atenção são as músicas que não eram tocadas há décadas. Peguemos por exemplo Stained Class, música do álbum homônimo lançado em 1978 e que só era tocada pelo Judas nos shows deste mesmo ano (há exatos 26 anos!), não estando presente nem no primeiro álbum ao vivo, o Unleashed in the East, de 1979.

            O fato de uma música ter sido “esquecida” nas últimas décadas, não quer dizer que ela seja necessariamente ruim, pelo contrário: Stained Class, Tyrant, Genocide e Running Wild são clássicos eternos do Metal e marcam presença em Live Insurrection com versões ainda mais pesadas, porém igualmente divertidas.

            Aliás, os músicos da banda Halford são extremamente técnicos e competentes, mantendo aquele duelo das guitarras, tradicional do Judas Priest, e a pegada da cozinha, respeitando as origens da banda.

            Da fase Fight, marcam presença as músicas mais conhecidas (e pesadas) do primeiro trabalho como Into The Pit, Life In Black e Nailed To The Gun.

            Já do Halford temos as músicas mais legais do primeiro Cd da banda, como Resurrection – que abre o Disco 1 em grande estilo, passando por Made in Hell, The One You Love to Hate (com participação especial do grande Bruce Dickinson do Iron Maiden – sendo que essa versão foi gravada durante uma passagem de som e não durante o show) e Saviour, entre outras.

            Além de tudo isso, temos ainda três faixas de estúdio inéditas que são bem interessantes e seguem a linha mais pesada, já apresentada no Resurrection.

            Uma grande reclamação de público que compra trabalhos ao vivo ultimamente são os overdubs, ou seja “acertos” realizados em estúdio para corrigir um solinho de guitarra, uma desafinada ou algum outro erro que pode ter ficado muito evidente. Como nada é perfeito, em Live Insurrection eles existem e são bem perceptíveis. Em algumas faixas, a voz de Rob destoa do resto da banda dando uma sensação incômoda de que a banda e o vocalista pareciam estar tocando em locais diferentes. Felizmente, o ouvinte acaba deixando passar esses deslizes quando está curtindo os velhos e bons sons que influenciaram e ainda influenciam tanta gente.

            As músicas também não foram todas gravadas na mesma noite, o que pode reforçar essa sensação de “estranheza” ao ouvir algumas das versões, mas o som da gravação do público está bem alto e, obviamente, ele interage muito mais quando os velhos clássicos entram em cena roubando o show. Pode comprar sem medo, até porque, agora, depois da euforia do Rock In Rio, a gravadora resolveu abaixar o preço deste CD duplo e ele está bem mais acessível. É sempre bom ouvir uma das vozes mais criativas, versáteis e marcantes do Metal tocando suas melhores músicas em suas noites mais inspiradas. Um belo registro para os mais de 30 anos de carreira de Rob Halford e um belo presente para os fãs.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:56 AM
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   Cinema – O Último Samurai (The Last Samurai – EUA – 2003)

            Depois de muitas tentativas frustradas por sessões lotadas, enfim consegui assistir esse filme. É incrível como está cada vez mais difícil ir ao cinema em São Paulo, tamanha a velocidade com que os ingressos se esgotam. Mas isso fica para uma outra matéria, pois aqui o assunto é O Último Samurai.

            A trama é a seguinte: sentindo que seus métodos de guerra estão ultrapassados, o imperador japonês e seus conselheiros sentem a necessidade de modernizar suas técnicas e armamentos, substituindo as táticas de guerra honrada (por mais paradoxal que isso pareça) dos samurais pela guerra covarde das armas de fogo. E quem melhor para ensinar as artimanhas da guerra covarde do que os norte-americanos?

            Sabendo disso (até no século XIX o mundo inteiro já sabia da covardia dos americanos ), um dos conselheiros do imperador parte para os EUA com o intuito de contratar o herói de guerra Nathan Algren (Tom Cruise) para ensinar os japoneses a manusear armas de fogo.

            O treinamento é iniciado mas, antes que os soldados estivessem prontos para a carnificina, já são incumbidos de uma missão: eliminar o rebelde Katsumoto (Ken Watanabe), um verdadeiro herói para os japoneses e líder do último grupo de samurais. Previsivelmente, o exército do americano é dizimado. Algren, capturado por Katsumoto, é levado para a aldeia do rebelde, onde vai entrar em contato com a cultura e a filosofia dos samurais.

