Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema – A Paixão de Cristo (The Passion Of The Christ – EUA – 2004) - Parte I

            Vou começar avisando. Esse resenha está cheia de divagações. Se você quiser ler apenas sobre o filme, creio que esta não é a mais indicada para você ler. Leitores avisados, vamos à resenha.

            O filme assassino. Esse foi o “apelido carinhoso” dado por mim a esse filme enquanto esperava na fila para comprar ingressos (onde passei longos cinqüenta minutos, um absurdo). Para quem não sabe, duas pessoas morreram assistindo a ele. Uma nos EUA e uma aqui mesmo, no Brasil. Claro que Mel Gibson e equipe nunca se manifestaram a respeito, afinal, os milhões de dólares que estão enfiando no bolso graças ao filme são muito mais importantes do que as vidas perdidas graças ao seu trabalho.

            Admito que estava realmente com medo de que minha namorada, que me acompanhava, engordasse esta absurda contagem de corpos. O medo de que minha própria vida fosse ceifada durante a sessão também me afligiu. Pois é, eu sou realmente paranóico. Bem, como vocês podem perceber, ainda estou vivo. Ela também.

            Polêmicas envolveram o filme desde antes do seu lançamento. Cristãos de um lado, judeus do outro, religião contra religião, esquecendo tudo que seus próprios evangelhos ensinam a seus seguidores. Essa é, basicamente, a história da humanidade.

            Não sou católico, não sou judeu. Até pouco tempo atrás, me considerava ateu, mas nem sei mais se me qualifico a isso. Mas, apesar de estar de fora das religiões (talvez até mesmo por causa disso) gostaria que elas fossem seguidas. Se todos que se dizem católicos, judeus, budistas ou quase qualquer outra religião existente seguissem a fé que escolheram, viveríamos em um mundo com menos competição, menos diferenças sociais e mais solidariedade, pois isso é, além de um ponto em comum entre a maior parte das religiões, o verdadeiro núcleo de seus ensinamentos.

            Religião se tornou, para a maior parte das pessoas, uma obrigação hereditária. O indivíduo, literalmente, herda uma religião à qual se sente preso durante boa parte da sua vida, sendo obrigado pela família a ir a missas e equivalentes. Quando essa fase termina, o cara vai abandonar a religião de vez (se é que um dia a abraçou realmente) mas vai continuar dizendo que segue essa ou aquela (mesmo que não o faça, nem nunca tenha feito) ou vai continuar seguindo esses compromissos por peso na consciência. Para aqueles que acham que eu estou exagerando, um simples exemplo: alguém já viu algum católico oferecer a outra face após um ato de violência? Eu não. O que vejo, infelizmente, é um mundo onde, por causa de algo banal, como uma fechada no trânsito (talvez até involuntária), um otário tirar sua arma (coisa que nem deveria existir, e garanto que existem pessoas religiosas em fábricas de armas que usam a velha desculpa “eu apenas sigo ordens”) e acabar com a vida do coitado que não tomou o cuidado necessário ao dirigir. É triste que a humanidade tenha chegado a isso.

            Cinco parágrafos depois (seis se você contar o aviso introdutório), ainda estou divagando sobre religiões e nem falei sobre o filme. Acho religiões fascinantes e poderia escrever muito ainda sobre o assunto. Talvez no futuro, por enquanto vamos ao filme.

            Como todo mundo deve saber a essa altura, A Paixão de Cristo relata as últimas 12 horas do “rei dos judeus”. Aliás, a palavra que deveria estar entre aspas na última frase deveria ser “relata”. Claro, todos conhecem a história de Jesus como a ponta dos dedos, mas o filme realmente não se preocupa em explicar nada. Por que ele foi crucificado? Por que tanto ódio? Quem são os “coadjuvantes”? Se você quer saber, não assista ao filme de Mel Gibson, leia a Bíblia. Posso dizer que, se não tivesse lido em algum lugar que Monica Belucci representaria Maria Madalena, não teria percebido isso pelo filme, pois poucos nomes são relatados. Era provável de eu acabar perguntando para alguém: “Mas por que ficaram mostrando aquela chorona o filme inteiro?”. Pilatos também é outro que, quem não conhece a história, pode não perceber de quem se trata (apesar de sua célebre frase de efeito). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:23 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema – A Paixão de Cristo (The Passion Of The Christ – EUA – 2004) - Parte II

            Também tenho minhas dúvidas em relação à fidelidade à Bíblia. Admito que não a li, mas nunca soube da presença do diabo assistindo à via-crucis enquanto carrega um nenê no colo (o que é aquilo? Damien? O bebê de Rosemary? Anton LaVey?). Isso se é que aquele personagem andrógino é o diabo, pois isso não é explicado e pode ter sido um erro de interpretação devido à minha ignorância. Aliás, na primeira cena em que este personagem aparece, conversando com Jesus, achei que era Maria. Até pensei: “Puxa, que Maria assustadora”. Claro que mudei de opinião quando foi mostrada uma minhoca passeando pelo nariz do encapuzado personagem.

            Outro motivo para as aspas estarem no relata de dois parágrafos atrás está na total ausência de acontecimentos. Após a condenação de Jesus, o filme se resume à tortura deste. A cena do açoitamento, em especial, é chocante. Enquanto vemos Jesus sendo submetido a flagelos dos mais diversos objetos, os carrascos exibem expressões de gozo, além de gargalharem como amigos em uma mesa de bar. Não sei se achei mais impressionante a hora em que uma das armas arranca a carne de Jesus expondo suas costelas ou as expressões (faciais e corporais) dos soldados romanos que parecem estar sentindo um prazer literalmente sexual ao torturar o prisioneiro. Isso, ao meu ver, simboliza toda a maldade da humanidade com a qual, infelizmente, convivemos até o dia de hoje. Essa cena é de tirar lágrimas.

