Delfos - Jornalismo Parcial
   Exposições – Ciências da Terra Ciências da Vida (São Paulo - Faap – De 30 de agosto a 31 de outubro de 2004)

            Desde a mais tenra idade, eu nutro um incomum interesse por alguns momentos de nossa história, em especial por dinossauros. Sempre gostei de tudo relacionado ao assunto, tive muitos álbuns de figurinhas com ilustrações dos bichões (alguém lembra do Monstros da Pré-História?), tive bonequinhos, assistia religiosamente todos os desenhos estrelados por eles, mas uma frustração se manteve desde então. Eu nunca tive a oportunidade de curtir um museu de história natural e ficar impressionado por esqueletos completos de Tiranossauros, Triceratops e afins.

            Dito isto, você pode imaginar a minha alegria ao ver um outdoor anunciando a atual exposição da Faap, com uma imensa foto de um esqueleto de dinossauro e a frase dizendo que “Desta vez foi longe demais. X milhões de anos”. Em questão de milésimos de segundos, voltei a ser aquela criança que sonhava em ser arqueólogo e em visitar museus ao redor do mundo. E se você já teve a oportunidade de visitar essa exposição, com certeza concorda comigo: não foi dessa vez que realizei um dos meus sonhos de infância.

            Pois é, ao contrário do que o outdoor dava a entender (se tem uma coisa pior que propaganda é propaganda enganosa!), esta não é uma exposição de dinossauros, mas uma exposição sobre a Chapada do Araripe (quê?). Ou seja, vemos pedras, fósseis de peixinhos, fósseis de aranhas, plantinhas, filminhos, mas dinossauro que é bom nada. Bom, para não dizer nada, tem algumas réplicas (Réplicas?? Me desculpe, mas para ver réplicas, prefiro assistir Família Dinossauro em casa) de esqueletos de pterodátilos (aqueles dinossauros meio “pássaros”) e de um outro menos cotado que eu nem lembro o nome (e olha que eu já fui expert em dinossauros). Ou seja, foi uma das maiores frustrações do ano na área cultural, tudo graças a uma propaganda enganosa, que divulgou que a exposição era algo que não era.

            Então encare essa resenha como um aviso. Vá a essa exposição apenas se você gostar de ver peixes mortos. Eu, particularmente, prefiro vê-los em uma loja de animais. É muito mais bonitinho e milhões de vezes mais interessante.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:08 AM
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   Cinema – Resenhas – Com as Próprias Mãos (Walking Tall – EUA – 2004) - Parte I

            Alguém pode me explicar por que estamos vendo tantos remakes no cinema? Poxa, de Madrugada dos Mortos (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-05-16_2004-05-31.html) a Sexta-Feira Muito Louca (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html), me parece que Hollywood está lançando um remake por semana! Falta de criatividade? Extinção de novos talentos? Enfim, o remake da semana é Com as Próprias Mãos, uma atualização de Fibra de Valente (1973 – que chegou até a ganhar duas continuações), estrelando The Rock (um lutador de luta livre, aquele que fez Escorpião Rei) e Johnny Knoxville (do programa de TV Jackass, em um papel que não envolve nem vômitos nem fezes). Pois é, parece que não são apenas os roteiristas estadunidenses que estão em extinção. Esse mal deve estar afetando também os atores. Com uma introdução dessa estirpe (puxa, acho que é a primeira vez que uso essa palavra) aposto que você acha que eu vou estraçalhar o filme, certo? Pois bem, continue lendo.

            Antes de mais nada, devo admitir que, como já falei na resenha de Por Um Triz (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-04-01_2004-04-15.html) se existe um estilo de filme que definitivamente não me agrada, esse é o estilo Policial. E aí está a beleza das cabines (além de assistir filmes de graça, é claro): pois de tanto ser “obrigado” a assistir filmes policiais, eu começo a enxergar a poesia em ver um carinha de 2 metros detonando o rosto de um traficante com um pedaço de pau. E quando o filme tem uma trama que consegue fazer você torcer pelo herói, então... ah, é aí que nossos instintos sádicos afloram e assistir a um filme do gênero se torna divertidíssimo. Junte a isso aquele humor que víamos nos filmes dos anos 80 estrelados pelo atual governador da Califórnia e uma cena de strip-tease e pronto. O que mais um homem pode querer?

            Ah, você quer saber sobre a história? Meu, é o de menos, mas beleza. Vamos lá: Chris Vaughn (The Rock) é um ex-militar que volta para a sua cidade natal. As coisas, no entanto, não estão mais como ele deixou, já que agora o maior empregador da cidade é um cassino que desenvolve algumas atividades ilícitas como trapaças nos jogos e venda de drogas. Quando Chris descobre isso e percebe que o dono do cassino, Jay Hamilton (Neal McDonough), domina a cidade inteira, inclusive a polícia, se junta a seu amigo Ray Templeton (Knoxville) e decidem sair por aí fazendo justiça Com as Próprias Mãos. Você percebeu como eu “sutilmente” coloquei o nome do filme na frase? Legal, né? Vou começar a fazer isso sempre que possível. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:58 AM
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   Cinema – Resenhas – Com as Próprias Mãos (Walking Tall – EUA – 2004) - Parte II

            O grande charme do filme está exatamente na sua inverossimilhança. Assim como Rambo, nunca um carinha ia conseguir derrotar uma cidade inteira. Nem se tivesse 2 metros e treinamento militar, como é o caso aqui. Na verdade, ele nem mesmo tentaria, por mais ideológico que fosse. Essa é uma fantasia mais irreal do que Star Wars ou Senhor dos Anéis. Mas e daí? Quem nunca se sentiu injustiçado e injuriado pela sociedade, por policiais corruptos ou pelas pessoas que sentam no banco do corredor do ônibus que atire a primeira pedra. E é justamente aí que começamos a torcer por Chris e sentir o mais sádico prazer em cada criminoso que tem seu braço quebrado e sua cara deformada por uma slot machine.

            Não posso deixar de citar a cena do strip-tease, é claro. Por mais que eu goste de ver uma mulher tirando a roupa, acho que os caras poderiam (e deveriam) ter escolhido melhor. Na primeira vez que o cassino é mostrado, vemos dezenas de mulheres perfeitas. Isso chega até a gerar uma certa decepção quando vemos a garota que faz o strip-tease (Ashley Scott) que, embora esteja longe de ser uma mulher feia, é talvez a garota menos desejável do filme.

            Tirando a falta de critério na escolha da mina do strip, Com as Próprias Mãos é legal pra caramba. É um filme que eu nunca teria assistido em circuito comercial e, justamente por isso, fico feliz de tê-lo assistido na cabine. Há muito tempo não me divertia tanto no cinema e realmente vou mudar meus critérios sobre filmes policiais. Para falar a verdade, já estou ansioso para a próxima cabine do estilo.

            Enquanto eu espero pela próxima cabine, você pode conferir Com as Próprias Mãos no cinema a partir de hoje, 29 de outubro. Eu realmente recomendo!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:57 AM
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   Cinema - Como Fazer Um Filme de Amor (Brasil - 2004)

            Antes de você começar a ler o que eu escrevi sobre Como Fazer um Filme de Amor, seja uma pessoa honesta e me responda uma coisa: por que a gente pensa duas vezes antes de sair de casa para ver um filme nacional? Seria o preconceito com o nosso próprio cinema? Seria a massificação das informações, que conspira a favor do cinema estadunidense, como se tudo o que fosse feito por aqueles lados fosse bom? Ou seria mesmo falta de critério e de bom senso de todos em acompanhar tudo o que está sendo produzido de bom em nossas terras, incluindo, é claro, o cinema? É, falar de cinema nacional não é tarefa fácil, mas o DELFOS vai te dar uma ajudinha a tentar encontrar algumas razões para que você dê um voto de confiança para o que está sendo feito por esse Brasil afora. Agora chega de conversa e vamos ao que realmente interessa.

            Uma das ótimas razões para que você saia de casa nos próximos dias é a comédia Como Fazer Um filme de Amor, estréia do roteirista e escritor José Roberto Torero em longas-metragens e que tem como protagonistas os globais Denise Fraga (do quadro Retrato Falado, exibido no Fantástico) e Cássio Gabus Mendes (presente em cerca de 20 produções da emissora e eterno galã de novelas, como a atual Começar de Novo e o sucesso Vale Tudo, além de minisséries como Um Só Coração).

            Durante o desenrolar da história do trio, um narrador (o monstro Paulo José, mais uma vez perfeito, repetindo o êxito do premiado curta-metragem Ilha das Flores - onde também era o narrador) vai revelando, aos poucos, a fórmula usada em comédias românticas, desvendando o esqueleto das histórias do estilo contadas no cinema.

            O filme ainda se dá ao luxo de ter como coadjuvantes os sempre hilários André Abujamra (líder da extinta banda Karnak) – aqui, em papel bem discreto mas impagável! – e Marisa Orth (a Magda, de Sai de Baixo), como a típica vilã que faz de tudo pra conseguir fisgar seu grande amor. Sim, Marisa faz o papel de uma típica vilã, Abujamra faz o típico “ajudante do mal” e Cássio e Denise fazem o clássico casal que, descontando suas indiferenças e diferenças (sociais), se apaixonam. Parece bobo? Você deve estar se perguntando o porquê de eu estar falando bem até agora de um filme repleto de clichês. Simplesmente porque ele é um filme leve, solto, que se sai bem e cumpre o objetivo de divertir o público.

É claro que, se você for um espectador mais atento (ou mais chato), vai reparar em alguns erros de edição (cenas desnecessariamente longas) ou de direção (Torero é um cara inteligente, com o tempo vai saber utilizar os melhores planos certos para filmar atores que têm o hábito de falar com os braços, como a própria Denise), mas nada que comprometa o resultado final, que é o que realmente importa. Eu acompanho o cinema nacional há muito tempo e confesso ter uma certa inclinação para comédia. Talvez essa tenha sido uma das razões de eu ter gostado de Como Fazer Um Filme de Amor, filme repleto de referências do gênero, dos clássicos Monthy Phyton e o Clássico Sagrado (leia resenha delfiana em http://delfos.zip.net/arch2004-09-16_2004-09-30.html) e Corra que a Polícia Vem Aí (inclusive plagiando uma das piadas – que vergonha, Torero!) às açucaradas comédias românticas tipicamente americanas, da linha Sintonia de Amor e Um Lugar Chamado Notting Hill. Descubra você mesmo outras referências, eu garanto que é divertido. Depois escreva pra gente se lembrou de outras pérolas do gênero, ok?

