Delfos - Jornalismo Parcial
   Música - CD – W.A.S.P. – The Neon God: Part 1 – The Rise (Century Media – 2004)

            Sempre que o W.A.S.P. divulga que o próximo CD vai ser sério, eu sinto um certo calafrio na espinha. Afinal, essa é a banda que nos presenteou com músicas singelas como Don’t Cry (Just Suck) e Animal (Fuck Like a Beast). Ou seja, a banda sempre primou por diversão da melhor qualidade, equilibrando muito bem um Rock N’ Roll pesadíssimo com características do Heavy Metal.

            Há pouco mais de dez anos, o W.A.S.P. lançou seu primeiro CD conceitual, The Crimson Idol, considerado o melhor da banda pelo seu líder Blackie Lawless. O álbum contava a história de um carinha que ficou trilhardário com a música que fazia, mas decepcionado com o mundo dos negócios que o rodeava. Inclusive, a melhor música desse CD, Chainsaw Charlie, foi composta em “homenagem” ao dono da Capitol (gravadora que lançou o álbum), que era xará do personagem da música. Por causa disso, a banda foi expulsa da gravadora. É preciso respeitar um cara com tamanha coragem, não é? :-)

            Pois bem, The Neon God: Part 1 vem musicalmente na mesma linha do Crimson Idol, mas traz um conceito muito mais interessante. Aqui conhecemos a história de um órfão que teve uma infância horrível no orfanato no qual vivia, mas que acaba ficando trilhardário ao se tornar um falso messias. Embora resumidamente não pareça grande coisa, recomendo a leitura do encarte a todos que se interessarem, pois traz alguns assuntos muito apropriados para reflexão. Na verdade, encaixaria The Neon God mais como um CD filosófico do que apenas como um CD de música, pois seu conceito é muito mais interessante do que a música nele contida.

            Como já disse, a música lembra muito o Crimson Idol, ou seja, ela tem um clima bem sério e as baladas predominam no disco, como The Rise, What I’ll Never Find e Raging Storm. Como alguém que gosta mesmo do primeiro álbum e do Helldorado, realmente não vejo o W.A.S.P. como uma banda craque em baladas (título que dou para o Savatage), pois acho todas elas muito parecidas, sempre com uma guitarra sem distorção, com riffs “atmosféricos”. Neon God também tem muitas músicas curtas (com cerca de 1 minuto), como Why Am I Here, Why Am I Nothing, Me And The Devil e Someone To Love, todas caminhando também pelo terreno das baladas.

            Mas em compensação, quando a banda decide fazer as músicas pesadas que os consagraram, mandam muito bem. É o caso de Wishing Well, XTC Riders, Asylum #9 e o maior destaque Sister Sadie. Esta última, cuja letra fala de uma freira sádica e pedófila tem em seu título uma referência óbvia ao Marquês de Sade, cujo nome originou a palavra “sadismo”. Sister Sadie remete diretamente à já citada Chainsaw Charlie pois, além da letra polêmica, tem um refrão que gruda na cabeça e que na segunda audição, você já vai estar cantando junto. Também tem no final, um daqueles corais “polifônicos”, característica muito presente em alguns clássicos do Savatage, como Chance, Wake Of Magellan e Not What You See. Será que o Savatage está influenciando Blackie?

            Infelizmente, tendo um conceito mais forte do que a própria música (erro imperdoável para quem se aventura pelo rumo dos álbuns conceituais), The Neon God deixou muito a desejar. Vale pelo conceito, realmente muito elaborado. Claro que, se você gosta mais do W.A.S.P. mais sério, como vimos nos álbuns Crimson Idol e Still Not Black Enough, você vai adorar, pois este vai na mesma linha. Agora se você prefere o W.A.S.P. divertido de um Helldorado e não se importa com o conceito, é melhor passar longe.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:32 AM
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   Games – Teenage Mutant Ninja Turtles (Konami – 2003) - Parte I

Uma década, esse é o tempo que faz desde que as Tartarugas Ninja, grandes ícones dos anos 80 e início dos 90, sumiram dos videogames e fliperamas com seu último jogo (saiu em 1993 para Super Nes, Nintendo e Mega Drive), o Teenage Mutant Ninja Turtles: Tournament Fighters.

Nesse tempo, muita coisa colaborou para o sumiço dos répteis mais queridos do planeta: o fim do desenho clássico, algumas ações infelizes de marketing por parte dos estúdios responsáveis, uma nova série meia boca com atores reais e, principalmente, o fim da febre ninja que estourou mais ou menos na metade dos anos 80. Mas agora, em pleno século XXI, os estúdios Fox ressuscitaram as tartarugas com um novo desenho, uma nova linha de produtos e, obviamente, um novo jogo desenvolvido pela mesma Konami que criou os excelentes jogos com a marca há quase 15 anos atrás.

Para quem não se lembra destes clássicos, vale a pena refrescar a memória: em 1989 as Tartarugas Ninja viraram uma febre mundial (pretendo escrever uma matéria relembrando este momento em breve aqui para o DELFOS) e para coroar esta fase, a fabricante japonesa, Konami, que então vivia seu auge financeiro e criativo, soltou para o Nintendo um side-scrolling (ou seja, com ação lateral 2D), sem grandes novidades, e um outro jogo para fliperama que praticamente redefiniu o conceito de multiplayer (com até quatro jogadores simultâneos, cada um com uma tartaruga) e ajudou a popularizar o estilo de jogo que ficou conhecidos como beat´em up, ou seja, andar e sair na porrada, mas desta vez em um ambiente “pseudo 3D” onde você também poderia se mexer verticalmente na tela, não só horizontalmente.

Vale lembrar que Teenage Mutant Ninja Turtles não foi o pioneiro deste gênero, o também clássico Double Dragon saiu 2 anos antes, mas o jogo das tartarugas alcançou um sucesso absurdo por unir com perfeição a ótima utilização da franquia com uma parte técnica impecável pois também contava com vários efeitos sonoros tirados diretamente do desenho, uma dublagem especial onde cada chefe de fase soltava uma frase antes do confronto e a maravilhosa trilha sonora original que embalou uma geração inteira de jovens jogadores (“Heroes in a half Shell... tanranran”). Lembro-me quando o fliperama chegou ao Brasil em 1989, filas enormes se formavam para testar a máquina no único shopping de São Paulo que a possuía, o Morumbi, mais ou menos 6 meses depois do lançamento nos EUA.

