Delfos - Jornalismo Parcial
   Música – Clássicos – Centúrias – Última Noite / Ninja (1985/88 – Baratos Afins) - Parte I

Quando você pergunta para qualquer pessoa quais as principais bandas do Heavy Metal nacional, a resposta vem logo à cabeça: Angra e Sepultura. Por mais que o mercado esteja sempre aberto às demais bandas como Holy Sagga, Krisiun, Torture Squad, Shaman, entre outras, são sempre esses dois nomes que mais chamam a atenção pela sua história e importância no cenário nacional e internacional.

O que poucos se lembram é que essas duas bandas podem realmente ser as maiores, mas não foram as pioneiras do Metal nacional. Mais de uma década antes do Angra lançar seu primeiro trabalho, Angels Cry (1993), muitas bandas já batalhavam no cenário nacional em busca de destaque e oportunidade na difícil cena tupiniquim. Muitos grupos sumiram com o passar dos anos sem deixar sequer um rastro de sua existência, afinal vieram de uma época onde a música pesada era vista com um terrível preconceito pela indústria fonográfica pois esta preferia investir em coisas de fácil audição, como Kid Abelha e RPM, para citar apenas dois casos mais óbvios (será que essa situação é muito diferente hoje em dia?).

De qualquer forma, uma pequena parcela das bandas conseguiu a proeza de gravar um discão (vinil mesmo) e deixaram saudade no coração dos velhos headbangers que viveram os anos 80. Salário Mínimo, Avenger, Harppia (leia as resenhas delfianas de shows da banda em http://delfos.zip.net/arch2004-04-16_2004-04-30.html, http://delfos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-15.html e http://delfos.zip.net/arch2004-07-01_2004-07-15.html, e uma completíssima entrevista com os caras em http://delfos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-15.html), Virus, Golpe de Estado e o Centúrias, liderado pelo carismático batera Paulão Thomaz, que não gravaram apenas um, mas dois trabalhos muito bons, graças à ajuda da famosa loja Baratos Afins e de seu proprietário, Luiz Calanca. Aproveitando o retorno da banda após quase 15 anos de inatividade, nada mais justo do que resenhar os dois clássicos dos caras.

Um pequeno histórico: a banda começou em 1980 no underground paulistano, mas a primeira aparição em disco aconteceu apenas quatro anos depois, na famosa coletânea SP Metal (também da Baratos, e aguarde porque vou fazer uma resenha deste trabalho em breve) com as músicas Duas Rodas e Portas Negras.

A carreira do Centúrias pode ser dividida em duas fases distintas e cada um dos dois discos lançados representa muito bem estas características. O primeiro trabalho se chama Última Noite e foi lançado em 1985. A banda na época contava com o Paulo Thomaz (bateria), Eduardo Camargo (vocais), Adriano Giudice (guitarra) e Rubens Guarnieri (baixo) e o estilo lembrava bastante o que o Deep Purple e o Rainbow fizeram nos anos 70: um Hard Rock vigoroso com uma pitada de Metal aqui e ali. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:04 AM
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   Música – Clássicos – Centúrias – Última Noite / Ninja (1985/88 – Baratos Afins) - Parte II

Deste primeiro trabalho, duas músicas chamam muito a atenção: Rock na Cabeça e Duas Rodas. A primeira por ser uma verdadeira ode ao Rock´n´Roll, impossível ficar parado ao ouvi-la, e a segunda por se tratar de uma das melhores músicas do Metal nacional de todos os tempos. Aliás, Duas Rodas até ganhou uma versão cover em inglês da banda MonsteR no último CD (leia a resenha deste trabalho em http://delfos.zip.net/arch2004-08-16_2004-08-31.html).

O segundo trabalho, Ninja, mostra uma banda muito mais madura e apostando em um Heavy Metal tradicional, estilo Judas Priest, com muita energia, competência e letras fantásticas, abordando temas bem variados. Uma curiosidade é a presença de Jack Santiago, vocalista do Harppia, na composição de grande parte das letras. Esse fato não é novidade, já que as duas bandas começaram praticamente ao mesmo tempo e sempre rolou uma amizade muito forte entre elas, inclusive com trocas de integrantes no melhor estilo Gamma Ray/Helloween. A formação do Centúrias nessa época mudou para melhor, trazendo os vocais poderosos de César “Cachorrão” Zanelli e os ex-Harppia Marcos Patriota (guitarra) e Ricardo Ravache (baixo) além do Paulão na bateria, único remanescente da formação original.

Destacar alguma coisa neste segundo disco é bem difícil, pois Ninja é um excelente trabalho, muito regular e técnico. As faixas Guerra e Paz e Metal Comando são hinos da música pesada nacional e merecem uma audição cuidadosa. O Harppia, inclusive, toca uma versão bem legal de Metal Comando em seus shows atualmente.

Para facilitar a vida de quem não quer correr atrás dos discos nos sebos da vida, a Baratos Afins relançou os dois discos em um único CD com 3 faixas bônus das músicas Fortes Olhos, Metal Comando e Não Pense, Não Fale, todas gravadas ao vivo em 1986. Tudo por um preço bem acessível e um ótimo trabalho gráfico no encarte, contando ainda com um prefácio de Ricardo Batalha da revista Roadie Crew.

Se você não conhece o trabalho do Centúrias e sua importância no cenário nacional, está na hora de valorizar um dos grandes pioneiros do Metal nacional. Parabéns à Baratos Afins pela força e apoio às bandas há quase 30 anos e vamos torcer para o Centúrias consolidar o retorno com mais um ótimo trabalho.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:03 AM
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   Cinema – O Enviado (Godsend – EUA – 2004)

            Quando recebi o release desse filme há alguns meses, admito que despertou minha ansiedade e curiosidade. Divulgado como sendo do mesmo estilo do ótimo Os Outros e do clássico O Bebê de Rosemary, O Enviado prometia ser mais um bom representante de um dos gêneros de filme que mais me atraem: o terror/suspense psicológico.

            Motivos para eu achar isso não faltavam. Saca só o enredo: um menino chamado Adam (Cameron Bright) morre em um acidente um dia depois de seu aniversário de 8 anos. Os pais, vividos por Greg Kinnear (de Ligado em Você) e a sempre linda Rebecca Romijn-Stamos (a Mística, de X-Men, aqui com sua cor natural e sem poderes mutantes), é claro, ficam inconsolados. Saindo do cemitério, encontram Richard Wells (Robert De Niro), cientista que oferece a eles a possibilidade de ter seu filho de volta através da clonagem. Inicialmente recusam mas, ao refletir sobre a possibilidade de voltar a ver novamente o sorriso do menino, acabam aceitando. Tudo corre bem, até que o moleque completa novamente seus 8 anos e começa a viver em um tempo de vida que não lhe pertence. E coisas estranhas começam a acontecer.

            Como eu sou legal pra caramba, não vou falar mais nada sobre a história em si, pois aí começam os sustos e a última coisa que quero com esse texto é estragar a diversão daqueles que, como eu, têm o estranho e masoquista hábito de gostar de se assustar. Mas posso dizer que o filme não fica apenas na ótima premissa. A condução da história também é muito boa e muitas cenas são realmente de gelar espinhas, afinal, poucas coisas são mais assustadoras do que uma “criança do mal”, como podemos ver pela quantidade de filmes/livros que se aproveitam desse expediente.

            Agora, além de legal, eu também sou chato pra dedéu e não posso encerrar um texto meu sem falar dos defeitos da obra analisada. E aqui esse defeito se encontra no final. Não sei se sou eu que tenho um poder dedutivo muito grande ou se simplesmente já assisti a filmes demais para aprender como funcionam os roteiros hollywoodianos, mas os finais dos filmes de suspense têm deixado muito a dever aos bons filmes do gênero. Digo isso pois, assim que o filme começou, eu já pensei: “hum, provavelmente a causa de tudo é blá-blá-blá?”. Logo depois, pensei: “Ah, é claro que não. Não iam estragar um filme de suspense tão legal com um final tão previsível”. Pois bem, esse blá-blá-blá é exatamente a causa de tudo. Ok, não é exatamente igual ao que eu imaginei (digamos que a causa de tudo é blá-blá-blé), mas é suficientemente parecido para eu reclamar que o final é previsível. Não que precise de muitos motivos para me levar a reclamar de algo, mas isso é o de menos.

            O que importa mesmo é que O Enviado merece ser assistido, se não pelo final, ao menos pela ótima condução da história e pela beleza da Míst... uhn... Rebecca. Mas eu ainda acho que o ponto de partida é muito bom e poderia (e deveria) ter rendido mais.

 

            PS: Você já levou um susto extra-filme, durante uma exibição? Esses momentos são sempre engraçados, motivo pelo qual quero comentar o maior susto que levei durante a projeção. Na cena do acidente do moleque (bem no início do filme), que já é um momento naturalmente tenso, subitamente vejo um vulto atrás de mim. Olhei, super assustado, crente que o diabo tinha invadido a Terra ou algo do tipo, mas era apenas uma mulher que chegou atrasada à sessão. Será que ela não podia ter aparecido em alguma outra cena não assustadora, pô?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:52 AM
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   Música - Notícias - Novo cast para a apresentação única do Exodus na capital de SP (Press-Release)

            O festival "Bonded By Blood Thrash Fest", que tem como headliner os norte-americanos do Exodus e que foi remarcado para o dia 22 de outubro na tradicional casa de rock Ledslay, em São Paulo (SP), teve algumas alterações em seu cast. Devido a problemas com a agenda de shows, as bandas Torture Squad e Mad Dragzter foram substituídas pelas lendárias bandas Atomica e Vulcano, ícones do Thrash Metal brasileiro da década de 80, que voltaram a ativa recentemente e ajudarão a fazer deste festival um marco histórico do Thrash Metal no Brasil.

