Delfos - Jornalismo Parcial
   Música – CD – Therion – Lemuria (Nuclear Blast – 2004) - Parte I

            Desde que comecei a gostar mesmo de música, sempre torcia para que alguma das bandas das quais gosto lançassem um CD de estúdio duplo. Finalmente isso aconteceu, com o último lançamento do Therion, Lemuria/Sirius B. Contudo, apesar de na Europa ele ter saído em uma versão especial limitada com os dois CDs em um só pacote e tudo como deveria ser, no Brasil a gravadora optou por arrancar alguns trocados a mais dos pobres amantes da música lançando os dois álbuns separadamente, com o exorbitante preço de 30 reais (na Galeria do Rock de São Paulo).

            A desculpa dos vendedores para esse preço é que o CD é em Digipack. Sabe o que eu penso disso? DANE-SE! Em nenhum lugar do mundo CDs em Digipack são mais caros do que os normais. Eles normalmente são apenas uma edição especial para recompensar os fãs que comprem o CD na primeira prensagem. Ora, entre pagar 20 reais em um CD normal e 30 reais em um CD Digipack (que nem faixa bônus tem), sou muito mais gastar apenas 20. Até porque se as caixinhas em Digipack quebrarem ou amassarem, você simplesmente não tem como trocá-las. O problema é que essa opção não foi dada para os consumidores, talvez até porque a própria gravadora sabia que sairia perdendo em lançar duas versões com preços diferentes, sendo que a versão em Digipack não traz nenhuma faixa bônus, como é costumeiro na Europa.

            Em todas as resenhas que li sobre os álbuns, apenas um texto foi publicado, abrangendo os dois trabalhos. Mas como são dois álbuns diferentes e cada um deles merece uma resenha própria, aqui você vai ler duas análises distintas. É claro que, como os dois foram gravados e compostos juntos e utilizando a mesma estrutura, muitas das qualidades e defeitos foram compartilhadas. Então vamos falar sobre isso antes de entrar nas músicas em si.

            Em primeiro lugar, devo destacar a orquestra que toca nos álbuns. Nada mais, nada menos que a famosa Orquestra Filarmônica da Cidade de Praga. Curiosamente, apesar de contar com a maior e melhor orquestra que já teve em seus álbuns, tanto Lemuria quanto Sirius B são álbuns muito menos orquestrados do que os anteriores. Isso se deve ao direcionamento mais Metal que a banda optou seguir dessa vez, deixando um pouco de lado aquelas músicas normalmente tristes e complicadas para fazer um som mais alegre e empolgante. Aí vai de gosto, mas acho bem provável que o Therion perca alguns fãs que gostavam da banda justamente por ela ser uma banda de Metal completamente diferente de todas as outras (a diferença continua, mas muito menos acentuada).

            Para coroar esse direcionamento mais Metal, a banda chamou Mats Levén (At Vance, ex-Malmsteen) para cantar alguns momentos onde uma voz mais agressiva era necessária. No passado, os álbuns da banda sempre contavam com um vocalista do estilo que mostrava seus dotes em uma música mais pesada, mas nestes álbuns, Mats canta em diversas faixas, aproximando a banda de vez do Metal tradicional.

            Uma certa volta ao passado também se faz presente aqui, com a volta de Christofer Johnsson aos vocais guturais em duas faixas. Outro que está de volta é o baterista que fazia as vozes limpas na época do Theli (1996), Piotr Wawrzeniuk. Eu, particularmente, não gosto muito do timbre de sua voz, mas ele canta alguns dos melhores momentos dos álbuns, como o refrão de Lemuria, por exemplo.

            Aliás, em timbres vocais, o Therion parece ter perdido um pouco nos novos lançamentos. Além de Piotr e de Mats (anteriormente a banda trabalhou com vocalistas do nível de Hansi Kursch  e Ralf Scheepers), a soprano que mais faz solos, chamado Anna-Maria Krawe tem a voz um pouco aguda demais e não tão agradável quanto as vocalistas que cantaram anteriormente com a banda.

            E já que estamos falando de defeitos, temos que reconhecer que a qualidade da gravação dos álbuns realmente não é das melhores. Muitas vezes o som (principalmente o vocal) fica completamente abafado, deixando difícil até mesmo entender as letras. O melhor exemplo disso é Typhon, uma espetacular composição cuja gravação tira boa parte de seu brilho. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:08 AM
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   Música – CD – Therion – Lemuria (Nuclear Blast – 2004) - Parte II

            Falando nas letras, justiça seja feita. O Therion manteve a altíssima qualidade que sempre teve neste quesito, continuando a falar de assuntos místicos e lendas através de pequenas obras de arte que, infelizmente, são ininteligíveis para grande parte das pessoas que escuta seu som.