            Para falar a verdade, a estória é uma sucessão interminável de clichês. Qualquer pessoa que ler esta resenha até aqui já vai fazer uma idéia do que acontece nas mais de duas horas restantes (o filme tem duas horas e meia). O diferencial é como esses clichês são apresentados. A trama é desenvolvida com tamanha habilidade que não dá para não simpatizar com Katsumoto e sua causa. Os diálogos e as lutas são emocionantes, tornando simplesmente impossível não ficar com um nó na garganta quando a batalha final vai chegando ao clímax.

            O Último Samurai é um filme belíssimo, com um destaque especial para a trilha sonora e para a fantástica atuação de Ken Watanabe (merecidamente indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante). A estória você já viu, mas devido à forma como ela é contada, vale a pena ver de novo. E como.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:22 AM
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   CDs - Running Wild – 20 Years in History (Century Media Records - 2003) - Parte I

Capa do CD

            Parece que foi ontem, mas já se vão 20 anos de carreira do Running Wild, uma das mais importantes e antigas bandas de Heavy Metal da Alemanha, e nada melhor para comemorar a data do que lançar uma coletânea em CD duplo abrangendo as principais músicas nos vinte anos de estrada.

            Mas os piratas do Metal não se contentaram em lançar apenas uma coletânea simples. Seguindo os passos do mestre Kai Hansen (Gamma Ray, Ex-Helloween), eles praticamente revisaram a mixagem de todas as músicas e ainda regravaram alguns dos clássicos ou adicionaram novos instrumentos e passagens às gravações originais dando outra cara para a maioria dos clássicos do Running Wild. Tudo bem, é uma idéia legal, mas será que deu certo? Bom, a resposta é sim e não.

            O Running Wild tem uma história interessante: no começo, a banda adotava uma postura bem Heavy Metal tradicional, porém tinha várias referências ao Black Metal com pentagramas no encarte e letras que chegavam a lembrar os bons tempos do Venom. A partir do Under Jolly Roger de 1987, eles adotaram temáticas voltadas totalmente à pirataria, como a busca incessante por tesouros nos sete mares e afins. Essa imagem acabou pegando de tal forma que a banda virou uma espécie de porta-voz dos admiradores e estudiosos do assunto. Logicamente, isso não seria possível também se não fossem pelas incríveis letras que realmente nos transportam para a época das grandes navegações.

           Nesta coletânea, todos os grandes clássicos estão presentes, desde os mais antigos como Prowling Werewolf (que só tinha dado as caras em antigas demos e shows, mas nunca havia sido lançada oficialmente) e Genghis Khan de seu primeiro trabalho, intitulado Gates to Purgatory (1984), até a mais recente The Brotherhood do cd homônimo, lançado em 2002. Algumas das músicas remixadas realmente ganharam vida nova e estão com muito mais qualidade agora. Um grande exemplo é a Riding the Storm que, na versão original era bem suja e mal gravada e agora comparece em uma versão bem mais “limpa”, com todos os instrumentos bem audíveis.

            Em algumas versões, no entanto, o tiro acabou saindo pela culatra e as músicas, de tão super produzidas, acabaram perdendo boa parte do seu punch. Para piorar, nosso amigo Rock´n´Rolf (vocalista, guitarrista e mentor da banda) resolveu inserir alguns solos, riffs e viradas a mais, fazendo com que clássicos indiscutíveis como Under Jolly Roger acabassem totalmente descaracterizados.

            Quanto às regravações, os resultados também são bem diversos: Algumas versões ficaram bem legais ganhando uma nova vida, em especial no instrumental, já que os músicos da banda atualmente são muito mais técnicos do que os de antes, enquanto outras interpretações acabaram perdendo muito da influência Thrash dos anos 80 e acabaram ficando mais leves como, por exemplo, Mordor. Na versão original, Rolf canta com um tom de voz bem elevado e a música, apesar de não possuir um instrumental tão complexo, acabava soando bem pesada, mas na regravação nosso amigo pirata se limitou a apenas recitar os versos sem forçar a voz, deixando a música com cara de Hard Rock, ou mesmo chegando a lembrar o Blaze Bailey (sai, satanás) da época do X-Factor no Iron Maiden.