            Este show será a apresentação única do Exodus na capital paulista e os ingressos começam a ser vendidos até o final desta semana.

            Além das outras datas da turnê do Exodus no Brasil anunciadas anteriormente, acaba de ser confirmada uma data no Rio de Janeiro, que seria a versão carioca do festival em São Paulo, batizado como Bonded by Blood 'Rio' Thrash Fest, que será realizado dia 20 de outubro, no Circo Voador, Rio de Janeiro (RJ).

 

Confira abaixo todas as datas da turnê brasileira:

20/10 (quarta-feira) - Rio de Janeiro/RJ (Circo Voador)

22/10 (sexta-feira) - São Paulo/SP (Ledslay)

23/10 (sábado) - Ribeirão Preto/SP (Apoteose)

24/10 (domingo) - Recife/PE (Clube internacional de Recife)



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:26 PM
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   Música – Shows – 1º Sepulfest (Espaço das Américas – 25 de Setembro de 2004) - Parte I

Nesses 20 anos de estrada, o Sepultura já fez muito pelo Heavy Metal nacional. Basta lembrarmos que eles foram os grandes responsáveis por o mercado lá fora para as bandas brasileiras, além de terem sido a primeira banda nacional de Rock pesado a excursionar no exterior e, aliás, foi uma excursão tão boa que eles ofuscaram até mesmo os headliners do Sodom na ocasião, o que gerou uma certa dor de cotovelo nos alemães.

Nem os graves problemas da saída de Max Cavalera, que quase culminaram com o fim da banda em 1997 (aguarde para breve aqui no DELFOS uma completíssima entrevista com o guitarrista Andreas Kisser, onde ele aborda esse e muitos outros assuntos de toda a carreira da banda), podem apagar esse passado glorioso e o Sepultura está mais vivo do que nunca com os potentes vocais de Derrick Green e o mais novo trabalho, Roorback, trazendo de volta um Thrash Metal feroz e criativo como há muito não se via.

Para comemorar essa volta por cima na carreira após todos estes problemas, os integrantes da banda criaram o mais novo festival de Heavy Metal nacional, o Sepulfest que, nas palavras do próprio guitarrista Andreas Kisser, será uma espécie de Ozzfest brasileiro, que irá crescer e ganhar cada vez mais espaço com o passar dos anos e, quem sabe, até mesmo rodar o Brasil no futuro.

Para esta primeira edição, o Sepultura trouxe uma seleção de bandas bem variada, passando desde o Punk/Hardcore clássico dos Ratos de Porão, amigos de longa data dos anfitriões, até o Manguebeat dos pernambucanos da Nação Zumbi.

O local escolhido para a realização do primeiro Sepulfest foi o Espaço das Américas, uma casa de shows nova, acessível (bem pertinho do metrô Barra Funda) e com vários estacionamentos grandes ao redor. Estacionamentos, aliás, que cobraram preços bem reduzidos, na faixa dos R$ 3,00 pelo período de 12 horas, muito diferente dos guardadores de carro das outras casas de show que chegam a cobrar absurdos R$ 10,00 para você deixar o carro na rua e ai de você se não pagar. Para quem não conhece o Espaço das Américas, aqui vai um resumo: é um imenso galpão, sem muita estrutura para receber grandes públicos (o lugar fica muito abafado), mas com um ótimo espaço tanto para as bandas quanto para o fãs.

O Sepulfest também trouxe vários stands localizados no interior do imenso galpão que vendiam de tudo um pouco, desde camisetas, CDs, e merchandising das bandas presentes até outros itens mais exóticos.

Vários telões, colocados em locais estratégicos, ajudavam o público, que compareceu em bom número, a não perder nada do que rolava em cima do palco. A estrutura do palco também estava bem legal, com vários jogos de luzes e uma altura bem calculada, que possibilitava a todos enxergarem tudo o que se passava lá em cima.

O número de seguranças no lugar também assustou. Além de dezenas das próprias bandas, mais de 100 seguranças da própria casa, do Villa Country e do Olympia também deram um reforço. Não sei se eles estavam esperando por vândalos, mas o número surpreendeu. Outra coisa é que o ingresso e os folders sobre o Sepulfest sinalizavam que o evento começaria às 15 hs, mas os portões só foram abertos às 16 hs e o primeiro show começou às 18 hs. O resultado foi muita gente do lado de fora, nas ruas ao redor da casa de shows, sem nada pra fazer e em um baita calor. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:57 AM
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   Música – Shows – 1º Sepulfest (Espaço das Américas – 25 de Setembro de 2004) - Parte II

Polêmicas a parte, temos que dar um desconto afinal, essa foi a primeira edição do Sepulfest em uma casa de shows também considerada recente. O pessoal do Claustrofobia, banda paulistana com 10 anos de estrada, que pratica um Death Metal com pitadas de Thrash mais ou menos na linha Korzus, foram os encarregados de abrir a noite. Os destaques foram o excelente vocal gutural de Marcus e as músicas Thrasher, Be Buried Alive e Pivete. Todos os integrantes têm uma excelente presença de palco, em especial o guitarrista Alexandre e o vocalista/guitarrista Marcus que não parava de invocar o Exú, prevendo o caos sonoro que dominaria a noite. Foi um belo começo para o Sepulfest.

Uma pequena pausa para troca de equipamentos e o polêmico Massacration, banda de “mentirinha” criada pelos humoristas do programa Hermes e Renato da MTV, viria a seguir. A pseudo-banda participou este ano do BMU (leia a resenha delfiana em http://delfos.zip.net/arch2004-07-16_2004-07-31.html) onde foram ovacionados pelos presentes e agitaram bastante. Mas no Sepulfest, as expectativas eram diferentes já que o lugar estava lotado de fãs um pouco mais radicais do Punk e do Metal extremo.

Vale lembrar que, apesar de ser uma banda de mentirinha, o vocalista Detonator (nome real: Bruno Sutter) canta de verdade e participa, inclusive, de uma banda-tributo ao Death e, se você encarar tudo o que eles fazem como apenas uma brincadeira com os clichês do gênero, consegue rir bastante e aproveitar o “show”. O problema é quando a piada começa a tomar ares mais sérios e o Massacration começa a ser tratado como uma banda de verdade, mas esse assunto fica para uma outra ocasião.

O Massacration aparentemente iria fazer um número acústico pois colocou até um daqueles famosos banquinhos no palco. Mas pouco antes do show começar, o banquinho sumiu e os caras entraram com o “clássico” Metal Milk Shake. Detonator e o guitarrista Blonde Hammet (um dos nomes mais criativos que eu já vi) realmente estavam tocando seus instrumentos, enquanto os outros “encenavam” suas performances. É importante dizer que o baterista, apesar de estar mascarado, não era Igor Cavalera como foi no BMU.

Os comediantes seguiram com Metal Bucetation, Kill With Power (cover do Manowar, com algumas modificações), a novíssima Metal Serial (que, segundo Detonator foi composta um minuto antes da banda subir ao palco) e o primeiro e maior sucesso do grupo, Metal Massacre Attack.

As palhaçadas da banda não poderiam ficar de fora e, em determinado momento, um fã (na verdade, um dos integrantes do grupo) subiu ao palco e mostrou seus órgãos genitais (postiço, é claro) ao público, mas não demorou muito para ele tomar uma bela “guitarrada” do Joselito.

Apesar dos fãs mais “extremos”, o show correu muito bem e a banda foi ovacionada durante toda a apresentação. Quem disse que headbangers têm a cabeça fechada e não gostam de uma boa piada?

O lado interessante é que, após o show, os integrantes do Massacration passeavam tranqüilamente pelas dependências do Espaço das Américas e raramente eram reconhecidos sem suas perucas, braceletes e óculos escuros. Mas preciso dizer que todos são extremamente simpáticos e atenciosos e se divertiam com as apresentações tanto quanto o público. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:56 AM
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   Música – Shows – 1º Sepulfest (Espaço das Américas – 25 de Setembro de 2004) - Parte III

Os pernambucanos da Nação Zumbi vêm a seguir. É verdade que a banda hoje em dia não desfruta da popularidade de outrora quando era liderada por ninguém menos que o falecido Chico Science mas, mesmo assim, eles souberam superar o trauma da morte de seu líder e seguiram em frente, lançando mais dois trabalhos, sempre com o Manguebeat, uma mistura entre o Rock e as batidas tradicionais brasileiras.

Algumas pessoas estranharam a inclusão da banda no cast do festival, mas novamente vem à tona o objetivo do Sepultura em produzir um festival eclético e acessível a todos os amantes da boa música.

Os destaques do show da Nação Zumbi, foram a surpreendente versão de Purple Haze (de Jimi Hendrix), com um excelente trabalho do guitarrista Lúcio Maia, e algumas músicas mais antigas como Da Lama ao Caos e Quando a Maré Encher. Vale ressaltar também o peso que as músicas ganham ao vivo. É impressionante como a “batida” da Nação, com seus tambores, fez até o chão tremer em frente ao palco. No geral foi um bom show, mas um pouco longo para os padrões do festival, o que deixou o público um pouco arredio em seu final. Mas tudo correu bem e os pernambucanos tiveram mais uma oportunidade de apresentar um belo trabalho aos paulistanos.

Em seguida, foi a vez do lendário Ratos de Porão subir ao palco. Muitos metem o pau em João Gordo, o chamam de traídor do movimento por trabalhar na MTV, mas a verdade é que poucos se lembram o quanto ele foi importante para a história do Punk/Hardcore nacional e, por que não, até para o Heavy Metal. Para quem não sabe, ele foi o primeiro a quebrar uma estúpida rixa que dividia punks e headbangers (que perdura até hoje, infelizmente), ainda nos anos 80, quando usou uma camiseta do Venom em um dos antológicos shows do Ratos. Para completar, João Gordo e os caras do Sepultura se conhecem há quase 20 anos e sempre foram muito amigos portanto, nada mais justo do que a participação do Ratos de Porão nesta primeira edição do Sepulfest.

