Delfos - Jornalismo Parcial
   Música – Especial – Uma homenagem do DELFOS ao mestre Ray Charles

Em 23 de Setembro de 1930 na pequena cidade de Albany (estado da Georgia nos EUA), nasceu o primeiro filho de Aretha e Baily Robinson, um bebê chamado de Ray Charles Robinson.

Segunda sua própria autobiografia, Ray Charles não nasceu cego, apenas pobre. Vítima de todos os tipos de preconceito racial e com uma deficiência física crônica, o pequeno Ray encontrou na música a sua válvula de escape para os problemas que o cercavam. “Eu nasci com a música dentro de mim. É a única explicação que encontro” dizia.

Ray Charles começou sua carreira como um cantor de bares em sua pequena cidade imitando Nat “King” Cole. Ele abandonou o sobrenome Robinson para que não houvesse confusão com o famoso boxeador “Sugar” Ray Robinson, que vivia seus momentos de glória naqueles idos.

No começo da década de 40, com a pouca quantidade de dinheiro conseguida nessas primeiras apresentações, o músico decidiu dar uma guinada em sua carreira se mudando para Seattle, um lugar mais receptivo para a comunidade negra e para o Jazz e Rhythm ´N´ Blues em geral. Nos clubes da cidade, Charles, virou uma celebridade local e conheceu um jovem músico, que mudaria a história da indústria fonográfica para sempre. Seu nome era Quincy Jones.

De Seattle, Ray Charles, seguiu para Los Angeles para gravar seu primeiro disco e, em 1948, formou, juntamente com Gossady McGee, o primeiro grupo negro a ter um programa de televisão chamado McSon Trio.

A explosão na carreira veio apenas no começo da década de 60 quando ele já era um músico respeitado com sucessos tocando nas rádios (Georgia On My Mind e I Can´t Stop Loving You) e fazendo sua primeira turnê européia.

O cantor e compositor também foi um dos grandes responsáveis pelo sucesso mundial do Jazz e do Rhythm ´N´ Blues nas décadas de 50 e 60, além de ter participado ativamente da luta contra a segregação racial nas mesmas décadas ao lado de seu amigo Martin Luther King. Não preciso nem dizer também de sua influência nos primórdios do Rock ´N´ Roll, já que o “Rei do Soul”, como ficou conhecido durante seu apogeu, entrou para o Rock ´N´ Roll Hall of Fame em 1986.

Ray Charles faleceu no última dia 10 de junho, aos 74 anos de idade, de problemas no fígado, deixando mais de dez filhos (nem ele tinha idéia de quantos) e uma herança eterna para a música mundial (e nem ele tinha idéia do quanto).



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:47 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Parte I

Foto: Carlos Eduardo Corrales

            Apesar de não considerar o último álbum do Primal Fear como um dos melhores da banda, admito que estava bem ansioso para esse show. Já tendo assistido à banda em duas oportunidades, em 1999 e em 2002 (se é que não perdi completamente a noção de tempo), posso dizer que o show do Primal Fear está entre os melhores que já presenciei.

            Contudo, não era o Primal Fear que protagonizaria as maiores surpresas da noite. Esse cargo pertence ao Sagitta, banda de São Paulo, responsabilizada por esquentar o público para a festa. Quarenta e cinco minutos antes do horário marcado no ingresso (para variar, o desrespeito com as bandas de abertura continua, vamos torcer para que um dia acabe), as luzes se apagam e uma longa, porém bela, introdução começa a ser entoada nos amplificadores. Um a um, os membros da banda entram no palco e enquanto eu procurava os melhores ângulos para tirar as fotos que você vê ilustrando essa matéria ia ficando gradativamente surpreso com a música dos caras.

            Com uma qualidade de som excepcional (principalmente se lembrarmos que era um show de abertura, normalmente prejudicado neste quesito), a banda fez um excelente show em todos os aspectos. Com um repertório baseado em músicas do seu CD Bad Signs, como Angel Guide e a faixa título, o Sagitta literalmente detonou com seu Heavy Metal pesado, melódico e com solos de guitarra influenciados por música clássica. Uma cover da banda principal também foi tocada: a ótima Formula One presente no primeiro disco do Primal Fear e que foi gravada pelo Sagitta para o tributo à banda. Curiosamente, essa era uma música que eu gostaria de ter ouvido nos shows do Primal Fear desde a primeira vez que eles vieram ao Brasil. Inclusive, nesta primeira vez, conversei com o ex-batera Klaus Sperling que disse que talvez tocassem essa música em uma próxima visita. Só não esperava ouvi-la sendo tocada por outra banda.

            A presença de palco da banda também é ótima e o vocalista Henrique Wychovaniec (ê, nome difícil) lembra muito o ex-Stratovarius Timo Kotipelto, não tanto na voz, cuja tonalidade é mais grave, mas na aparência e nos trejeitos de palco. Outro membro da banda, o guitarrista Jean Márcio Silvestre, também lembra um personagem muito conhecido, porém fora do meio Metal. Com um topete cabuloso, não conseguia olhar para ele sem lembrar do Pica-Pau (aliás, existe alguém que não lembre daquele episódio em que os personagens descem das cachoeiras em barris?).

            Se tivesse que ser muito chato e colocar um defeito no show dos caras, seria um momento que eles saíram do palco enquanto uma música em playback tocava para voltarem logo em seguida. Eles poderiam simplesmente ter mandado direto a próxima música para impedir que o público esfriasse nesse intervalo. Esse pequeno defeito, contudo, não foi o suficiente para diminuir o brilhantismo do show dos caras e digo mais, o Sagitta fez aquele que foi o melhor show de abertura que já assisti. Um verdadeiro exemplo de profissionalismo e de empolgação. Se você não conhece a banda, eles vão tocar no Brazil Metal Union dia 10 de julho e, se mantiverem a qualidade deste show, prometem ser uma das grandes sensações do festival. Parabéns ao Sagitta! Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:35 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Parte II

Foto: Carlos Eduardo Corrales

            Depois de uma abertura desse calibre, o Primal Fear teria que fazer um tremendo show para surpreender a galera. Então, por volta das 23 horas, ainda com a cortina fechada, a chatíssima Devil’s Ground (que nada mais é do que o baixista Mat Sinner lendo um texto com voz de mau) começa a tocar. Quando eu estava quase dormindo com a cabeça encostada no palco, as cortinas se abrem, revelando Mat e o ex-batera do Annihilator, Randy Black, que inicia a empolgante Angel In Black, acordando de vez aqueles que pegaram no sono devido à pentelha introdução.

            Pouco depois, o grande (na qualidade vocal e no tamanho) vocalista Ralf Scheepers (ex-Gamma Ray) entra no palco, já soltando um daqueles gritos que só ele (e o Rob Halford, sua maior inspiração) sabem dar e a música segue agitando todos os que esperavam pela volta da banda depois do fantástico show protagonizado por ela no Via Funchal, em 2002. Um dos clássicos da banda, Chainbreaker vem a seguir, momento no qual o Olympia chegou a tremer com a vibração do público.

            Como de praxe, depois da segunda música, é hora de um bate-papo com a platéia, onde Ralf Scheepers declara seu amor pela cidade de São Paulo, dizendo que é um dos melhores públicos do mundo, que sempre que ele vem para cá, se surpreende com o carinho dos brasileiros e esse blá-blá-blá todo que estamos cansados de ouvir. Mas então vem a surpresa: Ralf anuncia que a banda quer gravar um DVD em São Paulo. Infelizmente, não consegui entender se eles estavam realmente gravando ou se apenas “queriam” gravar (leia demagogia). Bom, o fato é que, depois do quinto CD é o momento ideal para a banda gravar um duplo ao vivo, pois já conta com muitas músicas legais para fazer um CD de qualidade. Seu primeiro DVD, The History Of Fear, apesar de muito bom, está mais para uma coletânea de material da banda do que para um DVD de show, tornando o momento (e o país) ideal para a gravação do ao vivo da banda.

            Com o público nas mãos, Ralf anuncia a primeira música de Devil’s Ground, o novo disco, chamada Suicide And Mania, seguida da divertida Running In The Dust, muito bem recebida pelo público paulistano. Com uma qualidade sonora impecável, a banda parece estar com ainda mais presença de palco do que da última vez que os vi. Ralf até aprendeu mais palavras em português e no intervalo entre as músicas, mandava um “Vocês tão aí?” para o qual o público respondia com empolgação. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:33 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Parte III

            Visions Of Fate, mais uma de Devil’s Ground, é a próxima, seguida da faixa título do terceiro álbum do Primal Fear, Nuclear Fire, que traz em sua introdução aquelas guitarras cantantes que o público brasileiro tanto gosta de acompanhar com seus tradicionais “Oh-oh-ohs”. Ao final dessa, que foi uma das mais bem recebidas pelo público, a galera começou a gritar “Primal Fear, Primal Fear”, ao qual Ralf respondia “do Brasil, do Brasil”. Isso me lembrou até o Derrick Green, vocalista do Sepultura, que sempre fala em seus shows “Sepultura do Brasil”. Foi realmente emocionante e, se isso foi algo que Ralf fez apenas no Brasil (o que, sinceramente, eu duvido) demonstra o carinho especial que existe entre o Primal Fear e o público tupiniquim.

            Mas não podemos esquecer que o show aconteceu no dia dos namorados e casais podiam ser vistos em qualquer lugar que você olhasse. E assim, o mesmo discurso que Ralf fez antes de tocar a balada Tears Of Rage no show de 2002 (“É hora de abraçar a sua garota”) foi repetido aqui, desta vez para apresentar a lenta The Healer. A banda parece realmente muito orgulhosa desta composição, a julgar pela forma como fala dela em entrevistas, mas realmente não a considero a melhor balada da banda, título que dou para a já citada Tears Of Rage, presente no debut da banda. Depois de uma baladinha, nada como um belo Heavy Metal e Battalions Of Hate é executada, fazendo os casais que se abraçavam e se beijavam na música anterior começarem a pular e cantar.

Foto: Carlos Eduardo Corrales

            E então, é chegada a hora dele, o banho de água fria, o odiado, o onipresente, o inevitável: o solo de bateria. Passei uma boa parte da minha vida de resenhista falando mal desses solos, mas creio que dessa vez consegui fazer as pazes com ele. Na verdade, descobri, enfim, uma utilidade e aquele que creio ser o verdadeiro motivo para o solo existir: permitir que o público vá ao banheiro. E parece que não sou apenas eu que penso assim, já que o banheiro do Olympia estava lotado nesse momento, coisa não muito comum de acontecer DURANTE um show. Como um sinal do além de que era esse mesmo o intuito da existência dos solos, no momento em que coloquei o pé para fora a introdução de Under Your Spell começou a ser tocada. Essa música, outra das preferidas dos fãs, é sempre muito bem recebida, provavelmente devido aos seus ótimos riffs.

            A bela Silver And Gold foi a próxima, seguida do mais novo clássico do Primal Fear, Metal Is Forever, talvez a mais bem recebida da noite. E aqui cabe um comentário: toda vez que Ralf cantava com mais força, o amplificador chiava, parecendo que não agüentava a voz do vocalista. Mas não é apenas o amplificador que parece não agüentar, já que o próprio senhor Scheepers parece forçar absurdamente sua voz, chegando a ficar vermelho e a ter as veias de seu rosto saltadas. Claro que a qualidade do vocal do cara é indiscutível, mas me questiono se ele não está usando sua voz de forma errada.

            Após essa música, uma imensa faixa com dizeres em alemão é erguida pela banda, a qual é lida na íntegra pelo vocalista, que parece ter se esquecido que aqui falamos português. Esse momento foi desnecessário, já que deixou 98,48% da platéia (a parte que ainda não concluiu o curso na escola de alemão) em dúvida sobre se estávamos sendo xingados, agradecidos, ou se tínhamos ganhado uma caipirinha grátis a ser retirada no bar do Olympia. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:31 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Parte IV

            Enfim, chegou a hora da banda ser apresentada. Os primeiros a terem seus nomes chamados foram os guitarristas, que foram recepcionados daquele jeito “ok, ok, vamos logo para os membros que interessam”. O batera Randy Black veio a seguir e obteve uma recepção surpreendentemente calorosa do público, principalmente se lembrarmos que ele acabou de entrar na banda, substituindo o engraçado Klaus Sperling (cá entre nós, existe algo mais engraçado do que um careca cabeludo? ). Antes ainda de seus aplausos cessarem, alguns afoitos na platéia já começaram a gritar “Sinner”, se referindo ao baixista Mat Sinner, que foi apresentado a seguir. Quando seu nome foi chamado, a banda começou a tocar uma instrumental que lembrava uma música de strip-tease, já causando a aflição daqueles que preferiam que um strip-tease fosse realizado no show do Nightwish ou, e principalmente, do Lacuna Coil.

            Para a alegria do público brasileiro, Mat manteve sua roupa, pegou o microfone e começou a brincar, dizendo que o México foi mais barulhento que nós. Até estranhei, porque normalmente essa brincadeira é feita citando nossos vizinhos argentinos, devido à rivalidade de nosso país com a Argentina. Provavelmente a banda ainda não tocou lá nessa turnê e o Brasil será usado para provocar nossos companheiros de Mercosul. Depois dessa pausa, Ralf foi apresentado pelo baixista e já emendaram a rápida Final Embrace. Após executá-la, a banda se despede e sai do palco.