            Um último defeito que quero comentar é em relação ao encarte nesta versão nacional. Tanto Lemuria quanto Sirius B trazem encartes lindíssimos. É sério, são possivelmente os encartes mais bonitos que já vi na vida, coisa para se admirar página por página mesmo. Infelizmente, por algum motivo bizarro, a gravadora resolveu colá-lo na caixa. Sim, é isso mesmo que você leu, o encarte é colado dentro do Digipack. Isso não só impede que você possa manuseá-lo e admirá-lo à vontade, como obriga você a segurar a caixa junto enquanto acompanha as letras e olha as figuras. O negócio é realmente desconfortável de segurar e acompanhar e foi uma verdadeira bola fora da gravadora. Confesso que não sei se a versão européia também é assim, mas isso é irrelevante, pois é ruim de qualquer jeito.

            Qualidades e defeitos gerais comentados, vamos falar agora exclusivamente do álbum Lemuria, que considero o mais legal entre os dois. A abertura com a ótima Typhon assusta um pouco para aqueles que esperavam um álbum na linha de Deggial e Vovin, pois é pesada, empolgante e alegre. Lembra bastante o som que a banda fazia no álbum Theli, quando começou a fazer experimentações com orquestras, até mesmo pela presença vocal de Christofer Johnsson no refrão, que é muito legal, mas mal pode ser ouvido direito, graças ao problema na gravação citado anteriormente.

            A música seguinte, Uthark Runa tem um dos arranjos corais mais fortes do álbum. Contudo, o refrão cantado pelo vocalista Mats Levén deixa um pouco a dever, não pela sua performance, mas pela própria melodia que não é tão agradável, ainda mais se compararmos com a parte do coral. Ainda assim, Uthark Runa é um dos grandes destaques.

            A seguir vem a maravilha chamada Three Ships Of Berik. Na minha opinião, a melhor música entre os dois álbuns, é talvez a música mais alegre já composta pelo Therion. Chega a lembrar até o estilo do Rhapsody, o que pode gerar alguns descontentamentos por parte dos fãs do lado mais gótico do Therion. Desnecessariamente, a música foi dividida em duas partes, sendo a parte 1 chamada de Calling To Arms And Fighting The Battle e a parte 2 (que é instrumental) chamada simplesmente de Victory. O desnecessariamente de algumas linhas atrás se deve à pequena duração de ambas as partes. A primeira dura mais ou menos 3 minutos e meio, enquanto que a segunda dura apenas 40 segundos. Ou seja, as duas partes somadas não são nem ao menos a música mais longa do álbum. A impressão que dá é que a banda optou por dividi-la em duas partes para criar a ilusão de que Lemuria não é um disco tão curto (tem apenas 42 minutos, conheço EPs maiores que isso). Apesar disso, Three Ships Of Berik é fantástica e ainda estou tentando me conformar com o fato de que ela não foi tocada ao vivo no Brasil (leia uma resenha detalhadíssima do show de São Paulo clicando AQUI).

            A faixa-título é a quinta faixa (que na verdade é a quarta música) e apenas agora chegamos à primeira balada do disco (o que é estranho, já que o Therion sempre investiu forte nas baladas). Essa é, possivelmente, a música dos dois álbuns mais próxima ao Therion que conhecemos e amamos e é outra das minhas preferidas. Seu refrão é simplesmente fantástico, daqueles que ficam marcados na cabeça na primeira ouvida.

            Depois de um início tão forte, a segunda metade do álbum não mantém o mesmo pique e uma esfriada é inevitável. O que não significa que a outra metade é ruim, pois ainda traz outras músicas muito legais, como a pesada Abraxas, que conta com um grito especial de Mats Levén que é para lá de empolgante. Outro destaque é a última música Feuer Overture/Prometheus Entfesselt que, talvez por ser cantada em alemão, tem um quê de Rammstein que a deixa bem interessante.