Mas esse assunto fica para outra hora. Vamos deixar a nostalgia de lado e falar um pouco sobre o novo jogo, lançado no final do ano passado para Playstation 2, Gamecube, X-Box e PCs, além de uma versão diferente e mais simples para Gameboy Advance.  A primeira coisa que todos vão notar assim que ligarem seus respectivos videogames (ou computadores) é a utilização questionável da franquia, totalmente baseada na nova série animada das Tartarugas Ninja, bem diferente do desenho original e esquecendo muitos personagens clássicos. Infelizmente, nada dos carismáticos Rocksteady, Bebop e Krang (o famoso chiclete mastigado), figurinhas marcadas dos antigos cartuchos, mas que não puderam dar as caras aqui por problemas judiciais (também pretendo explicar isso na matéria que deve sair em breve). Em compensação temos novamente as quatro tartarugas com suas respectivas armas, o mestre Splinter, April, Baxter e o Destruidor, além do chatão Casey Jones e sua máscara “quero ser o Jason”.

Outra coisa é que a Konami preferiu não reinventar a roda e seguiu a velha fórmula da jogabilidade beat´em up em um ambiente 3D renovado, onde você pode andar em todos os sentidos e, teoricamente, com maiores possibilidades. Uma idéia estranha já que o gênero andou saturado e em baixa por um bom tempo até desaparecer do mercado há alguns anos. Mas no novo jogo temos tudo conforme manda o figurino: a possibilidade de se jogar com as 4 tartarugas, cada qual com sua própria arma, as longas fases divididas em sub-níveis repletos de inimigos e o tradicional chefão no final, ou seja a casca mudou mas a gema do ovo continua a mesma. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:06 AM
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   Games – Teenage Mutant Ninja Turtles (Konami – 2003) - Parte II

Apesar da idéia dos velhos desafios com uma nova roupagem soar interessante, a estréia das tartarugas na nova geração acaba sofrendo de um mal criado por elas próprias há mais de uma década: fases repetitivas em excesso. A questão é que os jogos antigos, apesar de não serem nada originais (salvo a exceção do primeiro jogo de arcade, que realmente inovou e criou sua legião de seguidores), tinham doses altas de diversão porque faziam um bom uso da franquia e exploravam ao máximo todos os personagens, amigos e inimigos das temporadas do desenho da televisão, dos três filmes para o cinema, das HQs e até alguns outros criados exclusivamente para os jogos, tudo com gráficos e sons realmente surpreendentes para os padrões da época (e que ainda são bons até hoje). Já a nova empreitada sofre por se basear apenas na primeira temporada do novo desenho e isso significa uma pequena variedade de inimigos (sem brincadeira, no jogo inteiro, você provavelmente não vai encontrar mais de uma dúzia de inimigos diferentes, fato lamentável nos dias atuais) e muita, mas muita encheção de lingüiça mesmo, com fases longas, cansativas e uma parte técnica, digamos, datada.

Não temos uma histórica concisa. Cada fase representa um episódio da primeira temporada com um chefão no final e trechos retirados diretamente do novo desenho entre cada etapa para resumir um pouco o que está acontecendo (o que é bem legal, visto que ultimamente é cada vez mais raro vemos jogos que trazem cenas em filmes ou desenhos animados).

Para complementar o engodo, os gráficos são razoáveis, com bons modelos para as tartarugas e para os inimigos. Os cenários foram feitos em um 3D bem tosco com muitas cores, mas poucos detalhes e péssimas texturas, além de serem repetitivos demais para os padrões atuais. Os chefões de fase, normalmente, são mais interessantes, especialmente os que ocupam quase o tamanho da tela. A trilha sonora é fraca se lembrarmos as belíssimas composições que embalavam o jogo original de fliperama e sua continuação, Turtles in Time. Uma pena que a Konami não reaproveitou muitas daquelas músicas em troca dos sons do desenho novo.

A jogabilidade é igualzinha aos velhos jogos do estilo: um botão pula, outro dá o golpe e um terceiro solta especial. Apenas tivemos a inclusão de alguns combos e algumas seqüências que resultam em movimentos diferentes a la Street Fighter, mas nada do outro mundo, já que muitos jogos dos anos 90 já utilizavam o mesmo recurso. Os inimigos são fáceis e previsíveis, com exceção de um ou outro sub-chefe ou chefe mais apelão, mas todos têm seus próprios esquemas que você não deve demorar muito para descobrir.

No final das contas, tivemos uma volta burocrática das Tartarugas Ninja com um jogo que não soube se adaptar aos novos tempos e honrar o histórico do antigo e inovador fliperama: é, infelizmente, apenas mais um entre tantos outros lançamentos. Só compre se você for muito fã do novo desenho das tartarugas, ou se, como o Carlos aqui do DELFOS, morre de saudade dos beat´em ups de outrora.

Vale lembrar que, apesar das críticas negativas gerais, a Konami já anunciou o lançamento do segundo game dessa nova “série” baseada no novo desenho para o final de 2004. Vamos torcer que neste novo lançamento, a empresa tire um pouco de criatividade da cartola e invista em algumas novidades para que a decepção não volte a ocorrer.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:04 AM
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   Música – CD – Kotipelto – Coldness (Century Media – 2004)

            Já estava na hora de alguma coisa relacionada à música vir de alguém relacionado ao Stratovarius. Depois de toda a palhaçada, lavação de roupa suja, banho de sangue e cabalas, finalmente algo com notas musicais chega às nossas mãos.

            Para ser brutalmente sincero (como sempre sou nas minhas resenhas), devo dizer que não gosto de CDs solo. Eu realmente entendo a necessidade dos músicos em fazê-los, principalmente no caso de bandas como o Stratovarius, cuja maior parte das composições é executada por apenas um dos membros (Coldness já estava sendo realizado antes da saída de Timo Kotipelto), mas mesmo assim, dificilmente esses CDs trazem músicas com a mesma qualidade da banda original, nos levando a pensar que às vezes realmente exista um motivo racional (que não a ditadura) para um único membro dominar as composições.

            Esse CD, infelizmente, não é uma exceção. O que também não significa que ele seja ruim. Ele é, na verdade, o melhor CD solo lançado por alguém relacionado ao Stratovarius até hoje, pois, ao contrário das incursões de Jens Johansson no Fusion e de Timo Tolkki no Pop/Rock, Timo Kotipelto concentra sua carreira solo no mais puro Heavy Metal (supondo, é claro, que você prefira esse estilo a Fusion ou Pop/Rock).

            A banda conta com um time de superstars e inclui Mike Romeo (guitarrista do Symphony X), Jari Kainulainen (baixista do Stratovarius) e Janne Wirman (tecladista do Children Of Bodom), todos em performances impecáveis. Timo Kotipelto, como sempre, arregaça nos vocais, mostrando porque é considerado uma das melhores vozes do Metal Melódico desde Michael Kiske (embora a música contida neste CD esteja mais para o Metal Tradicional do que para o Melódico).