            Se você é um fã de longa data do Running Wild, vá atrás deste álbum mais pela curiosidade de conhecer as novas versões. Mas se você ainda não teve o prazer de conhecer os Bucaneiros do Metal, prefira as versões originais para entender porque foi necessário que um estilo com o nome Power Metal fosse criado.



 Escrito por Bruno Sanchez às 5:43 AM
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   CDs - Stratovarius – Elements Pt. 2 Special Edition (Nuclear Blast – 2003) - Parte I

Capa da Edição Especial

            No início de 2003, o Stratovarius lançou Elements Pt. 1, já avisando que a Pt. 2 estava pronta e saíria no final do ano. A primeira parte me surpreendeu positivamente, se tornando, para mim, o melhor disco do Stratovarius e garantindo seu lugar em meu aparelho de som por, pelo menos, uns 10 meses. Suas músicas continham melodias cativantes, letras pacifistas e uma orquestra marcante, ou seja, tudo aquilo que tornou o Stratovarius um dos melhores representantes do Heavy Metal Melódico da atualidade.

            Obviamente, eu esperava que a segunda parte viesse na mesma linha, já que compartilham não só do mesmo nome, como também do mesmo desenho na capa, com a diferença de que, na primeira parte, o personagem era constituído dos elementos do fogo e da água enquanto, aqui, é formado por terra e ar.

            Qual não foi minha surpresa ao colocar o disquinho para tocar e me deparar com uma faixa de abertura lenta, pesada e depressiva, bem naquela linha Black Sabbath? Iniciar com essa música realmente foi uma quebra de padrões para o Stratovarius, que sempre começava seus discos com as músicas mais comerciais (Vide Kiss Of Judas, Eagleheart e Hunting High And Low).

            A segunda música, no entanto, é aquela que normalmente abriria um disco dos finlandeses. Intitulada I Walk To My Own Song, esta música é tão comercial que poderia até tocar nas “rádios rock” de São Paulo. Contudo, ser comercial não a torna, necessariamente uma música ruim. Na verdade, I Walk To My Own Song é uma das mais legais do disco.

            Ao contrário da primeira parte, Elements Pt. 2 é um disco lento e triste, lembrando um pouco o Episode, disco estranho e com poucas músicas legais. Enquanto Elements Pt. 1 tinha seu charme nas músicas cadenciadas e orquestradas, a melhor música desta segunda parte é justamente uma no velho estilo “ligeirinho” do Stratovarius. Intitulada Know The Diference, a (única) música realmente rápida do disco é uma das melhores composições do Stratovarius. No estilo do Visions (o álbum clássico do Strato), esta faixa combina belas melodias, pedal duplo rapidíssimo, letras bem legais e um refrão poderoso, merecendo figurar, desde já, como um dos clássicos do Stratovarius e, sem dúvida, como a melhor faixa deste álbum. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:04 PM
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   CDs - Stratovarius – Elements Pt. 2 Special Edition (Nuclear Blast – 2003) - Parte II

            Como não poderia deixar de ser, as baladas também estão presentes no disco. São 3 delas, das quais duas são bem legais: Luminous, a única música com letra pacifista do disco (infelizmente, já que são as melhores letras do Stratovarius), me lembra, por algum motivo, as músicas dos antigos jogos do Alex Kidd, da época do Master System. A outra, e a mais legal, tem o nome Liberty e é a última música do disco, mantendo a tradição da banda escandinava de fechar o disco com sua música mais bonitinha.

            Esta edição especial vem com um CD bônus que traz uma versão demo de Alpha & Omega, uma versão instrumental de Season Of Faith’s Perfection e Vapaus, que nada mais é do que a bela balada Liberty  cantada em finlandês. Além disso, também traz versões ao vivo de Soul Of A Vagabond, Father Time, Hunting High And Low, Paradise e um medley com Destiny e Fantasia, todas gravadas durante a turnê da primeira parte de Elements.

