Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema - Especial - A morte de Janet Leigh

            Se você é fã de Psicose (1959), de Alfred Hitchcock, filme considerado por muitos como um dos mais assustadores de todos os tempos (pra mim, o cara era um gênio inigualável), com certeza vai se lembrar da cena do chuveiro e da música aterrorizante igualmente inesquecível, composta por Bernard Herrmann. E, se você tiver uma boa memória, vai também se lembrar da atriz que morreu esfaqueada, a loira Janet Leigh.

            Para quem gosta de números, toda a cena do chuveiro teve agonizantes 40 segundos e 34 planos da seqüência, somados a impressionantes posicionamentos de câmeras e uso de som, trilha sonora de Herrmann e a colaboração do artista gráfico Saul Bass na montagem final. Ok, Ok, o filme é espetacular e Hitchcock era um gênio, mas você deve estar se perguntando “o que isso tudo tem a ver com o título acima?”. Pois é, passados 45 anos do estrondoso sucesso, a protagonista do filme, Janet Leigh, infelizmente nos deixou recentemente e, como de costume, o DELFOS preparou um especial em homenagem a ela.

            Famosa também por seu casamento com o também ator Tony Curtis, trouxe ao mundo uma filha adorável, a (ótima) atriz Jamie Lee Curtis, protagonista de alguns filmes da série Halloween (a família tem tradição em lidar com psicopatas) e de um espetacular striptease em True Lies.

            Janet Leigh faleceu aos 77 anos em Beverly Hills. A causa da morte, dizem, foi a vasculite, uma doença que contraíra há pouco tempo. Mas não vou perder meu tempo falando de sua vida, e sim do que eu mais me lembro dela. É claro que eu estou me referindo à obra-prima Psicose. Se você não viu esse filme, não sabe o que perdeu. Pois eu vou falar: você perdeu a melhor trilha sonora feita para o cinema, talvez o único filme em que a protagonista morre logo de cara, a melhor cena de morte e ainda a descoberta de que todos nós temos dupla personalidade. E Janet parecia ser uma mulher de várias personalidades. Sexy, ao mesmo tempo reservada, talentosa sem ser estrela, tudo nos padrões que Alfred Hitchcock mais valorizava, fosse em uma grande atriz ou em uma mulher completa.

            Na época, o filme teve uma repercussão polêmica, pois Hitchcock foi corajoso ao tirar de cena a protagonista logo na metade do filme, coisa que seria praticamente impossível de se fazer hoje, onde os cachês dos atores são altíssimos e suas presenças são impostas pelos estúdios como forma de garantir uma boa aceitação do público. Foi uma escolha arriscada, afinal, estrelar uma produção em que você morre antes da metade do filme precisa ter muita coragem. Mas Janet foi feliz e dona de um merecido sucesso. Com a exceção de Psicose, Janet viveu a maior parte de sua carreira no ostracismo, sem outros grandes sucessos de público ou crítica.

            A escolha de Janet para o papel principal em Psicose era mais uma forma de revelar ao mundo a obsessão do velho mestre inglês por loiras geladas (tira a cerveja da cabeça, seu bebum), com rostos singelos e ao mesmo tempo expressivos, corpos esguios e atraentes. E, dizem as más línguas, Hitchcock se apaixonava por todas elas, mesmo sendo casado. A cada nova produção, pensava numa loira para interpretar seus papéis, e ficava na torcida para que a paixão fosse recíproca. Ninguém pode provar se, durante as filmagens, realmente rolou algo mais sério entre Janet Leigh e Hitchcock, mas o fato é que o tratamento dado a ela foi o de rainha, assim como para Kim Novak em Um Corpo que Cai (1958), Eva Marie Saint em Intriga Internacional (1959), Tippi Hedren em Os Pássaros (1963) ou, principalmente, Grace Kelly, em filmes como Disque M Para Matar (1954), Janela Indiscreta (1954) e Ladrão de Casaca (1955), atriz por quem cultivou uma grande paixão.

            Sorte de inúmeras atrizes que tiveram o prazer de serem dirigidas pelo mestre. Com Janet Leigh, com certeza, não deve ter sido diferente. Assim, quando seu coração parou de bater, no dia de 5 de outubro de 2004, uma terça-feira tipicamente paulistana, com Sol, frio e chuva no mesmo dia, eu fiquei realmente muito triste. Mas, por outro lado, feliz, por saber que sua alma foi em paz. Ficou imortalizada na seqüência considerada recentemente a mais assustadora do cinema e sem dúvida, viverá para sempre em  nossa memória. 



 Escrito por Gerson Shiroma às 2:16 AM
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   Cinema – O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend Of Ron Burgundy)

            Uma das coisas mais difíceis em escrever uma resenha (ou qualquer texto) é começar. Principalmente quando o assunto da resenha não rende tantos comentários assim. Como você já deve ter percebido, esse é o caso da comédia O Âncora, que estréia nessa sexta (dia 15) nos cinemas tupiniquins.

            E como, mesmo depois de enrolar descaradamente no parágrafo de abertura, eu continuo sem ter o que falar, eu vou apelar para a mais tradicional regra dos resenhistas de cinema: “No segundo parágrafo, conte um resumo da história”. Então vamos lá: estamos nos anos 70 e Ron Burgundy (Will Ferrel, do Saturday Night Live) é um âncora que tem tudo. Extremamente popular, até as crianças o reconhecem. Mulheres não faltam na sua horta. A vida para ele não poderia ser melhor. Até que uma mulher chamada Veronica (Christina Applegate, da série Um Amor de Família) é contratada pela emissora para fazer parte da equipe de jornalismo, o que gera uma imensa comoção da ala masculina que se recusa a trabalhar com uma mulher (ei, são os anos 70). Obviamente, embora não queiram trabalhar com a garota na emissora, todos eles querem mesmo é trabalhar com ela na cama (cara, como eu sou sutil).