            Então onde está o problema do CD? Nas composições em si. Não é que sejam ruins, ou realizadas por alguém que não sabe o que faz, mas simplesmente não existe nenhuma composição tão cativante neste CD como uma Black Diamond, por exemplo. Um dos maiores destaques então, acaba indo para a faixa do single, a comercial Reasons, que tem um refrão daqueles que a galera adora acompanhar em shows. Outra legal é a faixa de abertura, Seeds Of Sorrow, a que mais lembra Stratovarius no álbum. O destaque negativo vai para um detalhe bizarro da última faixa, Here We Are, que termina em um fade out (até aí, nada demais), mas depois volta em um volume tão alto que chega a machucar os ouvidos e não duvido que chegue a prejudicar caixas de som menos potentes. Bizarro é apelido.

            De bônus, essa edição nacional traz ainda o videoclipe de Reasons, que é chato que dói, parecendo ter sido feito com câmeras amadoras e um também chato Making Of do álbum, esse sim feito assumidamente com câmeras amadoras em um padrão de qualidade bem semelhante ao visto no vídeo do Stratovarius, Infinite Visions.

            Coldness não é ruim, mas é um disco sem carisma. Um álbum que comprei por obrigação de colecionador e que dificilmente vou ouvir de novo, exatamente como aconteceu em Waiting For The Dawn, a incursão solo anterior do vocalista. Se você gosta muito de Stratovarius ou de Timo Kotipelto, vale a pena conferir. Só não vá com muita sede ao pote e não se esqueça de abaixar o volume no final da última música.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:07 AM
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   Cinema – Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança (Eternal Sunshine Of The Spotless Mind – EUA – 2004) - Parte I

            Parece que o Jim Carrey realmente abandonou de vez as divertidíssimas comédias protagonizadas por ele durante os anos 90, das quais O Máskara e Debi & Lóide são sempre as mais lembradas. Claro que a opção é dele, e muita gente diz que ele é um ótimo ator sério e que preferem ele fazendo esse estilo do que o careteiro mostrado em seus primeiros filmes. Eu, como sempre do contra, ando sentindo muita falta de boas comédias no cinema. Na verdade, não me lembro da última vez em que dei uma daquelas gostosas gargalhadas durante uma projeção. Enfim, o assunto aqui não é a carreira de Carrey, mas o mais novo filme por ele protagonizado: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança.

            O ponto de partida é bem legal. Existe uma empresa chamada Lacuna que é especializada em apagar memórias. Ao ser completamente ignorado por Clementine, a mulher que ama (Kate Winslet, é a primeira vez que eu a vejo no cinema desde Titanic) e com a qual teve um relacionamento, Joel Barrish (Jim Carrey) entra em depressão, até ser avisado por amigos da existência da tal Lacuna e que Clementine havia deletado ele de sua memória. E lá vai Joel se vingar da mina e contratar a tal empresa para apagar ela também.

            O resultado é um filme estranho. E isso não significa ruim. Para começar a estranheza, os “créditos iniciais” só vão aparecer lá pela meia hora de filme. A narrativa não é linear e mistura a ordem normal com a ordem inversa (tipo Amnésia), sendo a normal a história do filme e a ordem inversa as cenas que se passam dentro da cabeça de Joel, pois vamos assistindo a elas conforme vão sendo apagadas, ou seja, da mais recente para a mais antiga. Acontece que, durante o processo, ao reviver os bons momentos, Joel se arrepende e começa a arquitetar planos infalíveis para impedir a empresa de apagar a garota de sua memória.

            Outra curiosidade que percebi é que, pela primeira vez desde que comecei a reparar nessas coisas, o roteirista (Charlie Kaufman, de Quero Ser John Malkovich) é mais famoso que o diretor (Michel Gondry, de A Natureza Quase Humana, mas cujos trabalhos mais famosos são alguns clipes da Björk). Eu sempre defendi que, na verdade, os roteiristas são mais importantes, já que você (assumindo que você é uma pessoa comum, não um cinéfilo) vai para o cinema para ser entretido por uma boa história, não por planos e técnicas de filmagem. Isso pode significar que Hollywood finalmente vai dar mais importância à história do que a uma grife de diretor, como fez em A Vila (eca, blergh, ptu, igh!). Claro que todo mundo fica contra mim nesse aspecto, mas eu já estou acostumado. Acontece com quem quebra padrões há muito estabelecidos e esse é um dos principais motivos da existência do DELFOS.  Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:11 AM
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   Cinema – Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança (Eternal Sunshine Of The Spotless Mind – EUA – 2004) - Parte II

            Mais uma boa notícia em Brilho Eterno blá blá blá é que, pela primeira vez em muito tempo, e eu realmente quero dizer muito tempo, acredito que desde Sexto Sentido, o final de um filme me surpreendeu. Ok, não é tão surpreendente quanto o filme do garotinho que via pessoas mortas, mas eu realmente não esperava ser surpreendido por um filme, de certa forma, romântico. Durante a exibição, inclusive, fiquei pensando “Esse filme não faz sentido, tem um furo cabuloso no roteiro! Malditos filmes não comerciais que não fazem sentido!”, mas tudo é devidamente explicado no final, então, se você é como eu e gosta mesmo de um bom pipocão, apenas preste atenção em todas as cenas que tudo vai fazer sentido sem grande esforço.

            Uma falha do filme é sua duração. Não é um filme loooongo, tem apenas 108 minutos, mas as cenas que se passam dentro da cabeça de Joel, parecem ficar repetitivas depois de um certo tempo, pois são basicamente aquelas coisas que namorados sempre fazem. Creio que o filme ganharia se limasse algumas destas cenas e concluísse antes sua (boa) história.

            Também gostaria de falar de um certo desrespeito ao manual dos roteiristas (que na verdade, não existe, mas é uma lenda mais ou menos como o livro Necronomicon) que diz o seguinte: “Se for escrever sobre algo que não existe, escreva no futuro”. Puxa, nem precisava ser num futuro tão distante, que necessitasse de cenários elaborados e tal, mas é difícil engolir que tal empresa existisse na época atual. Outra falha é uma certa falta de visão na empresa Lacuna, pois parece que o único benefício visto pela mesma no emprego de sua tecnologia é esquecer um coração partido. Ora, eu tenho muitas memórias das quais eu gostaria de me livrar (nenhuma delas relacionada a decepções amorosas) e estaria disposto a pagar para isso. Você não?

            Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança é muito bom. Eu que gosto de um bom pipocão e não vou muito com a cara de dramas, achei que não iria gostar e mesmo assim me diverti bastante. Não sei se isso é um bom sinal para quem gosta de dramas e filmes não comerciais, mas é minha opinião. E isso é tudo que posso fazer por você.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:09 AM
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   Literatura – Clássicos –Reino do Amanhã (Kingdom Come – DC Comics – 1996)

A década de 90 não foi um bom momento para a indústria dos quadrinhos de super-heróis. Foram sagas e mais sagas fúteis das duas principais editoras de super-heróis: Marvel e DC. A patética saga do clone do lado da Marvel, os confusos multiversos e a morte do Superman na DC. Toda essa trapalhada acabou espantando os antigos leitores e, de certa forma, criou uma rejeição nos novos que preferiam histórias mais simples e diretas com novos personagens que surgiam, como é o caso do Spawn (da editora Image, publicado no Brasil pela Abril). Mas, em meio a tanta abobrinha, também tivemos duas obras-primas do gênero que souberam realçar o amor que os fãs sentiam pelos seus heróis favoritos.

Primeiro, em 1993, a Marvel lançou uma obra única, que funcionaria como um roteiro de cinema (alguns juram que era mesmo projeto para um filme), dando uma pincelada geral no seu universo e fazendo um histórico de todos os acontecimentos mais importantes desde a década de 30 até os tumultuados anos 70. Mas a série tinha um diferencial, tudo era narrado do ponto de vista de um cidadão comum, o repórter Phil Sheldon. Trata-se, obviamente de Marvels (leia a resenha delfiana em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html), uma obra prima escrita por Kurt Busiek e ilustrada em estilo cinematográfico pelo mestre Alex Ross.

Para dar o troco com estilo, alguns anos depois, a DC contratou os trabalhos do roteirista Mark Waid e do mesmo Alex Ross para dar vida ao seu “projeto secreto”. Uma história que, ao invés de buscar o passado dos heróis, exploraria o futuro de seu universo, tudo com os mesmos desenhos maravilhosos de Ross e uma visão realista sobre o universo da editora. Era anunciado o Reino do Amanhã.

Mas não são só os desenhos de Alex Ross que se destacam aqui e o roteiro, escrito pelo não menos brilhante Waid, também parte de uma premissa bem interessante: no universo DC, todos se acostumaram com os super-heróis vivendo entre os humanos, ajudando-os e combatendo os perigosos supervilões que insistem em não parar de encher o saco (fato comum no universo Marvel também). Mas poucos se lembram que, apesar de terem poderes fora do normal, os heróis também um dia envelhecerão e terão de abandonar os trajes coloridos por uma aposentadoria segura. Obviamente, que uma nova geração de superseres irá aparecer para substituí-los, mas quais serão os valores desta nova geração? Será que eles irão lutar pelo bem da humanidade ou por uma glória pessoal? E o pior: qual será o destino de nosso planeta nas mãos destes novos heróis?

Pois é, após o fim da chamada “era de prata” dos super-heróis DC, o tiro sai pela culatra e a nova geração não tem os mesmos ideais justos deixados pela antiga Liga da Justiça. Para piorar, guerras entre gangues rivais de superseres começam a surgir em todos os cantos do planeta e colocam o mundo em um estado máximo de alerta após um terrível incidente no estado norte-americano do Kansas, onde milhões morrem em uma dessas batalhas de proporções catastróficas. Para tentar controlar a situação, os antigos super-heróis, agora senhores na terceira idade, precisam voltar à ativa e começa o maior choque de gerações já presenciado na face da Terra.

O roteiro ainda traz um detalhe muito interessante, com certeza inspirado em Marvels: Toda essa nova guerra entre os velhos e novos super-heroís é mostrada através dos olhos realistas do pastor Norman McCay, um cidadão comum e religioso, que ganha visões apocalípticas após a morte do herói Sandman (nada a ver com a obra de Neil Gaiman). O destino de toda a humanidade está nas mãos de Norman que, no momento do juízo final, deverá julgar se os super-heróis são ou não essenciais para a sobrevivência da raça humana.

            A história é bem legal, o ritmo dos acontecimentos condiz muito bem com a narrativa e é fácil entender o seu contexto, mesmo que você não seja familiarizado com o universo da Editora, mas a verdade é que nada disso chamaria tanto a atenção se não fosse o traço magistral de Alex Ross. Fica difícil não se emocionar com seus desenhos totalmente realistas, inspirados em modelos reais (Norman McCay, em especial, é inspirado em seu pai), que nos dão uma outra imagem do nível que os gibis podem chegar. Como já acontecia em Marvels, finalmente você terá a oportunidade de saber como são os traços do Superman ideal, suas características físicas e suas expressões ao longo da história. Nada de borrões ou desenhos fora de proporção, Mr. Ross está em um patamar acima de qualquer artista do gênero e cada quadrinho que ele desenha pode ser considerado uma verdadeira obra de arte, com cores vivas e muitos, mas muitos detalhes mesmo. Uma das grandes sacadas em Marvels era procurar uma referência perdida aqui e ali. Em Reino do Amanhã, isso novamente acontece e, se você procurar com calma, irá encontrar dezenas de referências a todo o universo DC e mais várias surpresas como, por exemplo, o comediante Bill Cosby perdido em um dos quadrinhos.

A série foi publicada nos EUA em 1996 e chegou ao Brasil um ano depois, dividida em 4 volumes pelas mãos da Editora Abril. Em 2003, até mesmo uma linha de bonecos própria foi lançada e agora, em 2004, a Panini está republicando a história no Brasil em formato americano, encadernada, com algumas ilustrações a mais, textos explicativos e notas dos autores pelo preço tabelado de R$ 24,90.

Se você gosta de quadrinhos, não importa qual seja a sua editora preferida, compre e aproveite o Reino do Amanhã, você não irá se arrepender.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:13 AM
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   Cinema – A Vila (The Village – EUA – 2004) - Parte I

            A essa altura, você com certeza já viu a propaganda desse filme na TV. Uma das piores campanhas de filmes das quais tenho conhecimento, tem todos seus diversos comerciais centrando todo seu conteúdo em apenas duas frases: “Do diretor M. Night Shyamalan” e “Não conte o final deste filme”. Eu, como um indivíduo pensante que não gosta de receber ordens e que não aceita ser manipulado pela televisão, realmente pensei em contar o final da fita para todo mundo que conheço. Infelizmente, meu senso ético é grande demais para estragar a diversão das outras pessoas, então pode ler sossegado que nada nesta resenha vai estragar o final para você, mas fica registrada minha reclamação pela campanha publicitária completamente incompetente e, principalmente, falsa (continue lendo para entender).