            É realmente difícil de acreditar que, em algum momento de nossa história, pudessem existir pessoas tão cruéis. E pior ainda é sabermos que coisas como essas ainda acontecem diariamente. A maldade da humanidade (rima involuntária) está presente desde a criança que tira sarro do colega na escola até o policial que tortura um prisioneiro. São dois exemplos de atitudes selvagens que não trazem nenhum bem a não ser o prazer para aqueles que a executam (e não entendo como podem ter prazer em fazer alguém sofrer). Curiosamente, a cena do açoitamento é mais violenta que a da crucificação. Ela é tão horrível que me fez pensar em sair do cinema com medo do que viria no clímax do filme.

            Outro ponto negativo: a legendagem. Apesar de o filme depender bem mais das vísceras arrancadas de Jesus do que dos diálogos, creio que ao menos 25% das falas do filme não são legendadas. Como já foi amplamente divulgado, o filme é falado em aramaico e latim. Admito que não conheço nenhum dos dois profundamente e que nem sou capaz de diferenciá-los, porém imagino que a falta de legendas em algumas cenas se deve ao fato de que o tradutor escolheu apenas uma delas para legendar e decidiu que a outra ia permanecer sem as “letrinhas prestativas”. Isso não chega a prejudicar o entendimento, já que a história do filme é muito conhecida, mas é no mínimo sacal ter cenas com diálogos completamente incompreensíveis.

            Com tantos pontos negativos, o filme também tem suas glórias. As interpretações são fenomenais. Todos os personagens estão muito bem representados e o figurino também está bem legal. O fato de o filme causar os sentimentos que causa também é digno de elogios. Outra vantagem é ele ter me inspirado a escrever essa resenha e se, com ela, fizer ao menos uma pessoa pensar sobre o que escrevi (apesar da polêmica que tenha certeza que este texto vai gerar), já terá valido a pena.

            Isso, infelizmente, não é suficiente. A Paixão de Cristo é um filme sádico. Mais impressionante do que a série Faces da Morte, é um filme que vale ser visto apenas para quem, como os carrascos do filme, sentem prazer em ver violência e maldade da qual nem Freddy Krueger é capaz (claro que este é um personagem cômico, mas fica o exemplo). Para todos os outros, gastem seu dinheiro em outra coisa.

PS: Mais um exemplo da maldade humana. No momento em que escrevo esta resenha, está passando na TV um daqueles programas de câmera oculta. Neste segmento, o protagonista do programa finge estar pedindo uma mulher em casamento em um estádio, com o pedido passando no telão. A mulher (também uma atriz) recusa e a reação do estádio foi, surpreendentemente, de rir da cara do pobre coitado (que na verdade é um ator milionário, mas isso não vem ao caso). Alguns até caíram da cadeira de tanto rir. Será que todos eles se diziam ateus ou seguiam alguma religião “do mal” da qual eu nunca tenha ouvido falar?

“Talvez não seja tarde demais para aprender a amar e esquecer como se odeia”

Ozzy Osbourne, na clássica Crazy Train



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:22 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema – Notícias – Assista ao novo trailer do Homem-Aranha 2 dez dias antes do lançamento oficial!

            O lançamento oficial nos cinemas e na Internet é 9 de abril, mas conseguimos um link especial para nossos visitantes assistirem antes. Uma verdadeira pré-estréia de trailer.

            A qualidade não está muito boa, já que alguém filmou o trailer em alguma daquelas "exibições especiais para privilegiados", mas vale para satisfazer a curiosidade. O trailer (em formato .mov) também não é lá grande coisa, mas Homem-Aranha é Homem-Aranha e esse filme promete ser ainda melhor que o primeiro.

            Para assistir, vá para http://www.movie-list.net/spiderman2-boot.mov.            

            E amanhã aqui no Delfos: A Paixão de Cristo.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 3:05 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   TV – Notícias – As Aventuras de Jerry Seinfeld e Super-Homem

            Jerry Seinfeld está de volta. E com seu ídolo, o Super-Homem a tiracolo. Isso faz parte da nova campanha da American Express, que mostra os dois em “webisódios” em um site criado especialmente para a campanha.

            Olha, eu normalmente odeio sites em flash (tenho que manter minha fama de ser do contra ) mas esse site é bem legal. Carrega rápido, o layout mistura o visual do seriado do Seinfeld com gibis e as animações são legais.

            Por enquanto, só um “webisódio” está disponível, além de alguns teasers para a TV, com 30 segundos, um karaokê, um making of e uma galeria de fotos. O “webisódio” mostra o Super-Homem, em versão animada fazendo as vezes do melhor amigo de Seinfeld (E o George, cadê?). Claro que um amigo com super poderes  tem suas vantagens. Confira em http://www.jerry.digisle.tv/room.html.

            Mas me fala uma coisa: o público-alvo da Amex não eram executivos cheios da grana? Quando que eles decidiram focar sua comunicação em nerds?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 3:02 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Música – Notícias – Ótimas notícias no mundo da Música: Van Halen e Twisted Sister

            Duas notícias pelas quais eu esperava há anos foram divulgadas exatamente no mesmo dia.

            Depois de meses de boatos (esses boatos parecem sempre ter um fundo de verdade: Iron Maiden e Judas Priest que o digam) agora é oficial: Sammy Hagar está de volta ao Van Halen. O Van Halen foi a banda que me fez começar a gostar de Rock e daí para o Heavy Metal foi um pulinho, e agora estão de volta com aquela que sempre foi minha formação preferida (eu e essa mania de ser do contra). A coletânea Best Of Volume 2 sai em junho com duas faixas inéditas gravadas com Hagar. Para divulgar o lançamento, algumas datas de shows foram anunciadas, mas nada que faça nós brasileiros pularmos de felicidade. Resta apenas torcermos para que possamos ouvir clássicos como Dreams ao vivo em nossas terras.