Foto: Carlos Eduardo Corrales

            Pouco depois, o playback introdutório da já citada Tears Of Rage é executado e a banda volta ao palco tocando sua melhor balada, que contou com um solo fantástico do guitarrista Tom Naumann, que deixou no chinelo o solo gravado por ele mesmo no CD. Curiosamente, a banda não terminou a música, pois foi interrompida pelo público cantando sua melodia, o que se seguiu por alguns minutos sem parar, deixando a banda perplexa. Um emocionado Ralf Scheepers agradeceu a platéia reiterando o quanto o Brasil é especial para ele e para a banda toda e mandou Heart Of A Brave, a melhor música do mais recente CD, que foi muito bem recebida.

            Mais uma do Devil’s Ground, Colony 13, é executada, com mais uma brincadeira de Ralf, que mudou a letra e substituiu as palavras “colony thirteen” por “São Paulo”. O show está chegando ao fim e a quase Thrash Fear é a última do setlist. Essa música, embora seja muito legal, deve contar com um dos versos mais infames do Metal, capaz de deixar letristas como Humberto Gessinger com vergonha: “Fear is a four letter word” ou “Medo é uma palavra de quatro letras”.

            Música terminada, a banda agradece e deixa o palco. Com um show de pouco mais de uma hora e meia, o Primal Fear dessa vez deixou um pouco a desejar (convenhamos, show que é show dura no mínimo duas horas). Pela primeira vez em nossas terras, não tocaram nenhuma cover do Judas Priest (coisa que a banda faz muito bem), nem Church Of Blood (uma de suas melhores músicas), nem One With The World (clássico do Gamma Ray, da época em que Ralf fazia parte da banda). Isso para não falar das fantásticas Nine Lives e Formula One que nunca foram executadas pela banda em nosso país.

            E fica a pergunta: algum político maluco decretou alguma lei que determinasse que os shows internacionais devem ser curtos? Afinal, os últimos shows que presenciei (Primal Fear, Nazareth e Dimmu Borgir) foram curtíssimos e deixaram aquele gosto amargo de “Ué, já acabou?”.

            Veredicto final: foi um ótimo show, mas aquém das expectativas para uma banda como o Primal Fear. Aproveite e leia minha resenha para Devil’s Ground em http://delfos.zip.net/arch2004-05-16_2004-05-31.html.

            Agradecimento especial para Cinthia Mayumi Saito por ter me auxiliado com as anotações para que essa resenha ficasse a mais completa possível. Veja mais fotos do show abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:26 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Mais fotos do Sagitta

Foto: Carlos Eduardo Corrales  Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Mais fotos do Primal Fear  Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Mais fotos do Primal Fear  Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Mais fotos do Primal Fear

Veja mais fotos do Primal Fear abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:23 AM
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   Shows – Primal Fear & Sagitta (Olympia – 12 de junho de 2004) - Mais fotos do Primal Fear

Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales  Foto: Carlos Eduardo Corrales

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:16 AM
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   Novidades Delfos - Confira nossos textos no Rock Megazine!

            Mais um site aderiu aos nossos textos. Confira nossas resenhas e entrevistas em www.rockmegazine.net. Se você tem um veículo de comunicação e também quer publicar nossas matérias, envie um e-mail para caracoless@ig.com.br para instruções. Valeu!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:08 AM
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   Games – Lord of the Rings: War of the Ring (Sierra – 2004)

Esses dias eu estava lembrando de quando eu saí do cinema, após a exibição da bomba Dungeons & Dragons, e pensei comigo mesmo: puxa, como alguém pôde fazer um filme tão ruim usando uma franquia tão legal?

Pois bem, esse foi exatamente o meu pensamento após cerca de uma hora jogando esse LOTR: War of the Ring para PC. Como alguém pôde fazer um jogo tão fraco usando uma franquia tão legal?

Para começo de conversa, é necessário dizer que temos aqui um dos maiores exemplos de picaretagem na indústria dos games já que War of the Ring está mais para uma expansão de Warcraft 3 do que um jogo totalmente novo. É até curioso dizer isso já que eles pertencem a produtoras diferentes (Warcraft 3 é da Blizzard, enquanto que este WOTR é da Sierra), mas tudo, sem brincadeira, foi copiado na cara dura do jogo lançado em 2002, inclusive as partes negativas.

Os gráficos em 3D, que já eram ruins (e desproporcionais) no Warcraft 3, são horrorosos perto dos jogos mais recentes como C&C: Generals ou  Rise of Nations.  É como se você estivesse jogando um Warcraft 3, versão beta e em baixa resolução. As texturas são feias, os personagens são duros, os efeitos especiais, com raras exceções, são ultrapassados. Mesmo os heróis da Sociedade do Anel como o Gimli e o Legolas, são personagens totalmente comuns, sem nenhum diferencial ou animação específica, a não ser pelo fato que têm alguns poderes especiais, exatamente como funcionam os heróis de Warcraft 3. A única vantagem é que WOTR não é tão exigente e roda razoavelmente bem em um Pentium III 800, mas acredite, é um jogo feio que dá dó.

Na parte sonora temos mais um capítulo da aula de picaretagem. Os personagens usam as mesmas falas do Warcraft 3, é impressionante, mas obviamente são dublados por pessoas diferentes. Mesmo assim, os caras da Sierra subestimaram a inteligência dos jogadores, afinal se o estilo dos dois jogos é semelhante, era muito provável que as pessoas, pelo menos testassem ambos. As músicas são bem genéricas e não têm nada a acrescentar.

O estilo de War of the Ring, como você já deve ter imaginado, é um RTS (Real Time Strategy, ou Estratégia em Tempo Real) bem básico, utilizando os personagens da saga do Senhor dos Anéis como desculpa, já que algumas missões não têm absolutamente nada a ver com a estória do livro. Logo na primeira tela, você tem a opção de escolher apenas entre duas campanhas: as forças de Sauron ou os povos livres da Terra-Média. As forças de Sauron são a cópia da campanha dos Undead, enquanto que os povos livres copiam descaradamente a campanha dos humanos do jogo da Blizzard. Você basicamente monta uma base, constrói soldados, e sai para destruir uma base inimiga, ou chegar com seu exército até um certo ponto, e passar de fase. Tudo teoricamente, como já expliquei acima, com o embasamento do livro do Senhor dos Anéis (o jogo não tem a licença do filme, e sim do livro). A jogabilidade é exatamente igual ao Warcraft 3, os botões são os mesmos, o controle da câmera é o mesmo e alguns ícones são muito parecidos.

 Honestamente, não dá para entender o porquê disso tudo. Já até resenhei casos de clones como Mafia (um bem sucedido, leia em http://delfos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-15.html) e Simpsons: Hit And Run (um mal sucedido, leia em http://delfos.zip.net/arch2004-04-16_2004-04-30.html), mas um caso onde o jogo é copiado tão ao pé da letra por empresas diferentes, para mim é inédito, tirando os clones de Pac-Man que pipocaram no começo dos anos 80, mas, mesmo aqueles jogos, tinham suas particularidades, o que não acontece aqui.

Nota zero para a falta de criatividade, oportunismo e cara de pau da Sierra. Se você for um daqueles fanáticos por Senhor dos Anéis, tente alugar ou pegar esse jogo emprestado. Caso contrário, não deixe que os poderes sombrios de War of the Ring corrompam você e passe longe, muito longe. A Electronic Arts vai lançar no final do ano, aparentemente, um RTS decente baseado nos filmes do Senhor dos Anéis, chamado Battle For Middle-Earth, vamos torcer para que este, realmente dê certo.



 Escrito por Bruno Sanchez às 2:37 AM
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   Música – Notícias – Ray Charles morreu!

            Cara... Estou triste. Um dos maiores mestres da música, Ray Charles faleceu ontem, dia 10 de junho na sua casa nos EUA de uma doença no fígado. Em praticamente todo lugar que você ler essa notícia, você vai encontrar informações sobre seus sucessos e Grammys recebidos, mas isso tudo é irrelevante. Como sempre, no DELFOS você lê o que realmente interessa: Ray Charles fazia boa música e deve ser lembrado como tal. Em respeito a sua morte, nada além dessa notícia será publicado hoje no DELFOS. Aproveite para tirar a poeira dos seus vinis ou aqueles CDs de Blues que você nem sabe que tem e ouvir o mestre. É exatamente o que eu vou fazer.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 2:09 AM
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   CD – Wombat – W2K (Independente – 2004)

A capinha.

            Eu não sei porque eu ainda me surpreendo com a qualidade das bandas nacionais de Metal. Embora já tenha visto alguns shows de abertura péssimos, praticamente todas as bandas cujos CDs chegam às minhas mãos vão de bons a ótimos. Pensando assim, a única coisa surpreendente é pensar como bandas com tamanha qualidade ainda não estouraram no mercado metálico internacional.

            Esse é o caso dessa incursão independente da banda Wombat. Formada em 1994 e depois de ter lançado algumas demos, a banda finalmente chega ao seu primeiro CD full-length, intitulado W2K, que conta com 13 faixas.

            Recebi este CD do vocalista Nuno Monteiro há algumas semanas, quando estava entrevistando o Márcio Sanches, guitarrista do Queen Cover e Márcio o comparou com o ex-Judas Priest “Ripper” Owens. Realmente não vi muitas semelhanças entre os dois, mas em uma coisa eu concordo com o Márcio: o cara canta muito! Sua voz está localizada em algum lugar entre o Heavy Tradicional e o Thrash, unindo as melhores qualidades de ambos os estilos.

            A banda faz um Heavy Metal pesadão, beirando o Thrash Metal, que privilegia as levadas cadenciadas. Os riffs da dupla de guitarristas Dennis Allegri e Ricardo Tokywa, aliás, são outro destaque e devem funcionar muito bem ao vivo, pois são muito empolgantes. Os solos, por outro lado, não chegam a empolgar. Talvez um pouco mais de melodia fosse recomendável.

            O álbum é conceitual e conta basicamente a trama do filme Matrix (leia nossa resenha para Matrix Revolutions em http://delfos.zip.net/arch2004-01-16_2004-01-31.html) misturada com muitas referências bem claras ao cristianismo, como os 12 apóstolos, a crucificação, a ressurreição e a coroa de espinhos, todas adaptadas para se encaixar à estória do personagem Emm@nuel (que representa Jesus) e que tem a missão de despertar a raça humana que vive em um mundo de realidade virtual.

            As letras são todas bem claras e contam muito bem o que está acontecendo, porém apresentam também muitos erros de gramática. O vocalista Nuno também tem alguns erros de pronúncia o que, de forma alguma, diminui a qualidade da música. Não é nada que um Lyrics Consultant (pessoa que revisa as letras e dá toques de pronúncia para o vocalista, muito usado por bandas cuja língua nativa não é o inglês) ou um pouco de estudo não possa resolver. O principal, a técnica e qualidade vocal, o cara tem, e de sobra, mas é recomendável que as letras sejam corrigidas antes de irem para a prensagem final do encarte.

            Destaques? A música Rain, que abre o trabalho (após a introdução) é daquelas cujo refrão nos dá vontade de cantar junto. Outra música legal é Cyberdeath, que tem um riff quase igual ao de War Machine do Kiss. A produção do CD também merece destaque, com backing vocals bem colocados e uma ótima gravação. Na verdade, o CD inteiro é tão legal que ele não saiu do meu som desde que o recebi, e ainda não tenho previsão de quando vou tirá-lo.

            A banda está no momento à procura de uma gravadora ou um selo para lançar W2K comercialmente. As propostas recebidas estão sendo analisadas e eu acredito que, devido à grande qualidade do trabalho, em breve veremos este CD nas vitrines da Galeria do Rock. Qualidade para isso ele tem.

            Se você tem uma banda e quer mandar Demos ou CDs independentes (de qualquer estilo, não só de Metal) para o pessoal daqui do DELFOS resenhar, envie-nos um e-mail para caracoless@ig.com.br, que passaremos os dados necessários.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:34 PM
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   Música – Notícias – Van Halen e as músicas que faltavam

            A espera acabou! Depois de seis anos do último disco de estúdio e quinze dias depois que ouvimos a primeira inédita do Van Halen desde 1998, intitulada It’s About Time (se você ainda não ouviu, entre em http://delfos.zip.net/arch2004-05-16_2004-05-31.html), agora temos a oportunidade de baixar as duas que faltavam, Up For Breakfast e Learning To See.

            Infelizmente, a nova notícia não é tão legal quanto a anterior. Enquanto It’s About Time traz tudo que os fãs do Van Halen esperavam, as duas novas não seguem a mesma qualidade. Up For Breakfast é uma composição que lembra bastante o realizado por Sammy Hagar em seu primeiro álbum depois que saiu da banda, Marching To Mars. Ela, inclusive, lembra bastante a música mais conhecida desse disco, Little White Lie que, quem conhece a carreira de Sammy sabe que não está entre suas melhores músicas.

            Learning To See, por outro lado, vem naquela linha balada pesada, na linha de Feelin’, do álbum Balance, último com Sammy no vocal. Infelizmente, ela não segue a mesma qualidade da música de 1995, sendo bastante inferior.

            Mas não acredite apenas na minha palavra. Veja por você mesmo. Pegue sua cópia de Up For Breakfast em http://www.melodicrock.com/audio/VanHalen-UpForBreakfast.mp3, e reclame a sua Learning To See em http://www.melodicrock.com/audio/VanHalen-LearningToSee.mp3.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 3:42 PM
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   Quadrinhos – Batman – O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller com Klaus Janson e Lynn Varley – DC – 1986) - Parte I

A capa da edição nacional.

            Há histórias em quadrinhos e há histórias em quadrinhos. O primeiro grupo a gente lê, se diverte (vamos fingir que não existe HQ chata, ok?) e esquece que existe, pelo menos até o mês seguinte. Já o segundo grupo, a gente lê, mas não esquece. Essas HQs sobrevivem ao teste do tempo, viram lenda entre nerds e filhos dos nerds (quem mandou transarem sem camisinha? Sim, nerds também fazem sexo). Enfim, viram clássicos. Batman – O Cavaleiro das Trevas, mini-série em quatro edições, entra nessa categoria.