            Por ser a estréia em longas (até então o diretor havia dirigido alguns curtas, além de documentários e vídeos), podemos considerar Como Fazer Um Filme de Amor uma promissora contribuição de José Roberto Torero para um gênero desprezado e, de certa forma, esquecido por todos. Reza a lenda nos bastidores de palcos e sets de filmagem que   “o difícil não é fazer uma pessoa chorar, e sim, rir”. Bem, sendo assim, que venham mais produções como essa, em que nada mais se espera do que uma comédia assumidamente despretensiosa e cheia de clichês.

            Como Fazer Um Filme de Amor estréia dia 29 de outubro.



 Escrito por Gerson Shiroma às 3:43 AM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte I

Numa animada conversa, os atores Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes falaram sobre o lançamento da comédia Como Fazer Um Filme de Amor (estréia em longas-metragens do roteirista José Roberto Torero e que tem estréia prevista para esta sexta-feira, dia 29/10), curiosidades das filmagens, cinema, TV, teatro e o mais bacana, mostraram que são pessoas simples, bem humoradas e de bem com a vida.   

Como foi esse encontro? Vocês já tinham contracenado no quadro Retrato Falado. Como foi essa dobradinha?

Denise Fraga: É, a gente já tinha feito Retrato (Falado, quadro do Fantástico)...

Cássio Gabus Mendes: e também Boleiros (longa, de Ugo Giorgetti). Olha, foi muito bacana. Não só com a Denise, mas com a Marisa também. A Denise, esse domínio absoluto que ela tem sobre a comédia, esse tempo, facilita bastante pra quem tá fazendo de quem tá do outro lado. A gente se dá muito bem.

Você já se imaginou fazendo um personagem galã, cercado de mulheres, dono de uma agência de modelos? Quando viu o resultado, você achou crível?

Cássio: Só mesmo na cabeça do Torero (risos). Quando eu vi o resultado, quer dizer, eu só olhei pro Torero e vi que tava bom. Não, nunca tinha imaginado, mas se ele imaginou isso, eu confio no Torero, tenho muita segurança no Torero, mas eu gostei sim.  

Em algum momento ele passou alguma insegurança, por ser sua estréia em longas?

Denise: O Torero fez muitos curtas e ele não tinha feito longas porque ele não tinha feito (risos). Ele sabe muito bem o que quer. Como é um autor de textos cômicos, ele não escreve só para os atores fazerem, ele escreve crônicas em jornais, sempre com humor. A palavra é a grande estrela do Torero, a gente estava lá tentando valer a palavra. Nossa concentração como ator era perseguir as palavras, fazer com que ela fosse limpa e ouvida, sabe? Os olhares, é tudo muito partiturado, ele sabe muito bem o que quer e é tudo muito bem desenhado. Ele não tinha nem dúvidas do que ele queria, “será que a gente faz assim ou assado”, né?

Cássio: E outra, a gente perguntava se era assim e ele respondia “é!” (risos). Muito seguro, muito bem desenhado. Mesmo nas leituras (do roteiro), qualquer dúvida que ele tivesse, ele já resolvia ali. Alguns movimentos (de câmera, de atuação), que tivessem necessidade se de filmar, ele tava mais pronto do que nunca. Às vezes até com plano B (risos). Mas nunca, eu e a Denise, sentimos insegurança em momento algum.

E como ficou a questão da responsabilidade? Ele deixou muito claro pra gente que ele escreveu o filme pensando em você. É uma parceria de cinco anos (da atriz com o diretor) juntos, é o filme de estréia dele (em longas). Como foi carregar esse projeto junto com ele? Você foi muito cobrada?

Denise: Não (pensativa). Eu fiquei muito feliz quando o Torero me chamou, porque tem esse negócio de “santo de casa não faz milagre”, né? Aí eu achava que ele já tava enjoado de mim, como atriz, já tá me aturando há seis anos. E aí, quando ele me chamou, eu fiquei muito feliz. Logo eu? Eu? (risos) Fiquei muito feliz. E quando ele me falou do tempo (estipulado em quatro semanas de filmagem), eu fiquei com medo mas depois... Ninguém abusou da paciência do outro.. Foi um filme que a gente fez pra rolar. Teve cenas longuíssimas. E o Torero é um amigo muito querido, o pessoal do filme é muito querido, tem isso também, produção, todo mundo tinha uma coisa bacana, sabe, que fazia todo mundo seguir aquela mesma idéia. Aquela cena da praia, a gente perguntou “é agora que a gente vai fazer?”

Cássio: Filmamos seis ou sete horas.    

Aquela cena da cabana foi real (risos)?

Denise: (risos) Não, não exploraram a gente. Era o filme pra dar certo, a gente viu vídeo-tape, dando ânimo na galera.

Cássio: A expectativa do filme era completamente diferente, sabe. Quando ele me chamou, eu disse “bom, tô aí, quando você quiser, tô livre, vamos fazer”. E ver agora, sentir (o filme), a gente tá aqui hoje, conversando, sobre o lançamento com não sei quantas cópias (nota da redação: estão previstas 27 cópias). Poxa, a gente nunca imaginou o processo todo e as coisas foram acontecendo. Então, é gratificante, é bacana. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:19 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte II

Esse filme é muito metalingüístico. Como foi a interpretação, imaginar o narrador. O Paulo José não estava lá?

Cássio (interrompendo): É, o narrador (Paulo José) não estava lá...

...e como foi fazer essa encenação? De repente você estavam contrastando um com o outro, vocês ensaiaram muito, sentiram falta, alguém fez o papel do narrador, pra você sentirem essa diferença, como foi?

Denise: Algumas horas sim, onde o narrador interage com a gente. 

Cássio: Às vezes podia interferir no som.

Denise: Até porque o Paulo José não estava lá. Então o Torero lia (a fala do narrador). Tinha o cuidado de não encavalar o som, talvez por alguns probleminhas técnicos, mas fáceis de resolver. Mas era bom quando tinha o narrador, porque a gente fazia essa história ser contada dessa forma.

Cássio: Esse tempo do narrador, ele tem o seu valor. Foi interessante, foi uma experiência nova, você se relacionar com ele (Torero) pra não interferir no que o seu personagem está realizando, a paixão do seu personagem.  Foi a primeira vez que eu tive essa experiência e esse tempo que ele (o narrador), quando ele chama a gente assim “pára aí, ô...que ce tá fazendo?”...é muito interessante, foi muito gostoso e uma coisa nova pra mim. Foi muito bom.

Qual a cena mais difícil de ser feita? Entre vocês ou individualmente?

Denise: A gente tinha muito medo da cena de sexo (risos). As posições, tal, a gente começou de manhã, desde as duas da tarde e aí a gente virou a madrugada. Seis horas da manhã seguinte (risos).

E em inglês! (risos)

Cássio: É incrível (risos). Eo narrador falando como deve ser (risos).   

Denise: Mesmo sendo comédia.

Cássio: Que a gente ficou inseguro. Eu, pelo menos, fiquei mais inseguro pelo resultado em si, né?

Denise: E tem que fazer uma transa trash, né, gente? (risos) E não é uma transa linda (risos). Aí eu falei “ai meu deus do céu, a gente não vai conseguir fazer essa cena”

Cássio: Daí tinha que tinha que arranjar uma forma de fazer isso.

Denise: E eu tava com oproblema do caralho (risos). Não que eu não fale caralho, mas eu não conseguia. O Torero não conseguia acreditar no meu caralho (risos). Tem aquela cena em que a gente acorda e aí eu falava “caralho!” (risos). Não cabia na boca (risos). O que você quer eu faça? (risos)

Esse é seu primeiro filme como protagonista no cinema. Qual a diferença em construir um personagem até certo ponto coadjuvante e segurar a barra de um protagonista?

Cássio: É isso que a gente tava falando antes. O roteiro do Torero e a forma como ele trabalha, o perfil tá muito pronto, a leitura tá muito pronta, isso já é um adianto de 80%, da forma que eu trabalho, principalmente quando o diretor é o roteirista. É o tal negócio do filme. Quando você tem um roteiro claro, que a gente acha, acho maravilhoso, bom, já é mais de meio caminho andado. Então não existe pressão nenhuma em volta. Eu não senti pressão nenhuma em fazer um protagonista, sem problema nenhum, pela segurança do Torero, pelo elenco e pela equipe. Principalmente pelo texto e pela direção do Torero, desde o primeiro contato que eu tive ele explicando o filme, eu já tinha lido o roteiro uma vez. Depois, as leituras. Quer dizer, na hora em que a gente ia realizar isso no ar, tava  tranqüilo com relação a isso. Tava tudo muito prático. A gente se dava muito ao Torero. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:16 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte III

Teatro, televisão ou cinema. Qual desses meios vocês mais gostam de trabalhar?

Cássio: Acho que o importante é ter mercado de trabalho sempre. Nesses três, você tem a possibilidade de realizar, de trabalhar, exercitar e isso que é importante. Eu, talvez, me identifique mais, durante toda a minha carreira, com televisão e cinema. Por ter feito mais, por ter realizado mais, enfim. Não tenho nada contra, não adianta você ter uma preferência. Acho interessante porque são tempos diferentes e formas de interpretar diferentes. Não sei quem definiu isso bem outro dia, acho que foi o (José) Wilker falando que “se você fizer da mesma forma que você faz televisão, o teatro, você vai errar no teatro; se você faz da mesma forma televisão no cinema, você vai errar no cinema, e por aí vai”. Acho que no geral são coisas diferentes, eu prefiro mais televisão e cinema, mas são tempos e formas de interpretação diferentes, movimentos diferentes.   