            Por outro lado, quem vem ao Brasil é aquela que tem (e lá vou eu me meter em polêmica de novo), as melhores letras do Rock, o fantástico Twisted Sister, com formação clássica, maquiagem e tudo mais que tornam eles uma banda tão legal. A data marcada no site oficial da banda (www.twistedsister.com) é de 28 de agosto e o local é, infelizmente, o péssimo Olympia. Enfim teremos oportunidade de ouvir clássicos como We’re Not Gonna Take It e I Wanna Rock, mas as que eu realmente gostaria de ouvir são Under The Blade, Be Chrool To Your Scuel e I’ll Never Grow Up. Provavelmente essas não vão ser tocadas, mas a esperança é a última que morre, certo?

            Seja como for, essas duas notícias já são de deixar qualquer um que gosta de Hard Rock de cabelos em pé, e ansiosos pelo que vem por aí.

            Outros shows prometidos para este ano são Therion, Dimmu Borgir, Cradle Of Filth e Edguy. Ainda tenho esperanças que a nova turnê do Judas Priest passe por aqui também, vamos torcer.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:30 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Quadrinhos – Marvel Apresenta 10: Wolverine & Homem-Aranha (Panini – 2004) – Originalmente publicada em Spider-Man & Wolverine (Marvel – 2003)

Capa da edição nacional

             Há mais de uma década atrás, meu pai me presenteou com um gibi que havia ganhado em um posto de gasolina. Este gibi era o Homem-Aranha nº 94 que, sem querer, despertou meu interesse pelo universo dos super-heróis, sobretudo pelo Homem-Aranha.

            A estória daquele gibi consistia em uma aventura acontecida em Berlim (antes da queda do muro) e o aracnídeo tinha como coadjuvante justamente o baixinho canadense chamado Wolverine, personagem do qual nunca tinha ouvido falar e que imaginei ser um vilão, já que a capa mostrava os dois brigando. Desde então, os dois se encontraram muitas outras vezes, possivelmente devido às próprias personalidades conflitantes dos dois, o que tornava as tramas mais interessantes – enquanto um é o arquétipo do bom menino, o outro é um assassino sanguinário que mata sem dó nem piedade. Essa aventura é um clássico de inegável importância para o aracnídeo e uma resenha dela será publicada algum dia aqui no Delfos.

            Enquanto esse dia não chega, vamos falar sobre esse Marvel Apresenta nº 10, que mostra os dois heróis se encontrando pela trocentésima vez. Todas as diferenças tantas vezes exploradas nos encontros entre os dois se repetem aqui. Wolverine quer matar. Homem-Aranha não quer que ele mate. Ou seja, criatividade não foi o forte de Brett Matthews, responsável pelo argumento da trama.

            A desculpa da vez para mostrar os dois se estranhando está em Nick Fury, que sabe a identidade secreta do Aranha (quando isso aconteceu? Eu não sabia que ele sabia disso). Acontece que o tremendão da SHIELD contrata compulsoriamente o amigão da vizinhança para salvar um prisioneiro no Japão. Este prisioneiro é, obviamente, o X-Men preferido de quase todo mundo (eu, que tenho personalidade, gosto mais do Noturno ).

            Este resgate acontece logo nas primeiras páginas e, a partir daí, os dois seguem na cruzada de Wolverine por vingança, com a única condição (exigida pelo Aranha) de que o canadense não matasse ninguém.

            Toda a estória é contada em detalhes através de flashbacks, já que os dois estão na sala de um psiquiatra misterioso cuja identidade só é revelada na penúltima página (não vale olhar).

            O ponto fraco da HQ está nos desenhos, com personagens que não se assemelham aos rostos aos quais estamos acostumados e, principalmente, à falta de respeito com a cronologia dos personagens (a Marvel complica tanto a cronologia que até seus próprios roteiristas se confundem, que dirá dos leitores, então?). Explico: no já citado Homem-Aranha nº 94, Wolverine descobre o alter ego do escalador de paredes através de seu olfato apurado. Nesta HQ, Peter tira a máscara e se apresenta, como se o baixinho não soubesse sua identidade secreta. Isso sem contar o absurdo de Peter tirar a máscara e se apresentar! Por que diabos ele faria isso?

            No geral, Wolverine & Homem-Aranha é uma boa aventura, digna de ser lida, especialmente para compensar as fraquíssimas estórias presentes na revista mensal do aracnídeo, cujos desenhos fazem a arte deste Marvel Apresenta parecer ter sido feita pelo Alex Ross.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:58 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Novidades Delfos

         Os últimos dias foram bem produtivos para o Delfos. Primeiro conseguimos passar da barreira das mil visitas. Logo em seguida, o Delfos figurou na lista de blogs legais da UOL. Para coroar, recebemos o selo dos Melhores Blogs do blog Críticas Brasil, que você pode conferir ao lado.

         Isso tudo nos deixou muito orgulhosos e posso prometer que isso não servirá de estímulos para mantermos a qualidade, mas para elevarmos o padrão ainda mais. Em nome de toda a equipe (que na verdade são só 2 ), agradeço a nossos visitantes mais fiéis, aos ocasionais, àqueles que estão entrando pela primeira vez e até mesmo àquele cara que me xingou há alguns dias. Vocês dão força para continuarmos e ficarmos cada vez melhores. A começar na próxima semana, quando teremos alguns textos bem legais. Só para criar uma expectativa, vai ter um sobre o gibi Marvel Apresenta 10, que traz uma estória do Homem-Aranha e do Wolverine e uma resenha sobre o filme A Paixão de Cristo. Fique ligado. E em breve, teremos uma semana especial sobre Matrix, falando sobre os significados de alguns nomes e referências a filosofias e religiões. Está quase pronto, mas não quero especificar uma data para não furar com vocês.