Foi Frank Miller quem escreveu e desenhou a história em questão, antes dele se tornar a paródia de si mesmo em Cavaleiro das Trevas 2, aquele papel higiênico disfarçado de HQ. Mas isso é outra história, vamos voltar ao primeiro Cavaleiro das Trevas.

A trama se passa num futuro alternativo, no qual Bruce Wayne abandonou o manto de Batman há mais de 20 anos. O crime domina Gotham City e o governo americano está à beira de uma guerra nuclear com a União Soviética (gente, eram os anos 80). Mas durante uma bela noite, cai uma forte tempestade. Wayne descobre que só passa porcaria na TV e as lembranças da morte de seus pais vêm a tona. Para matar o tempo, ele volta ser... tchan-tchan-tchan-tchan! O Batman! E os criminosos que se cuidem.

Difícil de acreditar que Miller fez uma obra-prima partindo duma bobagem dessas, mas ele conseguiu. Até hoje os nerds (e seus filhos) comentam da violência da série (Batman é um verdadeiro sádico), do humor negro da prosa de Miller e da luta fenomenal entre o Homem-Morcego e o Super-Homem no clímax da aventura. Os mais intelectuais também falam coisas como “revolucionou as HQs” e “tornou os heróis sombrios e atormentados, com mais densidade psicológica” e etc.

Aliás, não concordo com um ponto dessa última afirmação. Batman NÃO é atormentado em Cavaleiro das Trevas. Antes de Wayne sair de sua aposentadoria como combatente do crime, ele é fraco e deprimido. Mas quando veste o manto do morcego... Miller sempre afirmou que nunca quis fundar uma religião quando escreveu a história. Pode ser, mas foi o que fez. Afinal, Batman é um semi-deus na trama. Fazendo uma comparação boba, Miller seria Homero e Batman, seu Aquiles.

Nas mãos de Miller, Batman pode tudo. Até enfrentar o Super-Homem de igual para igual. Se você quer se identificar com o herói, é melhor ler a última edição de Homem-Aranha. Se quiserem personagens imperfeitos, leiam Watchmen de Alan Moore, outro clássico das HQs, publicado na mesma época de Cavaleiro das Trevas. Aliás, Watchmen é uma outra leitura indispensável, mas eu comento sobre essa obra-prima outro dia. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Amato Reame às 12:32 AM
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   Quadrinhos – Batman – O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller com Klaus Janson e Lynn Varley – DC – 1986) - Parte II

Agora, por que Cavaleiro das Trevas se tornou um clássico? Primeiro, pela forte caracterização do herói, como já destaquei. Segundo, pela maneira inteligente de usar todos os coadjuvantes inesquecíveis do Homem-Morcego: Gordon, Alfred, Robin, Duas-Caras, Coringa, Super-Homem, etc. Terceiro e mais importante, a narrativa brilhante e repleta de suspense, prendendo nossos fôlego em cada cena, página por página.

           Aliás, uma das sacadas na narração, que depois influenciou vários escritores, são os depoimentos na televisão de jornalistas, políticos e testemunhas inseridos no meio da história. Assim, o leitor pode entender e se identificar com o “homem comum” e suas reações ao retorno do Batman. E Miller aproveita para criticar a mídia fútil e sensacionalista, sempre em busca de sangue para exibir nos noticiários.

Entretanto, a crítica mais importante de Miller é política, dirigida ao governo dos EUA. Em Cavaleiro das Trevas, o Presidente dos EUA é um astuto, que não liga para a segurança da população, só quer aumentar seu poder (pois é, isso era novidade nos anos 80). O Presidente manipula o Super-Homem para enfrentar o Batman, já que este seria um “perigoso subversivo”. A luta entre os heróis encerra a história, mas não vou dizer quem vence no final, né?

           Pouca coisa envelheceu na mini-série. Além da URSS não existir mais, a arte de Miller é fraca para os padrões atuais (mas a diagramação das páginas continua perfeita). O próprio Miller já se mostrou superior no desenho em obras como Sin City e 300 de Esparta. Mas isso não importa, este é um gibi para guardar com destaque na coleção. É para ler e reler, pois o conteúdo continua atual. E para quem não acredita que Histórias em Quadrinhos podem ser arte, ler Cavaleiro das Trevas pode ser uma grande surpresa.

P.S.:  Batman – O Cavaleiro das Trevas foi publicado nas seguintes datas:

1986 - 1º Publicação nos EUA (DC Comics)

1987 - 1º Publicação no Brasil (Abril)

1993 - 2º Publicação no Brasil (Abril)

1997 - 3º Publicação no Brasil (Abril)

2002 - 4º Publicação no Brasil (Panini)

Se você lembrar de mais alguma, manda um e-mail para caracoless@ig.com.br que publicamos aqui com créditos para você.



 Escrito por Bruno Amato Reame às 12:32 AM
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   Música – Especial – Festa de lançamento do DVD Inside My Drums, de Aquiles Priester (Dynamo – 7 de junho de 2004)

Aquiles e seu DVD. Foto: Carlos Eduardo Corrales

            O Dynamo é um agradável bar, localizado na Vila Madalena, pertinho do Fnac. Ao entrarmos no local, o DVD já estava rolando e parece ser bem interessante, desde que você toque bateria, tenha um grande interesse no instrumento ou goste muito do Aquiles. Nele vemos o baterista tocando algumas músicas acompanhado de playback com uma câmera apontada para seus pés, para podermos ver os bumbos também. Creio que a esta altura não restam dúvidas de que o cara é bom, então não preciso me alongar nesse assunto.

Foto: Carlos Eduardo Corrales

            Pouco depois, o homenageado chegou. Muito solícito, atendeu a todos os que se aproximavam dele, tirando fotos, dando autógrafos e mesmo puxando papo. Aliás, pelo pouco que conheci do Aquiles até hoje (que é bem pouco), ele não mudou nada desde a época em que era um ilustre desconhecido que teve a honra de ser chamado para tocar com o ex-Iron Maiden Paul Di’anno. Um verdadeiro exemplo para músicos aspirantes e profissionais, tanto na qualidade do seu trabalho, como na sua humildade.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 2:32 PM
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   Cinema – Tiresia (Tiresia – França – 2003) - Parte I

 

Filmes franceses são famosos por serem incompreensíveis, “densos”, difíceis... E muitos deles realmente são. Tiresia, que causou furor na França e até participou da seleção oficial do Festival de Cannes em 2003, não foge dessa tradição.

            Antes de mais nada, todo espectador de Tiresia deveria conhecer o mito grego do adivinho Tirésias. Vamos então a um pouco de mitologia grega... Diz a lenda que um dia Tirésias estava passeando em uma floresta e em seu caminho encontra duas serpentes transando. Ele mata uma delas, a fêmea, e imediatamente se transforma em uma mulher. Durante sete anos Tirésias vive como mulher até que novamente se depara com duas outras serpentes copulando. Mais uma vez mata uma delas, dessa vez o macho, e volta então a ser homem. Um dia, no dolce far niente do monte Olimpo, os deuses gregos Zeus e Hera discutem sobre quem teria mais prazer no ato sexual, a mulher ou o homem. Chamado à presença deles para dar sua opinião, já que havia vivenciado os dois sexos, Tirésias confirma que é o homem quem tira maior prazer do sexo, o que desperta a ira da deusa Hera. Como punição, ela cega Tirésias. Zeus, com pena do rapaz, resolve então lhe dar o dom da profecia e Tirésias se transforma no mais famosos adivinho da Grécia. A partir daí, podemos entender um pouco mais do filme. Sem o conhecimento prévio dessa lenda, o filme fica totalmente sem pé e nem cabeça e os questionamentos fundamentais que provavelmente motivaram o diretor Bertrand Bonello a realizá-lo se tornam tão sutis que a compreensão do mesmo é praticamente impossível para o público em geral.

            Tiresia conta a história de um transexual brasileiro (Clara Choveaux) que ganha a vida se prostituindo no Bois de Boulogne, famoso ponto das “bonecas” brasileiras em Paris. Uma noite, um psicopata fascinado pela ambigüidade dos transexuais (Laurent Lucas), a leva para casa e faz dela sua refém e seu objeto de adoração. Terranova, o “cliente”, não chega a fazer sexo com Tiresia, ele apenas se satisfaz em admirar aquele corpo que contém em si os dois sexos; em sua concepção, sinônimo de perfeição. O problema começa quando, privada dos hormônios que artificialmente a tornam mulher, Tiresia começa a apresentar características masculinas. Terranova tenta obter os hormônios, mas não consegue. Ao ver sua “rosa mais perfeita” (quem assistir ao filme vai entender essa metáfora) voltar aos poucos a ser apenas um homem, Terranova a cega com uma tesoura e abandona seu corpo à beira de um riacho para que lá morra.    

            A partir daí, o que parecia um bom - apesar de lento - thriller de terror psicológico, se transforma em um filme que tenta discutir sexualidade e religião de uma maneira um tanto quanto confusa. Tiresia, agora homem (Thiago Teles), é encontrado por uma moça muda, Anna (Célia Catalifo), que cuida dele e o leva para morar em sua casa. O ex-transexual (e isso existe?) começa então a fazer profecias e passa a ser visitado pela população local em busca de respostas sobre o futuro. O padre da localidade (mais uma vez Laurent Lucas) visita Tiresia algumas vezes e fica intrigado com aquela criatura bizarra, com rosto de homem, seios, cego, e que prevê o futuro. Tiresia parece então se arrepender do seu passado como transexual, mas não mostra revolta. Pelo contrário, fica resignado com o seu destino e com o seu dom de profecia. O filme termina de maneira surpreendente e, como em vários filmes franceses, com uma cena que nada explica.

            Tiresia é um filme onde a palavra de ordem é dualidade. Claro e escuro, homem e mulher, confinamento e vida ao ar livre, amor e ódio, mundano e sagrado. O fato do mesmo personagem (Tiresia) ser interpretado por dois atores diferentes (Clara Choveaux e Thiago Teles) e de dois personagens (Terranova e o padre) serem representados pelo mesmo ator (Laurent Lucas), reforça essa obsessão do diretor pela dualidade, mas às vezes cai em clichês. Continua abaixo...



 Escrito por Marcio Presgrave Souto às 2:31 PM
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   Cinema – Tiresia (Tiresia – França – 2003) - Parte II

         Particularmente não acredito que Tiresia vá agradar ao público brasileiro em geral. O filme é um exemplar do que costumamos chamar de “filme de arte” ou, popularmente, “filme cabeça”; tem belas imagens, mas no todo, deixa muito a desejar. Tiresia é lento, cheio de metáforas de difícil entendimento, e a ausência de qualquer explicação prévia sobre mito grego de Tirésias dificulta, e muito, sua compreensão.

         O Destaque vai para algumas atuações individuais; a brasileira Clara Choveaux consegue em seu primeiro papel no cinema, dar uma dimensão humana e consistente a um personagem difícil e de nuances psicológicas muito profundas. A cena em que Tiresia aparece em nu frontal choca ao revelar uma mulher de beleza incomum, de rosto andrógino, alta e de corpo delicado (sem os exageros comuns aos transexuais) com um pênis (dos grandes!) entre as pernas. Clara não parece nem de longe um transexual, mas provavelmente era essa a intenção do diretor Bonello, o personagem Terranova busca por um transexual “perfeito”, que contrasta com o excesso de silicone dos outros transexuais de verdade que aparecem no filme. Apesar disso, a brasileira convence, principalmente nas cenas em que aparece barbada; não é à toa que foi pré-selecionada para concorrer ao César (Oscar francês) como melhor atriz revelação. A atuação de Thiago Teles fica prejudicada se comparada à de Clara, mas o rapaz também é talentoso. Já Laurent Lucas, que aparece em dois papéis, deixa muito a desejar; muita gente vai ficar em dúvida se Terranova e o padre são a mesma pessoa, ele interpreta os dois papéis sempre com a mesma cara de dúvida e a testa franzida... Célia Catalifo também dá um show e consegue transmitir com os olhos tudo que a mudez da Anna quer dizer.

 

 

 

            Até mesmo em relação à opinião dos espectadores, Bertrand Bonello terá a dualidade que tanto buscou e mostrou em seu Tiresia. Com certeza não haverá opiniões “em cima do muro”, Tiresia é um daqueles filmes sem meio-termo, que as pessoas ou amam ou odeiam.



 Escrito por Marcio Presgrave Souto às 2:26 PM
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   Notícias – Música – Metallica faz um dos melhores shows da carreira! E sem querer!

Essa notícia é bem curiosa e vale a pena ser publicada aqui no DELFOS.

O Metallica foi uma das principais atrações para o Download Festival (aliás, que coincidência esse nome, hein?), que ocorreu em Donington, na Inglaterra, mas por muito pouco a apresentação não foi cancelada já que o baterista Lars Ulrich teve de ser hospitalizado às pressas horas antes do show por problemas de saúde não divulgados.

A banda se viu com um baita problema nas costas e, para não cancelar tudo e causar a fúria dos milhares de espectadores presentes, saíram à caça de um substituto para Lars entre as outras bandas presentes.

Por sorte, o Slayer e o Slipknot estavam se apresentando no evento também e nada mais, nada menos que Dave Lombardo, um dos mais consagrados bateristas do Thrash Metal, subiu ao palco com o Metallica, após mais de uma hora de atraso, e abriu a apresentação tocando dois grandes clássicos, Battery e The Four Horsemen,  realizando um antigo sonho dos antigos fãs que sempre quiseram ver o baterista no Metallica. Vale lembrar que Dave já havia tocado Battery em um tributo chamado Metallic Assault lançado pela Eagle Records alguns anos atrás.