            Mas na verdade, a história é o de menos nesse filme, já que o que importa mesmo são as piadas, muitas delas homenagens (ou sátiras, depende de como você encara) a clichês de filmes hollywoodianos ou até mesmo em coisas que vemos todo dia nas nossas TVs. A cena em que Veronica e Ron ficam trocando “comentários carinhosos” durante os créditos do telejornal é hilária. Me fez pensar em que diabos os apresentadores ficam conversando nesse momento. E será que eles ficam realmente conversando?

            Uma outra coisa divertida nesse filme é o fato de ter muitos atores famosos fazendo algumas pontas em papéis meio escondidos, como Jack Black e Ben Stiller para citar apenas dois bem óbvios. Alguns deles aparecem em maquiagens tão bizarras que deixam suas “versões anos 70” engraçadíssimas e quase irreconhecíveis.

            E isso é tudo que eu tenho para falar desse filme. É basicamente uma comédia no mesmo estilo do Saturday Night Live. Rende boas risadas se você gosta do gênero mas, assim como a série, é um humor feito para estadunidenses, ou seja, muitas de suas piadas devem passam despercebidas para boa parte do público brasileiro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:17 AM
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   Música – Shows – Barbatuques (Centro Cultural Vergueiro – São Paulo – 12 de outubro de 2004)

            Quando ouvi falar dos Barbatuques pela primeira vez, deduzi que eles eram uma resposta (cópia?) brasileira ao Stomp. Estava errado. Enquanto o grupo estadunidense gosta de batucar em tudo que vê pela frente, os brasileiros preferem batucar apenas em seu próprio corpo. Ou melhor, eles exploram o corpo humano tentando extrair dele a maior variedade possível de sons. E fazem barulho de tudo que é jeito. Sapateiam, batem palmas, cantam e emitem sons estranhos com a boca na tentativa de transformar tudo isso em música. E se essa tentativa é bem sucedida em alguns momentos, em outros parece apenas o que realmente é: um monte de gente pulando e dançando em cima de um palco.

            Felizmente, os bons momentos permeiam boa parte do show mas, verdade seja dita, é quando apelam para instrumentos e músicas cantadas que o negócio fica legal mesmo, além de serem alguns dos momentos mais aplaudidos da tarde. Para descrever o estilo musical, diria que fazem algo meio afro-brasileiro. Mas não pense que com isso quero dizer música negra (afinal, ser politicamente correto não é a especialidade do DELFOS), mas realmente o que a palavra significa, ou seja, algo entre a música africana e a tradicional brasileira. Imagine algo com muita batucada (obviamente) e com aqueles vocais bem altos e até meio gritados típicos de músicas nordestinas e você vai entender mais ou menos como é o som dos caras.

            Com uma duração de mais ou menos 50 minutos e em pleno dia das crianças, parece ter sido a opção de passeio de muitos pais, a julgar pela quantidade de crianças pequenas no evento. É uma boa opção, afinal, além de ter sido de graça, foi divertido e valeu para conhecer. Dificilmente é um show que vou assistir de novo, já que não é exatamente minha praia musical, mas foi, sem dúvida, interessante e divertido.

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:10 AM
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   Cinema – Cama de Gato (Brasil – 2004) - TEXTO POR GERSON SHIROMA

            Que atire a primeira pedra aquele que nunca se enrolou todo com uma mentira, uma desculpa esfarrapada ou até mesmo com algo que ninguém podia saber. Falo sério, vá por mim. Eu mesmo já fiz várias coisas que gostaria que ninguém ficasse sabendo, como chorar de raiva e frustração após uma briguinha imbecil com aquela namorada que sempre achei ser a mulher ideal. Ou ainda fazer verdadeiras loucuras, típicas de um adultescente descobrindo o mundo fora do seu quarto (sim, eu tenho 25 anos e me refiro à máxima “sexo, drogas e Rock And Roll”).

            É mais ou menos isso que define a trama do nacional Cama de Gato, filme que marca a primeira investida no cinema do diretor de teatro Alexandre Stockler e que finalmente estréia nos cinemas, depois de quatro anos finalizado. Ele é um dos criadores do movimento T.R.A.U.M.A. 99 (Tentativa de Realizar Algo Urgente e Minimamente Audacioso, resposta brasileira ao manifesto Dogma 95, no mesmo esquema de produção independente).

            O filme tem algumas peculiaridades. Se você observar o elenco, vai descobrir que está lá o global Caio Blat (como o protagonista Cris). Não sou nenhum fã do rapaz, até porque nessa época, em 2000, ele ainda não tinha toda essa fama que conseguiu com as novelas Um Anjo Caiu do Céu e Da Cor do Pecado, alguns filmes (como o ótimo Carandiru, dirigido por Hector Babenco) e inúmeras peças de teatro. Mas tenho que reconhecer que, dessa nova geração, ele se garante como um bom ator que, se bem dirigido, rende atuações convincentes. É o que acontece em Cama de Gato, um típico filme que junta três adolescentes de classe média alta, sedentos por sexo, adrenalina e muita diversão. O problema é que eles não se preocupam se, para satisfazer seus desejos, seja necessário matar, estuprar, zombar da cara dos outros e ainda ficar palpitando sobre possíveis teorias de como melhorar o país, numa clara alusão às atuais eleições municipais e seus planos de governo mirabolantes que raramente se cumprem.