Denise: Eu fiquei sete anos sem fazer teatro. Voltei há um ano com uma peça que eu ainda tô em cartaz, chamada Três Versões da Vida. É que o teatro tem uma coisa que ainda é o lugar do erro do ator, ele erra nos ensaios pra achar aquele tom que deve ser. É um laboratório que você fica de dois a três meses ensaiando, às vezes mais, pra achar aquilo pra temporada. É a busca da perfeição, constante, que vai te manter em cartaz. É isso que te motiva. Um dia você faz mais aquilo, acerta de um jeito aqui e ali, então isso vem do ator, é um grande laboratório. Pra acertar o tom e a intenção. (o teatro) É o lugar que eu me proponho. Quando eu fiz escola de teatro, eu queria ter muitas vidas, uma vida só não bastava (risos). E ali, você quer ter várias possibilidades, acho que é a profissão mais privilegiada que existe. Tem aquela coisa, você mata e a pessoa não morre, meu grande barato com a profissão é o processo, de viver aquele negócio. Aquele universo confundindo a tua cabeça, criar realidade que você nunca viveu. Aquela coisa tão íntima pra você, externa, isso sim. O teatro é o lugar, é real. Só que assim, ando muito apaixonada pelo cinema, pelo Luis Villaça, meu marido, e que me apresentou o cinema de uma forma apaixonante, gloriosa.

É uma produção muito feliz, o Cristina Quer Casar?

Denise: O Cristina Quer Casar, o Por Trás do Pano (ambos dirigidos por seu marido) que a gente fez junto, de todos os trabalhos feitos em televisão, que eu faço com o Luis, é um pouco cinematográfico, trabalhar com uma câmera só, e a coisa da gente sempre tá com uma câmera só, juntando pedacinhos, dá uma coisa do cinema “óbvio” na televisão. Então, num filme, é tudo muito rápido, você tem que ó (fazendo movimentos acelerados com as mãos), você fica fazendo aquilo, tem que ser rápido, e eu acho que você deve coisas, com a rapidez do cinema, ele tem uma coisa muito sagrada, tem o tempo de ensaiar, a gente por exemplo ensaiou Cristina Quer Casar em um mês...o Por Trás do Pano a gente também ensaiou um mês. A gente ensaiou bastante com o Torero também, eu, o Cássio e a Marisa. O “ação” em cinema é o terceiro sinal em teatro, que é aquilo que começa parado e vai (risos).

Cássio: Nossa (risos).

Denise: Sabe aquela cena da locadora? Que tem aquela cena assim, traveling (movimernto de câmera de um lado pra outro)? Aquilo é muito tempo de rolo de filmagem. E se perdeu, é um outro pedaço de rolo que tem que abrir. Aí você tem aquele rolo de fita pra filmar, aí a gente tem que fazer. É uma responsa fazer uma seqüência de três minutos, você entra naquela guerrilha de fazer o filme.  

Cássio: Às vezes você olha e pensa “poxa, o personagem é maior do que você”.

Vocês tiveram algumas referências pra construir esses personagens de comédia romântica?

Cássio: Não sei, eu fiquei tão ligado no roteiro e especificamente nas leituras que a gente teve com o Torero que, sinceramente, eu não me recordo de ter lembrado de um filme ou de dar uma olhada. Eu gosto das comédias românticas, não tenho nada contra, tem comédias românticas ótimas, atores maravilhosos e roteiros muito bons. Mas honestamente não me lembro de ter visto um filme, de ter tido uma referência objetiva pra realizar, foi muito em cima do Torero, do roteiro dele. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:14 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte IV

E você gostaria de ser cantora?

Denise: Ai (risos)...

Você é a única que não canta no filme...

Cássio (interrompendo): Ela canta (risos)...

Denise: Não, é o seguinte (risos). Eu fui no programa do Faustão, divulgar o (filme) Cristina Quer Casar e o Martinho da Vila tava lá. Daí o Faustão faz aquelas perguntas meio à queima-roupa e eu tenho uma história com o Martinho da Vila, gosto muito dele, sou muito fã dele e outro dia eu tava no farol, imitando Martinho da Vila. Tem um samba-enredo dele que eu amo que ele fez pra Vila, que fala como uma escola de samba se monta e desmonta numa quarta-feira, um negócio tão bonito, e tal. Ele fala de várias profissões envolvidas, que é o circo dos sonhos que rapidamente se desfaz. Daí eu to lá cantando, tentando imitar o jeito dele cantar e aí olho pro lado, no farol, no Rio (de Janeiro) e o Martinho da Vila no carro (faz cara de suspense). Eu achei que tava ficando maluca, que tinha tido uma visão e ele arrancou, que sintonia maluca (risos). Contei essa história no Faustão, que é um samba que eu adoro, e ele chama o Martinho e fala “dá uma palhinha aí, Martinho” (risos). Daí ele começou a cantar mas não conseguia se lembrar da letra. Aí eu falei “eu te ajudo, Martinho” (risos). Quando acabou o Faustão, as pessoas vêm me abraçar, chorando, veio uma moça chorando, dizendo que foi muito emocionante e não sei o quê. Nossa, daí cheguei em casa e tinham recados na secretária eletrônica e meu sogro chorando (risos). Gente, foi um momento especial que pirou, foi um dueto, ali tosca, sem ensaiar sem nada. Daí passou um tempo e o Martinho me ligou e me pediu pra gravar uma música no CD dele, um samba com ele. Aí no CD dele tem uma faixa que a gente gravou, que eu canto, que eu tive essa honra. No DVD também.

Como chama a faixa? No DVD tem essa passagem, você contando essa história...

Denise: É. A música se chama Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira. Ai depois, olha só o que aconteceu, ele me chama pro DVD numa roda de samba com Zeca Pagodinho (risos). Eu não acreditava, era um conto de fadas, eu adoro samba (risos), adoro eles.

No material de divulgação, está escrito uma mistura de Clark Gable (galã de E O Vento Levou...) com Woody Allen.

Cássio: Outro dia tava vendo isso na Internet (risos). Eu preciso conversar isso com o Torero (risos). Até falar sobre salário (risos). Eu não sei o que ele quis dizer (risos)...

Aquele lance da figura do galã, na estética.

Cássio: Você destruir um pouco, em determinados momentos, de algumas situações, do galã quando que um galã vai dar cambalhota na areia e tomar uma areiada na bunda (risos), sabe? Acho que é isso que ele falou de Woody Allen, é até complicado de aceitar um galã assim. Acho que é isso que o Torero quis fazer. É exatamente isso, ter correspondido, que é arrebentar com esses padrões, um padrão do galã, é ousado, é complicado de se aceitar isso, é até inconsciente de se aceitar. Esse foi o grande barato do personagem.

Qual foi a preparação para a emocionante cena de luta no final?

Cassio: Ah (risos). Isso foi feito num dia, demos orientações na hora, treinamos na hora. Tanto que erramos, tomei um soco no meio da testa (risos). Contracenando com o André, que é pequenininho (risos).

Denise (interrompendo): ...e aquela cena com a Marisa em que ela fica me batendo? Eu falava pro Torero “não, pode fazer” e eu falava pro Torero daquele plano, quando eu apanhava e ia com a cabeça pra trás (risos). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:13 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte V

Dá um certo frescor contracenar com gente que não é da área, não é treinada como o André (Abujamra, ex-Karnak)?

Cássio: Não, não tem muita diferença. Nesse caso, com o André, pelo contrário, acho que a gente não teve problema algum, a gente se deu super bem. Com a Marisa a gente teve mais contato, mas com o André, eu o considero um ator, se precisar fazer, vai fazer, é uma grande figura.

Vocês chegaram a trabalhar com o Paulo José?

Cássio/Denise: Não.

Denise: Seria uma honra...

A imagem da Denise Fraga é veiculada nacionalmente na televisão, antes com o Retrato Falado e agora com o Fazendo História (ambos quadros do Fantástico). Você pensou em tentar desvincular essa imagem junto ao trabalho com o Torero para esse filme?  Dessa Denise que todo mundo conhece.

Denise: Engraçado, né? A personagem que menos me interessa é essa, a Denise Fraga (risos). A profissão é se esconder, é viver essas várias vidas, enfim. Eu não fiquei preocupada, como a Laura (sua personagem em Como Fazer Um Filme de Amor). A mesma sensação, a mesma respiração, a possibilidade de fazer algo diferente é grande. Quando você estuda um roteiro de cinema, eu mesma marco todo o meu roteirinho, coloco o sorrisinho, o que eu tenho que fazer na cena.

A sua memória então é mais no sentido corporal do que racional?

Denise: Naquele momento, a minha sensação era essa. Por exemplo, na cena do hospital e tal.

Havia abertura pra vocês chegarem ao Torero e mudarem alguma coisa?

Cássio: Ele sempre teve e sempre terá um jeito dele. O que acontece é que estava tudo pronto.  

Denise: Ele tem uma forma muito racional de te convencer a fazer aquilo.

Cássio: Se houvesse alguma movimentação ou diálogo, mesmo já na filmagem, que seria melhor pro personagem, com certeza ele teria deixado.  

É possível criar em cima de um mau roteiro?

Denise: Quando a gente vê um mau roteiro, a gente tenta salvar (risos). Se o cara deixa a gente mexer, a gente vai pondo na boca aquilo de uma maneira.

Cássio: Sem dúvida, você mastiga de um jeito que tente ficar melhor. Agora no caso do bom roteiro, como é esse, é o que eu falei, você não tem muito que mexer, ele tá pronto. E com o roteirista dirigindo, com essa segurança, é bom.