            A premissa é talvez a mais legal dos filmes do diretor. Uma vila é completamente isolada da sociedade por um bosque que a rodeia. Nenhum de seus habitantes pode atravessar o bosque em direção à cidade, pois o primeiro é habitado por temíveis criaturas que o pessoal da vila nem tem coragem de citar, se referindo a eles apenas como “aqueles dos quais não falamos” em uma clara alusão ou homenagem do diretor e roteirista Shyamalan a Harry Potter e seu principal vilão Voldemort (leia resenha do filme mais recente do bruxinho em http://delfos.zip.net/arch2004-06-16_2004-06-30.html e a do jogo em http://delfos.zip.net/arch2004-08-01_2004-08-15.html). O motivo desse “isolamento voluntário” é que o povo da vila tem um pacto com os monstrengos do tipo “você não vem aqui e eu não vou aí, beleza?”.

            Infelizmente, a premissa legal é completamente estragada pela péssima condução da trama, personagens pouco carismáticos, interpretações deprimentes e, principalmente, uma direção nojenta. Vamos dar alguns exemplos no próximo parágrafo. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:14 AM
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   Cinema – A Vila (The Village – EUA – 2004) - Parte II

            Pouco depois do início do filme, vemos um moleque parado de costas para o bosque em posição de cruz, pouco antes de ele sair correndo de medo. Por que ele está fazendo isso? Essa dúvida é apenas esclarecida muito depois no filme e, simplesmente, não tem nenhuma importância, devendo, portanto, ter sido retirada. A protagonista Ivy (Bryce Dallas Howard) é o principal problema nas atuações. Ela é linda que dói, mas faz a pior interpretação de um deficiente visual que eu já vi. Ela chega ao ponto de olhar para as pessoas. E nem venha me falar que ela olha para as pessoas porque ela enxerga as luzes delas, pois isso não cola comigo. Isso sem contar que, em determinado momento, ela pega sua bengala e simplesmente quebra ao meio, sem motivo algum. Será que ela estava querendo dar uma de machona?

            Sobre a direção nojenta, vou citar uma cena e você tira suas próprias conclusões. Na cena em questão, Ivy e seu pai Edward (William Hurt) estão andando e conversando. A câmera, por algum motivo bizarro, fica tremendo como se o cameraman estivesse andando (bêbado) atrás deles com a câmera nos ombros. Aí eles param de andar e a câmera pára de tremer. Eles continuam a andar e a câmera volta a tremer. Isso, além de impedir que você curta o belo visual do filme, chega até a dar dor de cabeça. Não consigo imaginar como surgiu essa idéia. Será que o diretor simplesmente pensou: “Duh... Tive uma idéia ótima. Vamos colocar a câmera tremendo sem motivo algum, para parecer que nosso filme com orçamento de milhões de dólares tem a mesma qualidade de uma filmagem caseira de aniversário?” e daí os puxa-sacos, com medo de perder o emprego, falaram “Genial, senhor Shyamalan! Vamos fazer isso sim!”. Meu, você consegue imaginar esse diálogo? Esse não é o único defeito da direção, só foi o pior. Sinceramente, quando assisti aos filmes anteriores do diretor, ainda não tinha o mesmo olhar crítico de hoje, então não posso dizer com veemência se o cara é realmente ruim ou se é apenas nesse filme que ele não estava inspirado. Se bem que agora acabei de me lembrar que, ao assistir Sexto Sentido no cinema, eu vi uns microfones voando em diversas cenas. É... acho que o cara é que não tem critério mesmo. Devia se ater a escrever histórias e não a dirigir filmes.

            Ok, e o final tão surpreendente? Bom, para começar, de surpreendente não tem nada, daí o fato de a propaganda ser enganosa citado no começo deste texto. Aquele “Não conte o final deste filme” é obviamente uma tentativa desesperada de uma produtora que não acredita na fita e que, ao não encontrar nenhuma qualidade na mesma, simplesmente optou por criar uma curiosidade em relação ao final.

            Como eu não resisto, vou comentar o final, mas pode ler sossegado, amigo delfonauta. Não vou estragar a sua surpresa aqui. Existem, na verdade, duas “revelações”. A primeira delas, a mais importante, você pode matar simplesmente lendo a premissa da história em qualquer sinopse. Na verdade, eu matei antes de assistir o filme, mas simplesmente nem imaginei que o mesmo roteirista que surpreendeu a todos nós em Sexto Sentido optaria pelo caminho mais óbvio possível. A segunda “revelação” só tem alguma importância na história em si, mas ainda assim era impossível ser mais óbvia do que é e você provavelmente vai adivinhar a resposta assim que a dúvida surgir.

            Mas calma, leitor. O filme não é de todo ruim. Eu, particularmente, gosto muito do visual “romântico” de uma vila isolada da sociedade. O figurino é legal e os cenários também são bem legais. E é claro, a história é muito mais profunda do que pode parecer, podendo até gerar certas discussões sobre nosso comportamento na sociedade. Claro que essas discussões não serão iniciadas no âmbito dessa resenha, para não estragar a surpresa daqueles dois ou três (pensando em todos os espectadores que o filme vai ter no Brasil, quiçá no mundo) que se surpreenderão com a “revelação”.

            A Vila, ao contrário do que pode parecer não é ruim. Apenas criou as expectativas erradas, se concentrando na marca “M. Night Shyamalan” e na “surpresa do final”. Tivesse se concentrado mais nas coisas que realmente importam em um filme, ou seja, personagens cativantes e uma boa história, sem dúvida seria mais bem sucedido. Afinal, em matéria de surpresa, o diretor e roteirista não deve superar, ao menos em um futuro próximo, seu melhor filme Sexto Sentido que, ao contrário do que os outros veículos “especializados” em cinema dizem, é seu único filme que tem uma revelação bombástica no final. Eu, pelo menos, não tive nenhuma surpresa em Sinais e Corpo Fechado. Você teve?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:13 AM
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   Cinema – Colateral (Collateral – EUA - 2004)

A vida em uma grande metrópole não é nada fácil. Apesar de estarmos sempre rodeados por milhões de pessoas, a correria do dia a dia nos faz esquecer dos contatos sociais e, muitas vezes, acabamos isolados em uma rotina que pode levar 10, 20, 30 anos e quando percebemos, pode ser tarde demais para mudar o destino.     Aliás, você acredita em destino?

Max (Jamie Foxx) é um motorista de Táxi esforçado e dedicado em Los Angeles. Já trabalha há 10 anos no ramo e, apesar de ser um excelente profissional, sua vida pessoal não anda lá essas coisas. Ele tem um sonho: montar sua própria empresa de aluguel de limusines. Para isso, batalha duro, juntando uma grana, fazendo contatos e tudo mais que for necessário. No entanto, 10 anos se passaram e até agora ele não conseguiu almejar seus objetivos.

Vincent (Tom Cruise) é um assassino profissional a serviço de perigosos mafiosos há pelo menos 6 anos. Frio e calculista, ele não teria a menor pena de matar o seu melhor amigo se fosse preciso. O pior de tudo é que ele não encara sua atividade como algo fora da lei, é apenas mais um trabalho e ele precisa disso para viver.