            Confesso que esperava mais desse filme, porque todos diziam que tinha cenas polêmicas, fortes demais para os mais puritanos e politicamente corretos (veja a seqüência de sexo no quarto de Cris e tire suas próprias conclusões) e que era bastante ousado e inovador. Já vi filmes piores, mas acho que faltou imprimir um ritmo mais intenso e um desenrolar mais claro dos personagens chave. Outra coisa me chamou a atenção: tanto no início, como no final, depoimentos de pessoas entrevistadas pelo diretor e elenco, que deram sua opinião sobre alguns temas citados no filme, como violência, sexo e leis que deveriam ser realmente cumpridas, e que, de certa forma, acrescentaram um certo charme ao filme que é, no geral, meio capenga.

            Mas se você é fã de cinema nacional, principalmente dessa terceira grande fase (sim, terceira, porque as duas primeiras vieram sob o fardo de Carla Carmurati, em 94 - com o pioneiro da chamada retomada do cinema nacional, Carlota Joaquina – e com Walter Salles, em 98, com o seu pra lá de premiado Central do Brasil), vale uma conferida.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:33 AM
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   Literatura – Homem Aranha: Poder e Responsabilidade (Panini – 2004) - Parte I

Em 1962, os leitores norte-americanos estavam cansados dos super-heróis com origem alienígena, poderes impossíveis e falta de identificação com os leitores da época. Para dar uma nova vida aos q    uadrinhos, o mestre Stan Lee ouviu as novas exigências e criou um herói diferente que, apesar dos superpoderes, estudava, tinha problemas na família, não era popular na escola e enfrentava também os dilemas de como usar seus poderes com responsabilidade. É lógico que estou falando do popular Homem-Aranha, que estreou no número 15 da revista Amazing Fantasy em 1962.

Nesses mais de 40 anos de histórias e aventuras, muita coisa aconteceu na vida de Peter Parker: a mordida da aranha radiativa, a morte do Tio Ben, três namoradas, a morte de uma delas, um casamento (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-03-01_2004-03-15.html), uma filha desaparecida, os inimigos que insistem em não morrer, um Duende Verde, outro Macabro, mais um Demoníaco, simbiontes alienígenas, clones, a volta dos mortos-vivos, enfim, foram muitas histórias clássicas e outras nem tanto. O grande problema é que, se um leitor novato, que acabou de assistir aos filmes (leia a resenha do segundo filme em http://delfos.zip.net/arch2004-07-01_2004-07-15.html) ou aos desenhos do personagem (aqueles produzidos pela Fox nos anos 90), pegar um gibi do Aranha não irá entender bulhufas pois tudo segue uma ordem cronológica mais ou menos regular e imagina correr atrás de 4 décadas de acontecimentos?

Para tentar colocar ordem na casa, a Marvel Comics, criou o selo Ultimate onde recriou a origem dos seus principais personagens (e isso inclui nosso amigo aracnídeo) para uma nova geração de leitores, que começou a acompanhar as histórias de seus heróis recentemente e não tem obrigação nenhuma de saber, por exemplo, que no final das contas Ned Leeds não era o Duende Macabro (mencionei esse acontecimento porque fiquei com raiva dessa história quando ela foi publicada no Brasil há 6 anos).

Logicamente, a Marvel não é estúpida e apenas reproduziu alguns dos antigos acontecimentos para a nova geração. Mas em determinadas origens, como é o caso do Homem-Aranha, tivemos algumas sensíveis alterações que podem resultar em bons frutos ou não, dependendo apenas do ponto de vista.

Os leitores devem entender que agora temos duas revistas do Homem-Aranha em circulação: uma que segue a história original e outra que recomeçou tudo do zero, porém com algumas mudanças. Para se ter uma idéia das alterações, até mesmo a famosa frase “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” foi alterada para um discurso completo sobre o tema.

As diferenças na história original já começam logo nas primeiras páginas. Peter já vive uma espécie de romance adolescente com Mary Jane, coisa que não acontecia na versão original, a ruiva era apenas a terceira namorada de Parker (depois da secretária Betty Brant e de Gwen Stacy).

Outra diferença é que a aranha que picou Peter não é mais radiativa, mas geneticamente modificada. Essa alteração é bem vinda, pois aranha radiativa combinava muito bem com o período da Guerra Fria (o conflito psicológico entre os EUA e a União Soviética que perdurou na segunda metade do século XX), mas não faz muito sentido hoje em dia. Ah sim, e a aranha era propriedade de um experimento secreto da Oscorp, nada a ver com a versão original. Aliás, a associação entre a origem do Homem-Aranha e o Duende Verde (continue lendo para entender) é algo que os roteiristas estão querendo há bastante tempo, afinal nada melhor do que ligar a origem de um herói com a de seu principal inimigo, mais ou menos como aconteceu também no primeiro filme do Batman.

Dos personagens já conhecidos, temos Peter, o tio Ben, tia May, Mary Jane, Flash Thompson, Norman e Harry Osborn (a primeira mudança, já que os Osborns e MJ só apareciam anos depois da estréia do aracnídeo no gibi original). Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 3:05 AM
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   Literatura – Homem Aranha: Poder e Responsabilidade (Panini – 2004) - Parte II

Alguns personagens clássicos também dão as caras em pequenas participações: o futuro Dr. Octopus, Otto Octavius, aparece como um cientista a serviço da Oscorp. O Capitão Stacy, pai de Gwen, a segunda namorada de Peter Parker na cronologia original e a protagonista de uma das cenas mais chocantes das histórias em quadrinhos, (quando é covardemente morta pelo Duende Verde), e o eterno editor J. J. Jameson também fazem apenas uma ponta.

Bom, já que mencionei um pouco da nova história, vamos fazer uma sinopse: Peter Parker é um adolescente de 15 anos, que mora em Nova Iorque com seus tios idosos. Estudante brilhante, mas tímido com as garotas (como todo nerd), ele conquista o coração da jovem Mary Jane pelo seu “charme”, porém não consegue evoluir muito o relacionamento pois não é exatamente um expert em relacionamentos.