Denise: Sabe o que eu acho que é um mau roteiro do ponto de vista de uma atriz? É quando você tem que ficar fazendo um esforço enorme pra lembrar o texto que você decorou, porque aquilo não condiz com o que o ator está dizendo. Uma coisa do bom roteiro, é um dos sintomas, tá? Não é uma regra, mas quando você pega um roteiro que é redondo, bem escrito, é azeitado, tem um óleo, ele corre sozinho, você decora aquilo com mais facilidade. E o que o ator tá dizendo, você vai se lembrar do que dizer pra ele. Uma coisa leva à outra. Mesmo que ele queira dizer algo completamente “mirabolicamente”, ele conseguiu fazer com que aquilo existisse organicamente. Outra coisa que a gente, entre os atores, chama de mau roteiro é a embocadura, é meio dá na boca, mas tem que tomar cuidado, porque às vezes você está buscando a embocadura da personagem, e não a sua. Por exemplo, eu tenho algum problema de dizer “puxa” (risos). Se tem um “puxa” no roteiro, quando ele cabe na personagem eu deixo, mas quando não combina, é a primeira coisa que eu tiro (risos). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:11 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte VI

Tem como não aceitar o papel num mau roteiro?

Denise: A partir de um roteiro mau escrito, mas se você quer muito fazer o trabalho, você pode dar uma pensada naquilo. Eu não sei como é pra você, Cássio, mas quando há muitas orações subordinadas, porque as pessoas não falam assim, sabe (risos)...

Cássio: Mas isso não significa que você não deva ajudar. Tentar transformar em algo mais agradável.

É mais fácil trabalhar com o marido?

Denise: A gente tem dado muito certo, temos feito um bom trabalho, tem rendido ótimos frutos. Das coisas cotidianas, a gente tem o mesmo olhar, tem pontos em comum, de comédia meio emocional. A gente trabalha muito falando, dá certo. Há um respeito, cumplicidade, um com o outro.

Ele (Luiz Villaça) viu o filme?

Denise: Viu, ele gostou.

Você são atores, sempre estiverem à frente das câmeras. Vocês já pensaram em estar por trás das câmeras, dirigindo?

Cássio: Não, acho que pra realizar isso ainda é uma coisa meio crua, meio distante. Já pensei, mas existe ainda uma insegurança, é meio confuso ainda. Não que eu não tenha capacidade de fazer, mas...

Denise: Eu nunca pensei em dirigir não, mas gostaria de fazer um filme pra ser a “pitaqueira oficial” contratada pra dar opinião (risos). Acho que hoje há um ligeiro gosto em mim em dirigir ator, pela temporada em teatro, sabe, pelas coisas que você vai descobrindo, vendo um ator trabalhando retrato ou mesmo em cena, determinada cena poderia ter ficado melhor, então eu sinto que isso é uma coisa que brotou em mim há pouco tempo. Mas essa coisa de plano, de eixo de câmera e tal, isso não me dá vontade, não (risos). Talvez pro teatro. Ou co-dirigir.  Eu gostaria de dirigir ator. Gente, uma observação. Coloquem nas suas matérias que a primeira semana do filme é fundamental e que o cinema nacional agradece. Se a gente consegue fazer bem uma semana, aí vem outra e tal. É importantíssimo o apoio de vocês.

E vocês estão envolvidos em novos projetos?

Denise: Por enquanto a peça que vai viajar outras cidades e os quadros para o Fantástico.

Cássio: Tô envolvido na novela (Começar de Novo, da Globo) e tô com um texto do Torero mas não comecei a mexer, mas pretendo produzir, não vou atuar. É uma versão de Romeu & Julieta, mas não vou atuar. Vamos ver como eu me saio, com uma visão de fora, de produtor.

Digitação e introdução por Gerson Shiroma. Fotos e Revisão por Carlos Eduardo Corrales. Amanhã você confere aqui a resenha do filme. Não perca!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:07 PM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – José Roberto Torero (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte I

            Numa entrevista bastante tranqüila num hotel em São Paulo, o diretor José Roberto Torero falou de sua estréia em longas-metragens e da emoção de trabalhar com sua atriz preferida, Denise Fraga, além de alguns projetos futuros e, é claro, cinema.

Você, como diretor, recebeu alguma influência de algum cineasta que você admira?

José: Ah sim, de vários. Woody Allen gosto muito. Do Etole Scola eu gosto bastante.  Ingmar Bergman também.

Tem muito do Mel Brooks aí também, né?

José: Ele fez bastante paródia, né. É, eu tenho um pouco. Mas o jeito de filmar, é mais (pensativo)... lá tem bastante plano seqüência narrativo, que não é um plano seqüência virtuoso. Sabe, o primeiro plano de A Marca da Maldade (de Orson Welles), tem a câmera no alto, sabe, não sei se vocês viram, mas a cena começa em Paris e termina em Londres, com explosão, é um negócio sensacional. É esse tipo de plano seqüência narrativo, tipo (os filmes de) Woody Allen. Tudo bem que é um plano seqüência, mas fica bem na tela. O (Ingmar) Bergman também faz muito isso.

E humor também né? Monthy Python, por exemplo...

José: Sim, tem humor nesses filmes (risos). Não lembro o jeito exatamente o jeito de filmar, mas é mais ou menos isso. Mas o humor acho excelente, muito bom.

Falando em como foi o processo (de fazer o filme), você viu muitas comédias românticas pra verificar se realmente a fórmula iria se repetir. Antes disso, você era um “consumidor” de comédias românticas? Como espectador mesmo...

José: Olha...de comédia romântica nem tanto, na verdade ele (o filme) é mais uma comédia que uma comédia romântica. É uma comédia sobre comédia romântica (risos). Não deixa de ser uma comédia romântica, de certa forma... Eu acho que quem for desavisado pro cinema ou mais desligado vai achar que é uma comédia romântica. Isso é bacana. Tem uma cena aqui, outra ali, tem uma vilã, tem sempre os maus que acabam punidos no final, o espectador “normal” vai achar que é uma comédia romântica,  o outro mais “esperto” vai ver que é uma crítica que revela a estrutura de uma comédia romântica e tal, vai se divertir mais.

As pessoas quando vão assistir a uma comédia romântica procuram se identificar com alguém no filme, com algum personagem. Ao mesmo tempo, você procurou tirar proveito desses clichês e jargões típicos desses filmes como uma forma de crítica. Como você fez pra equilibrar essas duas coisas?

José: Bom, tem a Denise, uma atriz que já é bem conhecida e que vive uma personagem de classe média-baixa e que tem uma mãe cega e simpática. É um golpe baixo, né? (risos)

(cortando) Você brinca com a cegueira dela o filme inteiro.

José: (risos) Pois é...Então, o cinema vai disso, em mulheres. Aquele número que aparece no filme, 54% do público, é real. 54% do público que vai pro cinema é feminino. E os homens que vão, desconfio, os outros 46% são carregados (risos)...A mulher é quem comanda...

Esses dados são do cinema em geral ou outros filmes de comédias românticas?

José: Não, são do cinema em geral. Comédia romântica, então, é pior (risos). Tem essa diferença.

E você fala dessa incapacidade de imitação do filme?

José: Então, tem essa questão do conflito amoroso, esse lance de conflito amoroso não tem jeito, eu caio. Você bota lá (na tela) e fica torcendo, se vai acabar junto, mesmo sabendo, inconscientemente. Você sabe que eles vão acabar juntos, mas você torce, não tem jeito. Olha, Retrato Falado (quadro do Fantástico em que o diretor é o roteirista e Denise Fraga é a protagonista) que eu faço de monte e eu sei que funciona, é um golpe que sempre dá certo. Então tem isso, naturalmente tem essa fase que desperta o espectador de ver o filme e a outra coisa é que gera identificação, curiosidade, humor e surpresa, que laça o espectador, né? Se eu colocar algumas surpresas, de vez em quando, acorda o pessoal, funciona. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:31 AM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – José Roberto Torero (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte II

Você falou do Retrato Falado... o jeito de fazer, a (atuação) Denise, a construção estética. Você trouxe muita experiência desse quadro (para o cinema)?

José: A construção estética não, porque é diferente (cinema e TV). Eu pedi uma coisa ultra-romântica pro meu diretor de arte. Muito colorido, meio (Pedro) Almodóvar, sabe? E eles fizeram mesmo. (risos) Quando eu vi a parede verde da casinha dela e tal, ficou muito bom, acabei me acostumando com a idéia. O quarto lilás, com listrinha. É muito mais “doce” do que o Retrato Falado.  Tem até um humor cheio dessas coisas. E tem os detalhes, o da Santa Luzia (a santa dos cegos), quadro do olho, tem várias piadinhas, roupinha com bolinha branca no final. O filme foi realizado em 2002, foi de 11/11 a 12/12 de 2002, bem antes do Fazendo História (outro quadro para TV). Mas acho que o que ajudou mesmo foi o verbo. Sabe, o cinema brasileiro tem disso. Aquele tipo de expressão, de verbo, que não se encaixa, tipo “ei, pare com isso, não está correto o que você está fazendo comigo?” (risos) De tanto fazer isso, já sei como é a Denise. Isso ajudou bastante.

E em quantas salas?

José: Eu acho que estréia em 27 salas, em seis cidades, mas não nos chamados multiplex, que estréia em todos os lugares ao mesmo tempo. Então vai ser São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Santos.   

Só completando, São Paulo tá estreando a Mostra (maior evento cinematográfico do ano na cidade). Houve algum erro de planejamento ou um acaso, porque a estréia do filme vem junto com a Mostra?

José: É, não teve jeito. Se sai da (época da) Mostra, tem algum filme gigante, com 300 cópias. O que salvou um pouco foi que a gente vai estrear no meio da Mostra (o evento vai de 22/10 a 4/11), não no começo. Vai entrar no dia 29 (de outubro). Mas não se divide tanto o público, acho que tá no meio do popular com o erudito, o sofisticado, o filme “cabeça”.

Você pensa em fazer um filme diferente, talvez de brincar com o humor, de reconstruir algumas regras, algum clásico.

José: É verdade...a gente não consegue imitar o que o cinema americano faz. A gente não consegue imitar, fazer igual, tem que ser diferente, do nosso modo. A gente não consegue fazer um faroeste, sabe?

(interrompendo) O cinema argentino agora faz.

José: É, eles conseguem fazer algo mais próximo, mais tradicional. A gente não consegue imitar. O Cidade de Deus mesmo é diferente. A pornochanchada, por exemplo, não é erótico, é um filme diferente. Teve um filme chamado “O Bacalhau” que fez muito sucesso lá em Santos e era uma paródia do filme Tubarão (risos). E era muito engraçado, a gente vê com um certo distanciamento. É feito do nosso modo, eu gosto disso, eu acho bom.