         Para terminar, se você gosta do nosso trabalho, nos ajude a divulgar. Além de indicar para seus amigos, entre no site http://blog.uol.com.br/ e clique em "Indique um blog legal". E ainda estamos procurando um webdesigner. Mais informações no e-mail caracoless@ig.com.br.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:52 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema - Escola de Rock (School Of Rock – EUA – 2003) - Parte I

            Quantas vezes já vimos roqueiros sendo representados nos cinemas? Puxa, até já perdi as contas. Todas as vezes que um vilão sanguinário é necessário, colocam lá um cara com pinta de “metaleiro”. Quando precisam de um personagem burro, mas divertido, é batata. Não tardam a inventar um personagem fã de Hard Rock. Esse preconceito de Hollywood (muito bem traduzido para o Brasil pela poderosíssima Rede Globo) parece, contudo, estar diminuindo. Em 2002, foi lançado o filme Rock Star, baseado na história de Tim “Ripper” Owens e do Judas Priest. Rock Star foi, provavelmente, a primeira vez que um Headbanger sorrindo foi mostrado no cinema, imagem mais tabu para os engravatados do que beijo homossexual. Aliás, toda a primeira parte do filme é muito legal. Mais para a frente, infelizmente, o filme acaba se perdendo em meio aos clichês e aos preconceitos.

            E onde Escola de Rock se encontra nessa história toda? Bem, com certeza há menos preconceito aqui do que em Cabeças de Vento (que denuncia seu preconceito até no nome), mas ainda não foi dessa vez que vimos o mundo do rock ser reproduzido fielmente.

            Já assistiu o clipe Sugarcube da banda de pop/rock Yo La Tengo? Neste clipe, vemos os músicos da banda indo para uma “Escola do Rock”, onde eles têm aulas com professores maquiados tipo o Kiss e vão aprender lições valiosas como “Para escrever letras de rock, vocês precisam saber tudo sobre os hobbits”. Este clipe, além de ser um dos mais engraçados dos últimos anos, parece ter servido de inspiração para esta Escola de Rock. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:39 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema - Escola de Rock (School Of Rock – EUA – 2003) - Parte II

            Vamos ao filme: Dewey Finn (Jack Black) é um típico perdedor roqueiro (obviamente) que só quer saber de tocar com sua banda No Vacancy, da qual logo é expulso, e explora seu amigo que, ingenuamente, paga a parte do aluguel de Dewey esperando que um dia ele se toque e arranje um emprego “de verdade”.

            Em meio a um ultimato da namorada de seu colega, Dewey decide roubar a identidade do amigo e ser professor substituto de uma escola elitizada. Incapaz de dar aulas afinal, é um roqueiro idiota, Finn fica apenas enrolando o dia inteiro até que, um dia, descobre que a garotada tem aulas de música e, surpresa, são ótimos instrumentistas.

            Sabendo da aproximação de uma competição de bandas, Dewey não perde tempo e monta uma banda com os alunos. Problema: as crianças não sabem nada de Rock. E aí começa a melhor parte do filme, onde o professor picareta começa a dar aulas de Rock de verdade para a criançada, abrangendo música, atitude, composição e tudo mais que um roqueiro precisa saber. É engraçadíssima a cena onde o personagem de Jack Black diz que Rock tem que ser sobre aquilo que deixa o compositor bravo, o que faz as crianças começarem a falar coisas como “falta de mesada”, enquanto Dewey vai usando o que os guris falam para compor uma música cuja letra acaba lembrando ótimas bandas como Alice Cooper, W.A.S.P. e Twisted Sister.

            Além do preconceito, Escola de Rock também conta com sua carga de clichês. Exemplo: a lição de casa do guitarrista é ouvir Jimi Hendrix, a do tecladista é ouvir Yes e a do baterista é, obviamente, ouvir Rush. Nada contra essas bandas, até gosto muito de Rush, mas acho que está na hora de as pessoas se tocarem que existiram bons guitarristas depois de Hendrix.

            O maior destaque vai para a trilha sonora que, além de contar com medalhões do porte de AC/DC, Ramones e Deep Purple, ainda conta com ótimas músicas compostas e executadas pela própria banda do filme. O destaque negativo vai para o cartaz nacional, obviamente feito por alguém que não entende nada de Rock. Acontece que traduziram literalmente a frase “We don’t need no education” referência óbvia ao maior clássico do Pink Floyd (Another Brick In The Wall), eliminando, assim, todo o significado do cartaz original e ajudando a aumentar ainda mais o preconceito do brasileiro comum que, ao não perceber a ligação com uma das músicas mais conhecidas da história, ainda vai sair falando que “roqueiro é burro porque não quer educação”. Deviam ter deixado no original, pois manteria a referência e o público que conhece a música (justamente a quem o título é direcionado), a perceberia mais facilmente.

            Escola de Rock não é um filme que vai mudar a sua vida, ou que você nunca tenha visto antes, mas é, ainda assim, uma comédia com seus bons momentos. O típico “filme Sessão da Tarde” para você assistir com a sua família na tarde de sábado e depois ir tomar um sorvete. O que não deixa de ser um ótimo programa.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:38 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Game – Clive Barker’s Undying (Electronic Arts – 2001)

Engole ectoplasma, seu demônio feio! Foto: divulgação

            Apesar de ser um jogo relativamente antigo e até de eu tê-lo jogado há algum tempo, Undying realmente merece uma resenha aqui no Delfos, pois é, definitivamente, o MELHOR jogo de tiro em primeira pessoa que eu já tive o prazer de jogar.

            Os mais ligados devem ter reconhecido o nome Clive Barker, presente no título. Ele é o escritor de um dos filmes de terror mais conhecidos da história, Hellraiser, e assina a trama (inédita) do jogo.