Um dia, durante uma visita com o colégio às indústrias Oscorp, propriedade de Norman Osborn (pai de Harry, o melhor amigo de Peter), nosso querido nerd é picado por uma aranha geneticamente alterada.

Pouco a pouco, Peter ganha poderes extraordinários, e começa a usá-los sem muito controle, sob a identidade de Homem-Aranha, mas o que parecia uma benção se torna uma maldição quando seu tio é cruelmente assassinado por um ladrão que o Aranha havia deixado escapar horas antes por acreditar que não era um problema seu.

Ao mesmo tempo, o inescrupuloso Norman acompanha o desenvolvimento dos superpoderes do rapaz, ou seja, já sabe desde o começo da história quem é o Homem-Aranha, ao contrário da história original. Ambicioso, decide aplicar em si mesmo um soro modificado do mesmo tipo de aranha. Os resultados dessa vez são catastróficos.

Bom, como você já deve ter imaginado, o Duende Verde também dá as caras no gibi, mas de uma forma totalmente diferente. No original, o que temos é Norman, sob os efeitos de um soro que dá superforça, fantasiado de duende, azucrinando a vida de Parker. Na versão Ultimate, Norman, quando injeta o soro dos poderes, se transforma em um monstro com chifres e pele verde. Por isso somos levados a deduzir que ele é o Duende, já que não veste mais uma fantasia e o nome desse novo “ser” não é revelado. O pior é que o novo Duende não fala sequer uma frase, mais ou menos como o Hulk (em sua versão tradicional) e se limita a murmurar “Parrrrrker” quando está lutando com nosso herói. Nada do planador morcego também, pois nosso Duende-Hulk-Verde dá superpulos.

Mas entramos no grande problema dessa nova gênese: a falta de alguns roteiros clássicos no confronto entre o Homem-Aranha e o Duende Verde, apenas para citar esse exemplo mais óbvio. Quem acompanhou a cronologia original deve se lembrar da saga onde o Duende Verde descobre a identidade secreta e puxa o Homem-Aranha sem a máscara com o jato morcego pelos céus de Nova York para depois se revelar Norman Osborn em um dos momentos mais legais de toda a série.

A morte de Gwen Stacy também não deverá acontecer, pois a personagem sequer dá as caras por aqui, embora apareça em edições posteriores do Homem-Aranha Ultimate. O problema é que Parker já tem uma namorada...

Essa edição especial da Panini reúne as primeiras sete edições da revista Ultimate Spider-Man que saiu nos EUA entre Outubro de 2000 e Maio de 2001. De lá para cá muita coisa aconteceu com a revista, mas pelas sete primeiras edições, pode-se entender que esse reinvestimento na origem do Homem-Aranha foi bem sucedido. Especialmente por focar bastante a vida do jovem nerd, seus conflitos com a família e seus questionamentos sobre os poderes. A morte do tio Ben, em especial, ficou bem próxima da versão original, porém muito mais dramática. Uma diferença muito bem vinda nesta versão é que tio Ben chega a ser desenvolvido como personagem, ou seja, não morre logo no início como na história original. Essa opção do roteirista dá ao leitor a possibilidade de se afeiçoar ao personagem e chorar junto com Peter a sua morte, mesmo sabendo desde o começo que o personagem morreria em breve.

            Os traços de Mark Bagley são muito bons e rejuvenesceram bastante o Homem-Aranha que, pela primeira vez, parece realmente um garoto de 15 anos. O artista gosta de brincar com ângulos diferentes de visão e um visual “nerd moderno” de Parker e o roteiro de Bill Jemas, apesar de um pouco lento, explora algumas características dos personagens que só surgiriam décadas após suas introduções.        

No total, temos 196 páginas por um preço tabelado meio salgado de R$ 18,90. O veredicto final é o seguinte: se você se cansou das confusões da série original ou for um leitor novato no universo do Aranha, vale a pena comprar a revista e dar uma nova chance ao herói. Caso contrário, corra em um sebo atrás das histórias clássicas que já foram republicadas várias vezes e podem ser encontradas por um preço mais razoável.

Se você já conhece a saga Ultimate, então não perca mais tempo e leia a resenha que o Corrales escreveu sobre a primeira aparição do Venom nesse novo universo aqui: http://delfos.zip.net/arch2004-04-01_2004-04-15.html.



 Escrito por Bruno Sanchez às 3:04 AM
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   Cinema – Kill Bill Vol. 2 (Idem – EUA – 2004) - Parte I

            Antes de ler essa resenha, não deixe de ler a resenha para a primeira parte do filme, escrita pelo Bruno e que você encontra em http://delfos.zip.net/arch2004-05-01_2004-05-15.html. Vai lá. Eu espero aqui.

            Pronto? Ok, vamos lá.

            Finalmente chegou ao Brasil um dos filmes mais esperados por aqui. Mas não confunda, não se trata de ter sido esperado por ansiedade ou algo do tipo, eu quis dizer literalmente esperado, afinal, o filme estréia nos cinemas daqui alguns meses depois de já ter sido lançado em DVD em praticamente todo o mundo.

            Se você esteve em Plutão nos últimos meses e não sabe nada da história, isso pode ser resolvido em algumas poucas linhas: a personagem de Uma Thurman (cujo nome é a principal revelação do filme) quer se vingar de seu ex-patrão e amante Bill (David Carradine), que liderou uma carnificina no dia do ensaio de seu casamento. Para isso, ela vai matando um por um todos os capangas do  cara, até chegar no chefão em si, em uma vendeta que chega muito a lembrar aqueles bons games de outrora como Final Fight, Streets Of Rage, etc. Aliás, ao contrário do primeiro filme, em que ele era apenas mãos e voz, aqui Bill dá as caras. Aliás, nunca entendi o por quê de ocultá-lo, já que foi amplamente divulgado que Bill era representado por David Carradine e todo mundo já conhece o rosto do indivíduo.