O baterista do Slipknot, Joey Jordison, assumiu as baquetas para o restante do show, tirando Fade to Black, que teve a participação de Flemming Larsen, o técnico de bateria de Lars. 

Eis o set-list da apresentação abaixo e reparem que a banda não tocou nada da fase “pós-Black Album” :

- Battery
-
The Four Horsemen

- For Whom The Bell Tolls
- Creeping Death
- Seek And Destroy
- Fade To Black
- Wherever I May Roam
- Last Caress
- Sad But True

- Nothing Else Matters
- Enter Sandman



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:11 AM
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   Notícias – Música – Judas Priest faz a alegria dos fãs na volta com Rob Halford

Finalmente, após mais de 10 anos de espera, o Judas Priest voltou com a sua formação original com Rob Halford de volta ao posto de vocalista de onde nunca deveria ter saído (Nota do Carlos: Embora Tim “Ripper” Owens seja um tremendo vocalista). O primeiro show da nova turnê do Judas foi realizado na cidade alemã de Hannover na última quarta-feira (02/06). O set-list escolhido está recheado de clássicos de toda a carreira da banda mas dando mais enfoque na fase mais conhecida dos anos 80. Segue a ordem das músicas:


- Hellion
- Electric Eye
- Metal Gods
- Heading Out to the Highway
- The Ripper
- Touch of Evil
- The Sentinel
- Turbo Lover
- Victim of Changes
- Diamonds and Rust
- Breaking the Law
- Beyond the Realms of Death
- The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown)
- Painkiller
BIS

- Hell Bent for Leather
- Living After Midnight
- United
- You’ve Got Another Thing Coming.

 

Fontes do fórum oficial do Judas Priest mencionaram que a música Riding on the Wind também foi tocada, apesar de ela não constar na relação oficial divulgada para a imprensa. A banda seguirá em turnê pela Europa, viajando, em seguida, para os EUA em uma apresentação no Ozzfest ao lado do Black Sabbath. (Nota do Carlos: Sharon Osbourne, esposa e dona de Ozzy Osbourne disse: “Vocês tem o Black Sabbath original e o Judas Priest original, o que mais vocês podem querer?”. Detalhe: O Judas original não está no evento, já que o baterista Scott Travis entrou no álbum Painkiller, em 1990.)

Vamos cruzar os dedos para o grande Priest se apresentar no Brasil, quem sabe, ainda este ano e, quem sabe, com o Black Sabbath.



 Escrito por Bruno Sanchez às 3:12 PM
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   Shows - Metal Total 6 (Volkana Bar - São Bernardo do Campo - 5 de junho de 2004) Parte I

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

Na gelada (e bota gelada nisso) noite de sábado (dia 5/6), fomos conferir de perto o Volkana Metal Total 6, um mini-festival de Heavy Metal que já está se tornando tradição na região do ABC. O Volkana é um bar pequeno, mas muito simpático em São Bernardo do Campo, e recebeu um bom público para a apresentação das bandas Nightwish Cover, Helloween Cover, Harppia, Synthesys e Holy Sagga.

Infelizmente, o som da casa estava prejudicado pois, aparentemente, um dos amplificadores estourou pouco antes das apresentações começarem deixando todos os roadies de cabelo em pé para tentar arrumar o equipamento a tempo e atrasando bastante o início do espetáculo que estava marcado para começar às 22hs.

 O problema teve uma repercussão maior do que se imaginava e não pôde ser resolvido fazendo com que os vocais de todas as bandas ficassem bem baixos se comparado com o restante do instrumental. Para piorar, pelo tempo perdido, todos tiveram de cortar uma ou duas músicas de suas apresentações para que os shows não acabassem às 8 da matina. A ordem das bandas também acabou sendo alterada de última hora e as bandas covers se apresentaram depois das bandas principais.

Com as mudanças na ordem, os paulistas de Santo André do Synthesis foram os responsáveis pela abertura do evento e mandaram bem, com um som que mistura com inteligência o Power Metal Europeu com algo do Thrash e Death americano. As músicas, normalmente, utilizam dois vocais com Marcel Inhauser fazendo a parte limpa e o baixista Victor Prospero fazendo o gutural. Outro que se destaca é o veterano baterista Marcelo Rocha, que já tocou no Portrait e no Avantgard.

A banda fez um set-list curto e, infelizmente, não pode tocar algumas músicas próprias e uma cover do Metal Church que já estavam planejadas, mas apresentaram composições bem trabalhadas, com destaque para a versão de Edge of Thorns do Savatage, com um belo vocal de Marcel, e a composição própria Bionest que fechou a apresentação. Algumas músicas são excessivamente longas mas, no geral, o Synthesis deixou uma boa impressão nos fãs presentes. Eles devem lançar o primeiro EP, Paroxysmal Frontier, em breve e vale a pena ficar de olho em mais esta promessa brasileira.

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

Uma pausa para a troca de equipamentos (essa parte era bem legal nos intervalos, pois os próprios integrantes das bandas ajudavam na desmontagem e montagem dos equipamentos no pequeno palco do Volkana, mostrando um clima de união e respeito entre os músicos) e os paulistanos do Holy Sagga sobem ao palco detonando o seu Power Metal e já abrindo com a bela música Dagger of Words, faixa bônus do CD da banda, Planetude, e presente também no projeto Hamlet. Apesar do som do microfone baixo, a banda não se abalou e fizeram um set-list misto onde apresentaram praticamente todas as músicas do Planetude e alguns covers, todas tocadas de maneira impecável por Maurício Queiroz (vocais), Anderson Carlo (guitarra), Gustavo Duarte (baixo), Gabriel Lobitsky (bateria) e José Cardillo (teclados). Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 2:04 AM
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   Shows - Metal Total 6 (Volkana Bar - São Bernardo do Campo - 5 de junho de 2004) Parte II

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

As versões ao vivo de Searching For The Sun, Fight For Survival (que no CD tem a participação especial de Andre Matos do Shaman), Fly Away e a instrumental Planetude ficaram muito legais e os músicos realmente pareciam se divertir no palco com a interação da platéia e a ótima resposta a todas as músicas executadas.

E por falar nas músicas, os caras ainda mandaram versões fantásticas de A Little Time do Helloween, Hail And Kill do Manowar (eles são a única banda brasileira presente no tributo ao Manowar lançado pela gravadora Nuclear Blast), Symphony Of Destruction do Megadeth (onde os integrantes trocaram os equipamentos e o baixista Gustavo virou o vocalista em um momento muito divertido do show onde nem os próprios músicos conseguiam parar de rir com a performance), e fecharam com o cover matador de Flight of Icarus do Iron Maiden. Uma ótima apresentação, parabéns aos músicos pela empolgação contagiante e estamos todos ansiosos pelo lançamento do segundo CD. Depois de um show desses, não resisti e fui até a chapelaria do Volkana comprar o CD dos caras.

Os próximos a se apresentarem, foram os veteranos do Harppia, que mais uma vez deram um show de carisma e competência, e não deixaram ninguém ficar parado com vários clássicos do Heavy tradicional brazuca.

Uma pena que os vocais de Jack Santiago também foram bem prejudicados pelo problema com o amplificador e convenhamos, não conseguir entender nenhuma palavra no show de uma banda que canta em português é um problema gravíssimo. O set já começou com a clássica Metal Comando (da época em que a banda teve um troca-troca de integrantes com o Centúrias) e seguiu com a mais recente Vampiros e a antiga composição do primeiro trabalho, Náufrago. A banda faz uma pequena pausa e Jack explica que a próxima música é uma adaptação de um clássico do Judas Priest, e começaram a tocar Neste Deserto, uma versão em português para Desert Plains que já é bem conhecida e querida pelos fãs, dos quais faço parte. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:58 AM
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   Shows - Metal Total 6 (Volkana Bar - São Bernardo do Campo - 5 de junho de 2004) Parte III

A apresentação seguiu com a música Guardiães da Mente, já da nova fase e que vai estar presente no próximo CD a ser lançado até o final do ano. O próximo número seria o mais novo hino da banda, Metal Para Sempre (e que deve ser o nome do próximo CD também) mas, infelizmente e para o lamento de muitos dos presentes - e eu me incluo nisso - a música acabou sendo cortada do set pela falta de tempo e eles fecharam a apresentação com os dois maiores clássicos seguidos, A Ferro e Fogo e Salém fechando a apresentação com chave de ouro.

Foi mais uma grande apresentação do Harppia que saiu do palco bem aplaudido e mostrou mais uma vez que os veteranos do Metal brasileiros estão mais vivos do que nunca.

Após as apresentações, os músicos de todas as bandas, em uma atitude exemplar, se misturaram com o público, distribuíram autógrafos, tiraram fotos e conversaram bastante com os presentes. São as vantagens das apresentações mais reservadas que permitem um maior contato entre a banda e seus fãs. Todos estão de parabéns por essa atitude e tomara que todas as bandas brasileiras sigam o exemplo de simpatia dos integrantes do Synthesis, Holly Sagga e Harppia.

            Encerradas as três primeiras apresentações, o Helloween Cover subiu ao palco já com um dos maiores clássicos do Power Metal, Eagle Fly Free, tocada de maneira impecável e já emendaram com Dr. Stein e Kids of the Century. Um  belo começo, mas já eram 4 da matina e, como ninguém é de ferro, acabamos indo embora antes do fim da apresentação do Helloween Cover e do início do show do Nightwish Cover. Fica para a próxima uma resenha mais detalhada das duas bandas. Posso dizer que, do lado de fora, ainda pudemos ouvir e reconhecer as clássicas Future World e Power, que parecem ter ficado bem legais.

            Não posso deixar de comentar um fato lamentável que aconteceu nas imediações do Volkana, onde alguns carros tiveram seus vidros quebrados e alguns objetos roubados. O bar poderia providenciar um serviço de manobristas ou um estacionamento próprio com segurança para que isso não volte a acontecer e os freqüentadores possam apreciar os shows sem maiores preocupações.

            Mas isso não estraga a belíssima iniciativa do Volkana em promover festivais com grandes nomes do Metal nacional no ABC. Conseguiram o impossível e esquentaram uma noite glacial em São Bernardo. Valeu a noite mal dormida. Veja mais fotos abaixo...

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

Fotos: Carlos Eduardo Corrales



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:56 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte I

Conforme prometido ontem, abaixo está a (longuíssima ) entrevista com Fabrício Ravelli, baterista do Harppia, que visitou minha casa para um bate-papo informal e muito divertido, onde o músico falou sobre sua carreira, o convite para se juntar ao Harppia, sua visão sobre temas polêmicos como o MP3 e o New Metal e até mesmo sobre misticismo e magia. E antes que eu me esqueça, hoje é aniversário do nosso colaborador mais ativo, o Bruno Sanchez, que finalmente atingiu a idade pela qual tanto esperou: 24 anos. Parabéns, Brunão!

Foto: Carlos Eduardo Corrales

Como surgiu o contato para entrar no Harppia?

Fabrício: Eu tenho um estúdio e sabe como é, cara que tem um estúdio sempre toca, sempre está cheio de gente e chega final de semana, nós sempre armávamos um churrasco e eu tenho um amigo, que eu nem sabia que ele conhecia o pessoal do Harppia. Marcamos um churrasco uma vez e combinamos de nos encontrarmos lá no estúdio. Cheguei lá e encontrei o Ravache (baixista) e começamos a conversar sobre som e tal.

(Carlos interrompendo) Você era fã do Harppia?

Fabrício (rindo): Cara, eu não conhecia muito de Harppia, eu respeitava muito, conhecia a trajetória mas nunca fui a fundo para saber das músicas. Mas, você gostando de Judas Priest, de Iron, essas bandas e vai retratar isso em um cenário nacional, é de lei você cair no Harppia.

Aí começamos a falar de som e esses churrascos sempre acabam em “jam” . Começamos a fazer um som, Sabbath, Ozzy, aí o Ravache chegou e disse que estava com um problema com o batera na época (Paulo Tomás) e perguntou se eu tava a fim de entrar.

Quando foi isso?

Fabrício: Faz um ano e dois meses. Meu primeiro show com o Harppia foi 5 de maio ou 5 de junho do ano passado na Led Slay (famoso bar de rock de São Paulo).

Eles disseram que estavam precisando de um batera, mas eu estava com muitos projetos naquela época, eu estava indo viajar para fazer shows fora, eu estava indo para a Argentina de novo (Fabrício já foi baterista da banda argentina A.N.I.M.A.L), e disse para irmos conversando por telefone. Ficamos um mês nessa de você vai entrar, não vai, e eles me falaram que tinha um show dia 5 na Led Slay e me perguntaram se eu fazia, eu respondi que esse show era meu. Em quatro ou cinco dias começamos a ensaiar bastante e rolou o show. Nesse show tinham algumas emissoras presentes; Depois rolou um outro show com outras emissoras e comecei a fazer vários shows seguidos até que em uma entrevista para uma emissora ou site eles me apresentaram como “...o nosso batera Fabrício Ravelli” e eu falei “porra, então já tô na banda”. Foi uma coisa gradativa.

Você sabe o que rolou com o baterista anterior?

Fabrício: Divergências de som, cada um queria seguir um caminho. Às vezes, cada um queria seguir um caminho para o mesmo objetivo, só que caminhos diferentes, então acabou rolando algumas divergências mas eles são super amigos, eu sou super amigo do Paulão, o cara é gente boa pra caramba e Rock ´n´ Roll é isso, não pode parar.

Quando o Harppia voltou, eles chegaram a voltar com a formação original?