            Puxa, se um cara famosão escreveu a estória, ela deve ser realmente demais, né? Infelizmente não. A trama de Undying é aquela básica estória de casa mal-assombrada. Cinco irmãos podres de ricos brincam com o que não devem e, a partir daí, coisas estranhas começam a acontecer, causando a morte de quatro deles. Jeremiah Covenant, o que sobrou, temendo pela própria vida, pede ajuda a um homem com conhecimentos místicos que conheceu há muito tempo, chamado Patrick Galloway. Obviamente, o jogador controla Galloway em sua jornada contra as trevas.

            Se a estória realmente não é criativa, ela é, sem dúvida alguma, assustadora. E digo mais, Undying é o jogo mais assustador do qual eu tenho conhecimento e talvez o único que eu conheço que realmente merece o selo de recomendação para maiores de 18 anos. Posso dizer, sem sombra de dúvida, que nunca senti tanto medo quanto senti com este jogo. Chegava ao absurdo de eu não ficar com vontade de jogar. Sim, por medo. E, antes que você ria da minha cara, desafio você a tentar jogar sem ficar tenso ou sem levar algum susto que faça você pular da cadeira.

            Muitos fatores contribuem para o clima assustador do jogo. A começar pelos maravilhosos gráficos que, apesar de serem poligonais e feitos há mais de três anos, foram, na minha opinião, apenas ultrapassados recentemente pelos gráficos de XIII, mas aí também é covardia. O som é mais do que assustador. É aterrorizante. Na maior parte do jogo, não existem músicas. Apenas o barulho da chuva do lado de fora da mansão, o barulho de passos e a respiração das criaturas que tomaram conta da casa. A casa, aliás, é outro destaque. A maior parte do jogo acontece dentro dela, e ela é simplesmente imensa. Apesar de seu tamanho, você vai reconhecer diversos cômodos pelos quais vai passar mais de uma vez, porém eles sempre terão algo de diferente. E cada vez mais assustadores, sejam espelhos que refletem o que não está lá ou luzes que se apagam de repente. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:07 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Game – Clive Barker’s Undying (Electronic Arts – 2001) - Parte II

            Undying apresenta uma jogabilidade inédita, que mistura magia com armas tradicionais, ou seja, enquanto você carrega um revólver com a mão esquerda (botão esquerdo do mouse), a sua mão direita está sempre pronta para um feitiço (botão direito do mouse). Isso mesmo, você pode fazer dois ataques ao mesmo tempo e as habilidades de Patrick, um verdadeiro bruxo, são demais. Sua primeira magia de ataque vai ser o famoso Ectoplasma, uma espécie de míssil mágico que deve ser amplificado assim que possível (existem itens que permitem que você aumente o poder de uma magia), pois será o mais usado. Outra magia muito legal é a Skull Storm, que consiste em conjurar três caveiras (quando completamente amplificado) de baixo da terra e atirá-las sem dó nos adversários. Essa será a magia mais usada nos combates com os chefes.

            Existe outra magia que merece um parágrafo só para ela. Chamada Scrye, consiste em ver o que está acontecendo na Quarta Dimensão, ou o que aconteceu no passado. Exemplo: na primeira cena do jogo, você estará no quintal da mansão. Ao lado da imensa porta de entrada, existe um poste. Usando Scrye e olhando para esse poste, você verá um presunto. Sim, uma pessoa enforcada com gotas de sangue pingando no chão, onde já se formou uma poça do líquido vermelho que está, no momento, sendo lambida por ratos. Ficou com medo? Olha, se ficou, é melhor parar de jogar por aí, pois o Scrye revelará muitas outras surpresas desagradáveis durante o jogo. Para saber quando usá-lo, fique atento a um sussurro “Look...” que acontece de tempos em tempos, sempre que você está próximo de um local “Scryável”.

            Como se não bastasse o medo que o próprio clima do jogo gera, seus inimigos também não são exatamente personagens da Disney. Você vai lutar com criaturas que vão desde piratas (que nem são assustadores, mas são divertidos de matar) até demônios e mortos vivos passando, é claro, por outros bruxos (ou você achou que você fosse o único estudioso do ocultismo no jogo?).

            E ainda tem os chefes que são, na verdade, os quatro irmãos mortos de Jeremiah, além do chefe final, que, de tão previsível, você já deve até imaginar quem é. Aqui cabe uma dica, se você deseja saber como ficaram os irmãos Covenant depois de mortos, use Scrye no imenso retrato de família que está na mansão (você vai saber qual). A maioria dos chefes pode ser derrotado apenas na violência (com exceção do pirata Ambrose que, aliás, é dublado pelo próprio Clive Barker), mas para todos existe uma manha que deixa as lutas mais fáceis. Nenhuma delas é absurdamente difícil e são todas realmente divertidas, apesar de nem todas serem assustadoras.

            Mas não se preocupe com os chefes não tão assustadores, pois sustos realmente não faltam nas fases que você vai enfrentar, que envolvem a mansão Covenant, um esconderijo de piratas, uma floresta, um mundo mágico chamado Oneiros (onde você vai aprender a voar) e até uma viagem no tempo para um monastério da Idade Média.

            Undying é um jogo quase perfeito. O único defeito do jogo responde pelo seu tamanho: absurdamente longo. Talvez o jogo fosse ainda melhor se tivessem encurtado o longo caminho que deve ser percorrido antes do encontro com o primeiro chefe, a adolescente Lizbeth (uma das mais assustadoras).

            Apesar de sua longa duração e da falta de uma opção multiplayer, da qual muitos jogadores sentem falta (eu, sinceramente, não faço questão), Clive Barker’s Undying ainda é um jogo nota 10. Cuidadosamente construído, com uma estória não muito criativa, mas muito bem contada, Undying é uma obra-prima da Electronic Arts e merece ser conferido por todos os admiradores do gênero Terror. E duvido que você consiga jogar com as luzes apagadas.