            A narrativa, como no primeiro, não é linear. O filme começa com a “noiva” dirigindo um carro, dizendo que matou todos os capangas e que falta apenas Bill. Mentira, já que dois dos capangas não foram mortos por ela, como você vai perceber quando assistir (se é que ainda não assistiu). Erro de continuidade? Falta de cuidado? Erro proposital? O que você acha?

            Curiosamente, Kill Bill Vol. 2 é muito diferente do primeiro filme, o que me faz questionar se Tarantino realmente tinha a intenção de lançar apenas um filme de três horas (até porque se somarmos os 90 minutos do filme anterior com os 138 deste, temos quase quatro horas). Para falar a verdade, uma das poucas semelhanças com o primeiro filme é o fato de Tarantino parecer uma criança com um brinquedo novo, já que deixa algumas cenas em preto e branco, faz alguns cortes bruscos (e feios) e até abandona por alguns instantes o formato widescreen de imagem que estamos acostumados a ver no cinema.

            Outra semelhança é a estética semelhante às dos filmes orientais antigos, o que não deixa de ser engraçado, já que estes filmes têm essa estética justamente por não terem um orçamento muito grande para investir. Então alguém decide gastar uma boa quantia justamente para reproduzir o que estes filmes faziam. Irônico, não?

            A trilha sonora também segue o padrão dos outros filmes do diretor, sempre muito elogiada por público e crítica. Na verdade, se analisado friamente, ele não faz nada demais, apenas optou por um caminho diferente. Veja só, a maioria dos filmes estadunidenses têm trilhas sonoras orquestradas e pomposas. A única diferença é que Tarantino opta por algo mais Pop em seus filmes, ou seja, músicas tocadas por bandas. Agora que isso dá um ar muito diferente ao filme e o distingue positivamente dos demais, eu concordo plenamente. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:48 AM
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   Cinema – Kill Bill Vol. 2 (Idem – EUA – 2004) - Parte II

            Enquanto as semelhanças são relativamente pequenas, as diferenças são colossais, já que afetam a principal parte de qualquer filme: a história. Se no primeiro, a violência exagerada permeava todo o filme com um humor sanguinário, aqui temos um filme violento, sim, mas menos escrachado, com muitos diálogos e, principalmente com muito menos ação. Ou melhor, sem ação nenhuma. De fato, as cenas de ação são completamente anticlimáticas. A batalha final, por exemplo, dura apenas alguns segundos. É sério, a tão esperada batalha com o chefão Bill não chega a 1 minuto.

            Em uma outra cena, por exemplo, vemos dois dos personagens pegando as espadas e pensamos “Ah, agora sim. Porrada!”. Ledo engano, após toda aquela preparação para a batalha, a luta de espada em si é chinfrim e curta, com uns 3 ou 4 golpes de espada apenas.

            Outro anticlímax é o treinamento da protagonista com Pai Mei (Gordon Liu). Na verdade, o treinamento é muito legal, mas dura tão pouco que achamos que vamos ver mais dele no desenrolar da trama. Não vemos.

            Como deu para perceber, enquanto o Vol. 1 era uma boa diversão despreocupada, o Vol. 2 é exatamente o contrário, tenta ser um filme denso e mais psicológico mas simplesmente não tem profundidade para isso. Ou seja, o Vol. 2 acaba se tornando vítima das armadilhas que sua versão anterior criou. Para entender melhor o que quero dizer, imagine se um filme na linha de Freddy Vs. Jason tentasse fazer o espectador se familiarizar com conceitos abordados na obra de Michel Foucault. Ou se uma banda como o Manowar dissesse que encontrou Jesus e que ia dedicar o resto de sua carreira a fazer música sacra. É mais ou menos isso que ocorre com Kill Bill Vol. 2. O que era para ser apenas uma diversão tenta ser mais do que isso. E se dá mal, simplesmente por contrariar as expectativas criadas pela própria série.

            Kill Bill Vol. 2 finalmente estréia no Brasil nesta sexta-feira, dia 8 de outubro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:46 AM
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   Cinema – Resident Evil 2: Apocalipse (Resident Evil: Apocalypse – EUA – 2004)

            Filmes baseados em jogos dificilmente trazem resultados satisfatórios. Durante minha adolescência, no século passado (meu Deus, como sou velho!), passei um bom tempo ansiando pelo filme do jogo Street Fighter, que parecia não sair nunca. Com a decepção com o filme (dizem que Raul Julia – que faz o vilão M. Bison – morreu de desgosto ao ver o resultado final), minhas esperanças de gamemaníaco cinéfilo se voltaram para o filme de outro jogo conhecido por ir sempre na cola do Street Fighter mas criando sua personalidade própria. Esse filme era Mortal Kombat, uma outra decepção sem tamanho (poxa, mataram o Scorpion logo no começo!).

            Algum tempo depois, já no século seguinte, apareceu mais um filme baseado em outro sucesso da Capcom (softhouse responsável também por Street Fighter): Resident Evil – O Hóspede Maldito. Não vi ninguém, absolutamente ninguém, falar bem desse filme. Aparentemente, porém, as bilheterias foram suficientes para financiar uma continuação, ou melhor, duas, já que decidiram transformar o troço em uma trilogia (mas que mania de Hollywood é essa por trilogias?).