E como foi o critério para a escolha do elenco? A Denise, o Cássio, a Marisa...

José: Tinha que ser bom. em diretor que gosta de caçar atores totalmente desconhecidos, como o Beto Brant (de O Invasor e Os Matadores), Roberto Moreiro. Mas eu me sinto inseguro (com isso). Por exemplo, a Denise eu sei quem é, como é, escrevi o filme pensando nela, feito pra ela, nas férias dela. Então eu fiz o filme pensando na minha primeira estrela. Se fosse, por exemplo, a Mariana Ximenez, a vilã e o mocinho teriam que ser mais novos. A primeira então foi a Denise. Eu fiz uma pesquisa entre as moças e o Cássio (Gabus Mendes) teve uma boa aceitação, é um cara bacana, bem humorado. Como era um filme de pouco orçamento, tinha que ser uma turma a fim, sabe, do tipo “vamos azer o filme” (risos). Não tinha como ser um Clark Gable (astro do clássico E O Vento Levou). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:29 AM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – José Roberto Torero (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte III

Você já tinha trabalhado com todos?

José: Bom, o Cássio já tinha feito Retrato Falado com a Denise, o Paulo José já várias vezes, o André Abujamra não sei, acho que não. No caso do Paulo José, eu pensei nele desde o começo, já tinha trabalhado com ele em curtas, e pensei nele como o narrador (do filme). O cara é sensacional, dá idéias boas, é inteligente, entende todas as piadas e inventa outras novas. A Marisa (Orth) e o André eu escolhi meio que ao mesmo tempo. Eu fui pra (Festival de) Gramado, em 2002, e jantei com eles, até então não tinha escolhido ninguém. E eles fizeram tantas piadas malvadas, assim, durante o jantar, alfinetadas, que... puxa vida, são os vilões, são muito malvados, muito bom, pensei! É um pretenso humor, ácido, no dia não falei nada, daí quando a gente voltou, falei com a produtora, ela achou uma boa idéia e eu fui, falei e eles toparam. Deu peso, melhorou muito.   

No material de divulgação do filme, no seu novo trabalho, você coloca que há humor, metalinguagem e Paulo José. Como vocês fizeram uma vide bula, seriam esses os ingredientes do filme? Essa seria a fórmula do Torero?

José: Paulo José nem sempre, infelizmente (risos)...metalinguagem também não. Humor quase sempre, em graus diferentes. Na Folha (de São Paulo, onde Torero escreve), há humor, principalmente em dias que estou de mau-humor. (risos) Metalinguagem é mais no sentido de quebra de fantasia, acho mais inteligente. É igual quando você lê um livro, um romance ou vê um filme e você entra na história. Acho mais inteligente quando você quebra isso. Você vê o filme o tempo todo sabendo que tá “vendo” o filme, não vive o filme, Bretch, Machado de Assis, Stern, essa turma que eu gosto. Isso gera reflexão, o cara pensa mais, acho isso bom. Tem uma coisa de honestidade, tentar apelar mais pra razão que pela emoção e tal, e permite mais jogos. Se você tá preso a fantasias, você não pode fazer algumas coisas, você tem que respeitar aquela situação. Agora se tem um narrador ali, sempre presente, você pode brecar e voltar, sabe. Numa comédia romântica, se você faz isso com a Meg Ryan e o Tom Hanks, o público vai ficar irado, não vai gostar do filme.

E você chegou a tentar alguma parceria com a Globo Filmes

José: Eu tenho, mas é uma parceria “B”, que te dá um desconto em comerciais, paga menos em comerciais, na prática é isso, e tem os anúncios na TV. Tem a coisa do preço. Se vai mal, entendeu. Como eu tô lá, eu consegui.

Bom, Torero, você é um cara multimídia, já escreveu em revista, na Placar, em jornal, já fez sete curtas...

José: Seis.

...seis curtas, faz roteiros e essa foi sua estréia em longas-metragens. Dessa mistura toda, qual foi a principal diferença entre eles? Isso aqui eu gosto mais de fazer e tal. Você se sente mais diretor, jornalista, roteirista, o quê?

José: Olha, acho que todo mundo é multimídia. Todo mundo lê, vê filme, não é uma coisa especial. E desde sempre, desde o século passado. O Machado (de Assis) escrevia em livro, fazia peças. Shakespeare, por exemplo, escrevia poesia, se tivesse televisão, provavelmente ele também faria, é comum. No fundo, é tudo contar historinha, não é uma coisa tão absurda. Mas são técnicas diferentes. Fazer roteiro é uma coisa que talvez esteja mais ou menos próximo de fazer um livro. Acho que tem isso de igual, é contar história. Mas dirigir já é bem diferente. A técnica é que é direrente.

E também fazer um curta ou longa também requer um preparo diferente, edição, tempo, equipe, escolha de locações, roteiro...

José: É, meio tudo é um bolo, é uma cozinha, tá tudo ali.

E você pensa no futuro continuar fazendo longas?

José: Não sei (pensativo)...tem um que eu gostaria de fazer, que é Como Fazer Um Filme de Aventura, porque um filme de herói tem uma fórmula fixa, talvez até mais fixa e mais conhecida do que um filme romântico (risos). Talvez fosse divertido de fazer. E tem idéia de fazer o Terra Papagaio, que é um livro meu, do descobrimento do Brasil, mas aí é um filme caro, o roteiro tá feito, no mesmo concurso do Cidade de Deus. Eu e o Bráulio (roteirista), a gente fez curso e tal, mas aí é um filme caro. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:28 AM
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   Cinema – Entrevista Coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor – José Roberto Torero (entrevista realizada em 18 de outubro de 2004) - Parte IV

Tá em fase de captação?

José: Tá.

Tá orçado em quanto?

José: É um filme caro, tá orçado em 4 milhões. Eu só consegui fazer porque tem concurso. Os curtas que eu fiz, em 94, 95, já seria época de eu passar pro longa, mas como não tinha concurso público na época, não deu, só agora eu consegui. Agora, que tem as leis Rouanet, audiovisual, por captação e tal, você tem que ter contato, não importa se o seu roteiro é bom.

Você trabalhou tantos anos na Globo e na Folha, não te abriram portas pra conseguir esses contatos?

José: Nada. É muito melhor você ser primo do diretor de marketing. (risos)

Você colocou que o seu filme está entre o popular e o erudito. Você tá revelando os clichês e tal. O erudito tá procurando reflexão e o popular tá procurando empatia, sabe que vai encontrar esses clichês. Como é que fica?

José: A idéia é exatamente essa, a de satisfazer os dois públicos. O cara que vai atrás dos clichês e ganha um bônus e o outro que procura uma reflexão e recebe a repetição, umas piadinhas diferentes.

Você falou do lance de ser o primo do diretor de marketing. Isso vale também pra literatura?

José: É menos, bem menos. O concurso, da USP, que ajudou, eu mesmo fiz uma carta de apresentação, “eu de mim”, mandei e aí deu certo. Foi pra fazer um filme, dá uma credibilidade. Os concursos é que dão uma ajuda. É o meu caminho.

Você falou que o filme começou 11/11 e terminou 12/12.

José: E a produção começou 9/9 (risos).

Tem alguma numerologia nisso? Assim como no futebol, você tem suas manias?

José:  (risos) Isso começou com uma piadinha. Porque a gente ganhou o concurso no dia 9/9 (risos). Daí começa a produção, comecinho de setembro, aí falei assim “vamos começar 9/9”, caiu numa segunda, né...ah, tá bom, 9/9...e aí, deu certo, a piada acabou dizendo a verdade. O filme na verdade tinha terminado 11/12, mas ainda faltava aquela cena do hospital, aquele rabicho, então a gente terminou mesmo 12/12.

Você tá com quantos anos?

José: 41.

Pra acabar, a Denise vai estar sempre com você, vai ser uma parceira, assim como o Pedro Almodóvar, em que há um ótimo relacionamento com algumas de suas atrizes, como a Victoria Abril e a Carmen Maura?

José: Acho que sim, ela trabalha bem, é uma boa atriz, se for um papel pra ela, com a cara dela, sem problemas.

Digitação e introdução por Gerson Shiroma. Fotos e Revisão por Carlos Eduardo Corrales. Não perca amanhã a entrevista com Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes e na quinta, a resenha do filme.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:26 AM
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   Música - Shows – Bonded By Blood Thrash Fest (São Paulo – Led Slay – 22 de Outubro de 2004) - Parte II

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

O novo local escolhido para a realização do evento foi o tradicional Led-Slay, um dos mais antigos bares de rock da cidade, localizado na Zona Leste, com 32 anos de idade e muita história para contar. Por ele, já passaram nomes como Korzus, Gilberto Gil, Sepultura, Viper, Dr. Sin, Camisa de Vênus, Shaman, as primeiras edições do BMU e um momento especial com Zé Ramalho que reuniu 4000 pessoas no local em 1997, de acordo com o site oficial do evento. Aliás, se alguém souber como colocar 4000 pessoas dentro do Led-Slay, por favor me avise já que é difícil imaginar esse número lá dentro, mesmo após as recentes reformas que aumentaram o lugar. Outro ponto de interrogação é como um festival agendado para uma casa do porte do Via Funchal foi rebaixado para um bar que, por melhor e mais tradicional que seja, convenhamos, não é nenhum Via Funchal, nem em estrutura, nem em tamanho. Baixas vendas na primeira tentativa, talvez?

            O show estava marcado para começar às 20:00 hs, mas somente às 20:35 os portões foram abertos já que algumas bandas ainda passavam o som e apenas às 21:20 o evento começou. Esses atrasos infelizmente estão virando um péssimo hábito nos shows paulistanos e levou o show do Exodus a acabar por volta das 5 da matina.

O Andralls fez o papel de “novato” da noite dentre tantas feras do Thrash/Black Metal nacional e ficou encarregado de abrir o novo Bonded By Blood Thrash Fest. A banda também aposta em um Thrash/Death anos 80, com fortes influências de Slayer, Megadeth e Sepultura. Quando os caras subiram ao palco, a casa ainda estava bem vazia, provavelmente fruto do péssimo congestionamento em São Paulo, que fica ainda pior nas sextas à noite.