João Gordo (vocais), Jão (guitarra), Boka (bateria) e o novo baixista, Bin Lacto, fizeram um show muito energético, com direito a um discurso de Jão (guitarra) contra essa política podre que está aí, um discurso muito oportuno em época de eleições. Os destaques foram os clássicos de sempre do Punk e Hardcore nacional: Agressão Repressão, Crucificados pelo Sistema, Igreja Universal (essa é a melhor, a banda jogou uma Bíblia para o público durante sua execução e, bom, vocês podem deduzir o que aconteceu com a pobre Bíblia), Aids, Pop, Repressão, Amazônia Nunca Mais e a eterna Beter Até Morrer.

O show teve aproximadamente uma hora, devido a um problema com os amplificadores de Jão, que encurtou sua duração. Esse problema também gerou uma certa confusão no backstage onde Boka e Bin Lacto tentaram tirar satisfação com o pessoal da produção do Sepulfest e a coisa não ficou feia por muito pouco. De qualquer forma, os caras fizeram um puta show empolgante e mostraram que não estão dispostos a parar, apesar dos quase 40 anos de João Gordo e mais de 20 anos de estrada da banda. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:53 AM
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   Música – Shows – 1º Sepulfest (Espaço das Américas – 25 de Setembro de 2004) - Parte IV

Finalmente era chegada a hora dos anfitriões. Um intervalo para a troca de equipamentos e o show do Sepultura já começou com uma surpresa: o eterno Zé do Caixão, diretor e ator de dezenas de filmes trash, sobe aos palcos para anunciar a maior banda brasileira de Rock pesado. O público foi ao delírio, mas todos se surpreenderam mesmo quando a introdução soturna, The Curse, a faixa que abre o primeiro trabalho da banda, Bestial Devastation, começou a sair do P.A. Eu estava quase acreditando que eles tocariam a faixa título a seguir, mas não foi o que aconteceu. Não que eu tenha me frustrado afinal, Igor, Andreas, Paulo e Derrick simplesmente começaram com o clássico Troops of Doom. A resposta de todos os presentes foi imediata e o Sepultura já começou com a platéia nas mãos.

Para não perder o pique, a banda emendou Slave New World (do Chaos A.D) e Attitude (do Roots) e, para cada um destes hinos tocados, a resposta só poderia ser uma: gritos, aplausos e todos cantando junto. É difícil descrever a sensação de união quando se está presente em um show do Sepultura. Só presenciando mesmo para sentir. Sem demoras, Derrick anuncia a próxima música: Choke, o primeiro som que ele gravou com a banda em 1998 e Desperate Cry.

Em seguida, Andreas vai ao microfone e anuncia que a banda irá tocar uma coisa especial para os fãs nesta noite e começa o clássico Escape to the Void do disco Schizophrenia de 1987. O mais legal é que o próprio Andreas comandou os vocais neste momento. Seguindo com o show de clássicos, a banda mandou Inner Self, sempre com uma ótima resposta do público. Mais uma surpresa. Desta vez, Andreas chama o vocalista Marcus do Claustrofobia e detonam uma versão pesadíssima de Beneath the Remains em um dueto com Derrick. A essa altura, algumas pessoas já estavam cansadas, mas o Sepultura segue com a música Mind War de seu mais recente trabalho, Roorback.

Uma brincadeira de Andreas Kisser, e os caras começam a tocar Seek and Destroy do Metallica, mas o que parecia apenas uma encheção de lingüiça acaba virando um “bônus” e o clássico é tocado até seu primeiro refrão para o delírio dos bangers presentes. A forte Sepulnation é cantada em uníssono por todos e mostra que, se esse CD tivesse um melhor trabalho de divulgação, poderia ter se tornado um dos grandes clássicos do Sepultura.

Mais uma participação especial, desta vez João Gordo sobe ao palco e, em meio a diversos elogios para os seus amigos do Sepultura, detona Reza e uma inusitada versão de Biotech is Godzilla onde Gordo divide os vocais com Derrick em um dos momentos mais legais da noite.

O cover do U2, Bullet the Blue Sky também teve uma ótima recepção dos presentes e a banda já emenda com mais um clássico: Refuse Resist, em uma versão impecável. E não parou por aí não pois, para a próxima música, Derrick anuncia que São Paulo é o seu território. Matou a charada? Certo, eles detonam com Territory, mais uma vez levando os fãs à loucura.

Novamente, Derrick chama um convidado especial. Não um, aliás, mas vários: parte da Nação Zumbi sobe ao palco para tocar a instrumental Kaiowas com a banda. Uma música bem brasileira, mas que não estava no set do Sepultura há bastante tempo. Para fechar o show normal, temos mais um clássico, Arise, novamente cantado em uníssono por todos.

O primeiro Sepulfest estava perto de seu fim, mas o Sepultura ainda tinha duas cartas na manga para o bis: a primeira é Come Back Alive, uma das faixas mais rápidas e pesadas do novo trabalho, e a segunda é a eterna Roots Bloody Roots, fechando com chave de ouro a primeira edição de um festival que tem tudo para dar certo.

Faltaram músicas do Sepultura? Bom, para uma banda com mais de 20 anos de estrada e uma dezena de trabalhos, é absolutamente normal que o set não tenha agradado a todos. Eu, particularmente, gostaria que eles tocassem alguma coisa do Bestial Devastation.

Fica registrado o parabéns ao evento, à organização (apesar das falhas supracitadas), às bandas participantes e uma saudação especial ao público, que compareceu em grande número, soube respeitar todos os estilos participantes e ganhou mais um festival de peso (literalmente) daqui em diante. Se alguém tinha alguma dúvida da importância do Sepultura para o Metal nacional, acredito que agora não tenha mais o que se contestar. Veja mais fotos abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:49 AM
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   Semana Excalibur – Cinema – Clássicos – Excalibur (Idem – EUA – 1981) - Parte I

            Baseado no clássico Le Morte D’Arthur de Sir Thomas Mallory, Excalibur conta uma das histórias mais conhecidas e influentes da literatura mundial. Realizado no longínquo ano de 1981, tive oportunidade de assistí-lo pela primeira vez há alguns poucos anos. Excalibur foi, aliás, o primeiro filme que rodou no meu aparelho de DVD. E não podia ter estreado melhor.

            Excalibur pode ser dividido em três partes: 1) a introdução, que mostra Uther Pendragon e sua sede por poder; 2) a ascensão do Rei Arthur e a criação da Távola Redonda; 3) a queda da Távola Redonda. E minhas opiniões sobre elas são bem claras: as duas primeiras partes são fenomenais, enquanto na terceira, o filme se perde feio. Mas vamos por partes.

            Como você já deve saber, Excalibur é o nome da espada dos reis. Incumbida de um grande poder (My precious...), foi cravada em uma pedra por Uther Pendragon (Gabriel Byrne) e a lenda dizia que apenas aquele cujo destino fosse se tornar o rei poderia retirá-la dali. Periodicamente, a galerinha se reunia em torneios cujo cavaleiro vencedor ganharia o direito de tentar arrancar a arma da formação rochosa. Mas o que ninguém esperava acontece: um reles escudeiro, de nome Arthur (Nigel Terry), cujas maiores pretensões eram servir a seu irmão, retira “sem querer” a espada de seu repouso. Essa é uma das primeiras cenas do filme, logo após a introdução, onde Uther coloca a espada na pedra e é também uma das mais legais.

            Obviamente os orgulhosos cavaleiros não aceitariam a afronta de serem governados por um escudeiro e se dividem entre aqueles que apóiam o pobre Arthur e aqueles que não o aceitam. Obviamente, Arthur acaba vencendo os teimosos e se torna o rei da profecia, destinado a unificar todas as terras sob um único reino. Em uma das cenas mais emocionantes (ainda no começo do filme), Arthur derrota o líder dos teimosos e, com Excalibur no seu pescoço, diz: “Jure lealdade a mim e terá misericórdia” ao qual Uryens (o derrotado) se recusa, pois não aceitará se curvar ante um escudeiro. Arthur então, entrega Excalibur para Uryens e fala: “Tem razão, não sou um cavaleiro. Você vai me tornar um”. E se ajoelha em uma atitude de coragem digna de um cavaleiro. Simplesmente demais.

            Outra cena muito legal é o encontro de Arthur com aquele que seria o principal e mais famoso cavaleiro da Távola Redonda, Lancelot. Desse encontro, uma grande amizade surgiria, mas também seria plantada a semente do fim, pois Lancelot seria o principal responsável pela queda da Távola, provando que o amor é realmente um dos sentimentos mais perigosos conhecidos pela humanidade (como diz o Bruno Sanchez, aqui do DELFOS).

            Também são fantásticas as demonstrações da ideologia dos cavaleiros, que tratam de honra, humildade, lealdade e amizade. Como não sou um expert em história (a escola onde estudei se concentrou apenas em história do Brasil, Revolução Francesa e Revolução Industrial, mesmo eu tendo sempre me interessado mais por Grécia, Egito e Idade Média), não sei se esses ideais eram seguidos realmente pelos cavaleiros, mas pelo menos em teoria, é uma ideologia muito bonita. Na verdade, creio que ela não é seguida, já que, mesmo no filme, existe muita arrogância e traição.

            Claro que, por mais que as duas primeiras partes sejam fantásticas, elas não são perfeitas. As lutas não são muito legais. Realmente não parece que as espadas cortam os cavaleiros, já que a armadura cobre seus corpos inteiros e, quando alguém acerta a espada no oponente, parece ser apenas um golpe de impacto, não de corte. E cinco segundos depois, o carinha cai no chão cheio de sangue.