            Infelizmente, Elements Pt. 2 adquiriu um ar póstumo, devido às recentes mudanças de formação e inúmeras palhaçadas envolvendo o Stratovarius ultimamente.

            Elements Pt. 2 é um álbum indigno para encerrar a história desta formação que mudou a cara do Heavy Melódico pois, em geral, parece mais um disco de sobras de estúdio do que um novo álbum do Stratovarius. Recomendado apenas para colecionadores que querem ter tudo da banda. Todos os demais, fiquem com Elements Pt. 1, esse sim, um tremendo disco de Heavy Metal.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:03 PM
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   Clássicos - CDs – Judas Priest – Sad Wings Of Destiny (Gull/Paradoxx – 1976)

           É unânime afirmar que o Judas Priest é uma das bandas mais importantes do Heavy Metal e, com certeza, uma das precursoras do gênero mas, na verdade, grande parte das pessoas só conhece a fase “anos 80” do Judas e se esquece de que eles começaram bem antes (em 1969 para ser mais exato), sendo que seus primeiros trabalhos já traziam tudo o que viria a se tornar clichê no gênero uma década depois.

            No primeiro disco, chamado Rocka Rolla (1974), a banda ainda estava amadurecendo seu estilo e seguia as tendências dos medalhões da época (Sabbath, Purple e Zeppelin), inclusive no vestuário (nada de couro, braceletes e tachinhas até então). Além disso, pode-se dizer que eles não souberam aproveitar muito bem a idéia das duas guitarras pois Glenn Tipton havia entrado no grupo poucas semanas antes da gravação quando as músicas já estavam praticamente prontas.

            Já em seu segundo trabalho, Sad Wings of Destiny, lançado dois anos depois, o Judas Priest deu um verdadeiro salto em qualidade, inovação, técnica e definiu para sempre o que seria o Heavy Metal.

            As grandes mudanças são visíveis logo de cara: a capa com o anjo caído envolto nas chamas do inferno é considerada uma das mais bonitas e sinistras da história e causa polêmica até hoje. Falando das músicas em si, o disco já abre simplesmente com um dos maiores clássicos do Priest e do gênero, com presença garantida na maior parte de seus shows: Victim of Changes, que tem todos os fatores que consagraram a banda: um belíssimo dueto de guitarras, solos diretos e bem construídos, Rob Halford cantando notas absurdamente altas, uma linha de baixo galopante que acompanha o riff principal, a bateria com marcação constante e um excelente trabalho nos bumbos, além de uma virada fantástica na metade de sua duração que transforma um Heavy Metal alegre em um Doom Metal muito parecido com a música Black Sabbath (adivinhem de quem?). E essa ainda é só a primeira música,  tem mais oito pela frente, uma melhor que a outra.

            Existem, no entanto, três músicas que se destacam por definirem o que seria o Power Metal da década seguinte: Tyrant, Genocide e The Ripper; todas com riffs e letras marcantes, tocadas ao vivo até hoje e coverizadas por inúmeras bandas que beberam na fonte (e que fonte, diga-se...). A grande verdade é que o Judas, após o lançamento de seu primeiro trabalho, não se conformou em ficar estagnado na mesmice do Heavy Metal de então, e soube buscar sua própria identidade, gerando uma evolução (leia-se revolução) sem precedentes e alavancando toda a geração que estava para aparecer em terras britânicas (a NWOBHM). O parto dessa nova geração pode ter acontecido apenas alguns anos depois, mas o embrião foi fecundado com o Sad Wings of Destiny.

            Se hoje você ouve o bom e velho Metal, saiba que muito se deve a esse lançamento em 1976, portanto, corra já atrás do seu.



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:42 AM
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   Game – Star Wars – Jedi Knight: Jedi Academy (Lucasarts – 2003)

Brincando de Darth Vader. Foto: Divulgação

            Esta é a terceiro episódio da série Jedi Knight, que conta as aventuras de Kyle Katarn, um rebelde que serviu ao lado negro da força em tempos remotos, mas que acabou tomando vergonha na cara e se juntou novamente aos rebeldes para ajudar a restaurar a paz no universo.