A banda fez um show de pouco mais de 30 min, onde tocou clássicos de seus três álbuns (sendo um ao vivo – meio cedo para um lançamento do tipo, não?). Todos os integrantes se movimentam e agitam bastante, com destaque para o vocalista Alex Coelho e o baixista Eddie C. No começo da apresentação, o som estava um pouco abafado, especialmente nas guitarras, mas a banda mandou bem com as músicas Hate, Terror Fetus, os covers Children of the Grave/War Pigs (do Black Sabbath em um medley bem legal) e Angel of Death (Slayer). Fecharam com Andralls on Fire, de longe a melhor música do Andralls, na minha opinião.

Uma grande expectativa cercava o show que viria a seguir: o Vulcano, uma das primeiras representantes brasileiras do Black Metal, ainda no começo dos anos 80. Para se ter uma idéia do pioneirismo, o primeiro trabalho, Om Pushne Namah, foi lançado em 1982, com letras enigmáticas em português e é uma das grandes preciosidades do som pesado nacional, em uma época em que ainda nem haviam revistas especializadas. A nova formação conta com Zhema (baixo – único remanescente da primeira formação), Angel (vocal), Arthur (bateria), André e Passamani (guitarras).

            Quando o Vulcano subiu no palco, às 22:10, o Led-Slay já estava bem mais cheio, mas não chegou a lotar (o que não aconteceu nem para o Exodus) e a banda soube retribuir toda a expectativa do público paulistano com muito profissionalismo, garra e competência em um ótimo show de 40 minutos onde não faltaram clássicos como Bloody Vengeance, Fallen Angel, From Beyond e Guerreiros de Satã. É difícil falar do Vulcano sem mencionar o carisma de Angel e Zhema, que não param de agitar um minuto sequer e fizeram um dos melhores shows da noite. Parabéns à banda e ficamos na expectativa por um novo trabalho de estúdio.

A banda que viria a seguir no festival, era o Death Tribute, um projeto encabeçado por Bruno Sutter, inclusive com o aval da mãe de Chuck – que se tornou praticamente uma celebridade no meio Metal desde a morte de Schuldiner. Durante o show, Bruno esclareceu também que a banda gravará um tributo ao Death/Control Denied em CD no ano que vem. Ótima notícia para os fãs da carreira musical de Chuck, especialmente pela competência impressionante do Death Tribute. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:28 AM
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   Música - Shows – Bonded By Blood Thrash Fest (São Paulo – Led Slay – 22 de Outubro de 2004) - Parte III

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

             Um problema na bateria de Nando atrasou o início da apresentação em mais de uma hora, mas com tudo resolvido, os caras despejaram uma tonelada de clássicos de todas as fases do Death: Symbolic, The Philosopher (essa não precisou nem ser anunciada para abrirem as rodas), Scavenger of Human Sorrow (excelente versão), Overactive Imagination e o mega-clássico Spiritual Healing com a participação especial de Andreas Kisser (Sepultura, que concedeu uma exclusiva para o DELFOS há algumas semanas e que será publicada aqui em breve). Infelizmente, durante a apresentação de Andreas, uma boa parcela do público começou a chamá-lo de traidor para baixo. Posso apenas imaginar a moral que alguém tenha para chamar uma pessoa que fez tanto pelo Metal nacional de traidor. Problemas à parte, o show foi excelente e surpreendeu bastante quem só conhecia o trabalho de Bruno como humorista do programa Hermes e Renato: o cara manda muito bem no vocal gutural e o baterista Nando, apesar dos problemas iniciais com a bateria do show, foi impecável e mostrou muito bom humor e carisma, especialmente quando depois da apresentação, desceu para a pista e conversou com todos, sempre com um largo sorriso no rosto. Para quem é fã de Death e Control Denied, é um prato cheio.           

           Mais uma longa pausa para a troca de instrumentos (e mais um problema na bateria) e os veteranos do Atomica (sem acento mesmo, mas a banda era conhecida como Attomica até algum tempo atrás), entraram no palco quase à meia noite. Eles começaram em 1985 na cidade de São José dos Campos e contam, da formação original, com João Paulo Francis (guitarra),  Mário Sanefuji (bateria), André Rod (baixo), e de uma formação mais recente, Fábio Moreira (vocais) e João Márcio Francis (guitarra).

No começo do show, o som da guitarra estava inaudível, mas a partir da segunda música as coisas melhoraram. A banda tocou clássicos de seus três discos, com destaque para Ways of Death, Dying Smashed, Flesh Maniac, o clássico The Chainsaw e fecharam a apresentação com Forbidden Hate do álbum Disturbing the Noise. O destaque máximo vai para o baterista Mario Sanefuji, dono de uma precisão impressionante.

            A noite estava quente e mais uma banda experiente viria a seguir. Os paulistanos do Korzus subiram ao palco para apresentar ao público do Led-Slay músicas de seu mais recente e aclamado trabalho, Ties of Blood, além de vários clássicos dos mais de 20 anos de carreira e posso afirmar, sem dúvida, como essas duas décadas fizeram bem pros caras. Marcelo Pompeu (vocais), Sílvio Golfetti (Guitarra), Dick Siebert (baixo), Heros Trench (guitarra) e o novato, Rodrigo Oliveira (bateria), sabem como fazer um show e não deixar o pessoal parar um minuto em um set empolgante.

            As músicas do novo álbum ganham uma energia absurda ao vivo e a banda mandou ver com Respect, What are You Looking For?, a clássica Catimba e Punisher. Mas o momento mais inesperado da noite ocorreu quando Pompeu chamou um convidado especial que faria um número com eles aquela noite (embora o Corrales, que tirou as fotos que você vê ilustrando essa matéria, tenha comentado pouco antes que isso poderia acontecer). Todos esperavam por João Gordo ou Andreas Kisser, mas quem subiu ao palco foi ninguém menos que Andre Matos, o vocalista do Shaman e ex-vocalista do Angra, que gravou a faixa Evil Sight com a banda para o Ties of Blood. Quando André subiu no palco, ninguém sabia muito bem qual seria a reação dos bangers mais fanáticos em relação à sua participação especial, já que até Andreas teve que encarar a ira do pessoal. Mas tudo correu muito bem e ele foi bem aplaudido cantando uma versão ao vivo pesadíssima de Evil Sight, sem dúvida uma jam histórica para um festival de Thrash Metal. Para finalizar o show, a banda mandou uma versão muito legal de Raining Blood (Slayer) com participação especial de Alex Coelho (do Andralls) e Steve Esquivel, o novo vocalista do Exodus, dando uma pequena palhinha do que estava por vir.

            Mais um intervalo de meia hora e finalmente os estadunidenses do Exodus se apresentariam novamente em São Paulo. A última vez foi em 1998, na turnê de reunião com o falecido Paul Baloff. Sem introduções gigantescas ou show de luzes, os caras entraram no palco cumprimentando a todos e começaram com Scar Spangled Banner, um dos novos clássicos da banda do último trabalho de estúdio. Continua abaixo...

Fotos: Carlos Eduardo Corrales



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:26 AM
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   Música - Shows – Bonded By Blood Thrash Fest (São Paulo – Led Slay – 22 de Outubro de 2004) - Parte IV

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

            Alguns releases entregues à imprensa, diziam que haveria a participação especial do guitarrista Frank Gosdzik (Ex-Kreator e Sodom) e informavam que a banda tocaria o clássico disco, Bonded By Blood, na íntegra, mas na prática nenhuma das duas coisas aconteceu, mesmo que eles tenham tocado várias músicas deste álbum, como a faixa-título, Piranha (versão maravilhosa), Exodus, A Lesson in Violence, And Then There Were None, além de músicas dos outros trabalhos como Pleasures of the Flesh e Brain Dead. O show também contou com a nova War is My Sheppard, em um discurso claro contra a política genocida de George W. Bush.

            Steve entrou na banda há menos de um mês, e acabou precisando recorrer à ajuda de um papel com as letras das músicas. Mas para quem entrou há algumas semanas com uma baita responsabilidade nas costas, ele superou as expectativas, além de ter um timbre de voz que combina com o Exodus e um carisma muito grande. O show teve pouco mais de uma hora e meia, e a banda mandou no bis os clássicos The Toxic Waltz (que ficou demais) e finalizou com Strike of the Beast.

Os destaques vão, com certeza, para o guitarrista Rick Hunolt e o baixista Jack Gibson. Gary Holt, apesar de ser a grande mente por trás do Exodus, tem uma postura mais discreta em cima do palco. O novo vocalista, Steve, é um excelente frontman para essa nova fase e só precisa de mais alguns ensaios para ficar perfeito na função e consolidar o lugar conquistado. Uma pena que no final ele me vem com um “Gracias, São Paulo”. Pô Steve, gracias? E a capital do Brasil é Buenos Aires, certo?

Um fato lamentável que não posso deixar de citar é a atitude dos dois seguranças que ficavam nas laterais do palco. A questão é que, obviamente, em um show de Thrash Metal, é comum a invasão de palco ou stage-diving (inclusive Steve puxava os fãs para cima do palco, realizando o sonho de muitos headbangers de ficarem perto de seus ídolos) mas os seguranças não enxergavam isso com os mesmos olhos e era só alguém subir para os brutamontes darem uma chave de braço no pobre indivíduo, tratando-o como se fosse um marginal (verdade seja dita, atitude comum em seguranças). Pior ainda, empurrar um cara que estava de costas para ele (virado para a platéia) para fora do palco com toda a estupidez possível. Acontece que o palco do Led-Slay é bem alto (deve ter uns três metros), tanto que poucos se arriscavam no stage-diving, mas os caras pareciam não se importar muito e literalmente empurraram de volta algumas pessoas que tentavam escalar o palco para chegar à banda. Por sorte não aconteceu nada de grave mas fica a pergunta: e se alguém realmente se machucasse? Ou pior, e se o indivíduo cai de cabeça e morre? Pode ter certeza que aqui no DELFOS nós não abafaríamos um caso desses como a grande imprensa costuma fazer.