            Outro problema é o Merlin (Nicol Williamson) que, apesar de ser, junto com Gandalf de O Senhor dos Anéis, um dos personagens mais legais da literatura (pois é, eu sempre gostei mais dos magos) comparece aqui com um visual que de mago não tem nada. Poxa, onde está o cabelo comprido e a longa barba branca? Mas não é apenas o visual o problema deste Merlin, já que sua interpretação é exagerada, dando um ar cômico para um personagem que deveria ter um ar de sabedoria. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:35 AM
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   Semana Excalibur – Cinema – Clássicos – Excalibur (Idem – EUA – 1981) - Parte II

            E agora chegamos na parte ruim: após o casamento de Arthur e a aparição da bruxa Morgana Lefay, a discórdia começa a ser semeada onde antes existia apenas amizade e lealdade. E aí o filme decai muito. Depois da traição de um de seus melhores amigos (que muito provavelmente você já saiba quem é, mas não vou contar para não estragar a surpresa de quem ainda não sabe), Arthur se separa da espada e começa a ficar doente, e o motivo explicado para tal, além de ser explicado de forma muito sutil, não convence.

            Ele manda seus cavaleiros procurarem o Santo Graal e novamente os espectadores pensam: “Para que diabos ele quer o Santo Graal?”. E lá vão seus cavaleiros procurarem pelo cálice sagrado em uma seqüência entediante onde outra cena sem explicações acontece. Lancelot aparece como um profeta junto com alguns seguidores, mas nenhuma outra referência a essa cena é feita no decorrer do filme. A impressão que deixa é que o diretor John Boorman teve que correr com a história para conseguir contar tudo em tempo hábil (o filme tem 140 minutos), não tendo tempo para desenvolver os assuntos, mas, mesmo assim, quis colocar todos eles na fita.

            Outro defeito é Mordred, um dos vilões mais mal aproveitados da história do cinema. Quer a prova? Pense em um jovem cavaleiro sanguinário. Pensou? Ele por acaso tem a cara do Macaulay Culkin? Pois é, o Mordred do filme tem (não, ele não é interpretado pelo astro de Esqueceram de Mim, apenas por um sósia mais velho). E pior, até sua armadura é ridícula. Chegaram ao absurdo de colocar cachinhos dourados em seu capacete. Faça-me o favor, né?

            Felizmente, o filme volta a engrenar nos seus últimos minutos, que contam com uma das cenas mais famosas da história do cinema: a mão (da Dama do Lago) segurando a espada e voltando para o fundo do mar. Mas mesmo assim, a impressão que dá é que o filme deveria ter terminado mais cedo, sem entrar na busca pelo Santo Graal e no declínio da Távola Redonda.

            Um outro atrativo do filme é brincar de Onde Está Wally, procurando Patrick Stewart (que o público deve lembrar como o Professor X de X-Men e os mais nerds como o Capitão Picard de Star Trek) e Liam Neeson (que os nerds vão lembrar como o Qui-Gon Jinn de Star Wars Episódio I).

            A impressão que fica é que Excalibur é um filme irregular. Seus primeiros 100 minutos (aproximadamente) são espetaculares, mas depois o filme se perde na complexidade da história original. Mesmo assim, vale ser assistido para todos aqueles que gostam de um bom épico, pois se trata de uma história de honra, amizade, lealdade, sedução, traição e magia. Indispensável para fãs de Heavy Metal, que vão encontrar aqui a origem de muitos nomes já conhecidos das letras das músicas ou nomes de bandas, como Guinevere, Gawain, Morgana Lefay, etc.

            Excalibur está disponível no Brasil em um DVD completamente desprovido de extras e contendo apenas o idioma original. Por outro lado, a imagem e o som estão bem legais e o DVD sai pela metade do preço de um DVD normal (eu paguei 25 reais).

            E aqui termina a Semana Excalibur. Esperamos que você tenha gostado. E fique ligado: outros especiais virão.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:34 AM
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   Semana Excalibur - Games – Clássicos – Knights of The Round (Capcom – 1991) - Parte I

Em meados da década de 90, os fabricantes de fliperama e videogame deixaram a criatividade de lado e passaram a explorar sem pudor, saturando mesmo, um estilo conhecido como beat´em up, aquele famoso jogo de luta lateral onde você passava por uma determinada fase lotada de inimigos até enfrentar o chefão no final e repete o procedimento até atingir o último mestre. As mais variadas franquias das mais variadas origens, mesmo que não tivessem muito a ver, exploraram o estilo: desde desenhos de sucesso como as Tartarugas Ninja e Os Simpsons, até personagens de quadrinhos como o Justiceiro e os X-Men, além da série original de RPG, AD&D. Alguns deles traziam pequenas novidades, mas a grande maioria apenas focava os desafios e a jogabilidade já existentes com muita repetição e monotonia.

Por sorte, este não é o caso do arcade Knights of The Round, de 1991, um bom jogo da japonesa Capcom (também responsável pelas séries Megaman, Street Fighter e Resident Evil) que soube mesclar com inteligência uma jogabilidade viciante com a temática medieval das lendas do Rei Arthur e sua Távola Redonda. 

A história é bobinha e nada fiel às lendas originais, mas cumpre seu papel: assim que Arthur tira a excalibur da pedra, o mago Merlin avisa que ele precisa imediatamente partir atrás do Santo Graal, o recipiente em que Jesus tomou vinho durante a santa ceia, pois se este artefato mágico cair em mãos erradas, como as do malvado Garibaldi (o último chefão), a Inglaterra correrá grande perigo.

Para cumprir sua missão e defender o reino, você poderá escolher um dos três melhores cavaleiros da Távola Redonda (daí o nome do jogo), ou os três (caso jogue com até dois amigos) todos bem clichês no gênero: Perceval, o personagem forte e lento, Lancelot, o ágil e fraco e Arthur, o mais equilibrado.

O jogo está dividido em 7 fases repletas de inimigos e sempre com um chefe no final. Todas as localidades de um belo reino medieval estão presentes em Knights of The Round, desde as vilas e florestas até os maiores castelos. Aliás, os gráficos são muito bons, apesar dos personagens estarem menores na tela com relação a jogos como Final Fight ou Teenage Mutant Ninja Turles, mas o jogo é bem colorido e apresenta uma gama bem variada de inimigos, sub-chefes e chefões, tudo graças à tecnologia da famosa placa CPS1, responsável também pelos cenários muito bonitos, variados e detalhados. Fica difícil entender porque as empresas trocaram esse tipo de gráfico tão rico pelo poligonal ainda em estágio primitivo de evolução. Talvez seja até um saudosismo de minha parte, mas prefiro esse tipo de visual ao apresentado no novo jogo das Tartarugas Ninja por exemplo (leia a resenha completa em http://delfos.zip.net/arch2004-09-01_2004-09-15.html). Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:13 AM
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   Semana Excalibur - Games – Clássicos – Knights of The Round (Capcom – 1991) - Parte II

Para não cair no lugar comum frente à dezena de jogos do mesmo gênero lançados, a Capcom incluiu na jogabilidade um pequeno charme vindo diretamente do mundo dos RPGs: a possibilidade de ganhar experiência e passar de nível conforme você mata os inimigos ou coleta determinados itens.

Essa característica muda não somente o tamanho da barra de energia do jogador e o dano que ele pode causar aos inimigos, como também o visual de seu personagem, que começa com uma roupa de camponês e uma arma bem vagabunda e vai trocando gradativamente todo seu equipamento conforme avança de nível até conseguir uma armadura completa, digna de um cavaleiro, com direito a capa e à lendária espada excalibur se você jogar com Arthur. Por ser um jogo mais voltado à ação, esse implante “RPGístico” é limitado e você só pode atingir, no máximo, o nível, mas não se preocupe, porque é bem provável que você chegue ao final antes de chegar ao ápice já que o jogo não é difícil (desde que você tenha fichas infinitas, é claro)

A jogabilidade é muito simples com apenas o direcional e 2 botões.  Nada daqueles combos mirabolantes com 8 comandos, tudo se limita a um botão pular e o outro golpear, simples assim. Caso você esteja cercado por inimigos, existe um movimento especial chamado de Desperation Attack (ou ataque do desespero) realizado ao apertar os dois botões simultaneamente. Em alguns momentos, você pode também utilizar um cavalo e o botão de pulo passa a direcionar o lado para o qual o animal está virado.

As músicas e sons são o ponto fraco, pois não chamam muito a atenção com os famosos berros dos inimigos, sons de espadadas, flechadas e uma trilha sonora mais moderna, um pouco deslocada da época em que o jogo se passa.

Além dos fliperamas, Knights of The Round também deu as caras no Super Nes em uma versão praticamente idêntica. Preciso também esclarecer que este não é o único jogo do Rei Arthur disponível para videogames. O mesmo Super Nintendo ganhou um jogo de estratégia chamado King Arthur’s World, mais ou menos no estilo Lemmings (lembra dele?) e um péssimo RPG chamado King Arthur & the Knights of Justice. O computador também foi agraciado com um adventure chamado Arthur: The Quest for Excalibur de 1989.

Destes jogos, pode ter certeza que o melhor é mesmo Knights of The Round da Capcom, mesmo que não seja tão fiel às lendas que conhecemos e gostamos. Diversão garantida à moda antiga.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:12 AM
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   Semana Excalibur – Cinema – Clássicos – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail – EUA – 1975) - Parte I

            Ni!

            Cara, até que enfim assisti esse filme. Desde o colegial ouço o pessoal comentar sobre ele, mas até agora ainda não tinha conseguido colocar minhas mãos no troço. E a espera valeu a pena, pois não ria tanto há anos.

            Para quem não sabe, Monty Python é um grupo inglês de comediantes, mais ou menos como um Casseta & Planeta melhorado que, assim como seus descendentes brasileiros fizeram recentemente, também investiu no cinema. A influência do Monty Python é enorme e pode ser sentida em praticamente tudo de bom feito no ramo do humor, desde o próprio Casseta & Planeta até os Simpsons (aqueles alienígenas babões que aparecem de vez em quando no desenho é uma homenagem a personagens de A Vida de Brian, segunda incursão cinematográfica do grupo).