            Neste episódio, você não controla Kyle Katarn, mas um estudante de Jedi que está começando seu treinamento na academia de ninguém menos que Luke Skywalker. Sim, um dos maiores atrativos da série sempre foi ver o que aconteceu com personagens clássicos da série após o Episódio VI – O Retorno de Jedi e em Jedi Academy, vários deles dão as caras. Kyle Katarn também não pendurou as chuteiras. Neste jogo, ele virou professor da academia, uma espécie de braço direito de Luke.

            Como em um RPG, Jedi Academy permite que você crie seu personagem. Sexo, roupas e raças são apenas algumas das opções. O mais legal é que você também pode criar o seu sabre de luz, desde o cabo até a cor do laser. O único problema é que você não pode escolher a cor vermelha, pois esta é exclusiva do lado negro da força. Droga! Os vilões sempre se divertem mais.

            Isso, porém, não significa que você não possa sentir o poder do lado negro. Entre cada fase, você pode escolher quais poderes da força você vai ganhar e, claro, os poderes do mal são bem melhores. Dois deles são os mais legais: Lightning, a habilidade de atirar um raio pela palma da mão. Fraco no início, mas quando chegar no nível 3, você nem vai precisar mais do seu sabre de luz e Grip aquela habilidade de enforcar o inimigo de longe, tornada clássica pelas mão de Darth Vader na trilogia original. Quando este poder evolui, você fica não só com a habilidade de enforcar, mas também de levantar e movimentar a vítima, podendo batê-la na parede ou jogá-la em um abismo. Sadismo total!  Outro poder que é essencial durante o jogo é o Heal, que serve, obviamente, para recuperar suas forças entre as batalhas.

            Os poderes que você escolhe não vão levá-lo, obrigatoriamente, para o lado negro, já que próximo ao fim do jogo, você será confrontado com a opção de se tornar um vilão ou não, levando a dois finais diferentes, ambos muito legais.

            Além do sabre de luz, você tem a opção de muitas outras armas, como rifles e granadas, mas verdade seja dita, um jedi de verdade não usa essas coisas!  E nem precisa, já que o sabre é muito mais divertido.  E fica ainda mais divertido quando, no decorrer do jogo, você receber a opção de trocar seu sabre único e sem-graça por dois sabres (imagine um Leonardo, das tartarugas ninja, mas com poderes jedi) ou até mesmo pelo sabre usado pelo vilão Darth Maul em Episódio I – A Ameaça Fantasma (um verdadeiro Donatello jedi).

            Jedi Academy tem a duração ideal. Termina no momento certo, sem se tornar enjoativo, mas sem deixar aquela sensação de “Ué? Já acabou?” que alguns jogos costumam deixar.

            Este é, possivelmente, o jogo da franquia que capta melhor o que é ser um Jedi, usar seus poderes e seguir as suas responsabilidades. Melhor que isso, só os filmes. E, como ainda falta mais de um ano para o Episódio III entrar em cartaz, a solução é se matricular na Jedi Academy para passar o tempo.

            Jedi Knight: Jedi Academy está disponível para PC e Xbox.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:26 PM
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   Cinema – Mestre Dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo (Master & Commander: The Far Side Of The World – EUA – 2003)

            Uma das coisas que mais fazem falta em um filme é uma estória. De nada adianta ter uma ótima direção, bons atores e grandes efeitos especiais se tudo isso não servir a um propósito: contar uma estória que emocione e cative o espectador. Este erro já serviu para afundar grandes franquias como, por exemplo, Matrix (Reloaded à frente), que teria ficado com uma fama melhor se tivesse parado em sua primeira parte, não por acaso, a parte que conta a estória.

            Mestre dos Mares segue o mesmo caminho. Contando com um elenco famoso e efeitos especiais de primeira, o orçamento do filme responde pelo absurdo número de 135 milhões de dólares, quantia que seria melhor aproveitada se fosse investida em um roteiro com mais conteúdo.

            A estória é baseada em uma série de livros de Patrick O’Brian e pode ser contada em poucas linhas: o navio HMS Surprise do capitão inglês Jack Sortudo (Russel Crowe) tem a missão de derrotar a embarcação francesa Acheron, duas vezes maior e com muito mais poder de fogo. Esta missão acaba se tornando pessoal após as repetidas derrotas às quais a tripulação do capitão Jack é submetida. Todo o resto parece encheção de lingüiça, com várias tramas paralelas que não têm importância alguma para a estória central e que o espectador mal vai se lembrar ao sair (com sono) da sala de cinema.