Imprevistos e atrasos à parte, o Bonded By Blood Thrash Fest foi um excelente festival para os fãs do Thrash Metal e uma ótima oportunidade para os fãs nacionais conhecerem o trabalho de tantas bandas brasileiras legais, além de presenciar um ótimo show do Exodus. O ano de 2004 está realmente sendo diferenciado para os fãs tupiniquins do Metal. E que venham mais shows clássicos. O público brasileira aguarda. Veja mais fotos abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 1:23 AM
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   Música - Shows – Bonded By Blood Thrash Fest (São Paulo – Led Slay – 22 de Outubro de 2004) - Mais fotos do Exodus

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

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 Escrito por Bruno Sanchez às 1:21 AM
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   Música - Shows – Bonded By Blood Thrash Fest (São Paulo – Led Slay – 22 de Outubro de 2004) - Mais fotos das bandas de abertura

Fotos: Carlos Eduardo Corrales

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Fotos: Carlos Eduardo Corrales

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 Escrito por Bruno Sanchez às 1:14 AM
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   Cinema – Menina dos Olhos (Jersey Girl – EUA – 2003)

            Nos anos 90, um “casal” começou a aparecer na tela dos cinemas estrelando muitos (todos na verdade) filmes dirigidos pelo “nerdmaster” (segundo os próprios nerds) Kevin Smith, como Dogma, Barrados no Shopping e muitos outros. Esse “casal” era Ben Affleck e Matt Damon. O início dos anos 2000 trouxe o “divórcio” dos dois seguido do tumultuado casamento de Ben com Jennifer Lopez formando a dupla dinâmica carinhosamente chamada de “Bennifer”. Provando qual dos dois gostava mais, Smith deu um pé na bunda de Damon (ou seria o contrário?) substituindo-o por Lopez em todos os seus novos filmes (embora Matt ainda faça uma ponta em Menina dos Olhos). Isso até que Contato de Risco se tornou um dos maiores recordistas em Framboesas de Ouro (prêmio que homenageia os PIORES filmes do ano) da história, levando Kevin a fazer de tudo para diminuir a participação de Lopez em seus filmes. E para conseguir o que quer, ele faz qualquer coisa. Até matá-la!

            Essa introdução sinistra foi apenas para chamar sua atenção e fazer você ler o resto da resenha, embora tudo nela seja verdadeiro. Até a parte do assassinato. Mas não se assuste, amigão. Lopez morre apenas no filme (e logo no começo, então não precisa me xingar por ter contado o final do filme), deixando o maridão Ben Affleck (que no filme se chama Ollie Trinke) sozinho para cuidar da filhota recém-nascida.

            Menina dos Olhos é uma comédia romântica com um toque nerd (cortesia de Kevin). Curiosamente, a distribuidora Lumiere optou por realizar a cabine deste filme um dia depois da sessão para imprensa de Como Fazer um Filme de Amor (que também é da Lumiere e cuja resenha você confere semana que vem aqui no DELFOS, junto com entrevistas com o diretor e elenco) que tem por objetivo justamente satirizar todas as comédias românticas demonstrando todas as suas fórmulas de roteiro. Parece até que a distribuidora quis usar Menina dos Olhos para provar a veracidade do outro filme. E está tudo presente aqui. Desde “o primeiro encontro tem que ser hostil” até o número musical do final. Bizarro é pouco.

            Como não sou muito fã de comédias românticas e devo ser um dos poucos nerds que não idolatra o Kevin Smith, achei o filme bem chatinho. Confesso que dei umas risadas aqui e ali, mas nada que valesse os salgados 16 reais do ingresso do cinema em São Paulo. Acho que está mais do que na hora dos roteiristas de Hollywood (que no caso é o próprio Kevin) saírem um pouco das fórmulas que eles mesmos criaram. E com isso não me refiro ao final feliz, pois isso é essencial para o grande público sair feliz do cinema, mas à forma com que o roteiro chega nele. Faça o teste. Assista Como Fazer um Filme de Amor e, logo em seguida, assista Menina dos Olhos e você vai ver quão previsível o cinema está ficando. Pois é, “nerdmaster”. Dessa vez você ficou devendo.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:34 PM
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   Cinema – Com a Bola Toda (Dodgeball – A True Underdog Story – EUA – 2004)

            Pelo trailer e sinopse, este filme parecia ter muito potencial por ter a proposta de mostrar a queimada pelo que ela é: “um esporte selvagem e de exclusão” segundo a definição dada no próprio filme. Gozado que eu sempre pensei isso de coisas como Karate ou Boxe (por favor, não venham me encher o saco dizendo que são feitos juramentos para que isso seja usado apenas em legítima defesa, nós dois sabemos que juramentos não significam nada hoje em dia), mas nunca sobre queimada. E têm toda razão. Poucas coisas assustam mais um indivíduo do sexo masculino do que uma bolada caprichada em suas partes íntimas. E isso é uma das piadas mais recorrentes no filme, pau a pau (acredita que escrevi essa expressão sem me ligar no trocadilho?) com as famosas (e quase tão doloridas quanto) boladas na cara.

            Infelizmente, ao contrário da premissa inovadora, quando você lê uma sinopse da trama, a decepção é inevitável. Saca só: Peter La Fleur (Vince Vaughn) é um cara legal que tem uma academia decadente e deficitária. Por não poder arcar com suas dívidas, ele está em vias de perdê-la para seu vizinho White Goodman (Ben Stiller), dono de uma tremenda de uma academia, ou seja, é o vilão do filme. Para evitar a tragédia Peter e os membros de sua academia precisam levantar 50 mil dólares (ah, se fosse fácil assim conseguir esse dinheiro). E como fazer isso? Ora, se inscrevendo em um torneio de queimada, é claro. O problema é que nenhum deles sequer sabe como jogar queimada.

            E aí? Já adivinhou o final do filme? Aposto que você já sabe quais vão ser os dois times que estarão na final e já tem uma boa idéia de como será a disputa. E digo mais. Você já viu esse filme antes com a única diferença de serem outros esportes e objetivos para se arrecadar os prêmios. De Karate Kid a Space Jam, esse é basicamente um subgênero de filmes hollywoodianos, assim como as comédias de troca de papéis que só esse ano gerou dois representantes, De Repente 30 e Sexta-Feira Muito Louca (leia a resenha deste último em http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html).

            O press-release entregado na cabine deste filme (muito engraçado, por sinal) alardeia com orgulho que este vai entrar para a história como a primeira realização cinematográfica sobre queimada. Infelizmente, esse é o único motivo pelo qual ele vai entrar para a história. Pena mesmo, pois, exatamente como aconteceu com Garfield (leia em http://delfos.zip.net/arch2004-07-01_2004-07-15.html), Com a Bola Toda podia ser bem melhor caso tivesse um roteiro desenvolvido com mais cuidado,.

            Mas o que importa mesmo é se ele é engraçado, certo? A resposta é sim. Não é tão engraçado como um Procurando Nemo, Corra que a Polícia Vem Aí ou os filmes de Monty Python (leia a resenha de Monty Python em Busca do Cálice Sagrado em http://delfos.zip.net/arch2004-09-16_2004-09-30.html) mas sim, é engraçado e vale a pena ser assistido. Porém, esse tipo de filme é sempre mais divertido assistir na faixa em uma Sessão da Tarde ou algo do tipo do que gastar 16 reais para vê-lo no cinema. Enfim, se você não quiser esperar alguns anos até que ele passe na TV, vai fundo. Pelo menos algumas risadas você vai dar. E não saia até os créditos terminarem. O filme estréia no dia 22 de outubro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 11:59 AM
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   Cinema - O Espanta Tubarões (Shark Tale - EUA - 2004)

           Quem curte uma boa animação (ei, eu estou falando de desenhos, não daquelas festas em que você enche a cara até desmaiar!) não deve perder a nova produção dos estúdios DreamWorks, que tem como um dos diretores o ex-todo poderoso da Disney, Jeffrey Katzenberg.  O Espanta Tubarões é um desenho feito para crianças e adolescentes, mas com linguagem para adultos. É vero. Talvez esse seja o grande diferencial do estúdio em relação à Disney, que ainda insiste em fazer desenhos feitos apenas para crianças. Isso não é ruim, eu já fui criança um dia e adorava os desenhos da Disney, mas é preciso evoluir e isso a DreamWorks já percebeu. Por isso seus desenhos são melhores e mais acessíveis para crianças e adultos.

Mas vamos ao que interessa. Depois dos sucessos O Príncipe do Egito e os dois Shrek, chega a vez de outro desenho do estúdio se dar bem nas bilheterias, desta vez ambientado no mar (alguém aí pensou em Procurando Nemo?). Bem, eu assisti O Espanta Tubarões sem maiores pretensões e tive uma ótima surpresa. Agora, se você ainda não viu, vou deixar você assistir primeiro, ok? Depois, volte aqui e continue lendo o que este cinéfilo de carteirinha e eterno crianção escreveu. O que o DELFOS não faz por você...

 

E então, já assistiu? Beleza.

 

O Espanta Tubarões conta a história de um peixinho pobre, infeliz e falastrão (voz do rapper Will Smith, ex-Fresh Prince Of Bel-Air) que, do dia para a noite, vira a celebridade do oceano ao fazer todos pensarem que matou um tubarão. Como na vida real, o sucesso lhe sobre à cabeça e o protagonista do desenho se vê cercado de pessoas interesseiras, se esquecendo de quem realmente o amava antes da fama (preste atenção nos detalhes físicos e trejeitos de cada peixe, é a cara e a alma de cada ator que o dublou na versão original). Destaque para as atuações no mínimo irreverentes do genial diretor Martin Scorsese (aquilo seria um baiacu?) e do sempre estupendo Robert De Niro, aqui como Don Lino, o chefão dos tubarões (reparou na pinta e no jeitão de mafioso?). Depois de anos de parceria, Scorsese e De Niro finalmente trabalham juntos, só que, desta vez, contracenando. O desenho tem muitas qualidades, como o visual pra lá de colorido, contrastando com o azul do mar, trilha sonora que mistura Hip-Hop americano com o Reggae de Bob Marley e diálogos inteligentes. O que eu não gostei muito foi a condução do filme que, em determinados momentos, fica lenta e se apóia muito no talento dos seus dubladores, o que definitivamente não é bom, já que muitas crianças e outros desavisados não conhecem os donos das vozes dos peixes e não captam pequenas pérolas do roteiro (como o tubarão que fica amigo do peixinho, é vegetariano e...bem, deixa pra lá...).