Fabrício: O Tibério voltou, o Jack voltou, veio o Ravache mas veio um outro guitarrista, não só o Hélcio Aguirra porque o Hélcio já estava com muitos compromissos, mas não rolou com o Tibério, não sei por quê, eu adoro o Tibério até hoje, mas aí que começou essa troca de formação. O Harppia já vem de várias formações. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:52 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte II

Vocês ainda têm contato com os ex-integrantes?

Fabrício: É praticamente impossível você ter contato com todos os ex-integrantes, mas eu tenho contato com o Tibério que é da formação original, com o Paulão, com o Hélcio, com o Marcelo Francis que entrou na nova formação comigo. Cada um seguiu o seu caminho, eu respeito muito todos e desejo cada dia mais sorte pra eles.

E a galera da formação original não quis participar quando o Harppia voltou?

Fabrício: A idéia inicial era chamar (a formação original). O Tibério veio, só que o Hélcio não podia. A formação original do Harppia, do A Ferro e Fogo (primeiro trabalho da banda), é o Jack, o Ravache, o Hélcio Aguirra, o Marcos Patriota e o Tibério. Desses, o Patriota tá morando na Suécia, no show de 20 anos tivemos o prazer de ter ele tocando com a gente, o Hélcio tá no Golpe de Estado, o Tibério rolou mas depois ele seguiu o caminho dele. Aí veio o Kleber Fabiani que já era um amigo do Jack e rolou assim.

As músicas antigas do Harppia estão soando mais pesadas e com mais pegada nos shows com a nova formação. Com o Judas Priest aconteceu a mesma coisa, e os antigos clássicos acabaram ganhando uma sonoridade mais moderna também. Algumas pessoas aprovam essa revitalização, outras, como o Bruno, acham ridículo quando o Judas Priest toca mais pesado (gargalhadas do Fabrício). Como vocês vêem essa modernização dos clássicos?

Fabrício: Eu não tô falando que eu gosto ou que eu não gosto de, por exemplo, New Metal. O New Metal acho que foi um lance necessário para a música, até para o desenvolvimento da música, para a evolução da música pesada. Hoje em dia eu não sei se um Forbidden tocaria no Pacaembu, mas um Korn tocaria e lotaria. Então foi uma evolução do Thrash, do Metal em geral. Mas as bandas depois de um tempo viram que “se eu ficar nessa, onde vai dar?”. Eu também gostaria muito que o Judas ficasse sem soar tão pesado mas faz parte da evolução até do ser humano. No Harppia, o interessante é que cada um tem um gosto musical e uma influência. Eu ouço muito Thrash então eu trouxe a minha linguagem Thrash Metal para a banda. O que eu acho super legal, é que nos shows, a aceitação está sendo praticamente 100%. Não digo 100% porque tem sempre um pessoal da antiga que fala que a guitarra e a batera não podem soar tão pesadas mas 99,99% acham extremamente legal como está agora que é o Harppia pesado, o Harppia na cara. Esse é o Harppia que a gente quer, a nossa idéia é fechar esse Harppia que tá agora, com esse estilo de som, com essa pegada.

As bandas como Judas, eu acho o Painkiller uma obra prima e tem um som de guitarra extremamente pesado aquele disco. Eu acho que faz parte da evolução, é extremamente necessário isso.

Na verdade o que o Bruno pensou quando ele falou isso, foi por exemplo na música Heading out to the Highway que ficou com um timbre bem distorcido de guitarra. A banda fica mais pesada, as músicas antigas, o Judas era Hard Rock, apesar de todo mundo falar que é Metal e de repente eles fazem um riff bem metalzão, parece até que a música era do Painkiller.

Fabrício: Mas isso vai mais da cabeça, o Glen Tipton e o K K Downing (guitarristas do Judas) chegaram e falaram “porra, será que não vai ter uma puta diferença a gente tocar Living After Midnight com esse timbre e depois a gente toca Painkiller? Como será que vai ser isso no show?”. Não sei se mercadologicamente, eles pensaram certo porque fã que é que fã não vai gostar mesmo.

Eu vejo o Kiss tocando a Destroyer hoje e na época não tinha quase nenhuma distorção. Eu acho legal pra caramba mas eu queria ver como era naquela época porque eu sou fã demais.

Mas a Deuce do Kiss fica bem mais legal agora do que era no primeiro disco.

Fabrício: Com certeza, mas fã é fã, cada um tem a sua opinião e a gente não pode agradar todo mundo. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:49 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte III

Você falou do New Metal, você gosta do estilo?

Fabrício: Não é que eu gosto. Algumas coisinhas eu acho legal. Por exemplo, o lance com o Korn que eu citei agora. O Korn tem um grave problema que eu acho que eles batem muito na mesma tecla. Aquele mesmo estilinho e não mudam. Você ouviu uma, tá ouvindo várias já. Eu respeito muito mas chega uma hora que cansa. Na época, eu comprei os dois primeiros do Korn mas não consegui comprar o terceiro porque é isso e pronto. O Korn, pra mim, não é uma banda que traz novidades.

Você acha que realmente parece um outro estilo de Metal, uma sub-divisão?

Fabrício: Eu acredito que sim, porque se não for uma ramificação do Metal, isso seria o que?

Rap?

Fabrício: Tem um segmento que eles pegaram um pouquinho, aí a gente vai ter que falar que o Sepultura também porque todo mundo pegou um pouco. O grande lance do Korn é que eles inovaram uma praia, a afinação, mas o problema deles é que não mudaram, esse é um grande problema das bandas de hoje.

Foto: Carlos Eduardo Corrales

Voltando ao Judas Priest, como surgiu a idéia de adaptar a Desert Plains para o português?

Fabrício: Sim, nós fizemos uma lista de versões de músicas que a gente gosta e pensamos “vamos tentar fazer essa, vamos tentar fazer aquela”.

Era para ser em português mesmo?

Fabrício: Sempre, o Harppia conseguiu chegar em um status cantando em português, eu acho que descaracterizaria muito se nós entrarmos no palco cantando em inglês. Para mim, poderíamos ter pegado qualquer música do Painkiller que seria perfeito. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:46 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte IV

Vocês poderiam fazer uma versão da Painkiller chamada Analgésico.

Fabrício (gargalhando): Ficaria tosca demais, mas nós tocamos também ao vivo a Mr. Crowley do Ozzy em português.

Virou Sr. Crowley?

Fabrício (risos): Não, aí nós respeitamos o nome “Mr.Crowley”, mas a letra ficou bem bacana, nós respeitamos o tema. O Jack manja muito desse assunto então ele ficou com toda essa parte de estudar o cara e fazer a melhor letra.

Então vocês refizeram a letra em português?

Fabrício: Algumas partes foram ao pé da letra, mas a maioria foi tudo mudado. O Jack estuda bastante isso, ele manja muito de misticismo, então acabou fazendo um desenvolvimento gramatical dele para a música.

Isso é muito legal, porque eu gosto de cover mas eu prefiro mais a “versão”, porque o cover você fica mais preso, se é para fazer um cover igual, eu sou mais a original. Eu sempre tive essa idéia de fazer “versões”.

Você chegou a ouvir as covers que o Therion fez? Eles fizeram umas covers bem diferentes. Eles pegaram uma música do Abba e deixaram assustadora. Ficou muito legal. Tem uma do Scorpions também que eles fizeram com corais.

Fabrício: Sério? Principalmente o Harppia que tem um nome muito legal em São Paulo, no Brasil, o pessoal não quer ver o cover do Judas, Desert Plains, como Desert Plains mesmo.

Então, o pessoal já sabe que a gente está fazendo essa versão então pede nos shows. A aceitação tá sendo muito bacana.

Como foi a idéia do retorno da banda?

Fabrício: Bom, o Jack e o Kleber Fabiani montaram vários projetos, até um dia em que o Kleber ou o Jack falaram “poxa, por que a gente não volta com o Harppia uma vez que o nome é muito forte? Ao invés de ficar montando projetos, vamos fazer o que sabemos melhor, Heavy Metal, e pegar uma banda que já tem um nome” e rolou assim.

E por que se pronuncia Hárppia e não Harppía?

Fabrício: Harpia é um animal mitológico e Hárppia tem um som que fixa mais do que Harppía. Harppía não parece banda, parece realmente uma ave mitológica.

Eu sempre achei que chamava Harppía, fiquei sabendo que era Hárppia há cerca de um mês. Mitologia é muito metal e uma coisa assim em português fica muito Metal.

Fabrício: É interessante que você é o primeiro que vem me falar isso, conheço pelo menos um que pensa assim (risos). Normalmente as pessoas vêm me perguntar por que não Harppía, sendo que Harpia é o nome (do animal mitológico) mesmo. Hárppia soa melhor. Mas tem muita gente que ainda fala Harppía. No começo, na verdade ninguém sabia como falava. Depois, quando começou a banda que o pessoal veio perguntar por quê não Harppía? E putz, o certo era Harppía. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:45 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte V

Vocês podiam colocar um acento, aí todo mundo ia falar certo. E ia ser um charme pro nome, que nem a exclamação no Ira!

Fabrício: É um charme mesmo, vou sugerir pros caras, aí o crédito vai pra você (risos).

As grandes bandas de Metal brasileiras gravaram músicas em português recentemente, o Sepultura gravou Ratamahatta e o Angra gravou Caça e Caçador, apenas para citar dois exemplos. Como vocês vêem essa volta das bandas ao idioma nacional?  Vocês acham que as bandas que cantam em português têm mais espaço hoje?

Fabrício: Eu acho muito legal o pessoal cantando em português, bacana mesmo, só que aqui é muito difícil. Todo mundo fala que vai para a Europa, mas lá também é difícil. Obviamente é menos, só que é o equilíbrio, porque, como lá é menos difícil, tem bem mais bandas para ficar batendo de frente com você.

A língua portuguesa, principalmente quando a gente tá cantando, nossa temática já é um pouco diferente então ela soa de uma forma diferente também. Às vezes quando você tá ouvindo parece que nem é português até, o jeito que você tá cantando, a própria letra.

Bandas como o Sepultura e Angra, que gravaram em português, estão num patamar que podem fazer isso. Eles podem chegar e gravar que vai vender pra caramba mas o mercado aqui é muito difícil cantando em português, tanto quanto em inglês, mas cantando em português é muito difícil porque aqui no Brasil, cantando em português, quem vende um milhão? É a Kelly Key, então isso mostra a falta de cultura mesmo que o país tá passando, mas ao mesmo tempo é uma felicidade enorme estarmos em um DirecTV tocando com um Grave Digger e, de 4500 pessoas, pelo menos 3000 gritando nosso nome. Isso mostra que tem espaço, o Andreas (Kisser do Sepultura) sempre fala isso, que se você tem atitude a coisa rola, mas o problema mesmo é espaço aqui no Brasil, é o profissionalismo. Você abre para uma banda, gente, você é tratado como um nada.

É verdade, nunca começa no horário. Eu não vi vocês no Grave Digger, cheguei no horário marcado no ingresso e estava acabando o Dragonheart.

Fabrício: Então, não começa no horário, a passagem de som é horrível, o som é horrível, então é muito da capacidade do organizador, da produção do show que não dá valor à banda daqui, quando vêm os gringos eles pensam “nossa senhora, eles estão aqui”, mas para a banda daqui, não.

Vocês chegaram a pagar para abrir algum show?

Fabrício: Não, a gente nunca pagou.

No Grave Digger?

Fabrício: Nada. Mas show grande foi só esse mesmo. A galera daqui pagou para ver a banda principal mas tem que se conscientizar que nós temos ótimas bandas aqui, banda que dá pau em muita banda gringa. O problema é que lá eles têm uma cena que tem um sentido cultural, um apoio federal, ou seja, o governo de lá incentiva o músico. Aqui não. Aqui tem espaço mas não tem conscientização. O Grave Digger lota o DirecTV mas por quê eles não marcam então um show com bandas nacionais no DirecTV? Não estou falando de um Shaman ou Angra, mas vamos então começar a juntar as bandas e fazer shows, mas isso não acontece. Todo mundo sonha em ir lá fora e aí fica difícil também.

Mas chega a rolar cachê quando se toca como banda de abertura?

Fabrício: Não, é só pela divulgação e pela paixão. O interessante é que nós tocamos com o U.D.O. em Curitiba e tiveram algumas bandas de abertura, mas nós fomos imediatamente a banda antes do U.D.O.. Nós começamos a tocar e todo mundo subiu no palco para ver a gente. Depois eu conversei com o pessoal lá no camarim e eles ficaram super impressionados com o show. Ou seja, eles, que todos falam, se impressionaram com a gente e por quê não? Mas precisa ir lá fora para voltar e aí se impressionarem com a gente.

Sou aficcionado pelos nossos fãs que são pessoas verdadeiras, fãs verdadeiros do Harppia e do Metal, fazem de tudo para ver a gente só que acho que falta um bom organizador de show. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:44 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte VI

Qual o motivo da saída do Marcelo Francis da banda no começo do ano? Vocês estão atrás de um novo guitarrista ou o Kleber vai cuidar de tudo?

Fabrício: O Marcelo é um puta guitarrista, toca muito bem, é um grande amigo meu, só que você sabe que banda é uma família e rola treta direto.

E os guitarristas são chatos, eu já tive banda e sei como é (risos).

Fabrício: É, guitarristas são chatos. O Marcelo estava com outros projetos na cabeça, queria seguir o caminho dele, tá na boa, muita sorte, eu falo com ele até hoje mas ele quis sair e o Klebão que quis assumir tudo de guitarra e não estranhe se no show do Harppia vocês virem teclado ou alguma coisa assim mas não está sendo nossa intenção no momento colocar um outro guitarrista, mas sim preencher mais o som principalmente na hora de solos e para deixar alguns momentos da música mais cheios, colocar um teclado.