            Para quem não sabe – parte 2: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, o primeiro longa de verdade da trupe (anteriormente eles fizeram uma coletânea de esquetes de seu programa de TV, chamado Flying Circus, mais ou menos como os desenhos da Turma da Mônica nos anos 80) é uma sátira direta a Le Morte D’Arthur de Sir Thomas Mallory, ou seja, aquela famosíssima história que envolve os Cavaleiros da Távola Redonda, Excalibur, Merlin (que virou nome de brinquedo nos anos 80), Rei Arthur (que também virou brinquedo, um robozão de controle remoto), Lancelot, a Dama do Lago e muitos outros títulos de músicas de Rock/Heavy Metal, passando de Rainbow a Grave Digger (como você leu ontem aqui na Semana Excalibur).

            Claro que, apesar de ser uma sátira à história original, o filme não a segue à risca e, na verdade, a altera bastante. Mas se você quer a história de verdade, fique com o também ótimo Excalibur, pois aqui, embora a história gire em torno da busca pelo Cálice Sagrado, o cavaleiro Percival (que encontrou o cálice na versão original) nem aparece. Outra diferença gritante é que nenhuma referência é feita ao romance entre Lancelot e Guinevere, principal ponto dramático da obra original e motivo pelo qual esse cavaleiro, o mais valente da Távola Redonda, é tão famoso. Agora, se você quiser apenas rir, e rir muito, a melhor pedida é esta versão fabulosa do Monty Python. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:47 AM
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   Semana Excalibur – Cinema – Clássicos – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail – EUA – 1975) - Parte II

            Assistir a este filme é uma verdadeira aula da história da comédia (as piadas já começam nos créditos de abertura, leia tudo que você não vai se arrepender), pois vemos muitas piadas, ou melhor, fórmulas para piadas, que seriam depois reutilizadas nos mais diversos formatos, de desenhos a stand-up comedy, e que sempre garantem risos da platéia.

            Muitas das cenas, inclusive, se tornaram clássicas e mesmo quem nunca assistiu o filme já ouviu falar delas. Como exemplo, podemos citar o sanguinário coelhinho assassino (que também serve de exemplo como uma fórmula de piada, exaustivamente repetida), o invencível Cavaleiro Negro, a Ponte da Morte e, é claro, os temíveis Cavaleiros Que Dizem “Ni!”.

            E o melhor é que tudo isso é permeado por um humor com altas críticas sociais e políticas (assim como o nosso Casseta & Planeta) e tudo contado através daquele fantástico humor inglês que, embora não seja qualquer um que goste, para quem gosta sempre rende ótimas risadas, graças a seu nonsense. Eu, particularmente, cheguei a engasgar de rir com a cena dos monges cantando logo no início do filme.

            Aliás, se você ainda não assistiu, fique avisado. Não beba nem coma nada enquanto está assistindo, pois as piadas aparecem quando você menos espera e você vai acabar engasgando (experiência própria). Tenha certeza que tem alguém próximo a você para executar uma manobra Heimlich caso isso aconteça (se bem que creio que apenas estadunidenses são burros o suficiente para que engasgar seja um risco real, como parece ser pelo que eles mostram nas sitcoms).

            O único defeito da fita é mesmo o final, que deixa a impressão de que a história não foi concluída. Não é o gancho para continuação, tão em voga atualmente, é realmente um final ruim. Claro que isso não chega a estragar a experiência de assistí-lo.

            A importância desta película é tamanha que, além de ser considerado o melhor filme inglês de acordo com a opinião pública, ainda estão preparando um musical na Broadway baseado nele, que deve estrear no dia 21 de dezembro. Como os musicais da Broadway estão sendo trazidos esporadicamente para o Brasil (aconteceu com Os Miseráveis, A Bela e a Fera, O Mágico de Oz e Chicago), talvez possamos ter alguma esperança, embora mínima, de presenciar esta obra prima nos palcos tupiniquins. Vamos torcer.

            Monty Python em Busca do Cálice Sagrado está disponível em DVD no Brasil em uma versão ridícula, que não traz o disco de extras da versão original e nem sequer se deu ao trabalho de traduzir o menu. Não existe nem uma versão dublada no disco, que traz apenas o áudio original. Se for comprar, prefira o importado, dizem que os extras são bem legais, incluindo uma misteriosa “legenda para quem não gostou do filme”. Quem souber o que é isso, por favor me diga. E para a fabricante do DVD nacional, quero dizer apenas uma coisa muito importante:

            Ni!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:45 AM
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   Semana Excalibur - Música – CDs – Clássicos – Grave Digger – Excalibur (Gun – 1999) - Parte I

O Power Metal nasceu na Alemanha em meados da década de 80 e, atualmente, é um gênero conhecido por explorar exageradamente o tema relacionado à fantasia medieval com seus dragões, cavaleiros, espadas indestrutíveis e muitos outros clichês.

Pois é, mas nem sempre foi assim. As grandes bandas alemãs pioneiras como o Helloween, Running Wild (leia a resenha da coletânea 20 Years In History em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html), Rage e Grave Digger, em seus primeiros trabalhos, seguiam caminhos diversos que podiam falar tanto da miséria humana (Murderer e Victim of Fate do Helloween), quanto de uma leve aproximação com o satanismo (Diabolic Force e Evilution do Running Wild). O instrumental era mais sujo e as músicas chegavam até a flertar com o Thrash Metal que também estava surgindo na mesma época.

O Grave Digger, no entanto, sempre fugiu desses clichês fixos e se destacou por não seguir uma temática fantasiosa única em seus trabalhos. A banda, quando começou, em 1984, com o álbum Heavy Metal Breakdown, era especialista em compor odes ao Heavy Metal, depois falou sobre bruxaria, amor, a leve aproximação com o Black Metal e parou com o Metal para investir no Hard Rock farofa da curiosa fase em que mudou o nome para Digger da banda. Nos anos 90, arrependidos da “traição”, eles voltaram ao gênero que os consagrou e desenvolveram uma série de trabalhos conceituais sobre as cruzadas, a libertação da Escócia e o mito do Rei Arthur. E é justamente deste último capítulo que pretendo falar nos parágrafos a seguir.

 Após os estrondosos sucessos de Tunes of War (leia a resenha em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html) e Knights of The Cross, belos trabalhos conceituais que marcaram a volta por cima dos alemães, a banda buscou na lenda do Rei Arthur e seus cavaleiros da Távola Redonda, a inspiração para seu novo trabalho, que seria lançado em 1999: Excalibur.

Naquele momento,  o Grave Digger vivia seu auge técnico e criativo (após dois trabalhos hoje considerados clássicos) e soube refletir este momento no CD com muita precisão, fazendo seu o segundo melhor trabalho (o melhor é o já citado Tunes Of War), com músicas marcantes, muito peso e letras inspiradas.

A competência desponta logo de cara na capa com o mascote da banda, Reaper, (fantasia usada pelo tecladista H. P. Katzenberg nos shows), tirando a espada Excalibur da pedra na bela ilustração de Markus Mayer, que também fez o divertido desenho do verso com os integrantes da banda vestidos como cavaleiros na Távola Redonda e, mais uma vez, nosso amigo Reaper como o Rei Arthur no trono. O encarte é bem completo, com uma explicação detalhada sobre a história de todas as músicas e, obviamente, as letras para você acompanhar o desenrolar de todos os acontecimentos. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:15 AM
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   Semana Excalibur - Música – CDs – Clássicos – Grave Digger – Excalibur (Gun – 1999) - Parte II

A mixagem em Excalibur é um exemplo de competência, pois segue a linha adotada em Tunes of War, onde se valorizou o peso das guitarras e o som da bateria, mas com um melhor equilíbrio em relação àquele trabalho, o que faz com que as músicas soem incrivelmente claras, sem distorções sonoras e valorizando cada canal de áudio. Parece até uma contradição, mas o som do Grave Digger é tipicamente pesado e sujo e essa mixagem “limpa” acaba valorizando essa característica da banda. Eu recomendo ouvir Excalibur com fones de ouvido para se ter uma idéia do milagre que uma boa mixagem pode produzir no resultado final. Nota 10 para a produção que ficou a cargo da própria banda diga-se de passagem.

A introdução, The Secrets of Merlin, é o manjado instrumental com uma típica inspiração medieval e algumas gaitas de fole (herança do Tunes of War?). A calmaria dá espaço à pesada guitarra característica dos alemães e prepara o ambiente para o que vem a seguir.

Como é de praxe no Power Metal, a segunda música (que podemos considerar como a faixa de abertura) é sempre uma das mais rápidas e pesadas do álbum e o Grave Digger não foge à regra com Pendragon, que conta a história do pai de Arthur, Uther Pendragon. Um Power Metal rápido e vigoroso, com as guitarras bem pesadas e uma batida feroz do baterista Stefan Arnold. Na metade da música, antes do solo, temos uma virada que novamente incorpora alguns instrumentos musicais medievais. Essa mudança brusca no andamento da composição é uma característica marcante da banda e está presente neste trabalho em quase todas as faixas. Que bela porrada logo de cara, uma pena que os alemães não toquem mais essa música ao vivo nos shows.

A clássica Excalibur, ao contrário da faixa anterior, é presença carimbada nos shows da banda desde então e entra para contar uma das mais conhecidas cenas da história da arte, onde o jovem Arthur tira a espada da pedra e ascende ao trono de Camelot. Mais um Power Metal tradicional com refrão contagiante, onde é impossível ficar indiferente. Um dos grandes momentos ao vivo da passagem dos alemães pelo Brasil em 2003.  