O que aconteceria se esses dois personagens tão opostos se cruzassem nas confusas linhas da vida? É exatamente esta a premissa que acontece em Colateral, o encontro entre o honesto e o inescrupuloso, o bom e o mal, o certo e o errado e mais uma série de outros clichês.

Tudo começa quando o taxista pega Vincent para uma corrida. Os dois iniciam um rápido bate-papo, de certa forma se entendem (especialmente porque Vincent admira a competência de Max ao volante) e fecham uma parceria durante a madrugada por algumas centenas de dólares aonde Max irá se transformar em um motorista particular para que Vincent realize algumas visitas a velhos amigos (o taxista não sabe que, na verdade, está levando um assassino para cometer seus crimes). Toda essa primeira impressão amistosa muda quando Max presencia, sem querer, uma das “missões” de Vincent e se torna um refém deste até que ele termine todos os seus serviços na noite da metrópole.

A partir daí, o filme deslancha para um bom suspense, pois nunca sabemos qual será a reação de Vincent às diversas situações. Em determinados momentos somos levados a acreditar que ele pode tanto dar um tiro na cabeça de Max quanto rir de alguma trapalhada do taxista. Esse sentimento constante de preocupação que criamos com o personagem de Foxx, ao mesmo tempo em que desenvolvemos um asco cada vez maior pela personalidade confusa e inescrupulosa de Vincent conforme ele vai cometendo seus crimes, gera uma tensão que só é resolvida nos 20 minutos finais de projeção. E não, não adianta insistir! Se quer saber o final, vá ao cinema.

A grande verdade é que o diretor Michael Mann (de Ali e a série Miami Vice) nunca nos deixa criar uma empatia pelo personagem de Tom Cruise. Sempre que começamos a conhecer melhor o seu lado humano (mesmo um criminoso da pior espécie tem que ter um), acontece alguma coisa que imediatamente trazem à tona o medo e a raiva novamente, como na cena do bar de Jazz, por exemplo.

Mas e Tom Cruise como vilão? Pois é, após tantos papéis como mocinho (O Último Samurai, Missão Impossível, Minority Report, Top Gun e por aí vai), o ator se rendeu e encarnou alguém realmente malvado (Nota do Carlos: não podemos esquecer também que ele fez o vampiro Lestat em Entrevista com o Vampiro, esse sim, o primeiro vilão de sua carreira). O resultado é muito bom: Cruise consegue dar veracidade ao personagem e seus atos e, de certa forma, a mudança na aparência física do ator (agora ele está com os cabelos grisalhos e uma barba rala) também ajudam na caracterização de um Vincent imprevisível e assustador.

O filme é bom e prende você na cadeira do cinema até o final. Uma pena que sua conclusão é cheia dos famosos clichês e descambe para um sketch de ação que, honestamente, não era necessário. De qualquer forma, vale a diversão e a reflexão do individualismo que predomina nas grandes cidades. Ou vai me dizer que você nunca se sentiu solitário, mesmo estando em meio a milhões de pessoas?



 Escrito por Bruno Sanchez às 5:22 AM
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   Música – DVD – Gamma Ray – Lust For Live (Sanctuary – 2003) - Parte I

            Originalmente lançado em VHS nos idos de 1993, Lust For Live era “quase” um vídeo ao vivo. Por que quase? Porque intercalava algumas músicas com entrevistas e cenas dos músicos gravando o álbum Insanity And Genius, de 1993, álbum que viria a ser o último com o vocalista Ralf Scheepers, hoje no Primal Fear e que considero o pior disco do Gamma Ray.

            Pois em 2003, a gravadora Sanctuary anuncia a transição dos dois vídeos lançados pelo Gamma Ray em DVD. São eles este Lust For Live e Heading For The East, lançado originalmente em 1991. Depois de cerca de um ano procurando, cheguei até a cogitar a compra dos DVDs importados, já que não os encontrava em lugar nenhum. E então, quando menos esperava, o DVD de Lust For Live aparece na minha frente, exibido na vitrine de uma das lojas da Galeria do Rock. Não perdi tempo e já o pedi para o vendedor. Ao pegá-lo nas minhas mãos constato, para a minha surpresa, que o disco era nacional. E o Heading Fot The East? Bom, esse eu vou ter que continuar procurando, mas vamos à resenha do Lust For Live.

            Ao contrário do que o título do DVD sugere, este vídeo não conta com a “tremendona” Lust For Life, uma das músicas mais empolgantes do Gamma. Pelo contrário, a parte ao vivo é completamente calcada no álbum Insanity And Genius. Para falar a verdade, a única que não é do álbum presente aqui é a Changes, do álbum Sigh No More, (1991), além de um medley (continue lendo que você vai entender). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:03 AM
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   Música – DVD – Gamma Ray – Lust For Live (Sanctuary – 2003) - Parte II

            O show já começa detonando, com a fantástica Tribute To The Past. Ótima performance, ótima presença de palco. Quem já viu a banda ao vivo sabe que o show do Gamma Ray é um dos mais divertidos. A imagem não está tão boa quanto deveria, já que se trata de um DVD, mas está melhor do que a do VHS. No Return e suas “guitarras cantantes” vem em seguida em uma performance inferior à presente no álbum ao vivo Skeletons In The Closet,  de 2003, mas ainda assim bem legal.

            E aí o show é interrompido para a primeira entrevista com a banda. As entrevistas são engraçadas e tal, mas eu não compro DVDs para ver entrevistas. E assim, o vídeo continua, com uma parte não musical interrompendo a apresentação a cada duas músicas. Uma dessas interrupções mostra a banda gravando o álbum Insanity And Genius. Apesar das piadas e de podermos ver algumas músicas conhecidas em estágio embrionário, provavelmente nunca mais sentirei vontade de rever essas partes não musicais do vídeo. Ainda bem que o DVD permite que pulemos essas partes, indo direto para a parte que interessa: a música.

            E, quem diria, a próxima música é um medley do Helloween, abrangendo uma música de cada álbum do qual o guitarrista (e quando dá na telha vocalista) Kai Hansen participou. E assim temos I Want Out e Future World, tocadas até o primeiro refrão e Ride The Sky tocada até o solo. E quando o solo acaba, eles já emendam em seguida com a divertida Future Madhouse.

            Novamente, o show é interrompido para vermos, entre outras coisas, a gravação do clipe para a música Gamma Ray (alguém já viu esse clipe? Será que ele realmente existe?).

            Após a interrupção, voltamos ao show e adivinha só, a próxima música é a própria Gamma Ray, erroneamente grafada na caixa e no menu como The Cave Principle. Cá entre nós, ainda bem que é a Gamma Ray, porque a The Cave Principle é a música mais chata da banda, sem exagero nenhum.