Mas é para usar um teclado escondido que nem o Helloween ou de verdade, no estilo Savatage?

Fabrício: Vamos pegar um meio termo, nós queremos peso, não vai fazer parte da harmonia da música.

Vai fazer parte da banda ou só convidado?

Fabrício: Só convidado.

Mas será o mesmo em todos os shows?

Fabrício: A gente não sabe ainda, porque o Kleber ficou sozinho muito tempo e eu adoro o Klebão, eu acho ele um guitarrista único, gosto muito de tocar com ele. É só para complementar o que a música pode dar.

O Helloween, por exemplo, usa o mesmo tecladista desde a época dos Keepers e o cara não tem nenhuma foto em nenhum disco apesar de ter tocado em todos eles e em todos os shows desde aquela época. O Angra e o Shaman também tocam com tecladista em todos os shows, mas ele não é da banda, o Blind Guardian tem um baixista que grava os discos e sai na turnê, mas não é da banda, o que você acha disso?

Fabrício: Eu acho que soa estranho para o fã. Eu, como fã de algumas bandas, não acho interessante isso porque perde a configuração, você quer ser fã desse cara, mas será que ele é da banda realmente? Fica meio estranho isso. Só que ao mesmo tempo, eu respeito a opção dos músicos das bandas, como o próprio Shaman que é o Fábio Laguna, mas ele aceitou isso, então quando o músico aceita.

Mas quem não aceitaria também tocar com uma banda desse porte, você também aceitaria, né? (risos)

Fabrício: Aceitaria, então eu, como fã, não acho legal, mas como músico acho isso super normal. Às vezes nós lutamos tanto, mas trocamos tanto de formação que pensamos em contratar uma pessoa que aí fica uma coisa mais “trabalho”, como uma empresa, para mim banda é uma empresa.

É que no caso do Helloween, o tecladista é mais velho na banda que o Andi Deris (vocalista).

Fabrício: É mesmo! O próprio Ozzy também. Eu não acho legal mas acho que o Helloween quis ocupar esse espaço na banda e contrataram um cara que aceitou essas condições. No próprio Shaman, eu já fui assistir a shows deles e o Andre (Matos) toca muito bem piano e teclado, mas tem lá o Fábio que segura toda a onda. Nos vídeos ao vivo, não assisti inteiro, apenas algumas músicas, mas ele aparece e pro cara é bem interessante. O Paul Bostaph (batera) por exemplo, apareceu em poucas fotos nos encartes do Slayer, ele era sempre um à parte do Slayer, em alguns vídeos ele nem aparece, mas estava lá. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:43 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte VII

Que bandas você ouve atualmente?

Fabrício: Tô ouvindo muita coisa meu, eu ouço muito Death (a banda), curto muita velharia tipo Forbidden, Testament, Anthrax, Possessed, essas coisas eu ouço bastante ainda... Kiss que é uma banda do peito.

... e do braço né? (Fabrício tem uma tatuagem de Paul Stanley em seu braço esquerdo - veja foto abaixo)

Fabrício: e do braço (apontando a tatuagem), é verdade. (risos).

Foto: Carlos Eduardo Corrales

Eu ouço muito Judas, Iron, Sabbath, eu adoro Danzig, King Diamond, Mercyful Fate, Thin Lizzy. Mas eu gosto de estudar o que está acontecendo, quando o Angra apareceu, o Shaman, o Shaman foi uma banda que me surpreendeu muito. O profissionalismo do pessoal, como músicos e como pessoas eu achei muito legal mesmo. As músicas muito bem elaboradas. Ouço mais isso, ouço, cara ,de New Age até Death Metal, quero saber de tudo, todas as informações possíveis.

E aquelas coisas que ninguém de Metal gosta, tipo música eletrônica, pagode, forró, sertanejo?

Fabrício: Tudo isso eu odeio cara, esses manés que falam que é funk.

Funk é James Brown.

Fabrício: Com certeza, não o que essses manés falam. Essas coisas eu não ouço cara, pagode, sertanejo, isso eu odeio.

E samba?

Fabrício: Cara, eu já fui no sambódromo ver desfile. Eu não compraria um CD mas já fui ver ao vivo e admiro muito. O que todo mundo fala, esse lance de bateria, harmonia, eu fui ver e é louco! É literalmente pesado, a galera descendo a mão mesmo, os caras com uma pegada, é do cacete isso aí!

Tirando essas coisas de forró, de New Age até Death Metal eu acho legal.

E música clássica o que você acha?

Fabrício: Acho muito feeling, música clássica te leva em vários lugares. Como bateria já é um instrumento mais percussivo, ele tá na música clássica, mas não na frente. Eu adoro tudo o que tem pegada, que a música te transporta para vários lugares, você pega a Sonata ao Luar do Beethoven, meu, aquela música você tem que tomar cuidado para não entrar nela, ela é perfeita, atinge a perfeição e é muito difícil para um compositor atingir o nível que o Beethoven conseguiu. Só que a bateria nesse campo clássico é totalmente figurante.

Então, eu acabei admirando isso muito tempo depois que eu comecei a tocar bateria. O que é interessante é que você acaba adquirindo um feeling, um sentimento da coisa, e eu acho que a bateria do Heavy Metal é um instrumento que te dá estrutura para o público começar a agitar. Às vezes você tá tocando e pára, fica só a guitarra, o público pára, mas volta a bateria, o público volta a agitar. A bateria no Metal é uma coisa que tá mais na cara. E para você conseguir ter uma reação extremamente brutal do público, você precisa passar um sentimento pra eles e a bateria consegue se expressar muito bem, é muito forte, você consegue transmitir aquilo por ela. Eu admiro muito a música clássica, mas eu uso a música clássica para levar um ser humano para outro estado. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:41 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte VIII

Você curte misticismo?

Fabrício: A banda inteira gosta e eu sou extremamente ligado até mesmo por uma cultura familiar. Eu sou uma pessoa que adora estudar religiões. Se eu for descer a lenha em alguma, quero ter argumento, se eu for elogiar alguma, quero ter argumento. Eu não sou daqueles que fala que tal banda é tosca só porque a mídia falou. Esse lado místico em mim é muito forte porque eu não faço só porque eu toco em uma banda que o outro acredita. Eu também acredito muito, em várias coisas, mas eu fui procurar no oriente, fui procurar várias alternativas para assuntos religiosos, e o misticismo foi o que mais me chamou a atenção.

Você segue alguma religião?

Fabrício: Eu sou da religião espírita.

E você acredita em magia, essas coisas?

Fabrício: Acredito, eu acredito em magia, eu acredito em certas pessoas que exercem.

Mas você não acredita que possa praticar? Pegar na Internet por exemplo?

Fabrício: Não, isso eu não acredito, acho charlatanismo, isso não é tão simples assim. Você imagina quantas pessoas. Porra, no mundo estaria voando banana, laranja. Eu tava ouvindo no rádio hoje uma cigana falando “eu tenho um site onde você pode aprender muitas coisas” e eu pensava “meu, que é isso?”, você tem que escolher o seu próprio caminho.

Você chega a compor?

Fabrício: Componho, eu estudei guitarra 4 anos, comecei a estudar piano também só que parei. Porque chegou uma hora que eu me vi muito limitado na bateria, eu precisava de harmonias, precisava transpor o que eu tava sentindo para uma parte mais harmônica e eu não tava conseguindo isso. Aí eu pensei “pô, deixa eu estudar.” e estudei muito guitarra, violão e agora comecei a compor algumas músicas do Harppia.

No (próximo álbum) Metal Pra Sempre vai ter alguma música sua?

Fabrício: Você sabe que até agora esse não é o nome do disco, eu li que era o nome do disco, na (revista Rock) Brigade eu acho. Não era, mas depois que nós lemos numa revista que é o Metal Pra Sempre, estamos pensando e acho que essa é a música nova mais conhecida do Harppia, mas a gente não sabe ainda.

Vai ter música de todo mundo nesse próximo disco, minha com o Ravache, Jack com Kleber, Kleber comigo, Ravache com Kleber, então vai ter de todo mundo.

Tem alguém que compõe sozinho? A gente vê muito isso em Heavy Metal.

Fabrício: No Harppia não, o Jack vem com uma idéia ou o Kleber vem com um riff, e vamos trabalhar juntos nisso, é bem legal! Às vezes a idéia do outro pode ser bem melhor que a tua e você tem que deixar o ego de lado para trabalhar junto. Você tem que ser humilde o suficiente para assumir que “não, o teu ficou melhor”, porque é em prol da banda. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:40 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte IX

Há quanto tempo você toca?

Fabrício: Puta meu, eu toco desde os 10, 11 anos; tô com 25 agora. Comecei tocando batera como o Lars (Ulrich) do Metallica, Dave Lombardo na época do Slayer, Paul Bostaph no Forbidden, Charlie Benante do Anthrax. Eu sempre admirei o Lars pela pegada dele e pelo feeling. O Master of Puppets por exemplo é perfeito, a bateria que ele faz no ...And Justice for All é linda. Todo mundo fala do Black Album, eu acho o Black Album maravilhoso, a linha de bateria que o Lars fez lá foi perfeita, mas também foi muito editado.

Qual foi sua primeira banda?

Fabrício: Nossa, foi uma banda tosca, eu tinha uns 12 anos, a banda chamava Warning Flag. A gente tentava tocar cover de banda que a gente não sabe tocar, tipo Napalm Death, é só brutalidade (Fabrício imita vocal gutural), era muito ruim meu. O vocalista saía rouco demais, só que a gente se achava “os reis”. A gente falava “nossa, conseguimos tocar aquele som do Napalm” mas não conseguimos nada.

E quando vai sair o Metal Pra Sempre, apesar deste não ser o nome do CD? Vocês têm algum nome em mente? (risos)

Fabrício: Temos Guardiões da Mente mas acho que vai ser mesmo Metal Pra Sempre. A gente não sabe ainda, meu, mas tá pra sair pra esse ano. A gente tá com todas as composições, a gente tá tentando fechar com uma gravadora. Têm duas em vista, eu prefiro só não entrar em nenhum detalhe, mas tem duas mais encaminhadas. Mas, obviamente propostas são sempre bem vindas, porque a gente quer lançar esse ano ainda, as músicas tão prontinhas, faltam duas ou três coisas pra fechar.

Quantas músicas vão ficar?

Fabrício: Acredito que umas 12 ou 13 músicas.

Não sei se você reparou mas o Bruno é super poser (Nota do Bruno: Há controvérsias) e aí ele fez essa pergunta aqui: qual a ideologia por trás do álbum Metal Pra Sempre

Fabrício: A filosofia de vida do Harppia nunca mudou muito, e digo assim, tô contando o A Ferro e Fogo e agora, tirando o Harppia´s Flight que aquela foi outra história. Eu acredito que nesse novo disco, nossa temática diz que o Metal não tem como morrer, é uma chama eterna. Tem muita gente que fala essa estória de “Guerreiros do Metal” essas coisas, nós somos uma banda de Metal, todo mundo, antes dessa volta do Harppia, teve vários projetos de outros estilos, só que todo mundo falou “meu, nós somos Metal”, somos uma banda de Metal e é isso que a gente ama, nós amamos chegar e defender o que a gente acredita: Metal pra sempre. Então, o que a gente quer é subir no palco, quebrar tudo, estourar o máximo de peles possíveis, o máximo de baquetas e ver a galera indo à loucura. O que nós mais queremos é que esse Metal seja eterno mesmo.

Você curte mais Thrash, Death, um Metal mais pesado mesmo?

Fabrício: Eu curto, mas eu curto um Metal tradicional. Eu curto de Enya a Death, e eu ouço muito Thrash.

E não é estranho tocar um Metal mais sossegado?

Fabrício: Não, porque no Harppia eu tenho a liberdade de fazer o que eu quiser. Em todos os lugares as pessoas falam que a música do Harppia fica mais pesada, isso porque tem elementos Thrash na música, não porque está vindo um riff na guitarra tipo Destruction. Teve um cara que falou que era a mesma coisa que o (Dave) Lombardo tocando no Iron Maiden. Eu tenho total liberdade de fazer o que eu quiser no Harppia e aí coloco meus elementos Thrash. Mas eu ouço de tudo, Scott do Judas, até Motley Crue. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:39 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte X

Mas os timbres das guitarras também estão mais pesados, né?

Fabrício: É, agora está extremamente mais pesado, o Kleber está usando guitarras de 7 cordas agora então isso modificou bastante o som.

E que influências têm o resto da banda?

Fabrício: O Ricardo Ravache é mais progressivo, tipo Jethro Tull, Yes, Emerson, Lake & Palmer, ele é bem mais essa praia. O Jack, hoje em dia, ouve muita coisa, mas ele ouviu muito Sabbath e Judas Priest na vida dele. O Kleber é Dream Theater, Sabath, Judas e Metallica, são as bandas que ele mais gosta. E eu, só as podreiras meu.

Quem teve a idéia de gravar a Desert Plains?

Fabrício: Boa meu, até hoje não sei se foi o Ricardo ou o Jack. É uma música diferente, tinha que ver qual ficava legal, o Judas não é qualquer banda, até Halford é maravilhoso, então temos que pegar a que fica mais legal. O Jack mandou muito bem.

Você faz a bateria do mesmo jeito? Acho muito legal a bateria dessa música.

Fabrício: Não, não. Eu não faço para não ficar igual, a bateria até tem umas viradas que tem que fazer. Eu tava até conversando com o Aírton (Diniz – da revista Roadie Crew) sobre covers e eu não consigo, porque se é pra ouvir igual, ouve a do Scott, se quer ouvir uma diferente, ouve comigo. Senão não vale a pena ouvir a versão.