            Este filme tinha tudo para ser interessante, mas, assim como nas continuações de Matrix, a chance foi desperdiçada. Recomendado apenas para pessoas que privilegiam a estética sobre a estória. Infelizmente.

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:01 PM
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   Quadrinhos – Marvels (Kurt Busiec & Alex Ross – Abril Jovem - 1995)

Capas das 4 edições 

            Como seria acompanhar alguns dos principais acontecimentos do universo Marvel fora da perspectiva tradicional de heróis e vilões? Da perspectiva de alguém que não sabe exatamente o que está acontecendo e que, temendo pelo próprio destino, muitas vezes toma o verdadeiro herói como vilão?

            Ora, é muito fácil chamar o J. Jonah Jameson de estúpido por considerar o Homem-Aranha uma ameaça, afinal sabemos que o alter ego de Peter Parker é um dos mocinhos. Também é igualmente fácil achar um absurdo a forma como a raça humana odeia os mutantes quando os quadrinhos mostram apenas o lado dos vigilantes mascarados. Mas e se estivéssemos do outro lado? E se os mutantes realmente existissem no mundo real, será que não os odiaríamos? Muitos brancos ainda têm problemas com negros, é algo comum ver chineses que odeiam japoneses. Exemplos de racismo, infelizmente, não faltam. Se temos problemas com as raças que já existem hoje e cujas diferenças são nada mais que físicas, como poderíamos aceitar uma outra raça? Podemos dizer, com veemência, que não teríamos nada contra uma nova raça cuja diferença não fosse apenas na aparência, mas que ainda tivesse as habilidades e poderes necessários para nos roubar, seqüestrar, ou até matar?

            Para responder a estas perguntas, foi criado Marvels, uma espetacular Graphic Novel em quatro partes que mostra o universo Marvel da perspectiva de uma pessoa normal, ou seja, da nossa. Claro, é muito fácil se identificar com o Homem-Aranha/Peter Parker, afinal, ele é um cara comum, que tem problemas para conseguir namoradas, para pagar o aluguel e até para ajudar a família.. Ele é, possivelmente, o único herói para o qual os roteiristas podem criar uma estória inteira sem mostrar uma única vez o uniforme. Mas, no fim e, por mais normal que ele pareça/seja, ele ainda é um cara com as habilidades de uma aranha. Em Marvels, o personagem principal não é um cara poderoso. Ele não é forte, não é ágil, muito menos imortal. Ele é apenas uma pessoa. Um jornalista chamado Phil Sheldon.

            Lendo a estória deste jornalista, veremos clássicos do universo Marvel recontados através de sua ótica. Desde o surgimento dos super-heróis na época da Segunda Guerra Mundial, até culminar naquela que é, provavelmente, a estória mais conhecida das HQs Marvel,  aquela que conta a morte de Gwen Stacy, o primeiro amor de Peter Parker.

Phil e sua esposa em momento de desconstração

            Com ótimo roteiro de Kurt Busiek e fantástica arte de Alex Ross, as qualidades são tantas que é até difícil destacá-las. A arte é maravilhosa (veja acima). Não são apenas desenhos, são verdadeiras pinturas. São tão realistas que é comum serem confundidas com fotos. Já o roteiro de Kurt Busiek é tão emocionante que faz o leitor devorar as páginas com tanta ansiedade que mal tem tempo de admirar as pinturas.

            Peguemos como exemplo a Parte Dois, que relata o problema com os mutantes. A estória é construída de tal forma que, por mais que o leitor simpatize com a causa do Professor Xavier, é impossível não sentir medo deles, principalmente quando, em determinado momento, Phil descobre que existe um mutante vivendo no porão de sua casa. Busiek brinca com as emoções do leitor alternando medo e compaixão e nos levando, inevitavelmente, a indagar o que faríamos nessa situação. Simplesmente fantástico.