            Como já deu para perceber, Lemuria é um tremendo de um disco. Tem seus defeitos, é claro, mas as qualidades indubitavelmente os superam sem nenhuma dificuldade. Amanhã você confere aqui no DELFOS a resenha de Sirius B e uma conclusão final sobre os dois trabalhos. Não perca!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:06 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Parte I

            Os fãs paulistanos de Queen estão muito bem servidos. Se infelizmente não teremos mais possibilidade de ver a banda em nossas terras, ao menos temos ótimas bandas covers e eventos para fãs que mantém o espírito e a beleza do som da “rainha” vivo.

            Dentre estes eventos (veja links relacionados no final desta matéria), o Queen’s Day é, provavelmente, o mais importante e mais conhecido deles, já que é um evento oficial da gravadora EMI e já recebeu mensagens até do próprio Brian May. É claro que o DELFOS não poderia perder o evento.

            As festividades começaram por volta das 16:40 com a transmissão no telão de um trecho do mais novo DVD da banda, intitulado Live at the Bowl, que estava sendo lançado na ocasião e que foi divulgado pelo staff em todas as oportunidades possíveis e imagináveis. Por algum motivo bizarro ou algum erro imperdoável na estratégia de marketing da gravadora ou do próprio evento, o DVD não estava à venda no local. Não sei se é minha ex-faculdade falando, mas isso não faz sentido nenhum, já que muitos dos presentes (onde me incluo) teriam comprado o DVD na ocasião por impulso e para ter uma lembrança do evento. Muitos destes, inclusive, não virão a comprar o disquinho no futuro, logo foi uma tremenda oportunidade perdida.

            A primeira banda a se apresentar foi o durex, ops, o Lurex, banda cover mineira, que começou seu show com a pesada Tear It Up. Seguiram com Tie Your Mother Down, Under Pressure e Mustapha. A presença de palco do vocalista era bem semelhante à de Freddie Mercury, contudo o resto da banda era bem parado, sobretudo o baterista que não chamou a atenção para si em nenhum momento. Claro que em se tratando de covers do Queen, o que interessa para todo mundo é a qualidade do vocal e posso dizer que o cara canta bem... na maior parte do tempo. Em alguns momentos, ele caía em um falsete um tanto quanto falso e irritante. Curiosamente, o cara tem um ótimo vocal e alcança notas bem altas, ou seja, não precisaria apelar para o falsete, e se daria melhor sem esse artifício. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:00 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Parte II

            O set da banda foi focado em músicas não tão conhecidas do Queen, como Nevermore, Death on Two Legs e It’s a Beautiful Day para citar alguns exemplos. Isso sem dúvida, levou ao delírio os fãs mais fiéis da banda, pois deu a eles oportunidade de assistir ao vivo músicas diferentes das normalmente tocadas pelas bandas covers.

            O final do show trouxe de volta os hits com Bohemian Rhapsody, o grande destaque do show, já que a banda teve coragem de fazer ao vivo a famosa parte do coral. Ficou igual ao do estúdio? É claro que não. Mas me responda, amigo delfonauta: faz diferença? Bohemian Rhapsody é uma composição em que suas nuances e detalhes devem ser admirados em casa, ouvindo a versão de estúdio. Em uma situação ao vivo, ninguém (a não ser aqueles caras muito chatos) fica preocupado em ver se absolutamente todos os detalhes foram tocados. A banda cantou, o público cantou junto, enfim... foi divertido pra caramba, como todo show deveria ser. E a banda sem dúvida ganhou meu respeito por ter tido coragem de reproduzir algo que nem o próprio Queen fazia.

            Após Bohemian Rhapsody, veio Hammer to Fall, seguida de We Will Rock You (a versão tradicional, só com a bateria), na qual o vocalista voltou ao palco com uma roupinha de fazer Freddie ficar corado de vergonha (veja as fotos que ilustram essa matéria). Seguiram com We Are The Champions, Keep Yourself Alive e encerraram com Liar, Liar seu ótimo show, que não só cumpriu a função de esquentar a galera para as atrações principais com sem dúvida divertiu muito todos os presentes. Principalmente aqueles que conheciam toda a discografia do Queen.

            Durante o intervalo, um divertido concurso de karaokê foi realizado, onde os competidores poderiam escolher cantar I Want To Break Free e Crazy Little Thing Called Love. Obviamente, algumas pessoas cantaram bem, enquanto outras cantaram... bem... digamos que outras tentaram cantar bem. O mais legal foi que essas pessoas que uhn... se esforçaram para cantar bem não foram vaiadas e nem passaram por nenhum tipo de humilhação ou algo do tipo. Pelo contrário, foram até mais aplaudidas do que as outras, dando a impressão de que, mais que um show, o Queen’s Day é uma verdadeira reunião de amigos, que tem como ponto comum o fato de gostarem de Queen.