Em The Round Table (Forever), a história da Távola Redonda, onde Arthur e seus nobres cavaleiros se sentavam para discutir as estratégias do reino, temos a primeira grande mudança no CD com uma faixa mais cadenciada que lembra até Manowar. Aliás, essa é outra faixa com presença garantida nos shows da banda com um refrão grudento que fica na sua cabeça assim que você o ouve pela primeira vez.

Morgane Le Fay é a história da meia-irmã de Arthur. Algumas pessoas consideram esta faixa o grande clássico do CD e a melhor música do Grave Digger de todos os tempos. Na minha opinião não chega a tanto, mas sem dúvida essa música é um grande clássico do Metal alemão. Sua introdução é lenta, até parece uma balada. Mas não se engane, pois a velocidade impera e o Power Metal volta com tudo em um dos momentos mais inspirados de Excalibur. A mudança de estrutura na metade e no final da música é fantástica e a interpretação de Chris Boltendahl (vocalista e líder do grupo) para a letra deveria ganhar um Oscar, pois em determinados momentos, parece até uma mulher cantando. Ah sim, essa é outra faixa que eles sempre tocam nos shows para o delírio dos fãs. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:14 AM
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   Semana Excalibur - Música – CDs – Clássicos – Grave Digger – Excalibur (Gun – 1999) - Parte III

The Spell nos conta a história do mago Merlin e a traiçoeira Nimue. Essa é a primeira balada “de verdade” do CD, mesmo que não seja tão leve assim. Uma composição legalzinha, mas aquém da qualidade do resto do trabalho.

A sétima música, Tristan´s Fate, nos conta a famosa história do amor infeliz entre Tristão e Isolda (que gerou até um livro Spin-Off). O Power Metal volta novamente, mas as guitarras já não soam tão pesadas e fortes quanto na primeira metade de Excalibur. O refrão é ótimo e não sei porque, essa composição me lembrou os primeiros trabalhos do Running Wild.

Lancelot nos conta, obviamente, o destino do cavaleiro preferido de Arthur e seu amor secreto pela esposa do rei, Guinevere. Um Heavy Metal mais cadenciado, sem o peso das primeiras músicas e contando com uma linha vocal mais variada de Chris. O solo de Uwe é um dos melhores do CD e vale a pena ser ouvido com atenção.

Mordred´s Song (seria esta uma homenagem à belíssima música do Blind Guardian?) é a história do malvado sobrinho de Arthur que selou o destino de Camelot. Aqui o Power Metal volta com força total e sem grandes inovações, mas pelo menos as guitarras pesadonas marcam presença novamente. A letra é um grande destaque.

The Final War dá um salto surpreendente de qualidade e, na minha opinião, é a melhor música do CD e de toda a carreira do Grave Digger, pois resume com perfeição os 20 anos de estrada dos alemães. Essa música nos conta a última batalha entre Arthur e Mordred (que em algumas versões do livro também se chama Modred) e tem tudo que o bom amante do Metal espera: introdução forte, um trabalho de bateria fantástico, baixo galopante colaborando para o peso, guitarras distorcidas com palhetadas a 1000 por hora, letra inspirada, refrão cativante, com a participação de toda a banda nos backing vocals e um vocal do outro mundo de Chris. Como esse cara canta! Seus vocais rasgados e característicos não deixam pedra sobre pedra e influenciaram muita gente nas últimas décadas. Para complementar, a música tem uma virada fantástica no meio, com gaitas de fole e volta em um solo de guitarra inspiradíssimo. É o tipo de Power Metal perfeito, como Victim of Fate do Helloween ou Banish From Sanctuary do Blind Guardian. Infelizmente, acho que só eu me empolgo tanto e a banda nunca tocou The Final War ao vivo.

Após a porrada anterior, Emerald Eyes nos conta a morte de Arthur e o seu amor eterno por Guinevere. Como você deve imaginar, é uma composição bem triste, com algumas orquestrações (simuladas no teclado), um pianinho e um clima mais calmo e introspectivo. Bela música e bons trabalhos vocais de Chris, para variar.

Para finalizar Excalibur, temos a faixa Avalon, que nos conta o destino final de Arthur, da espada excalibur e sua jornada para a terra das fadas. Uma música bem diferente do restante do CD, parece até uma balada. Conta com vocais muito fortes de Chris e uma guitarra que acompanha a linha de voz. Refrões marcantes e um bom instrumental fecham o trabalho de maneira melancólica, exatamente como a lenda do rei Arthur.

Mas não desligue o aparelho de som ainda, pois se você conseguir botar as mãos na versão limitada em Digipack do álbum, você ainda ganha a faixa bônus Parcival, com o Power Metal da banda voltando com tudo. Uma bela faixa que nos conta o destino do cavaleiro Parcival (que assim como Mordred, em alguns lugares podemos encontrá-lo sob a alcunha de Percival).

Apesar de não ser um trabalho tão regular quanto Tunes of War, Excalibur segue a qualidade dos dois trabalhos anteriores e manteve a banda no auge por um bom tempo. Diversas músicas se tornaram clássicos eternos do Power Metal e presença obrigatória nos shows dos alemães. Vale lembrar também que o CD fechou a trilogia dos álbuns conceituais de maior sucesso do Grave Digger. O trabalho que veio depois, The Grave Digger (2001), é interessante mas não tem o charme apresentado anteriormente e a banda voltou com mais um trabalho conceitual a seguir, Rheingold (2003), sobre a obra de Richard Wagner, O Anel de Nibelungs. Será que teremos mais uma trilogia conceitual a caminho? É bem provável, já que a própria banda deixou claro que ainda pretende fazer um trabalho temático sobre a Bíblia em algum futuro lançamento.

Excalibur é um clássico recomendado para os amantes de um Metal moderno e vigoroso. Pode comprar sem medo porque Chris e sua turma sabem o que fazem.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:11 AM
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   Semana Excalibur - Cinema – Rei Arthur (King Arthur – EUA – 2004) - Parte I

            A primeira vez que ouvi falar desse filme fiquei um pouco chocado. Afinal, ele se orgulhava de fazer uma abordagem realista da clássica história do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Ou seja, nada do feiticeiro Merlin, da bruxa Morgana, da profecia da espada na pedra, da Dama do Lago, enfim, iriam retirar tudo que tornava a história do Rei Arthur especial. E, se você tira toda a magia de uma história, ela fica uma história... bem... sem magia, ou seja sem encanto, sem o carisma da obra original.

            Bom, alguns meses depois, os primeiros trailers começaram a aparecer e, como já estava conformado que não veria as coisas mais legais da história nesse filme, comecei até a gostar e ficar de certa forma ansioso para vê-lo. Ou seja, assim como quando fui ver o filme da Mulher-Gato (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-08-16_2004-08-31.html), fui assistir a Rei Arthur como se fosse assistir a um épico qualquer, cujos personagens principais coincidentemente tinham o mesmo nome daquela fantasia que permeou toda minha infância. E, pensando assim, me diverti bastante durante a projeção.

            A própria história é completamente diferente da clássica (nem o Perceval está no filme), sem nada de Santo Graal, artefato sempre relacionado de alguma forma à história do rei bretão. Aqui Arthur e seus fiéis cavaleiros são soldados (escravos?) de elite do império romano e estão em vias de conquistarem a tão sonhada liberdade. Resta apenas uma missão: escoltar uma família romana através de um perigoso território. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:52 AM
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   Semana Excalibur - Cinema – Rei Arthur (King Arthur – EUA – 2004) - Parte II

            Os inimigos de Roma (que é a verdadeira vilã, afinal, dominava o mundo através da força, mais ou menos como os EUA fazem hoje) são os Saxões e os Woads, estes últimos liderados por um carinha que dizem ser um feiticeiro, chamado Merlin. Agora alguém me explica uma coisa: admito que pode ser ignorância da minha parte, mas sempre achei que saxões eram os bretões, ou seja, eles estavam apenas se defendendo do invasor (Roma). Então por que eles são retratados como os vilões do filme? E os tais de Woads? Não sei se foi erro da tradução, mas eu nunca ouvi falar desse povo. Que eles estavam fazendo na Bretanha e por que eles não são vilões como os Saxões, já que também são inimigos de Roma?

            De furos, o roteiro está cheio. Além dos apontados acima (que podem não ser erros, apenas ignorância minha), simplesmente não fica claro o motivo de Arthur e seus cavaleiros lutarem contra os Saxões em nome de Roma DEPOIS de estarem livres, sendo que todos os cavaleiros, à exceção de Arthur, odiavam o império. E por que eles não param de gritar “Rus” o filme inteiro? Que diabos significa isso? Sem contar as malditas câmeras que ficam tremendo o tempo todo durante as batalhas (eu odeio, eu odeio, eu odeio câmeras tremendo!).

            Os clichês também se fazem presentes. Próximo ao final do filme, os roteiristas decidiram seguir a velha fórmula  do “vilão mata amiguinho do herói para deixar herói bravinho e tornar a luta final contra o vilão algo pessoal”. Creio que qualquer pessoa que admire a sétima arte não precise pensar muito para nomear ao menos uns cinco filme que se utilizam deste artifício em seu clímax. Mas verdade seja dita, uma das baixas nos cavaleiros realmente me surpreendeu, pois não imaginava que justamente este cavaleiro fosse morrer.

            Qualidades também estão presentes no filme. O elenco, por exemplo, está bem legal, com atores com um visual bem apropriado para seus papéis – apesar de que o Lancelot e o Galahad são parecidos demais, passei o filme inteiro confundindo os dois. O figurino também está muito caprichado. O visual dos Saxões, em especial, está bem legal. E uma cena de batalha que acontece em cima do gelo é uma das mais emocionantes da história recente do cinema, muito melhor do que o próprio clímax do filme.