            Clive Barker’s Undying está disponível para PC e Mac.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:05 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema & Vídeo - Batman: Dead End (Independente – EUA – 2003)

            Considerado por muitos como o melhor filme do Batman já realizado, este Dead End é uma experiência bastante semelhante àqueles programas de luta livre em que os lutadores se vestem com fantasias espalhafatosas e que já se sabe quem vai ganhar desde o começo. A única diferença é que aqui os lutadores usam fantasias de personagens conhecidos.

            Com 8 minutos completamente desprovidos de estória, Batman: Dead End começa com Batman enfrentando seu arquiinimigo, o Coringa. Mas a ação descerebrada não pára por aí, outros vilões conhecidos do público também dão as caras: Alien e Predador.

            Batman: Dead End é extremamente escuro, como um filme do Batman deve ser. As fantasias também são bem feitas mas, infelizmente, o filme se resume a isso. Recomendado apenas para quem consegue se divertir assistindo luta livre.

            Batman: Dead End é gratuito e pode ser baixado no seguinte endereço: http://www.theforce.net/theater/nonsw/batman_deadend/index.shtml



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:43 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Game de Gameboy Advance- Altered Beast: Guardian of The Realms (THQ – 2003)

            Uma das maiores decepções da minha vida! Foi isso que pensei logo após uma hora jogando a nova versão para Gameboy Advance da clássica série Altered Beast.

            Para quem não conhece o jogo original (e acredito que isso seja muito difícil), ele foi lançado originalmente para arcades em 1988 e foi o carro-chefe da SEGA no lançamento do Mega Drive (Sega Genesis nos EUA) um ano depois. Na época, o jogo se destacava pelos excelentes gráficos, uma música épica empolgante e uma estória muito legal que envolvia a mitologia grega: Zeus ressussitava um herói morto para que ele salvasse sua filha, Atenas, das garras do deus do mundo inferior Hades.

            A jogabilidade era bem simples e clássica: Um tradicional jogo de ação lateral, onde você ia enfrentando alguns monstros, zumbis e cães de várias cabeças (obviamente baseados no temível Cérbero, o “bichinho de estimação” de Hades) sendo que estes últimos, quando eram brancos, forneciam cápsulas, que deixavam o herói cada vez mais forte. Juntando três destas cápsulas, você se transformava em um poderoso monstro (daí o nome do jogo) e ganhava novos poderes e golpes. Somente transformado é que se conseguia chegar nos chefes, passar ao próximo nível e repetir a rotina até chegar ao final do jogo (Nota do Carlos: se você não conseguia pegar três cápsulas até encontrar Hades pela terceira vez, ele chamava você pro pau não interessando a forma na qual você estava).

            Um dos fatores que mais chamavam a atenção na época era a (quase) perfeita conversão da versão Arcade para a versão doméstica do Mega Drive, fato considerado impossível e utópico nos anos 80. Mas Altered Beast, assim como Golden Axe, conseguiram essa proeza e acabaram se tornando os primeiros ícones da era dos videogames 16 Bits.

            Finalmente, em 2003, a softwarehouse THQ lançou uma espécie de remake do clássico, mas o tiro saiu pela culatra. Para começar, a estória perdeu todo seu embasamento mitológico: Zeus ressussita um guerreiro para limpar o seu reino das criaturas de um demônio chamado Arcanon. Ou seja, nada de Hades e Atenas nesta versão. Para complementar, os cães de várias cabeças também não estão mais no jogo.

            Os gráficos são bonitos e coloridos, mas os personagens e inimigos parecem que foram animados a partir de bonecos de massinha e acabam meio “deslocados” dos cenários.

            O som é normal, nada de excepcional além dos tradicionais sons de socos e chutes e algumas falas retiradas do Altered Beast original de 15 anos atrás. As músicas, que outrora eram belíssimas, agora são uma mistura insossa de New Age com Techno e acabam destoando totalmente da estória. Simplesmente não combina um jogo sobre mitologia grega com uma trilha sonora de danceteria.

            A jogabilidade é bem simples. O botão “A” soca, o “B” chuta e o “L” e o “R” servem para pular. Infelizmente os botões não respondem tão rápido quanto deveriam em um jogo deste porte onde os reflexos rápidos são fundamentais.

            A dificuldade, com certeza, é a característica mais marcante desta nova versão. O jogo está muito mais difícil que a versão anterior (que já era bem chatinha em determinados momentos). As fases são muito longas e estão em maior número (são 15 agora contra 5 do jogo de 1988), as cápsulas azuis demoram bastante a aparecer e os chefes são o cúmulo da apelação. Tudo isso, infelizmente, influiu negativamente no fator diversão que é praticamente inexistente, em especial para os que não têm um sentimento nostálgico pelo Altered Beast original ou quem nunca jogou essa versão.

            Outra coisa que me decepcionou muito nesta versão são as “Bestas” nas quais você se transforma. Elas eram um dos principais atrativos no jogo anterior porque tinham gráficos muito legais e eram assustadoras. Além disso as tranformações eram bem legais. No novo jogo, infelizmente, tudo isso se perdeu. As transformações são até interessantes mas as “Bestas”, apesar de serem mais variadas, estão muito mal feitas, estereotipadas demais. O lobo da primeira fase por exemplo lembra mais um inimigo vindo do desenho do Pica-Pau do que uma criatura assustadora da mitologia grega. Totalmente brochante.

            Se você gosta da versão original de Altered Beast jogue esta mais pela curiosidade do remake, mas se você não conhece o jogo original passe longe desta decepção.



 Escrito por Bruno Sanchez às 11:29 AM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema – Na Companhia do Medo (Gothika – EUA – 2003)

            Confesso que me interessei por esse filme desde a primeira vez em que li sobre ele. Confesso também que boa parte desse interesse foi fruto do nome do filme em inglês (Gothika) que me fez acreditar que haveria algo de gótico no filme (sim, eu sou ingênuo e não, não sou gótico).