            Após o concurso, mais um grande erro de marketing: novamente o DVD Live At The Bowl foi colocado no telão, mas o pessoal colocou exatamente o mesmo trecho de antes, ao invés de aguçar ainda mais a vontade do pessoal dando mais um gostinho do material contido. Fazer o quê, né?

            A próxima banda era a argentina Dios Salve a la Reina e cara... que show eles fizeram. Os caras simplesmente fizeram tudo o que uma banda cover deve fazer. Usaram roupas e perucas para ficarem parecidos com os membros originais. Até a presença de palco de cada um era cuidadosamente copiada dos ingleses. Enfim, um indivíduo mais desligado podia realmente ter a sensação de estar assistindo ao show de retorno da banda homenageada. Musicalmente também mandaram muito bem. Embora em alguns momentos o vocalista desse alguns deslizes (ei, você acha que é fácil cantar Freddie Mercury?), não era nada muito grave e o timbre da voz do cara era bem parecida com a de Freddie.

            A primeira parte do show foi centrada nas músicas mais Rock do Queen. Tocaram One Vision, Tie Your Mother Down, I Want It All e Stone Cold Crazy para citar algumas. O grande destaque foi sem dúvida a maravilhosa Innuendo, executada na íntegra e com perfeição pelos caras. Para mim, que sempre quis assistir a essa música ao vivo, foi sensacional. A única música mais Pop tocada nessa primeira parte foi I Want To Break Free, na qual o vocalista entrou no palco com seios postiços e a mesma roupa usada por Freddie no famosíssimo clipe dessa música. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:59 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Parte III

 

            A banda fez, então, uma pausa cujo motivo não entendi, já que tinham tocado apenas uns 40 minutos, enquanto a anterior tocou quase duas horas ininterruptas. Esse intervalo foi aproveitado pela organização para fazerem mais propaganda do DVD (que não estava sendo vendido no local, eu já disse isso?) e fazerem mais um round do concurso de karaokê.

            O Dios Salve a la Reina entra, então, novamente no palco e a segunda parte privilegiaria as baladas e músicas mais pop da rainha. Dentre outras, apresentaram Tear It Up, Fat Bottomed Girls, The Game, Show Must Go On, Love Of My Life e Radio Ga Ga, (que teve até coreografia da platéia). Em determinado momento, aconteceu um problema no violão do vocalista e o show teve que dar uma parada. Sem pestanejar, o guitarrista senta no teclado e começa a tocar uma música da carreira solo de Brian May para entreter a platéia enquanto o problema é resolvido. Foi um show de profissionalismo do cara, o que rendeu muitos aplausos por parte da platéia e mais da metade deste parágrafo que você está lendo.

            Tocaram também Bohemian Rhapsody – também com o coral ao vivo (que ficou fantástico), viva o Queen’s Day e suas bandas corajosas! – e a festeira Hammer To Fall que, segundo a banda, deveria ter sido a última música. O público não deixou e acabou “convencendo” a banda a tocar mais. E mandaram I Was Born To Love You e We Are The Champions, finalizando o show com o vocalista entrando no palco com a famosa roupa de rainha usada por Freddie e com o guitarrista tirando a peruca para revelar um sujeito que não tinha nada a ver com Brian May. Na minha humilde opinião, foi o melhor show do evento e melhor do que muitos outros shows de bandas grandes que já assisti, como o Children Of Bodom, por exemplo (cuja polêmica resenha delfiana você encontra em AQUI). Após o show, tivemos a oportunidade de bater um papo com a banda e descobrimos que eles estão juntos há 6 anos e tocam apenas covers de Queen.

            No intervalo, tivemos a final do campeonato de karaokê e uma apresentação da assessora de imprensa Fernanda de Luca cantando God Save The Queen. Aliás, com o karaokê e tudo mais realizado nos intervalos, o evento se tornou bem mais agradável, já que aquele marasmo mortal comum nos intervalos de festivais foi simplesmente eliminado. Ah, se todo festival tivesse a mesma organização do Queen’s Day...