            Após essa música, a banda sai do palco e vemos uma entrevista no backstage após o show. Os créditos sobem enquanto ouvimos a música Brothers (também grafada erroneamente na caixa e no menu, desta vez como sendo a música Gamma Ray).

            A imagem volta para o menu e eu olho para o reloginho do DVD. 55 minutos. É só isso? É. Extras? Puxa, tem um comentário em áudio de um tal Malcolm Dome que, no início de cada música fala os compositores dela. Algo tão sem-vergonha que não deveria nem ser listado na caixinha. Ridículo.

            A coisa mais honesta a fazer seria ter relançado os dois vídeos do Gamma Ray em apenas um DVD, pois aí sim ia valer a pena. Agora lançar um DVD com 55 minutos é ridículo. Não que o DVD seja ruim, mas a concorrência está pesada, pois enquanto o Judas Priest lança seu Electric Eye, abrangendo um show completo, quase todos os videoclipes e mais um monte de extras legais, o Gamma Ray lança um DVD que dura menos do que o almoço de domingo aqui em casa.

            Vale a pena? Só se você for realmente fã da banda e quiser ter tudo. Senão passe longe, meu amigo. Quem sabe você não encontra o DVD de Electric Eye lá.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:01 AM
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   Música – Especial –Entrevistamos o Sepultura!

Parece que foi ontem, mas o DELFOS está completando 9 meses de estrada agora em Setembro. Alguns podem dizer que é um tempo de vida curto para uma página na Internet e é verdade, nós ainda somos bebês perto dos grandes portais de informação e entretenimento que existem por aí, mas pensem que neste meio tempo já cobrimos dezenas de shows, filmes, games, CDs, entrevistas coletivas, entrevistas inéditas e tudo relacionado à literatura com nossas atualizações diárias, isso sem contar as notícias quentinhas. É um número impressionante de 180 resenhas completas e detalhadas como só nós sabemos fazer. Discorda? Então compare com a concorrência e procure resenhas mais detalhadas e emocionais do que as nossas.

Mas isso é apenas o primeiro passo de um grande projeto. Nós não estamos nem pensando em parar por aqui e o DELFOS estará, muito em breve, saindo do incômodo formato Blog (só formato, já que no conteúdo não temos nada de Blog), para se tornar um dos mais completos e importantes portais de entretenimento do Brasil.

Para comemorar este acontecimento, estamos preparando várias surpresas e a primeira delas já posso adiantar para vocês, até porque fizemos o anúncio há algum tempo: Na última terça-feira nós entrevistamos com exclusividade o Sepultura!

Sim, é isso mesmo que você leu, o maior fenômeno do Heavy Metal nacional (esqueça o Massacration por favor) deu uma entrevista de pouco mais de uma hora através de seu guitarrista, o grande Andreas Kisser, que além de nos contar diversos detalhes sobre a banda, ainda fez algumas revelações muito interessantes sobre a saída de Max Cavalera da banda, Sandy & Júnior, Los Hermanos, o projeto Brasil Rock Stars (leia uma resenha delfiana positiva em http://delfos.zip.net/arch2004-04-01_2004-04-15.html e uma negativa em http://delfos.zip.net/arch2004-07-16_2004-07-31.html, provando a nossa famosa “imparcialidade parcial”) e muito mais.

Uma das grandes consagrações da vida de um jornalista é poder entrevistar o seu artista favorito e conhecer mais curiosidades e detalhes de sua vida e obra. Posso dizer que consegui realizar este sonho. E olha que nem sou jornalista, hein? ;-)

A entrevista ficou fantástica. Sou fã do Sepultura há mais de 10 anos e aproveitei todas as curiosidades que tinha sobre os caras para fazer mais de 100 perguntas abrangendo seus 20 anos de estrada. Sim, é isso mesmo que você leu, foram mais de 100 perguntas, obviamente um pouco enxugadas, para que pudéssemos saber vários detalhes sobre a carreira, as curiosidades, os melhores e os piores momentos de uma das grandes bandas de Heavy Metal de história.

Mas nem tudo são flores, entrevistar o seu ídolo não é uma tarefa tão fácil como parece, ainda mais nos estúdios onde a banda ensaia. O microfone treme, a voz embaralha, a mão sua bastante, mas tudo corre bem quando temos um entrevistado solícito e simpático, que te deixa bem à vontade para perguntar o que quiser e não mede as palavras para falar dos mais delicados assuntos. Andreas respondeu todas as perguntas de bate-pronto e ainda tivemos a oportunidade de conhecer todos os integrantes da banda (todos igualmente simpáticos e atenciosos). Aliás, a banda toda posou para fotos exclusivas das quais você tem uma pequena palhinha abaixo. As demais serão publicadas junto com a entrevista e com qualidade bem superior.

Já sei, já sei, agora você quer saber quando a entrevista será publicada, certo? Como expliquei nos parágrafos anteriores, todo o site está passando por uma reformulação e, assim que o portal do DELFOS estiver pronto, a entrevista irá ao ar com exclusividade total. Então você vai ter que checar aqui freqüentemente. O lado bom é que cada vez que você entrar, vai encontrar novas resenhas delfianas. E eu garanto: você não perde por esperar!



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:16 AM
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   Cinema – Alien Vs. Predador (Alien Vs. Predator – EUA – 2004)

            Depois de deixarem os fãs loucos de ansiedade e estrelarem dezenas de jogos de videogame e HQs, onde se encontraram até mesmo com Batman e Super-Homem, finalmente os dois monstros mais feios (você já viu o Predador sem máscara? Eca!) do cinema se encontram onde sempre deveria ter sido: no cinema.

            A primeira coisa que você deve saber é que essa é uma história completamente independente dos quatro filmes do Alien e dos dois filmes do Predador, mantendo como único elo comum, além dos próprios monstros, é claro, o ator Lance Henriksen, que fez o papel do andróide Bishop, em Aliens – O Resgate, segunda incursão dos babões na tela grande e que aqui faz o trilhardário Charles Bishop Weyland. Sua presença, assim como seu nome (percebeu o Bishop lá no meio?) devem ter sido escolhidos apenas para homenagear e satisfazer os fãs já que, em nenhum momento, a semelhança é mencionada na história.

            Isso, contudo, não significa que as franquias dos monstrões não tenham sido respeitadas. Está tudo lá, desde o “senso de justiça” do Predador, que não mata pessoas desarmadas sem motivo, até o sangue “especial” de ambas as criaturas: para quem não lembra, ou não sabe, o Predador tem um sangue fosforescente muito louco e o Alien tem um sangue ácido perigosíssimo.