            Em 100% das resenhas que eu li em outros sites, um pouco demais da estória é revelado. Embora não seja o clímax, é algo bem importante e cuja revelação é, possivelmente, a maior surpresa do filme. Recomendo que, se você for assistir a esse filme e ainda não tiver lido nenhuma resenha, que leia apenas essa e, apenas depois da sessão, leia as outras.

            Inversão de papéis são as palavras de ordem da trama. Em Na Companhia do Medo (como de um nome tão legal podem chegar nesse nome horrível?), conhecemos Miranda Grey (Halle Berry), uma psiquiatra criminalista extremamente lógica e racional que, depois de um acidente, acorda três dias depois, não em sua casa, nem em um hospital, mas na penitenciária onde trabalhava. Por que ela está lá? Bom, essa é a revelação que eu não vou fazer, pois não gostaria que ela tivesse sido revelada para mim antes de assistir ao filme (e foi).

            Pela primeira vez do outro lado, ela se depara com seus outrora colegas analisando-a com a mesma atitude não-tô-nem-aí com que ela analisava seus pacientes (atitude esta, infelizmente, usada por praticamente todos os profissionais de saúde que conheci durante a minha vida, que estão mais preocupados em saber se o convênio do paciente está em dia ou com o recheio de sua conta bancária do que com a sua saúde, propriamente dita).

            O pior é que ela realmente acha que não está louca (e algum louco acha que está? Como eu posso saber que eu não sou louco e o Delfos é apenas parte da minha imaginação? Ou até mesmo da sua, caro leitor?) e que tem algo mais acontecendo. Algo sinistro e que ela, como boa protagonista de um filme hollywoodiano está disposta a descobrir.

            O filme funciona bem, até certo ponto. Na verdade, ele começa mal, com aquela sucessão de sustos-que-não-são-sustos, tipo um cara abrindo um guarda-chuva atrás da protagonista. Depois vem a parte boa, com sustos de verdade e com uma condução da trama legal e interessante. No final, volta a parte ruim, mas agora, de tão ruim, nos leva ao arrependimento de termos gasto nosso rico dinheirinho para assistirmos à tal película.

            A sensação de coito interrompido é onipresente quando nos deparamos com o mesmo clímax ao qual qualquer pessoa chegaria. Aquilo que matamos desde o começo do filme, mas que nem demos muita importância por acreditar que era tão previsível que os roteiristas e seus polpudos salários, teriam capacidade de fazer algo muito melhor. Não tiveram. E isso nos leva a refletir sobre o que está acontecendo com o mundo do entretenimento. Será que sou eu que já fui tanto ao cinema que sou muito difícil de impressionar? Afinal, mesmo filmes que eu gostei, como Irmão Urso e O Último Samurai são extremamente previsíveis. Ou será que todas as estórias já foram contadas e a outrora ilimitada imaginação humana chegou ao seu limite? O que você acha? O espaço de comentários aí embaixo é todo seu.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:37 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Game de Gameboy Advance- X-MEN: Reign of the Apocalypse (Activision - 2003)

No final dos anos 80 e início dos anos 90 um gênero de jogos começou a chamar muito a atenção e fazer sucesso nas casas de fliperama. Eram os beat-'em-up, ou seja, jogos de luta com movimentação horizontal onde você passava uma fase andando e enfrentando vários capangas até chegar no chefe. Esse procedimento se repetia por algumas fases até você enfrentar o chefão final. As maiores produtoras da época lançaram jogos do gênero: Da Capcom tivemos muitos, entre eles Final Fight, The Punisher e Captain Commando. A Sega nos trouxe a série Streets of Rage (Nota do Carlos: não se esqueça do fantástico Golden Axe e do jogo do Homem-Aranha) e a Konami nos brindou com os excelentes jogos das Tartarugas Ninjas, Simpsons, Vendetta e, claro, não poderia faltar um dos X-Men lançado em 1992. Esse novo X-men: Reign of the Apocalypse não foi produzido pela Konami, e sim pela Activision (das séries Pitfall e River Raid na época do Atari), mas teve uma inspiração óbvia no jogo de 12 anos atrás. 

A estória é a seguinte: Um belo dia, voltando para a Mansão X; Ciclope, Wolverine, Vampira e Tempestade a encontram totalmente destruída e no chão do salão principal está o cadáver de....Ciclope. Não entendeu? Bom, nem os X-men! Mas jogando a primeira fase você acaba descobrindo que estão em uma dimensão paralela dominada pelo Apocalipse e seus arautos e agora precisam arranjar alguma forma de voltar para ao seu mundo. Ok, tenho que concordar que a estória é bem bobinha, mas serve como pretexto para a pancadaria, não serve?

Falando da parte técnica, os gráficos são bem legais. Você pode escolher um dos quatro X-men presos nessa outra dimensão, e todos estão muito bem caracterizados, com vários quadros de movimento gerando uma animação suave e constante. Os chefes de fase também são bem feitos e bem caracterizados, apesar de não possuírem tantos movimentos. Infelizmente os inimigos mais comuns são meio travadões e não aproveitam os bons recursos do portátil.

Os cenários são todos digitalizados a partir dos gibis dos mutantes o que garante panos de fundo bem familiares, como o laboratório em que Wolverine foi “criado” no Canadá, a mansão dos X-men ou a Terra Selvagem.

A jogabilidade é excelente. O controle dos personagens usa todos os botões do Gameboy Advance, mas são bem simples: O botão “A” dá o ataque fraco que possibilita os combos, o “B” é o ataque forte que joga o oponente longe, o “L” é o Especial e o “R” pula. Simples assim, nada daqueles comandos complicados e impossíveis de se executar no meio do quebra pau. Todas as respostas são rápidas e precisas.