            Uma outra coisa estranha é que muitos dos personagens foram completamente descaracterizados. Lancelot, por exemplo, passa boa parte do filme se vangloriando e fazendo piadas dando a entender que gostava de possuir a namorada/esposa de seus amigos, fato completamente contraditório ao Lancelot atormentado por sentir uma atração correspondida por Guinevere, a esposa de Arthur – um dos momentos mais conhecidos da história original. Inclusive, nada sobre esse romance entre os dois (Lancelot e Guinevere) é dito no filme. Digamos que tem um certo clima entre os dois nas entrelinhas, mas eu sou adepto da filosofia “se tem algo para dizer, diga, não fique dando indiretas”, então eu simplesmente ignoro isso, pois nada acontece de fato. Apenas para apontar outra diferença na história é o fato de Tristão, erroneamente colocado nas legendas como Tristan – seu nome em inglês (provavelmente o tradutor não leu o livro) – não tem sua Isolda, romance tão famoso que gerou até um livro spin-off.

            Enfim, Rei Arthur é legal, mas já que optaram por tirar toda a magia da história, também deveriam ter optado por dar nomes diferentes para os personagens e torná-lo um épico genérico, pois é isso que o filme é. Um bom épico genérico, mas nada além disso.

            A semana Excalibur está apenas começando. Mais quatro resenhas surpresas serão publicadas. Não deixe de acompanhar!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:52 AM
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   Novidades DELFOS – Semana Excalibur no DELFOS (20 a 24 de setembro)

            Aproveitando o lançamento do filme Rei Arthur nos cinemas, vamos publicar essa semana outras resenhas especiais abordando a influência da lenda da espada mais famosa da história nas mais diversas formas de entretenimento. Você vai poder conferir novas resenhas em quase todas as nossas seções, desde outros filmes até games e música. Claro que isso não chega a arranhar tudo que foi feito com inspiração nessa história, mas tentamos escolher o que de mais interessante foi feito em mídias variadas.

            E não esqueça de avisar seus amigos que se interessam pelo assunto para que eles também possam aproveitar. Divirta-se!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:01 AM
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   Música - Notícias - Turnê brasileira do Exodus cancelada (Press-Release)

A Nuclear Blast Brasil, informa através deste comunicado o cancelamento da turnê agendada com a banda EXODUS, incluindo o festival "Bonded By Blood Thrash Fest", que aconteceria neste sábado, 18 de setembro, no Via Funchal em São Paulo. Segue abaixo o comunicado oficial da produtora Top Link:

"Por meio desta carta informamos que a turnê latino-americana do Exodus acaba de ser cancelada, incluindo a turnê brasileira, que seria iniciada no Festival 'Bonded By Blood Thrash Fest', que aconteceria neste sábado, 18 de setembro, no Via Funchal, São Paulo (SP), devido a problemas internos ocorridos com a banda.

Apesar da Top Link ter feito o possível para que esta turnê do Exodus não fosse cancelada, tendo inclusive comprado as passagens aéreas e encaminhado aos músicos, não pudemos evitar que brigas internas ocorridas com a banda, envolvendo o vocalista Steven Souza, interferissem na realização do festival, levando ao cancelamento do mesmo.

Lamentamos profundamente pelo ocorrido e comunicamos que todos aqueles que adquiriram os ingressos para o 'Bonded by Blood Thrash Fest' serão reembolsados a partir deste sábado, mediante apresentação do ingresso diretamente no Via Funchal ou através de depósito bancário, após comprovação da compra por fax com o ingresso (Maiores Informações: 11 3846-2300).

A Top Link não medirá esforços para trazer a banda futuramente ao Brasil, principalmente pelo respeito que temos aos fãs brasileiros, que comparecem aos shows e fazem por tornar real cada turnê por nós realizada.

Atenciosamente,

Top Link Music".

Além do "Bonded By Blood Thrash Fest", em São Paulo (SP), no dia 18/9 (sábado), o Exodus se apresentaria em Recife/PE (19/09), Ribeirão Preto/SP (24/09) e Belo Horizonte/MG (25/09).

A Nuclear Blast Brasil agradece o apoio e a compreensão de todos.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 5:57 PM
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   Cinema – O Terminal (The Terminal – EUA – 2004)

            O que você acha de um aeroporto? A maioria das pessoas, sem dúvida, o relaciona a coisas alegres, afinal, ele é sempre o ponto de partida para uma viagem que pode trazer qualquer coisa de diversão a conhecimento e que, muitas vezes, é mesmo a realização de um sonho – eu, particularmente, sonho desde criança em  visitar a Grécia e o Egito. Mas como seria se você ficasse preso em um aeroporto, sem poder nem conhecer o país de destino e nem mesmo voltar para casa?

            Pois é, isso aconteceu com um tal de Merhan Karimi Nasseri, do qual você provavelmente nunca ouviu falar, que ficou preso em um aeroporto francês. Hollywood, é claro, percebeu o potencial lucrativo na história, deram uma graninha para o cara e pronto. Algum tempo  depois, temos O Terminal estreando nos cinemas tupiniquins.

            Essa introdução resume perfeitamente toda a premissa do filme. Tom Hanks é Viktor Navorski, cidadão de Krakhozia (nem perca tempo procurando o país no seu empoeirado Atlas, é um território fictício), país que recebeu um golpe de estado e entrou em guerra exatamente enquanto Viktor estava no ar (mas que coincidência, hein?). Resultado, Navorski não tem mais país. Graças à burocracia das leis, ele não pode sair do aeroporto e nem voltar para casa. Como Viktor não fala inglês, fazer ele entender isso rende boas piadas e acaba sendo a parte mais legal do filme. Pouco tempo depois, os seguranças do aeroporto começam até a assistir a vida do krakhoziano através das câmeras de segurança, como se fosse um Big Brother sem script.

            Como dá para perceber, o verdadeiro vilão do filme é a burocracia das leis, pois o personagem de Hanks simplesmente ficou preso em uma brecha do sistema. Para evitar que o vilão fosse personificado nos EUA, os roteiristas Andrew Niccol, Sacha Gervasi, Jeff Nathanson colocaram um vilão mais físico no filme: Frank Dixon (Stanley Tucci), um dos manda-chuvas do aeroporto, que tem uma cega obediência às leis, doa a quem doer.

            Já Tom Hanks parece reprisar novamente o seu personagem favorito: aquele cara não tão inteligente, meio trapalhão e que, graças à sua ingenuidade e bondade, acaba conquistando todo mundo, dentro e fora do filme. Sua atuação está ótima como sempre, mas talvez fosse a hora de parar de fazer “Forrest Gumps” em sua carreira.

            Catherine Zeta-Jones faz a comissária de vôo Amelia, o interesse romântico de Hanks. Ela é um absurdo de tão linda (alguém mais acha ela parecida com a Tiazinha?), mas realmente serve apenas para dar um ar romântico ao filme (além de paisagem, é claro), já que não tem absolutamente nenhum interesse para a história central.

            Curiosamente, com uma história tão simples, as brechas de roteiro e de continuidade são onipresentes durante a projeção. Por exemplo, por que depois que a guerra em Krakhozia acabou, o vilão ainda quer impedir Viktor de conhecer Nova Iorque? E para ser um pouco mais chato, em uma das primeiras cenas, Navorski corrige a pronúncia de Dixon quando o último chama seu país de “Krakhojia”. Hanks deixa claro que a pronúncia certa é “Krakhozia”, então por que diabos em todo o resto do filme, todos os personagens, inclusive Viktor, se referem ao país como “Krakhojia”? Te peguei, tio Spielberg. J Claro que não é para ver os erros de roteiro que você está no DELFOS, afinal, existem sites especializados nisso, então não vou me alongar no assunto, mas já vá esperando alguns momentos inexplicáveis.

            Outra coisa que me incomodou foi o final “Sessão da Tarde”. Ok, Spielberg é basicamente um dos criadores do gênero e esse é até um dos motivos pelos quais eu gosto de seus filmes, mas aqui o final vem naquele sentido pejorativo do termo. É uma coisa meio como aquelas comédias que acontecem em colegiais estadunidenses, tipo Te Pego Lá Fora, sabe?

            Mas tirando esses pequenos defeitos, o filme é bem divertido. Eu diria que é uma daquelas comédias na linha de O Amor é Cego e os filmes de Charles Chaplin, ou seja, se você quer rir, as piadas estão lá. Mas se você pensar sobre o assunto do filme, vai descobrir que ele não é assim tão divertido e pode até se transformar em um drama. A escolha, como sempre, é sua.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:25 AM
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   Música – Especial – Morre mais uma lenda: Johnny Ramone

Depois de Ray Charles (http://delfos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-15.html), mais uma grande perda para a música mundial: John Cummings, o Johnny Ramone, guitarrista e fundador da banda Punk mais importante de todos os tempos, os Ramones, faleceu ontem enquanto dormia, aos 55 anos em Los Angeles nos EUA.

Como já publicamos no DELFOS há alguns meses (http://delfos.zip.net/arch2004-06-16_2004-06-30.html), o guitarrista lutava há 5 anos contra um câncer de próstata, sempre essa maldita doença que também vitimou o vocalista da banda, Joey Ramone, há 3 anos. Vale lembrar que o baixista original da banda, Dee Dee Ramone, também morreu, em 2002, vítima de uma overdose.

Os Ramones começaram em 1974 com Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy (único membro da formação original vivo) e encerraram as atividades oficialmente em 1996 depois de mais de 20 discos de estúdio e trabalhos ao vivo, incluindo passagens memoráveis pelo Brasil. A herança deixada pela banda é inestimável com clássicos eternos do Punk e do Rock como I Wanna Be Sedated, Pet Sematary, I Believe in Miracles, Rock´n´Roll Radio entre tantos outros e a banda é citada como influência principal de 10 entre 10 músicos de Punk já que os Ramones praticamente criaram o estilo juntamente com os Sex Pistols, Clash e Buzzcocks. Aliás, o visual com jaquetas de couro, cabelos compridos e a posição característica no palco (com pouquíssima movimentação dos integrantes) também foram idéias de Johnny que sempre colocou a atitude em primeiro lugar na frente da técnica e gerou uma legião de fanáticos seguidores.