            Antes de comentar o último show do evento, não posso deixar de falar sobre o Teatro Santa Cruz, onde o evento foi realizado. Não sei se é a idade chegando, ou se eu que sou muito chato mesmo, mas o lugar dá um banho nas maiores e melhores casas de shows que eu conheço. O lugar tem uma pista, onde as pessoas podem assistir o show em pé, pularem e festejarem como quiserem, mas também tem lugares para aqueles que, como eu, preferem curtir o show sentado. Ou seja, agrada todo mundo. Além disso, tem um ótimo sistema de iluminação, um belo palco, telão, som da melhor qualidade, é relativamente grande, fica em uma boa localização, é fácil de estacionar nos arredores e o melhor de tudo: tem água de graça. Novamente, talvez eu que seja chato demais, mas acho uma verdadeira crueldade vender algo tão insignificante (na boa, água é barato demais, não tem motivo pra vender um copinho de 200 ml por 3 reais!) e essencial para o conforto da platéia como água (lembrando que os altos preços cobrados pelo produtos nas casas de show leva muita gente a beber água da torneira do banheiro, o que pode fazer muito mal para a saúde). O simples fato de o lugar estar equipado com bebedouros não só deixa o público mais confortável e tranqüilo (e saudável) como, ao menos no meu caso, me deixa mais propenso a consumir comida. Poxa, eu cheguei até a comprar um pão de queijo. E eu nunca tinha comprado nada em shows. Como deu para perceber, o lugar tem tudo o que precisa para fazer ótimos shows, então para os promotores, fica a dica para este ótimo local e a torcida para que muitos outros shows sejam realizados lá. Só para manter a minha fama de mal e não dizer que não coloquei defeito nenhum no lugar, devo dizer que a ausência de um chiqueirinho prejudica o trabalho dos fotógrafos. Mas como dessa vez o fotógrafo não era eu, não incomodou tanto.  Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:55 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Parte IV

 

            Voltando à programação, a última apresentação era do famoso sósia brasileiro do Brian May, o guitarrista Márcio Sanches e seus convidados. Ao entrar no palco, Márcio anunciou que ia fazer um show diferente, mostrando todo o peso e energia do Queen. Para isso, contou com um elenco de vocalistas do Metal nacional, cujo primeiro a adentrar o palco foi o ótimo Nuno Monteiro (atual Liar Symphony, ex-Wombat, cuja resenha do CD você lê AQUI). Márcio e seus amigos já começaram o show com a pesada Ogre Battle, seguida de One Vision, ambas ótimas em suas rendições metalizadas. Após algumas brincadeiras com Black Dog (Led Zeppelin) e No More Tears (Ozzy Osbourne), mandaram Innuendo. Ao contrário das outras, essa já não se encaixou tão bem no vocal de Nuno, além de ter tido uma constrangedora pausa na hora em que a música muda de ritmo, devido a um problema no violão. Após retomar, contudo, os quatro violões presentes no palco deram um ar bem especial para a música. Afinal, é a Innuendo. O problema para os headliners foi que a banda anterior tinha tocado esta música de forma tão perfeita, que acabou diminuindo a magia de ouvi-la novamente em seu show.

            Hora de mudar de convidados e Ricardo, do Destra, sobe ao palco para cantar I Want It All e Who Wants To Live Forever, que não ficaram tão legais nessa versão como poderiam. Mais um convidado sobe ao palco: Pit Passarel, do Viper, para fazer um dueto com Ricardo em Under Pressure, que ficou bem legal. Pit também cantou ’39 e Crazy Little Thing Called Love.

            Sai Pit e entra Neno (Abstract Shadow / Portrait), para cantar The Show Must Go On. Devo admitir que não gosto muito dessa música (calma, fãs de Queen, é só uma opinião diferente da sua), mas essa versão mais Metal, somada com a ótima performance de Neno tornou a música o grande destaque do show. Ficou simplesmente fenomenal.

            Hora de outro Destra, Rodrigo, tocar com Márcio e mandam as belas baladas Save Me e Spread Your Wings (esta última gravada até pelo Blind Guardian). Todos os convidados saem do palco então e Márcio pede permissão para tocar duas músicas de sua autoria. A primeira é um Hard Rock alegre e divertido, que não teve seu nome anunciado pelo guitarrista (ê, Márcio). Porém, como o refrão da música repete This is a Miracle, creio que esse é o nome da música. A próxima música parecia se chamar Quem Precisar de um Sonho, contudo sua letra em inglês me deixou em dúvida se peguei o nome corretamente. Esta é uma balada mais intimista. Particularmente, gostei mais da primeira. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:49 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Parte V

            “A próxima é uma música do Queen bem Pop que a gente vai fazer bem pesado” diz Márcio, segundos antes de iniciar I Want To Break Free, com vocais de Neno. O novo arranjo, contudo, não ficou tão legal. Os riffs de guitarra metalzão simplesmente não se encaixaram com as melodias vocais, gerando um resultado um tanto estranho.