O jogo é bem fácil e agradável, mas é do tipo descartável, já que uma vez que você acaba provavelmente não vai ter vontade de jogá-lo novamente. Para chegar ao final, basta saber combinar o uso do botão “A” e guardar o especial para os chefes. Conectando um segundo Gameboy Advance você pode jogar um modo versus (1 contra 1) ou em um modo cooperativo com um amigo lembrando bastante os jogos de arcade do início dos anos 90, o problema é que aí o jogo se torna muito mais fácil ainda. São no total 12 fases curtas e lotadas de inimigos que, infelizmente, não variam muito. Você vai enfrentar soldados da Tropa Alpha e Sentinelas durante todo o jogo até chegar no chefe e é meio frustrante essa falta de variedade, eles apenas usam o manjado truque de alterar as cores dos inimigos. Tosco,  especialmente se compararmos que jogos bem mais antigos do estilo, como Final Fight e Captain Commando, apresentam uma melhor diversificação.  

Se você é um possuidor de um Gameboy Advance e fã dos mutantes da Marvel tente alugar o jogo antes de comprá-lo e você não corre o risco de se arrepender. 



 Escrito por Bruno Sanchez às 2:32 PM
[] [envie esta mensagem]


 
   Cinema - Peixe Grande (Big Fish – EUA – 2003)

            Quem conta um conto aumenta um ponto. O tradicional jargão popular resume muito bem o novo filme de Tim Burton e John August.

            Baseado em um livro de Daniel Wallace, Peixe Grande conta a estória de Edward Bloom (Albert Finney) e seu filho, Will (Billy Crudup). Com a iminência da morte de Ed, ambos visam reatar o relacionamento, interrompido devido às mágoas do filho pela insistência do pai em contar suas estórias fantásticas e a conseqüente negação do último em revelar algo real sobre ele.

            Com o objetivo de conhecer realmente seu progenitor, Will sai à procura dos personagens que habitam as estórias que divertiram sua infância. O filme intercala o presente com os contos de Ed via freqüentes flashbacks, apresentando ao público detalhes da fascinante vida do Bloom pai, onde veremos a busca do protagonista pelo seu verdadeiro amor, além de conhecermos o gigante, a bruxa e muitos outros personagens que parecem ter sido inventados por Ed, interpretado em sua forma mais jovem pelo coitadinho Ewan McGregor (para quem não sabe, Ewan entrou em depressão por causa de toda o dinheiro e a fama que interpretar Obi-Wan Kenobi na nova trilogia de Guerra Nas Estrelas trouxe para ele. Eu fiquei com tanta pena quando fiquei sabendo disso).

            Os vários flashbacks de peixe grande, apresentados de forma linear, são de qualidade irregular. Alguns são emocionantes - como o encontro com a bruxa - outros são cativantes – como a insistência de Ed em conhecer a moça pela qual se apaixonou – e ainda outros são entediantes – como a segunda passagem pela cidade Espectro. Seja como for, todos os capítulos da vida de Bloom são muito criativos e, se não prendem a atenção pela estória, prendem ao menos pelo belo visual.

            Peixe Grande é uma fábula. Um filme muito bonitinho que nos ensina a ver a vida de forma mais romântica e colorida. O problema é ver a vida desse jeito com tantas demonstrações da ignorância do ser humano sendo mostradas diariamente nos noticiários. Creio que ninguém precisa de exemplos para saber quais são, precisa?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:39 AM
[] [envie esta mensagem]


 
      
 
 
Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
HISTÓRICO
 16/02/2006 a 28/02/2006
 01/02/2006 a 15/02/2006
 16/01/2006 a 31/01/2006
 01/01/2006 a 15/01/2006
 16/12/2005 a 31/12/2005
 01/12/2005 a 15/12/2005
 16/11/2005 a 30/11/2005
 01/11/2005 a 15/11/2005
 16/10/2005 a 31/10/2005
 01/10/2005 a 15/10/2005
 16/09/2005 a 30/09/2005
 01/09/2005 a 15/09/2005
 16/08/2005 a 31/08/2005
 01/08/2005 a 15/08/2005
 16/07/2005 a 31/07/2005
 01/07/2005 a 15/07/2005
 16/06/2005 a 30/06/2005
 01/06/2005 a 15/06/2005
 16/05/2005 a 31/05/2005
 01/05/2005 a 15/05/2005
 16/04/2005 a 30/04/2005
 01/04/2005 a 15/04/2005
 16/03/2005 a 31/03/2005
 01/03/2005 a 15/03/2005
 16/02/2005 a 28/02/2005
 01/02/2005 a 15/02/2005
 16/01/2005 a 31/01/2005
 01/01/2005 a 15/01/2005
 16/12/2004 a 31/12/2004
 01/12/2004 a 15/12/2004
 16/11/2004 a 30/11/2004
 01/11/2004 a 15/11/2004
 16/10/2004 a 31/10/2004
 01/10/2004 a 15/10/2004
 16/09/2004 a 30/09/2004
 01/09/2004 a 15/09/2004
 16/08/2004 a 31/08/2004
 01/08/2004 a 15/08/2004
 16/07/2004 a 31/07/2004
 01/07/2004 a 15/07/2004
 16/06/2004 a 30/06/2004
 01/06/2004 a 15/06/2004
 16/05/2004 a 31/05/2004
 01/05/2004 a 15/05/2004
 16/04/2004 a 30/04/2004
 01/04/2004 a 15/04/2004
 16/03/2004 a 31/03/2004
 01/03/2004 a 15/03/2004
 16/02/2004 a 29/02/2004
 01/02/2004 a 15/02/2004
 16/01/2004 a 31/01/2004



OUTROS SITES
 O portal DELFOS está no ar. Clique aqui para acessar.


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para o DELFOS