            Segundo a divulgação de Resident Evil 2, a primeira parte era o prelúdio para o jogo, a segunda parte é o que acontece no jogo e a terceira parte é o que vem depois do jogo. Depois de tanto usar a palavra jogo, devo admitir que não conheço muito bem o jogo. O jogo é um daqueles jogos que eu joguei muito pouco – por medo. Já o filme, é uma versão com mais ação dos famosos filmes de zumbis, que foram ressuscitados em Hollywood desde o sucesso de Extermínio (leia a resenha do filme Madrugada dos Mortos, a última incursão do estilo em http://delfos.zip.net/arch2004-05-16_2004-05-31.html).

            É, você não leu errado. A versão cinematográfica de um dos jogos mais assustadores da história é um daqueles filmes cheios de porrada, tiros, tripas e miolos para todo lado. E, como dá para perceber, os miolos estão apenas na tela, já que a história é aquelas em que a gente coloca o cérebro em Stand By e fica torcendo para os zumbis dominarem o mundo (ah, vai dizer que você não torce para os vilões?). Inclusive, várias cenas levam o público a gargalhadas, dado a forma como são tratadas. Eu diria até que Resident Evil, o filme, é um bom exemplo de como deveria ser um filme do jogo Serious Sam (leia resenha em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html), por exemplo, ou seja, violento, engraçado e completamente despretensioso, sem se levar a sério em nenhum momento. E, como diria Jerry Seinfeld, não que tenha algo de errado com isso. A não ser, é claro, o nome do filme.

            Todos os clichês da série de zumbis imortalizada por George Romero estão aqui. Desde a mordida que mata e ressuscita a vítima em pouco tempo, até a heroína (feminino de herói, vê se pára de pensar em drogas, meu!) machona e sem sentimentos, que extermina sem dó qualquer um que tenha vestígios de contaminação. A diferença é que aqui o terror sai para dar espaço à ação. E verdade seja dita, algumas das cenas de ação são realmente emocionantes. O engraçado é notar o grau de influência que Matrix exerceu no cinema de ação hollywoodiano. É praticamente impossível vermos uma cena do estilo sem aquelas movimentações de câmeras estilosas e o famoso Bullet Time que ajudou a popularizar os filmes dos irmãos Wachowski. Novamente, não acho que isso seja exatamente um problema, pois ninguém pode negar a perfeição técnica da série estrelada por Keanu Reeves. O problema é que isso ficou de tal forma associado à marca Matrix (tanto que apenas lendo esse parágrafo, sem nenhuma descrição das movimentações e do Bullet Time, você sabe exatamente do que estou falando, não sabe?) que, cada vez que isso é utilizado em outro filme, é como se fosse uma mensagem subliminar, uma propaganda à marca Matrix e não uma técnica de filmagem, que é o que realmente é.

            Mas voltando a essa segunda parte de Resident Evil, é o seguinte: se você gosta de zumbis, violência gratuita, muito sangue, membros arrancados e de dar umas boas gargalhadas, assista o filme e se divirta. Agora, se essa descrição não o agrada, apenas ignore-o. Afinal, você não vai perder nenhuma obra-prima que vai entrar para a história do cinema – putz, agora me lembrei de um disco do Twisted Sister que tem uma citação a uma resenha de suas primeiras demos, onde fala “nunca vai dar certo”. Espero que isso não aconteça comigo e com essa resenha.

            Resident Evil 2 – Apocalipse estréia dia 8 de outubro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:42 AM
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   Cinema – Chamas da Vingança (Man On Fire – EUA – 2004)

            Baseado no livro Man On Fire de A.J. Quinnell (um pseudônimo, a falta de coragem do autor em assinar com seu próprio nome nunca é um bom sinal), Chamas da Vingança é o mais novo filme do vencedor do Oscar, Denzel Washington e, novamente, é um filme policial (leia resenha de Por Um Triz em http://delfos.zip.net/arch2004-04-01_2004-04-15.html).

            A história é a seguinte: John Creasy (Denzel Washington) é um cara durão e violento, que teve seu coração endurecido pelos infortúnios da vida. Completamente desiludido e sem a menor vontade de continuar nesse mundo, ele acaba aceitando um trampo de guarda-costas para proteger uma menininha chamada Pita (Dakota Fanning). E nesse trampo, o inesperado acontece: Creasy começa a se afeiçoar por Pita e redescobre nela a alegria de viver. Fofo, né? Pois é, até que a moleca é seqüestrada, o que coloca Creasy em um frenesi psicótico que o leva a matar mais pessoas do que até Jason seria capaz. E com muito mais violência e sadismo envolvido.

            Como deu para perceber pela “sinopse” acima, Chamas da Vingança é dividido em duas partes. A parte fofa que mostra o relacionamento entre Creasy e Pita e a parte “Mortal Kombat” que mostra o relacionamento entre Creasy e os criminosos responsáveis pelo seqüestro da mina. E, enquanto a primeira parte funciona bem, a segunda se mostra bem irregular, alternando momentos emocionantes e revelações surpreendentes com momentos de bocejar com revelações frustrantes.

            Em determinado momento, a condução do filme nos leva a pensar que o roteirista optaria por um caminho completamente diferente daquele comumente traçado por filmes hollywoodianos, o que daria um grande destaque a esse filme. Infelizmente, porém, decidiram optar pelo tradicional final feliz voltando atrás em uma informação que, tivesse sido mantida, deixaria o filme muito mais interessante e diferente.