Em 2002, a banda entrou para o Rock and Roll Hall of Fame e esta foi a última aparição pública do guitarrista que já estava com problemas de saúde na ocasião. No dia de sua morte, Johnny estava cercado por familiares e amigos como o líder do Pearl Jam, Eddie Vedder, John Frusciante do Red Hot Chili Peppers e Rob Zombie (ex-White Zombie).

Por vontade do próprio Johnny, o guitarrista será cremado hoje em uma cerimônia privada aos amigos e parentes, mas será organizado um grande evento em homenagem ao músico em breve.

Independente se você for Headbanger, Rockeiro ou Punk, pegue seus discos e CDs antigos dos Ramones e ouça os clássicos eternos da banda em homenagem ao bom e velho Johnny (já estou ouvindo Go, Li´l Camaro, Go), porque o bom Rock´n´Roll não tem rótulos e ultrapassa barreiras. Obrigado por tudo, cara! Pode ter certeza que eu nunca vou esquecer você.



 Escrito por Bruno Sanchez às 11:40 AM
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   Cinema – Clássicos – This is Spinal Tap (EUA, 1984) - Parte I

Estamos no início dos anos 80, uma época onde o Heavy Metal e o Hard Rock quebraram as barreiras do falso puritanismo britânico e invadiram os lares de milhões de pessoas ao redor do globo. A música pesada deixava de ser apenas um rótulo underground para ganhar fama (e milhões de dólares) em todo o mundo. Programas de televisão e rádio pipocavam a todo momento trazendo as novidades e o Metal se tornava tudo o que sempre condenou: a moda da vez.

Para coroar este momento histórico, em 1984, o renomado diretor norte-americano, Marty DiBergi, resolveu fazer um documentário abrangendo um pouco da vida e da rotina do maior fenômeno do Rock pesado britânico daquele momento. Os músicos em questão não eram novatos na cena, a banda existia desde a década de 60, mas souberam aproveitar o timing certo para fazer muita fama e fortuna na terra do tio Sam.

Durante meses, a banda teve sua privacidade invadida por câmeras no melhor estilo Big Brother, que acompanharam cada passo dos seus integrantes como as brigas nos bastidores, o relacionamento com os fãs, o duelo de egos, o lançamento de um novo disco, o contato com a gravadora e até mesmo a saída de um integrante.

E aí, meu caro leitor, de quem estamos falando? Judas Priest? Iron Maiden? Black Sabbath? Nada disso, a maior banda de Heavy Metal da história tem um nome muito mais marcante, que com certeza você já ouviu falar mas talvez não saiba nada sobre eles (santa blasfêmia). Estou falando do fabuloso Spinal Tap.

Sim, eu sei, é bem provável que você nunca tenha realmente ouvido falar dos caras mas a desculpa é boa: o simples fato que eles não existiram de verdade, foram uma bela armação do diretor Rob Reiner (o Marty DiBergi, também um personagem fictício) e do ator e escritor, Harry Shearer (hoje, o dublador de grande parte dos personagens secundários dos Simpsons), para tirar um sarro de toda essa “moda” tão contagiante naqueles idos. A idéia de ambos era justamente explorar todos os clichês das mega-bandas, como as turnês gigantescas, o passado obscuro, o contato com a imprensa, o amor pela música, um certo descaso com os fãs, enfim, tudo o que pudesse render as mais absurdas situações e, conseqüentemente, boas piadas e, tenha a certeza, This Is Spinal Tap se sai muito bem nessa exploração porque, apesar dos absurdos, somos levados a acreditar que tudo o que acontece na tela é a mais pura verdade.

 Aliás, grande parte dessa verossimilhança (eita palavrinha chata) está nas fantásticas interpretações. Todos os atores foram escolhidos a dedo para dar vida aos integrantes da banda: Michael McKean está perfeito como o vocalista e guitarrista David St.Hubbins, Christopher Guest incorporou totalmente o guitarrista solo Nigel Tufnel e nos traz uma interpretação memorável, e, complementando o grupo, temos o próprio escritor do filme, Harry Shearer, como o baixista Derek Smalls. Sentiu falta de um baterista? Pois é, até nisso os caras aproveitaram para tirar um sarro e o Spinal Tap tem um sério problema de troca de bateristas: alguns morrem, outros são expulsos, mas infelizmente nenhum conseguiu um lugar fixo na posição (uma piada que, se você gosta de Metal já deve ter entendido, pois um dos grandes problemas das bandas de Metal na época era a troca de bateristas, vide o Iron Maiden e o Judas Priest). Outro fator importante é que os três atores principais realmente sabiam tocar seus instrumentos e nenhuma “trucagem” de câmera foi usada para iludir o telespectador nas cenas ao vivo dos shows, eles estavam mesmo tocando os “clássicos” da banda. Ah, para complementar o elenco, não posso esquecer de mencionar a a atriz Fran Drescher no papel da produtora Bobbi Flekman. Para quem não se lembra, alguns anos depois Fran fez bastante sucesso com a série The Nanny onde interpretou Fran Fine, a protagonista. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:06 AM
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   Cinema – Clássicos – This is Spinal Tap (EUA, 1984) - Parte II

O mais legal de toda a história é que o filme saiu no cinema como um trabalho sério sobre uma banda verdadeira e os produtores demoraram bastante a revelar que tudo não passava de uma grande armação. As próprias situações que o documentário mostra são totalmente espontâneas, inclusive as entrevistas mostradas, e somos levados a acreditar que aquele é realmente o dia-a-dia de uma banda de Heavy Metal. Fatos importantes como a difícil escolha da nova capa de um trabalho, o relacionamento com os empresários, os efeitos especiais que acontecerão na nova turnê e os relacionamentos internos, apesar de gerarem reações pitorescas quando transpostos para as telas do cinema, são situações reais na vida de uma grande banda e toda essa identificação com o estilo em questão é fundamental para entrar de cabeça nesse submundo dos astros do Rock e entender todo o seu contexto.

Mas uma coisa eu preciso dizer: não são todas as pessoas que entendem a mensagem passada e aproveitam este filme como deveriam. Particularmente, se você não gosta de Rock´n´Roll e não conhece sua história, nem perca seu tempo assistindo ao “documentário” pois não será possível entender as inúmeras referências ao movimento psicodélico do final dos anos 60, o Rock ingênuo do começo daquela década e, claro, o Heavy Metal britânico que explodia no começo dos 80.

Mas afinal, quais foram as maiores inspirações para o Spinal Tap? Essa é uma pergunta bem difícil, pois a banda pegou diversas referências no meio. Posso dizer que, em primeiro lugar, o Judas Priest com certeza foi a grande influência da banda (basta reparar no seu logo), mas não a única e, durante a projeção, você irá encontrar elementos de diversas bandas como Kiss, Iron Maiden, Black Sabbath, Deep Purple, Rainbow, Saxon, até os veteranos como Animals, Byrds, Beatles, Beach Boys e por aí vai. Para quem realmente gosta de Rock, encontrar essas referências é um prato cheio para ver e rever o filme dezenas de vezes.

O filme chegou aos cinemas em março de 1984 e, para se ter uma idéia do sucesso que o Spinal Tap alcançou com seu “documentário”, a banda realmente chegou a gravar um disco no estilo Best Of com os sucessos apresentados no longa mais algumas musiquinhas extras, todas obviamente grandes clichês do Rock. Esse trabalho vendeu tão bem que os atores chegaram a pensar seriamente em estabilizar a banda e tentar seguir uma carreira. Por azar (ou sorte), eles nunca chegaram a optar por essa estrada, mas em 1992 voltaram para um show em comemoração aos 25 anos de carreira (!!!) com o Spinal Tap Reunion: The 25th Anniversary London Sell-Out, que depois virou um VHS com uma coletânea de videoclipes da banda, além do show.

Outro exemplo do sucesso do Spinal, é a história que envolve o grande alvo das piadas da banda: o Judas Priest. Os caras do Judas viviam o auge no início dos anos 80 e fixaram residência nos EUA para que pudessem aproveitar a grana que estavam ganhando e a moda do Heavy Metal. Em um determinado dia, alguém resolveu aprontar uma brincadeira com eles e mostrou o filme do Spinal Tap já imaginando que os ingleses mandariam todos para aquele lugar. Qual não foi a surpresa dos sortudos que presenciaram o momento ao constatar que os integrantes do Judas adoraram a fita e realmente acreditaram no documentário. E pior ainda: pediram que fossem atrás da banda e comprassem os discos do Spinal. Quando contaram a Rob Halford e Cia. que aquilo se tratava de uma brincadeira e que o Spinal Tap não existia de fato, o pessoal custou a acreditar pois tudo o que foi mostrado era 100% compatível com a rotina que o Judas Priest vivia naquele momento.

This is Spinal Tap é um marco na história do cinema, não pelo brilhantismo técnico ou por uma história digna de um Oscar, mas por retratar com perfeição todos os clichês de uma época inesquecível onde o Heavy Metal foi sugado até o osso por uma mídia interesseira que o substituiu assim que uma nova moda surgiu: o grunge. Mas o Metal nunca morreu e soube dar o troco com dignidade e voltar para onde jamais deveria ter saído: o underground. Ultimamente, vivemos novamente o processo de glorificação do Heavy Metal. Espero que nossos leitores compreendam que isso nem sempre é benéfico.

Por hora fica a dica: se você for um roqueiro ou headbanger de verdade, corra atrás de This is Spinal Tap (o DVD com vários extras já saiu lá fora em 2000) e prepare-se para rir muito com as mais absurdas situações. O mundo nunca mais foi o mesmo depois do Spinal...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:03 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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