O que você acha dessas coisas como MP3 e Download de músicas?

Fabrício: Meu, eu acho bom e ruim para algumas bandas. É ruim para o Metallica mas é bom para uma banda que tá começando agora, tem que ter um equilíbrio. Quando o Lars entrou contra o Napster, ao mesmo tempo, ele prejudicou muita banda. Mas ele é um músico, um profissional, trabalha pra isso, por quê um cara vai vir sacanear? Então acho muita sacanagem as pessoas que criticam o Lars, mas ao mesmo tempo ele tá errado em outras coisas, tem de haver um equilíbrio. É muito contraditório, como a Sony por exemplo entra em algum processo dizendo que pirataria é sacanagem, e por quê ela faz um gravador de cd?

Eu uso porque às vezes quero ouvir um som, uma música, baixo uma música e compro o cd. Mas de repente a banda faz uma puta duma tosqueira e eu vou gastar dinheiro para comprar aquela tosqueira? Não, mas e outra, fã que é fã mesmo compra o original. O cara quer ter o encarte, o CD. Eu sou a favor, mas com limites. Acho sacanagem o cara que vai no show do Harppia, por exemplo, grava e lança. São os famosos piratas.

Mas isso chega a prejudicar a banda?

Fabrício: Chega, porque às vezes, eu, ou o Jack, ou o Ravache, ou o Kleber estávamos em um dia ruim. Eu já toquei com 40 graus de febre, mas fui lá, fiz o show, já toquei com cólica renal, o Jack já tocou mal pra caramba, todo mundo já tocou muitas vezes sem dormir, então esse pessoal vai lá, grava e divulga, é uma falta de respeito com a banda.

E se o cara vai lá e gravar pra ele mesmo? Pra ouvir em casa.

Fabrício: Depende do uso, tem que rolar um consenso, você gravou? Beleza, mas não sacaneia a gente, vamos ouvir juntos? Ficou legal? Então beleza, mas acho sacanagem aqueles que não tão nem aí pra qualidade. A banda tava num dia péssimo e o outro tá com diarréia. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:39 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte XI

E foto? O pessoal que tira da galera?

Fabrício: Tem que ter, é difícil guardar tudo na memória, é até sinal de carinho com a banda. Tem sempre gente fotografando, onde eu tava, tem sempre gente pedindo pra fazer pose pra tirar foto, eu acho super legal isso.

Você sempre faz cara de mal nas fotos? (risos)

Fabrício (rindo): Não, tem até fotos que eu faço normalzão, principalmente pra essas fotos que o pessoal pede “Fabrício, Fabrício, tira uma foto pra mim”, você só olha, faz um positivo. Mas eu acho legal, é um movimento de fã mesmo.

Agora eu vou falar o nome de uma banda e você diz uma frase relacionada:

Judas PriestHarppia

Kiss – Deuses

Metallica – Esse ficou mais difícil, o Metallica é uma banda que me influenciou muito, uma banda que eles fazem o que eles têm direito, é sacanagem com os fãs, mas tudo bem, eles podem. Uma das minhas maiores influências, o Lars, o James, uma banda que está onde está por mérito.

Angra – Fizeram um puta trabalho, muito legal. Dentro do Heavy Metal mesmo, não o Thrash, eles que abriram as portas do Brasil lá fora. Tem grandes méritos, ótimos músicos, não tenho muito acesso à essa nova formação, conheço um pouco mais antigo mas é bem legal, eu gosto.

Shaman – É uma banda que me surpreendeu muito. O vocal do André, até preferi do que o vocal que ele fazia com o Angra, é uma banda que me surpreendeu pelo lado positivo. O disco deles, parece que eles trabalharam cada parte, foi muito bem planejado, eu gosto muito deles.

Sepultura – Sou suspeito para falar, uma banda de pessoas maravilhosas, com um talento extremo e eles abriram as portas lá fora meu, o pessoal conhece a música brasileira, o Metal brasileiro por causa deles. Sepultura, quando saiu o Max e o pessoal começou a falar que a banda acabou, eu falava “meu, Sepultura é rei, e rei nunca perde o trono”.

Death – Uma banda maravilhosa, se eu tô no carro eu tô ouvindo, se eu tô fazendo alguma coisa na Internet, na minha casa eu tô ouvindo Death, ouço muito. Se você for tocar alguma coisa, não é que o batera tem que ser bom, todos têm que ser bons, ótimos músicos, admiro demais. Uma das melhores bandas.

Control Denied – O Death sem o Chuck no vocal.

Slayer – Insanidade pura, se você toca Metal, qualquer tipo de Metal, tem que ouvir Sabbath, mas se toca Thrash, qualquer estilo de Metal pesado, tem que ouvir Slayer, é uma aula aquilo. Uma aula do que você tem que fazer de legal no Thrash Metal. Uma escola.

Queen – Não vai nascer outro tão cedo, com o perfeccionismo do Queen, é uma banda que pode tocar tanto com o Sepultura quanto com o Pavarotti, e não é todo mundo que consegue isso com qualidade, é difícil atingir vários níveis de música. Eles influenciariam muito o Metal, o Harppia, em algumas músicas novas, o próprio Savatage, aquilo é Metal mesmo e eles influenciaram, influenciam e vão influenciar muito ainda.

Queen Cover – É tudo que eu falei só que sendo um cover (risos). Gosto muito das pessoas, o Márcio é meu irmão, o Eddie, tem que ser ousado pra cantar Freddie Mercury e ele é assim, não só ele, mas a banda inteira. É a banda cover que eu mais conheço e eles merecem estar onde estão porque são os melhores. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:38 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Harppia – Fabrício Ravelli (realizada em 23 de maio de 2004) - Parte XII

E os planos para o futuro?

Fabrício: Nesse ano ainda eu tô com um projeto paralelo ao Harppia, um projeto extremamente ousado, que eu sempre quis fazer e com pessoas que eu sempre quis fazer. Já estamos com praticamente tudo fechado com gravadora. Vai ser uma grande surpresa para as pessoas que curtem Metal, eu quero que atinja de tudo, não tem limite, se é para encaixar algo estilo Dimmu Borgir, mas com um começo estilo Queensryche, vai ter. Então, galera, se prepare que vai ser demais. O vocal é um cara que canta tipo Chuck Billy do Testament e vai pra um Halford muito fácil e daí para um Geoff Tate (vocalista do Queenryche).

Quais são as três melhores músicas que você conhece?

Fabrício: Battery do Metallica, Scavenger of Human Sorrow do Death e a Infinite do Forbidden.

E as três que você odeia?

Fabrício: Cara, eu não sei os nomes, mas qualquer uma do KLB, escolhe três lá. Não suporto os moleques.

Uma mensagem para o seleto público do DELFOS:

Fabrício: Seleto público é ótimo. (risos) Primeiro eu vou mandar para a galera do DELFOS, é uma satisfação enorme dar essa entrevista e eu espero que esse site seja o mais procurado e o mais visitado. É um site verdadeiro. Agora só entre eu e os internautas, tanto que a gente tava conversando, é um site verdadeiro onde vocês não distorcem nada e fazendo isso, vocês já se diferenciam de muitos outros sites e meios de comunicação e quero muito fazer o que for necessário para ajudar. E para os internautas, o seleto público do DELFOS, eu desejo sorte na vida de todo mundo, nunca desistam de nada e espero encontrar todo mundo que estiver lendo essa entrevista, quando for assistir a um show do Harrpia, eu faço questão que venham falar comigo depois do show, em qualquer show, faço questão porque quero conhecer todo mundo que está lendo essa entrevista.

Todos os cinco? (risos)

Fabrício: Todos os cinco, por favor. (mais risos)

Perguntas formuladas por Carlos Eduardo Corrales e Bruno Sanchez. Entrevista conduzida e filmada por Carlos Eduardo Corrales. Digitada por Bruno Sanchez. Introdução escrita por Carlos Eduardo Corrales.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:34 AM
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   Música – Entrevista exclusiva: Harppia - Introdução

Foto: Tomas Vilarinho

Falar da história do Harppia é falar do Heavy Metal brasileiro, sendo que este, pode ser dividido em dois períodos distintos: antes e depois do primeiro Rock in Rio em 1985. Todos sabem que o megafestival carioca, que trouxe Iron Maiden, Ozzy Osbourne, AC/DC e Queen ao Brasil, foi um grande divisor nas águas do Metal nacional, e impulsionou o surgimento de centenas de novas bandas, como por exemplo o Viper e o Sepultura, consagrando a cena brasileira tanto aqui quanto lá fora.

Mas existiram também os precursores, aqueles que começaram alguns anos antes do Rock in Rio e que, na verdade, abriram as portas para o surgimento dos bangers brazucas. O Harppia se encaixa exatamente nesta segunda descrição. Os Paulistanos começaram suas atividades ainda em 1982 com o nome de Via-Láctea. No ano seguinte, eles adotam o nome Harppia e o símbolo com a ave metalizada que se tornaria o seu mascote oficial.

O Metal daquela época era bem diferente do praticado hoje, e o Harppia tinha uma característica interessante, porém comum aos companheiros de época: todas as suas letras eram cantadas em português. Logo, a banda começou a chamar a atenção dos principais meios de comunicação especializados e ganhou um bom destaque entre os fãs do gênero. Infelizmente, alguns problemas internos fizeram com que o grupo encerrasse suas atividades ainda nos anos 80 e passasse a década seguinte apenas na nossa memória .

Em 2002, no entanto, os membros fundadores Jack Santiago (vocais) e Ricardo Ravache (baixo) anunciam a volta do grande pioneiro do Heavy nacional e o Harppia volta com tudo fazendo shows cada vez mais marcantes.

Entrevistamos o Harppia em duas frontes. Por e-mail, com o baixista Ricardo Ravache, membro da formação original, focando principalmente o início da banda e sua volta e pessoalmente, com o baterista Fabrício Ravelli focando o atual momento vivido pela banda.

A primeira parte, com Ricardo Ravache, você confere abaixo, a segunda parte, com Fabrício Ravelli, você confere amanhã. Divirta-se!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:00 PM
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   Música – Entrevista exclusiva: Harppia – Ricardo Ravache (realizada por e-mail em 27 de maio de 2004) - Parte I

Como era a cena rockeira em São Paulo no final dos anos 70 e início dos 80? O que vocês ouviam e como conseguiam as gravações?

Ricardo: Vivíamos sob o regime militar e, conseqüentemente, o País era submetido à censura. Sendo direto, alguns álbuns eram impressos no Brasil, porém a qualidade era péssima (o tipo de vinil usado era ruim e as capas eram "mutiladas") e dificilmente havia um encarte com letras. A gente tinha que "ser macho" para tirar uma música.

A banda surgiu com o nome de Via-Láctea e, um ano depois, mudou o nome para Harppia. Por que a mudança do nome e por que a escolha do nome Harppia (incluindo a grafia e a pronúncia diferentes)?

Ricardo: A idéia do nome veio do (vocalista) Jack Santiago, um estudioso do ocultismo. Isso pode explicar a grafia. Quanto à pronúncia, creio que fique mais bonita dessa maneira.

No início dos anos 80, era muito comum na cena rockeira as letras em português. Por que essa escolha? Vocês nunca ficaram com medo de não
alcançar um mercado internacional?

Ricardo: Antes do fenômeno Sepultura, não se cogitava atingir o mercado internacional. Logo, era natural compor em português. Não levantamos bandeiras nem contra nem a favor da nossa língua. Gostamos dela. Gosto muito das letras do Jack. É um verdadeiro poeta e quem teve oportunidade de vê-lo compondo sabe que ele é sincero em suas colocações.
Qual a diferença entre o público Headbanger de 20 anos atrás e o público atual?
Ricardo: A essência é a mesma. O que mudou foi a maior facilidade de acesso a informações e uma proliferação de bandas, o que tornou o público mais exigente. Porém, quando o headbanger vai a um show e sente a porrada do Metal, a reação é e será sempre a mesma, em qualquer época e em qualquer lugar do Mundo.

Vocês acham que a Internet consegue divulgar mais os trabalhos das bandas? Qual a opinião de vocês sobre P2P e MP3?

Ricardo: Como no Brasil você pode contar nos dedos os artistas que sobrevivem graças a direitos autorais, para o músico acho muito interessante essa divulgação. Acho que muita gente também pensa desta maneira: se você gosta muito de um artista, vai querer comprar o CD, vinil, DVD, com capa, encartes e etc., mesmo que esteja disponível no Kazaa. Traz mais satisfação. É gostoso gastar dinheiro com o que a gente gosta.

A música Salém foi escolhida como um dos símbolos da revista Bizz da década de 80. Como vocês vêem a atuação da mídia com as bandas brasileiras? A imprensa dava o suporte necessário às bandas nos anos 80? E atualmente?

Ricardo: A escolha da Salém para compor o "compacto" que acompanhava o número um da revista foi, com certeza uma das coisas mais gratificantes para nós. A grande mídia brasileira não dá maior apoio para o cenário devido à natureza comercial dos veículos. Na verdade, eles refletem (e formam) o gosto da grande multidão de consumidores. Por isso devemos valorizar cada vez mais os verdadeiros radialistas, apresentadores, jornalistas, editores, em suma, os verdadeiros abnegados que ainda divulgam o Metal, sem esquecer dos bares e casas que ainda apostam no estilo por um verdadeiro amor à causa.

O Harppia acabou no final dos anos 80 e cada um seguiu um caminho. Por quê? Vocês, de certa forma, se desiludiram com a música? Quais foram as dificuldades encontradas pelo Harppia?