            Uma característica muito forte neste filme é sua direção, a cargo de Tony Scott. Isso não necessariamente significa que essa característica é boa, mas é forte. Explico: Tony optou, em alguns momentos por utilizar imagens granuladas e com menos quadros por segundo do que o normal no cinema, tentando criar a mesma atmosfera de programas de TV como Cops, por exemplo. O problema é que, para isso, a qualidade da imagem é prejudicada e aí cabe a meu amigo leitor tirar sua própria conclusão sobre o assunto. Como não poderia deixar de meter meu bedelho aí (afinal, você está no DELFOS), eu sempre vou preferir a qualidade da imagem sobre qualquer outra coisa. Na minha opinião, as emoções do filme devem vir da história e de sua condução, sem nunca sacrificar a qualidade da imagem do filme. O que vale é que, nesse caso, ao contrário de A Vila (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-09-01_2004-09-15.html) foi um sacrifício justificável e entendo que algumas pessoas possam achar essa artimanha interessante, afinal, contribui muito para o filme ter uma “identidade visual”. Ponto para o diretor, por ao menos tentar inovar.

            Agora uma outra artimanha utilizada e que poderia ter sido melhor aproveitada é sua trilha sonora. Embora não seja algo tão inovador, algo que gostei muito foi sua utilização em algumas cenas. Peguemos por exemplo a cena do seqüestro. Em uma cena que envolve tiroteio, mortes, perseguição e uma menina seqüestrada, esperamos uma trilha agitada, pesada, assustadora, certo? Pois o filme nos brinda, por alguns momentos, com uma linda e suave música que conta apenas com um piano. Pouco depois, ela desanda para a tradicional trilha de ação, mas vale pelos segundos anteriores e por isso digo que deveria ser melhor aproveitada. Um outro exemplo do uso interessante da trilha sonora é quando Creasy está torturando um dos bandidos enquanto a divertida Hey, Ricky toca no rádio. Dissonância total. E justamente aí reside o charme para essas cenas.

            Conclusão? Chamas da Vingança é um filme médio. Deve agradar àqueles que gostam de filmes policiais ou do Denzel Washington. Se você for uma dessas pessoas, o filme estréia sexta que vem, dia 8 de agosto. Vai lá e divirta-se!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:06 AM
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   Games – Viewtiful Joe (Capcom – 2004) - Parte I

Às vezes tenho a impressão que as grandes empresas de jogos eletrônicos estão perdendo o pique na criatividade de produzir algo realmente novo interessante e se limitam a apenas reinventar e aproveitar as antigas fórmulas com novos elementos. Isso aconteceu com a Konami e o novo jogo das Tartarugas Ninja (leia a resenha em http://delfos.zip.net/arch2004-09-01_2004-09-15.html) e agora, acontece também com Viewtiful Joe, o novo mascote da Capcom.

Se esse fator não deu certo no novo jogo dos répteis mutantes por falta de ousadia, o mesmo não pode ser dito da empreitada da Capcom, o que mostra que determinadas fórmulas, quando bem utilizadas, não se esgotam. Esse é exatamente o caso de Viewtiful Joe, um jogo de ação 2D (estilo a série Contra, Ninja Warriors, Last Battle, E-Swat e tantos outros), que revigora o gênero e traz uma série de novidades.

Antes de começar a falar da versão de Playstation 2, preciso esclarecer que Viewtiful Joe é uma franquia que nasceu primeiro no Gamecube há cerca de 2 anos, mas somente agora chegou ao videogame da Sony. O segundo capítulo da saga não terá prioridades e sairá simultaneamente nos dois sistemas em novembro. Eu não joguei a versão do Gamecube, portanto tudo o que vou falar se refere ao jogo de Playstation 2, mas acredito que ambos diferem apenas em alguns detalhes e personagens secretos.

Em Viewtiful Joe, você é Joe (dã), um adolescente fã de Tokusatsus (aquelas séries japonesas estilo Jaspion e Ultraman, cheias de robôs, artes marciais e muita ação). Em um belo dia, Joe e sua namorada Silvia vão a um cinema da cidade assistir um destes seriados de um tal Captain Blue, quando são surpreendidos pelo vilão da série literalmente saindo da tela e capturando a pobre e indefesa Silvia. Sobra para Joe também entrar nas telonas, sob a tutela do Captain Blue, para se transformar em um super-herói e “viver” seus filmes e séries favoritos e, assim, resgatar a sua namorada.

Os gráficos em cel-shaded são muito bem utilizados e reforçam o clima de nostalgia dos bons jogos de ação 2D lançados nas gerações anteriores. Tudo é muito vivo e estiloso, a começar pelos movimentos de nosso herói que são bem complexos, mesmo em câmera lenta (calma que eu já explico essa parte). Os inimigos são bem variados e vão “despedaçando” aos poucos conforme você desce o cacete, o que torna a tarefa de matá-los extremamente divertida (tudo bem, fui um pouco sádico aqui). Os cenários também se destacam, com gráficos muito coloridos e fundos em 3D que iludem o jogador. Ao contrário do jogo das Tartarugas Ninja, aqui, os ambientes são bem variados, cheios de detalhes e muito criativos. Você luta tanto nas ruas de uma grande cidade, quanto no interior de mansões e castelos. Existe até mesmo uma fase onde você pilota um avião no melhor estilo R-Type. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:03 AM
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   Games – Viewtiful Joe (Capcom – 2004) - Parte II

A jogabilidade é o grande trunfo de Viewtiful Joe. Como já mencionei anteriormente, nosso querido Joe se tornou um super-herói e como tal, ganhou sua gama de poderes. Além da óbvia superforça, você também tem a possibilidade de alterar o tempo. Mas como funciona isso? Bom, basicamente você tem uma barra chamada VFX, que enche automaticamente e pode ser aumentada com alguns powerups (itens que você coleta pelas fases). Esta barra é a fonte necessária para a utilização dos golpes especiais de nosso herói. Dois golpes você irá aprender logo de cara: acelerar e reduzir o tempo. No caso de reduzir o tempo, o jogo fica em câmera lenta e você poderá esquivar da maioria dos golpes dos inimigos, estilo o Neo de Matrix desviando das balas, artifício muito bem utilizado em Max Payne (leia a resenha em http://delfos.zip.net/arch2004-02-01_2004-02-15.html). Além disso, você também identifica o ponto fraco dos inimigos e pode usar várias combinações de golpes para destroçá-los com estilo. Na velocidade mais rápida, você, obviamente, desfere dezenas de golpes por segundo, mas fica mais vulnerável aos ataques dos adversários já que perde a capacidade de defesa.