            A história é básica, mas legal. Weyland (o trilhardário) e sua empresa acreditam ter descoberto a pirâmide mais antiga construída pelo homem, contendo uma mistura das culturas Asteca, Egípcia e do Camboja. Como qualquer pessoa normal, interessada em história, mas principalmente, em grana, forma um grupo com os melhores cientistas, arqueólogos e seguranças para viajar até lá e ver “qual é que é”.

            Chegando lá, adivinha o que acontece. Vou dar uma linha para você pensar.

 

Adivinhou? Isso mesmo, eles encontram os bichinhos que começam uma verdadeira carnificina. Na verdade, a pirâmide era um local para a raça dos Predadores testar e iniciar sua juventude na arte do combate, e os quase irracionais Aliens são a caça.    Daí em diante, vai aquela violência tradicional. Humanos morrendo, Predadores morrendo, humanos morrendo, Aliens morrendo e, principalmente, humanos morrendo. Assim como nos videogames, o Predador é meio que o “mocinho” da história, ou seja, nada de muito diferente, mas ainda assim é legal.

            Agora vamos falar mal. Na verdade, nem tem muito o que falar mal, porque eu gostei do filme, mas como sou muito chato, tenho que falar mal de alguma coisa. O filme chama Aliens VERSUS Predador. Então alguém me explica por que diabos a história é tão centrada nos seres humanos? O primeiro embate entre um Alien e um Predador ocorre lá pela uma hora de filme, e como são apenas três Predadores (embora isso seja o triplo do que normalmente aparece nos filmes da franquia), parece ter muito poucos rivais para as centenas de babões que habitam a pirâmide. O filme seria mais legal se focasse nas duas raças e deixasse os humanos apenas como “baixas de guerra” mesmo.

            Concluindo, AVP vale o ingresso, principalmente se você for fã dos monstrengos. Poderia ser melhor? Sim, poderia, mas ainda assim foi uma hora e meia muito divertida – principalmente a meia hora final, quando realmente o VERSUS do título entra na história.

             Alien Vs. Predador estréia amanhã, dia 3 de setembro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:40 AM
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   Literatura – 1602 (Marvel Comics, 2003/2004)

A indústria dos quadrinhos está passando por uma grave crise de criatividade nos últimos anos. Muitas das histórias que lemos nada mais são do que reciclagens de idéias que já saíram do papel há 10, 20 ou 30 anos, com pequenas modificações nas estruturas narrativas. Assim não é de se espantar a recepção fria e cética sobre esta minissérie 1602 da Marvel antes mesmo dela chegar às bancas.

No entanto, acredite, você tem pelo menos um grande motivo para esquecer os pessimistas e dar uma chance a esse gibi: trata-se do primeiro trabalho do premiado Neil Gaiman (o criador de Sandman) para a Marvel. E quem fecha o time de 1602 é o bom desenhista Andy Kubert complementado pela arte final de Richard Isanove, a dupla responsável pela minissérie do Wolverine, Origem. Nos EUA, a série foi lançada em 8 “tomos”, mas a Panini resolveu facilitar nosso trabalho e, no Brasil, ela está dividida em 4 volumes (cada uma com 2 “tomos”), em formato americano.

O grande desafio era mesmo o de “adaptar” um universo tão grande e complexo como o da Marvel (que envolve heróis, vigilantes, mutantes e vilões) para o século XVII, uma época onde a inquisição da igreja católica e os estados absolutistas do velho continente ditavam as regras na sociedade. E a premissa da história não faz feio: no início do século XVII, uma época onde a rainha Elisabeth da Inglaterra, tenta a todo custo evitar a ameaça representada pela união entre a Inquisição espanhola e o ambicioso e intolerante rei da Escócia. Mas um fator que ninguém poderia prever são as intenções maléficas de Otto Von Doom, o Conde do distante reino da Latvéria.

No meio disso tudo ainda temos os sangue-bruxos, pessoas com poderes especiais que tentam escapar a todo custo da inquisição (porque afinal, pessoas com dons paranormais, são demônios aos olhos míopes da igreja). Um charme da história é bem legal, especialmente por misturar os personagens da editora norte-americana com pessoas e fatos que realmente existiram, e o roteiro segue em um ritmo bem cativante até o volume 4, bem próximo da conclusão onde, inexplicavelmente, Gaiman deixou a criatividade de lado e se perde em uma série de clichês bobos, quase pondo tudo a perder com um final chato e sem graça, em nome daquela patriotada americana que tanto nos irrita. Uma pena realmente, porque os três primeiros volumes de 1602 são muito bem escritos, com diversas reviravoltas e com todos os personagens muito bem encaixados no contexto.

 Apesar de alguns errinhos históricos aqui e ali (não tem jeito, isso sempre acontece), temos um belo roteiro envolvendo (quase) todos os personagens principais da editora, mesmo que seja apenas em uma pequena participação especial. Aliás, uma das grandes diversões de 1602 é justamente identificar os seus personagens preferidos envolvidos: Dr. Estranho, Homem-Aranha, Demolidor, Quarteto Fantástico, os X-Men, Thor, Abutre, Capitão América, Dr. Destino, Magneto, Viúva Negra, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Hulk, estes são alguns dos personagens mais óbvios que aparecem na história, mas durante os 4 volumes você irá encontrar diversas citações ou referências a outros personagens. Alguns heróis ou vilões têm suas identidades reveladas logo de cara ou são óbvios demais, enquanto outros precisam de um pouco mais de atenção para que você os identifique. A aparição de um destes vilões “alterados”, em especial, é um dos pontos fortes da série. Não adianta, amigo delfonauta, não vou contar de quem se trata e acabar com uma das grandes surpresas da história, você vai ter que descobrir por conta própria. ;-)

Os desenhos de Andy Kubert e Richard Isanove se destacam por combinarem perfeitamente com o clima mais “dark” da época (o século XVII foi um período de grande incerteza e “depressão” na Europa, com diversas guerras, o fantasma da peste negra voltando a assombrar e, logicamente, a inquisição) e todos os personagens estão com suas característica impecáveis nesta recriação. Parabéns a dupla que se superou neste trabalho, em especial na utilização das cores.

Independente do final, 1602 é um bom trabalho, muito superior a tudo que a Marvel lançou nos últimos anos. O final da história realmente decepciona por simplesmente não elucidar grande parte dos mistérios e trazer à tona questões que não tinham relevância nenhuma até então. A impressão é que Neil Gaiman estava atrasado com o trabalho e resolveu dar qualquer final apenas para não deixar a saga incompleta (fato que tem acontecido bastante ultimamente, em diversos títulos). Uma pena, pois eu gostaria de dizer que essa é a melhor saga que li desde o Reino do Amanhã da DC Comics, mas vale a pena conferir, principalmente as três primeiras partes.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:03 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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