            Muito mais do que um gibi, Marvels é uma experiência, que merece ser vivenciada tanto por aqueles que conhecem o universo Marvel quanto por aqueles que nunca se interessaram por HQs. Sua estória é tão tocante que vai levar o leitor a se perguntar: “Será que são apenas os poderes que fazem um verdadeiro herói?”.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:16 AM
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   Game – Serious Sam – The Second Encounter (Croteam – 2002)

Foto: Divulgação

            Serious Sam: The First Encounter, lançado em 2001, é um dos jogos de tiro em primeira pessoa mais divertidos que eu já tive o prazer de jogar. Ao invés de colocar a dificuldade do jogo em labirintos intermináveis, em pegar chaves e em todos esses clichês de jogos do gênero, Serious Sam concentra toda sua dificuldade (e sua diversão) na ação. E coloca ação nisso. De tempos em tempos, o jogador vai se ver em um campo aberto cercado por centenas de monstros, lutando por sua vida de modo que é simplesmente impossível dar um tiro sem matar ninguém, tal a quantidade de inimigos que vêm de todas as direções. Tudo isso encabeçado por um personagem canastrão com uma personalidade que lembra (e muito) o Duke Nukem e um humor escrachado que deixa impossível não se divertir.

            The Second Encounter continua essa tradição. Aliás, o jogo é tão parecido com a primeira versão que parece mais um pacote de expansão do que um novo jogo propriamente dito. Não que isso seja ruim, já que tem tudo que se podia esperar. As carnificinas continuam lá, os gráficos continuam espetaculares (e olha que esse jogo foi lançado há 2 anos) e o humor continua presente. É simplesmente impossível não sorrir quando se encontra o kamikaze pela primeira vez.

            Algumas melhoras também foram feitas. Enquanto o “Primeiro Encontro” era completamente focado no antigo Egito, esta continuação apresenta maior variação, embora todos os locais ainda sejam igualmente interessantes. Saca só por onde você vai passar: o jogo começa na América Central, onde você vai tentar descobrir o segredo dos Maias. Depois disso, você pega um portal para a Babilônia para procurar a Torre de Babel. O jogo termina na Europa Oriental medieval, onde seu objetivo será encontrar o Cálice Sagrado. Além dos novos cenários, ainda foram criados novos inimigos e novas armas (entre elas a famigerada serra elétrica).

            Por outro lado, nem tudo são rosas (ou sangue) nesta parte 2. O pior problema é, sem dúvida, o tamanho das fases: são absurdamente grandes. Na maior parte delas, você vai ficar por mais de uma hora jogando até chegar no final, tornando o jogo um pouco enjoativo e causando aquela sensação de “não acaba nunca”. As músicas também contribuem para essa sensação, já que são no geral tambores e coisas do gênero, definitivamente não empolgando o jogador. Outro problema grave: depois de encerrar cada uma das três partes do jogo (América, Babilônia e Europa), você perde todas as suas armas, tendo que pegar tudo de novo. O que passava pela cabeça dos criadores quando pensaram nisso? Será que eles acharam que os jogadores iriam exclamar com empolgação: “Puxa, que legal! Agora eu vou poder pegar todas as armas de novo!”? Duvido que alguém pense isso. Mais um senão: o inimigo mais comum do jogo é justamente um dos mais chatos - uma caveirinha que pula em cima de você. Não que seja difícil derrotá-la, é simplesmente... chato.

            Felizmente, esses problemas não são o suficiente para destruir a absurda diversão que o jogo proporciona. Posso dizer, sem medo algum de errar, que a última fase – chamada The Grand Cathedral – é, absolutamente, a fase mais divertida que eu já joguei em qualquer título do gênero. Ela é composta de um caminho único, através do qual o protagonista tem que passar, com um único problema: este caminho está guardado por milhares (sim, milhares) de inimigos. Cabe ao jogador destruir cada um deles para chegar à batalha final. E se divertir muito no caminho, pois até a música dessa fase é legal.

            Serious Sam é um dos melhores jogos do gênero. Simplesmente impossível não se divertir.

            Serious Sam: The Second Encounter vem em um único CD e exige apenas 100 Mb para ser instalado. Existe também uma versão para Xbox, que traz os dois jogos de PC, intitulada apenas Serious Sam.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 3:47 PM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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