Entender como funciona essas duas alterações no tempo é fundamental, também, para solucionar a maioria dos puzzles (sim, eles estão presentes) do jogo. Por exemplo, se você tem uma plataforma movida a hélice, ao acelerar o tempo, pode subir em lugares teoricamente inacessíveis pois a hélice girará mais rápida e, com isso, a plataforma voará mais alto. Se, do contrário, você diminuir o tempo, a hélice irá ficar quase parada e a plataforma cairá no chão possibilitando que você suba em cima. Domine essas técnicas de controle do tempo, pois elas são a grande chave do jogo, inclusive nos chefes.

Além destes poderes “de graça”, você também poderá comprar alguns novos no final de cada fase, dependendo do número de pontos acumulados. Entre estes poderes compráveis, estão combos aéreos, voadoras e um golpe muito legal onde você literalmente faz uma “pose mortal” que mata os inimigos (esse é de rolar de rir). Mais Tokusatsu impossível. J

A parte sonora do jogo me remeteu aos velhos tempos, com aquela trilha sonora clássica de videogame, músicas instrumentais e de muito bom gosto. Uma pena que a dublagem das vozes dos personagens na versão americana (acredito que na versão japonesa sejam outros dubladores) não ficou tão legal e você vai penar para entender o que alguns chefes dizem, mesmo com um bom conhecimento de inglês.

Falamos das qualidades, mas uma resenha delfiana nunca está completa sem falar dos defeitos. O principal deles é a falta de um inimigo digno de Joe. Aliás, todos os chefões de fase são bem chatinhos, clichês, e apelões (coisa tradicional nesse tipo de jogo), mesmo nas dificuldades mais fáceis. O jogo também é bem curto e algumas fases são muito repetitivas. Fora isso, assim que você acabar Viewtiful Joe pela primeira vez, não irá encontrar grandes motivos para jogá-lo de novo, portanto a longevidade não é lá essas coisas.

Mesmo com esses problemas, Viewtiful Joe é um jogo que se destaca da concorrência por explorar um gênero saturado com inteligência, trazendo elementos bem interessantes e divertidos para a jogabilidade. É uma boa saída para a mesmice e um exemplo de como as empresas podem explorar as antigas fórmulas, mas com criatividade. Ouviu, dona Konami?



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:02 AM
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   Música – CD – Iron Savior – Battering Ram (Century Media – 2004)

            Quando o Iron Savior surgiu, nos idos de 1997, foi considerado uma super banda. E não é para menos, pois trazia na sua formação Piet Sielck (vocal e guitarra), um renomado produtor que chegou a fazer parte do Helloween em sua primeira formação (mas não gravou nenhum álbum com a banda da abóbora), Kai Hansen (vocal e guitarra), que formou o Helloween junto com Piet e que hoje se encontra à frente do Gamma Ray e o fantástico baterista do Blind Guardian, Thomen Stauch.

            Obviamente, tal line-up não ia durar muito e Thomen logo pulou fora, sendo substituído pelo batera do Gamma Ray, Daniel Zimmerman, que havia substituído Thomas Nack no Gamma Ray que, ironia do destino, acabou substituindo Dan no Iron Savior. Kai, por outro lado, até que durou bastante, pois ainda gravou dois álbuns, o ótimo Unification e o mais ou menos Dark Assault, além do EP Interlude. Quando parecia que iam se estabilizar e deixar de ser um super projeto para se tornar uma banda de verdade, o baixista Jan-S Eckert foi chamado para o Masterplan, sendo substituído por Yens Leonhardt.

            Conseguiu acompanhar essa confusão toda? Então chegamos ao motivo desta resenha, o novo álbum dos alemães, Battering Ram, que mantém o mesmo estilo da banda, ou seja, um Power Metal pesado e alegre, bem feito e bem composto, com um toque levemente comercial e letras que tratam, em sua maioria, de temas de ficção-científica.

            O álbum começa com a pesada faixa-título que já denota que mudanças de estilo não estão nos pesos da banda. Como sempre, os maiores destaques vão para as guitarras, sobretudo aos riffs que são, em sua maioria, daquele estilo cadenciado que faz tanto sucesso em shows (aliás, por que o Iron Savior ainda não veio ao Brasil?). A principal diferença em relação aos discos anteriores é que, nesta nova empreitada, Piet canta todas as músicas, que antes eram divididas com Kai e Jan. Piet é um ótimo vocalista mas, na minha opinião, bandas só têm a ganhar quando mais de um de seus membros canta (vide o Savatage).

            Battering Ram é um disco bem legal (embora eu ainda prefira o Unification), com um nível de qualidade bem equilibrado durante todo o álbum. Particularmente, destacaria alguns momentos, como o refrão de Stand Against The King, o riff de Break The Curse e a letra de H. M. Powered Man, homenagem de Piet ao estilo de música que tanto amamos. Aliás, gostei tanto dessa letra que parte de seu refrão já está na minha info do Orkut, junto com outras letras das quais gosto.

            Fazendo um paralelo com o cinema, diria que Battering Ram é um CD pipoca, manja? Explico, é daqueles CDs que você vai ouvir, achar legal, cantar junto algumas músicas, mas que dificilmente vai mudar a sua vida. É o mais puro Heavy Metal para diversão. E não tem nada de errado nisso. Eu, pelo menos, gostei bastante.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:57 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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