Ricardo: O estoque de dificuldades é inesgotável para qualquer banda. Certamente alguns de nós acabaram se desiludindo temporariamente não com a música e sim com pessoas, o que é natural em qualquer empreendimento. Mas nós do Harppia voltamos mais maduros e com maior capacidade e força para ceifar os obstáculos que se interpôem em nosso caminho, com nossas espadas e lanças impiedosas (risos). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:59 PM
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   Música – Entrevista exclusiva: Harppia – Ricardo Ravache (realizada por e-mail em 27 de maio de 2004) - Parte II

Como foi a idéia do retorno da banda? A princípio, vocês pensaram em uma volta apenas para alguns shows ou uma volta definitiva do Harppia?

Ricardo: A princípio houveram dúvidas mas, logo após o primeiro show, na Led Slay em 2002, ficou claro que o Harppia se trata de um patrimônio que não pode ser jamais abandonado.

Como surgiu a idéia de trazer o Kleber Fabiani e o Fabrício Ravelli para a banda? Vocês ainda mantêm contato com os ex-integrantes? Eles não quiseram participar ou não foram convidados?

Ricardo: O Kleber, já estava ligado ao Jack desde os primórdios da nova formação, sempre investiu muito para o sucesso da banda. Além de ser um excelente músico, um grande amigo, é parte inseparável do Harppia. Quanto ao Fabrício, poucas pessoas demonstram um profissionalismo e carisma como ele. Não é à toa que os músicos do Destruction (banda de Thrash Metal alemã), quando estiveram aqui recentemente, o apelidaram de "Killer Drummer". Não precisa falar mais nada!

As músicas antigas do Harppia estão soando mais pesadas e com mais pegada nos shows com a nova formação. Com o Judas Priest aconteceu a mesma coisa, e os antigos clássicos acabaram ganhando uma sonoridade mais moderna também. Algumas pessoas aprovam essa revitalização, outras preferem as versões originais. Como vocês vêem essa modernização dos clássicos?

Ricardo: Reputo essa nova sonoridade à presença do Fabrício. Na época da fundação da banda, o baterista era o Zé Henrique, pessoa por quem temos um carinho muito grande, e sua pegada atendia mais para o psicodélico (hoje compõe a banda Nihilo). Quando entrei para o Harppia, a opção natural foi trazer o Tibério Correia para a bateria, uma vez que já tocávamos juntos desde o final dos anos 70 numa banda de Rock'n'Roll e sem dúvida era o melhor fabricante de baterias do Brasil. A sua pegada era mais leve.
Na volta, em 2002, o Jack teve a feliz idéia de convidar o Paulão Batera, com quem tive a satisfação de tocar na última formação do Centurias, o que deu muito mais peso e vigor às músicas. O curioso é que antes da entrada do Tibério, nos anos 80, havíamos convidado o Paulão, o que não rolou. Devido aos compromissos com sua atual banda, o Baranga, fomos favorecidos pelos deuses e convidamos o Fabrício Ravelli, que consegue reunir todas as qualidades que um baterista deve ter: precisão, força, carisma, bom humor e acima de tudo, sinceridade de propósito.

As grandes bandas de Metal brasileiras gravaram músicas em português recentemente, o Sepultura gravou Ratamahatta e Polícia (versão dos Titãs) e o Angra gravou Caça e Caçador, apenas para citar dois exemplos. Como vocês vêem essa volta das bandas ao idioma nacional?  Vocês acham que as bandas que cantam em português têm mais espaço hoje?

Ricardo: Não creio que as bandas que cantem em português tenham mais espaço. O brasileiro ainda tende a ter o posicionamento servil de achar a língua inglesa mais importante. Sinceramente, não dou muita importância ao idioma. Falo por mim. Quando vou a um show, acho que as letras da músicas são só uma pequena parte do espetáculo.

O que vocês aprenderam nesses 22 anos de estrada?

Ricardo: Dentre um milhão de experiências, uma coisa eu acho a mais importante: banda e público são uma coisa só. E quando você junta os dois, a troca de energia que ocorre é gigantesca. Um precisa do outro, senão todo o esforço não faz sentido.

Que bandas vocês ouvem atualmente?

Ricardo: Falando sério: devido à absurda agitação da minha vida atual, a banda que eu tenho mais ouvido e curtido é o Harppia. Nos ensaios e nos shows...

 

Perguntas e introdução por Carlos Eduardo Corrales e Bruno Sanchez.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:58 PM
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   Cinema – DVD – O Rei Leão 3: Hakuna Matata (The Lion King 3: Hakuna Matata – EUA – 2004) - Parte I

A capinha é super engraçada.

            Nos idos de 1994 (cara, já fazem 10 anos), a toda poderosa e fantástica Disney lançou um dos maiores sucessos de sua longa história: O Rei Leão que, na verdade, não passava de uma adaptação de outro dos maiores sucessos da história da arte, dessa vez no campo da literatura: Hamlet, de William Shakespeare.

            Claro que isso não diminui a qualidade do desenho e, cá entre nós, transformar uma tragédia shakespeariana em um desenho fofinho não é para qualquer um. Isso porque ainda assim, muitas partes do desenho são bem pesadas em comparação com o que costumamos ver em desenhos da Disney – afinal, não é em todos os desenhos que vemos uma criança ter o pai assassinado pelo próprio tio.

            Mas não só nas criações de Shakespeare o desenho se baseia, pois conta também com ótimas músicas, compostas por Elton John e Tim Rice (tem alguém que não se lembre de Hakuna Matata?) e dois de seus personagens fizeram muito sucesso: o suricati Timão e o javali Pumba. Tanto sucesso que ganharam um desenho só para eles intitulado, não por acaso, de Hakuna Matata.

            A proposta desta segunda continuação não é exatamente continuar a estória, mas mostrá-la através de um outro ponto de vista, justamente o dos dois simpáticos personagens. E quem diria, a importância deles no destino de Simba é muito maior do que podíamos imaginar. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:46 PM
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   Cinema – DVD – O Rei Leão 3: Hakuna Matata (The Lion King 3: Hakuna Matata – EUA – 2004) - Parte II

            Tudo começa com Timão saindo de sua casa para procurar algo melhor. No caminho, ele conhece Pumba e eles logo se tornam inseparáveis enquanto procuram, juntos, por um novo lar. Durante sua jornada, eles vão interferir acidentalmente na vida de Simba inúmeras vezes, algumas ajudando, outras atrapalhando até que finalmente se conhecem e temos a oportunidade de ver como foi todo a transformação da criança no futuro rei, parte ignorada no filme original, talvez para fazer uma alusão a Jesus Cristo (e aproveite para ler nossa resenha para A Paixão de Cristo em http://delfos.zip.net/arch2004-03-16_2004-03-31.html).

            Mas nem tudo é legal na saga dos bichinhos. Vamos começar pelas qualidades. Como em praticamente todos os filmes da Disney, a parte visual é fantástica, com belos desenhos, todos muito coloridos e bem animados. A trilha sonora mantém o alto nível do desenho original, inclusive com uma nova composição de Tim Rice e Elton John. Por fim, é sempre interessante conhecermos uma estória de que gostamos através de outro ponto de vista (e aproveitando o gancho, entre em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html e leia também nossa resenha para a Graphic Novel Marvels que conta justamente a estória dos principais heróis da Marvel através de outro ponto de vista). Outra qualidade do desenho é que, ao contrário do original, que é um dos filmes mais dramáticos da Disney, este prima pela comédia e pelas trapalhadas dos “alívios cômicos” alçados a personagens principais.

            Saco puxado, agora vamos meter o pau: logo que se coloca o disco, somos bombardeados com 6 trailers antes do menu do DVD aparecer. Até podemos pular, pressionando a tecla de “próximo capítulo”, mas até pularmos os 6 capítulos, mais de um minuto já foi pro saco. Além disso, o DVD é duplo (fato descrito na caixa e nas etiquetinhas de preço das lojas para poderem cobrar mais caro), mas a soma de todo o conteúdo não chega a duas horas (alguém falou caça-níquel? Não? Então deve ter sido eu mesmo: CAÇA-NÍQUEL!).

            Já para o desenho propriamente dito ser divertido, é necessário que o expectador não só tenha assistido e adorado O Rei Leão, mas que também o tenha decorado, já que 80% das piadas são baseadas em cenas do filme original, ou seja, se você não assistiu ao primeiro, nem pense em assistir esse, pois você não vai achar graça em quase nada.

            E os extras? Até tem algumas coisinhas legais, como alguns joguinhos, videoclipes e Making Of, mas nada que justifique a aquisição, até porque você consegue ver tudo em 2 horas.

            Se você não gostou de O Rei Leão, passe longe, mas se você gostou e quer saber mais sobre a estória, alugue (realmente não recomendo a compra). Vai render algumas risadas e uma tarde divertida, afinal, Disney é que nem pizza: até quando é ruim é bom. Hakuna Matata!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:44 PM
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   Clássicos – Jogos – Mafia (Illusion Softworks – 2002)

Há pouco mais de um mês, escrevi a resenha do jogo Simpsons: Hit & Run (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-04-16_2004-04-30.html), onde mencionei que ele fazia parte da nova safra de clones do sucesso GTA 3. Na ocasião, eu disse também que o fato de um jogo ser clone de outro, não significa que ele será necessariamente ruim. Infelizmente, o jogo da família Simpson decepcionou em quase todos os aspectos se o compararmos com a sua matriz.

Agora vamos falar de um caso oposto, onde o clone superou o original. Estou falando do fantástico Mafia para PC. À primeira vista, Mafia pode parecer um destes jogos genéricos lançados no mercado nos últimos anos, mas quando começamos a nos aprofundar em sua estória, sua ambientação, seus personagens, percebemos que ele é um caso raro, que uniu com perfeição um ótimo roteiro (e há quanto tempo não víamos uma estória que realmente chamava a atenção em um game?) com gráficos maravilhosos e sem sobrecarregar o computador.

A estória começa nos anos 20, em uma cidade americana imaginária chamada (sabiamente) Lost Heaven. Aos poucos somos apresentados ao frustrado taxista Tommy Angelo, um rapaz com muitos sonhos e poucas perspectivas na vida, afinal Tommy vive em uma época onde a metralhadora dos gângsteres valia mais que toda a justiça (Nota do Carlos: Hum... parece que não mudou muita coisa da década de 20 para a nossa época).

A vida de Tommy começa a mudar, justamente, quando ele recebe uma proposta irrecusável para deixar sua vida honesta e entrar no mundo do crime como mais um “soldado” do mafioso Don Salieri, um dos chefões do crime na infinita guerra de gangues, que realmente acontecia, naquela época, nas grandes cidades norte-americanas.

Vale lembrar que você joga e participa ativamente de todo este processo, desde a tediosa vida de taxista da cidade grande até a entrada no mundo do crime, primeiro com missões simples para depois entrar em uma frenética batalha contra os outros chefões. Como não poderia deixar de ser, a estória tem várias reviravoltas e traições.

O estilo do jogo é muito parecido com GTA 3. Você tem total liberdade para roubar um carro na rua, cumprir uma determinada missão (escolta, perseguição, assassinato, etc), voltar para sua “base”, salvar o jogo, sair novamente e por aí vai. O diferencial é que as missões do Mafia são todas muito interessantes e importantes no seu enredo (ao contrário do que ocorria com os Simpsons). Em um determinado momento, você chega até mesmo a participar de uma corrida, incrivelmente realista, e muito melhor que muitos simuladores exclusivos de automobilismo que encontramos por aí. Você ainda tem algumas missões paralelas para cumprir, que liberam carros mais velozes e complementam as intrigas presentes.

Como nem tudo são flores, um dos principais problemas dos jogos nesse estilo, são as missões onde você deve dirigir até os extremos das longas cidades para cumprir algumas etapas bobinhas. Aqui esse problema também aparece, porém, a ambientação e a reprodução perfeita de uma metrópole desde a década de 20 até o final dos anos 30 tornam a “árdua tarefa” de dirigir em um grande prazer pois, a cada passeio, você acaba descobrindo um detalhe diferente. A cidade de Lost Heaven é “viva” em todos os sentidos da palavra e enche os olhos com seus detalhes e o cuidado com que foi reproduzida nas telas do micro. Você realmente se sente vivendo aqueles anos.

Os gráficos são excelentes e enchem os olhos. Mesmo com o jogo já com seus 2 anos de idade, ele ainda é muito melhor visualmente que vários exemplares lançados no mercado nesse período e o melhor de tudo, Mafia roda suave, mesmo em um computador não tão potente como um Pentium III 650, por exemplo.

A cidade é enorme e composta de bairros residenciais luxuosos, áreas industriais, um grande centro comercial, a periferia mais pobre, um aeroporto, autódromo, enfim, tudo o que você espera de uma cidade de verdade, nada de improvisações. Em um trabalho de muita paciência, os programadores ainda incluíram estradas com kilômetros e kilômetros de extensão que saem de Lost Heaven e vão muito longe contornando a cidade. Saber usar o mapa para aprender as melhores rotas entre os lugares é fundamental para se dar bem nas missões contra o relógio, mas fique tranquilo que essas missões mais chatinhas são a minoria.

As músicas de Mafia, obviamente, são baseadas em composições que faziam sucesso na época (baseadas em Jazz e Blues) e complementam a ambientação perfeita.

O som dos automóveis, das armas, o barulho em geral do trânsito e a poluição sonora da metrópole, tudo foi reproduzido com o maior cuidado.

Mafia é um dos melhores, senão o melhor jogo lançado nos últimos anos. E quando você consegue chegar no final, uma nova gama de opções chamada Free Ride Extreme é aberta com mais missões “extras”, aumentando ainda mais a sua longevidade.

Um caso raro e um dos melhores jogos de computador de todos os tempos. O que você está esperando para ir jogar?



 Escrito por Bruno Sanchez às 11:51 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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