No geral, O Espanta Tubarões é uma animação inteligente e que vale a pena você desembolsar alguns reais por uma hora e meia de pura diversão. Nos cinemas, estão sendo exibidas duas versões. Como eu já conhecia os atores, assisti a versão legendada e me dei bem. Agora, se você for levar seu filhote, é melhor arriscar a versão dublada, ok?

            Chegue cedo, compre a pipoca e bom divertimento. O Espanta Tubarões é mais um daqueles desenhos que a gente assiste sem maiores compromissos, ri bastante, torce pelo mocinho e ainda liberta o eterno espírito de criança que, cá entre nós, sempre existiu (não vem me dizer que não, coisa feia). Capice?



 Escrito por Gerson Shiroma às 3:46 AM
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   Cinema – O Espanta Tubarões (Shark Tale – EUA – 2004)

            Após o sucesso da Pixar com Vida de Inseto, a Dreamworks veio com Formiguinhaz. Obviamente, após o estrondoso sucesso do fantástico Procurando Nemo, a copiona não ia ficar calada e mandou ver com O Espanta Tubarões. Infelizmente, ao contrário da Pixar, que vem se superando a cada novo lançamento, a Dreamworks não parece fazer uma animação que preste a não ser que ela seja estrelada por um ogro e por um burro falante (leia o Especial Shrek em http://delfos.zip.net/arch2004-06-16_2004-06-30.html).

            A trama não tem nada de original. Parece uma mistura de Procurando Nemo com o também genial Coração de Dragão. Até os peixes são os mesmos  do filme da Pixar, porém sem a mesma graça. É o seguinte: Oscar é um peixe que trabalha em um lava-baleias. Lenny é um tubarão vegetariano (qualquer semelhança com o tubarão Bruce NÃO é mera coincidência) e filho do mafioso Don Lino. Acidentalmente, Oscar mata o irmão de Lenny e fica conhecido como o Espanta Tubarões. Lenny, por outro lado, quer fugir de casa, pois seu pai nunca aceitaria sua opção alimentícia. Então eles decidem trabalhar juntos, para sustentar a mentira de Oscar e fazer Lenny sumir. E isso é basicamente tudo.

            Uma das boas sacadas do filme é colocar as água-vivas (que “curiosamente” também têm um papel importante no filme do Peixe Palhaço) como rastafaris. Até a voz é de Ziggy Marley. Isso, infelizmente não foi suficiente para elevar o filme à altura de seu rival Pixariano ou mesmo do grande Ogro, o seu companheiro de casa.

            Sinceramente, talvez não tenha gostado desse filme por dois motivos. Primeiro, minhas expectativas eram altas demais. Segundo, tinha um casal pentelho atrás de mim no cinema que simplesmente estragaram o filme com a tradicional falta de Semancol paulistana, quando nem reclamações serviram para fazer os dois se tocarem.

            Infelizmente, isso impede que essa resenha seja tão detalhada como as tradicionais resenhas do DELFOS. Então, como estamos sempre pensando em você, o novo colaborador Gerson Shiroma escreveu uma resenha mais detalhada e com uma opinião completamente diferente da minha que você confere amanhã. Não perca, meu!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:00 AM
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   Cinema – Notícias – Novo Super-Homem finalmente ganha o seu protagonista. Ou não, quem sabe?

Depois de muita especulação e boatos falsos envolvendo nomes como Brendan Fraser (A Múmia) e o jovem Tom Welling (Smallville), o diretor Bryan Singer (que fez os dois X-Men) e os estúdios da Warner parecem ter finalmente escolhido o novo ator que viverá o Homem de Aço na nova versão para o cinema prevista para 2006. Ainda não é oficial, mas fontes próximas ao estúdio garantem: o escolhido foi Brandon Routh! Mas quem diabos é esse cara?

O ator de 25 anos nunca atuou em filmes e só participou com pequenos papéis nos seriados Undressed e One Life to Live, além de participações especiais em alguns sitcoms mais famosos como Gilmore Girls e Will & Grace.

De qualquer forma, não se assuste, afinal o Super-Homem definitivo, Christopher Reeve, também vinha de uma situação semelhante quando começou sua carreira nas telonas como o último filho de Krypton e vejam só, também tinha apenas suas 25 primaveras.

            A notícia vazou ontem na Internet pelas respeitadas páginas Latino Review, Superhero Hype! e Ain´t It Cool News, portanto temos tudo para acreditar que não se trata de mais um mero boato.



 Escrito por Bruno Sanchez às 8:46 PM
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   Cinema – Especial – O último vôo do Super-Homem: morre Christopher Reeve

A infância nos anos 80 me proporcionou crescer com heróis e vilões que dão inveja a qualquer pessoa que tenha nascido no final daquela década. Foram os Goonies, E. T., Indiana Jones, Thundercats, He-Man, as Tartarugas Ninja, o Batman de Tim Burton (sim, eu gostei dos dois primeiros filmes da série) e o Super-Homem do diretor Richard Donner.

O filme do homem de aço, apesar de lançado ainda no final dos anos 70 (1978), representou um grande ícone para a geração dos anos 80, afinal, foi a primeira vez que uma história em quadrinhos foi levada com sucesso para o cinema, com efeitos especiais de ponta para a época e bons atores nos papéis principais. Entre esses atores, destacaram-se os já experientes Marlon Brando como Jor-El, Gene Hackman – ótimo no papel do vilão Lex Luthor, e uma nova cara, um então jovem ator de 25 anos no papel de Clark Kent/Super-Homem, é óbvio que me refiro a Christopher Reeve, falecido no último dia 10 de Outubro e para quem preparamos uma pequena homenagem Delfiana, relembrando um pouco de sua vida e obra.

Reeve nasceu em 25 de Setembro de 1952 em Nova Iorque, mas cresceu em Princeton (Nova Jersey) ao lado da mãe e do irmão Benjamin. Desde cedo, o futuro Super-Homem já trabalhava como ator em pequenos papéis no teatro e pontas em séries de televisão, enquanto estudava na Universidade de Cornell.

No seu último ano de faculdade, foi selecionado, juntamente com outro grande ator que também estava começando: Robin Williams, na famosa Juilliard School of Performing Arts de Nova Iorque, onde conseguiu papéis mais importantes nos filmes Gray Lady Down e na série de TV Love of Life. Os dois papéis impulsionaram a carreira do ator que, um ano depois, foi convidado por Richard Donner para estrelar o filme do Homem de Aço no papel principal.

O resultado não poderia ter sido melhor: o filme teve uma ótima recepção nas bilheterias e a carreira de Christopher deslanchou de um semi-anonimato para a glória total com direito a nome na calçada da fama e diversos prêmios. Mas Reeve sabia que, se não soubesse controlar sua carreira, seu nome ficaria ligado à imagem do Super-Homem para sempre e para evitar essa estagnação, começou a escolher, paralelamente à carreira do Homem de Aço que rendeu mais 3 filmes, papéis em dramas, filmes de suspense e romance e assim provar que não era apenas mais um rostinho bonito nas telas do cinema e que tinha um grande talento.

Em 1980, Reeve estreou o premiado Em Algum Lugar do Passado, dois anos depois participou de Monsenhor. Em 85 fez parte da primeira versão de O Aviador e em 1993 atuou em Vestígios do Dia, apenas para lembrar alguns de seus filmes mais conhecidos. Curiosamente, Reeve também preferiu deixar um pouco de lado sua carreira nos filmes de ação após os 4 filmes do Super-Homem e recusou o papel principal de O Vingador do Futuro (que foi para Arnold Schwarzenegger) e em outros filmes mais agitados.

Em 1995, veio a reviravolta que marcou para sempre a vida de Christopher Reeve: durante um concurso de hipismo, o ator caiu de um cavalo e foi parar, tetraplégico, em uma cadeira de rodas.

Apesar do grave problema, Reeve não desistiu de sua vida e passou a se dedicar em ajudar as pessoas na mesma situação: em 2002, ele fundou juntamente com a sua esposa a Christopher and Dana Reeve Paralysis Resource Center (infelizmente esses caras precisam passar por um tragédia para decidir ajudar os outros), além de escrever alguns livros sobre como conseguiu, com a ajuda dos parentes e amigos, superar o trauma e dar continuidade a sua vida, provando que um de seus talentos era transformar uma tragédia em oportunidade. Além disso, ele lutava com unhas e dentes pela liberação das pesquisas com células-tronco, já que este tipo de pesquisa poderia ajudar a recuperação de pessoas paraplégicas e tetraplégicas. Essa sua incursão rendeu até um episódio divertidíssimo de South Park, onde Christopher comia fetos para se recuperar.

Recentemente, na televisão, o ator participou da minissérie Smallville, onde, interpretando um cientista, ajudava o jovem Clark Kent a entender melhor os seus poderes. Certamente um dos papéis mais emocionantes e sentimentais em sua carreira e que fez os nerds do mundo inteiro delirarem. Ele ainda estava cogitado para fazer uma participação no novo filme do Super-Homem, que está sendo dirigido por Bryan Singer.

No sábado, dia 09/10, o ator sofreu uma parada cardíaca que o deixou em coma e no dia seguinte, o Super-Homem mais famoso da história faleceu, aos 52 anos de idade, em casa, cercado pelos seus familiares. Infelizmente, ao contrário do Super-Homem dos quadrinhos, dessa vez ele não vai voltar. Christopher Reeve deixou três filhos, uma esposa e a magia de ter nos feito acreditar que um homem poderia voar. Voe em paz, Super-Homem.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:39 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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