            Márcio então chama todo mundo ao palco para encerrar o show. Tocam Stone Cold Crazy com vocais do guitarrista Murilo que, me desculpe, ficou horrível. Curiosamente, todos os outros vocalistas ficaram no palco apenas de paisagem já que, se cantaram algo foi apenas uns “Yeahs” ou algo do tipo. O mesmo se repetiu com a saideira We Will Rock You (em sua versão mais legal), que teve os vocais de Pit Passarel.

            Curiosamente, o show dos headliners foi o mais curto da noite – e também o mais estranho. Com tantos vocalistas, como não tocar músicas como Somebody To Love ou mesmo Bohemian Rhapsody, cujo coral poderia colocar as outras bandas no chinelo? Além disso, se a intenção era fazer um show com versões Metal do Queen, como deixar de fora a maravilhosa e pesadíssima Princes of the Universe? E não, Márcio, eu não vou parar de falar dessa música até você tocar ela!

            A impressão que esse último show passou foi que faltou ensaio. Parecia uma jam entre amigos, já que duetos e corais poderiam e deveriam ter sido melhor aproveitados em seu show. Era comum até vermos alguns dos vocalistas lendo as letras em um papel, o que denuncia a falta de ensaio da banda.

            Particularmente, achei muito legal a idéia de fazerem um show Metal do Queen, já que três bandas tocando Queen o dia inteiro poderia ficar um pouco enjoativo. Por outro lado, posso ter achado isso legal pois sou um cara que gosta de Heavy Metal e de Queen. Agora será que alguém que gosta da fase mais Pop do Queen e não necessariamente de Metal ia gostar de ver suas músicas preferidas tão modificadas? O fato é que o lugar esvaziou exponencialmente durante o show do Márcio. Considerando que não estava tarde (o show acabou mais ou menos às 23 horas), isso deixa duas opções: ou o pessoal foi mesmo para ver o Dios Salve a La Reina ou não gostou das novas versões propostas pelo pessoal.

            Não entenda pelo que estou dizendo que o show de Márcio foi ruim. Muito pelo contrário, foi muito bom mesmo. Desde que você, como eu, goste de Heavy Metal. Talvez fosse o caso de terem deixado a banda argentina tocar por último, já que seu show era mais longo e tinha até mais produção de palco.

            Conclusão final: foi uma tarde muito agradável. Me diverti bastante, assisti Innuendo ao vivo duas vezes e revi alguns amigos que não via faz tempo. Além disso, não morri de sede como costuma acontecer em festivais, o que é ótimo. Se você ainda não teve oportunidade de assistir o Queen’s Day, não perca ano que vem. Se você gosta de Queen, é imperdível.

 

Veja mais fotos abaixo e/ou leia outras matérias relacionadas:

- Entrevista exclusiva com o Queen Cover

- Entrevista exclusiva com o Márcio Sanches

- Resenha do 8º Queencontro

- Resenha do Brazil Rock Stars com participação do Márcio Sanches

- Resenha do DVD The Freddie Mercury Tribute Concert



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:48 AM
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   Música – Shows – Queen’s Day 2004 (São Paulo – Teatro Santa Cruz – 27 de novembro de 2004) - Mais fotos



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:43 AM
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   Televisão – Clássicos – Alf: o ETeimoso (EUA, 1986 a 1990) - Parte I

Em mais de 20 anos assistindo televisão, posso contar nos dedos as séries que me marcaram e as quais eu assisto até hoje com o maior prazer do mundo (não estou incluindo os desenhos animados): Esquadrão Classe A, Super-Máquina, V: A Batalha Final, Anos Incríveis e, uma série que até hoje tira gargalhadas da minha boca sem grandes esforços: Alf: o ETeimoso.

Essa série é tão legal que, mesmo já tendo assistido à maioria dos capítulos mais de 8 vezes (sem brincadeira), ainda consigo me divertir com as trapalhadas do segundo alienígena mais simpático do universo (o primeiro lugar vai para o E. T.).

Em uma época sedenta pela descoberta de vida em outros planetas, como se pode perceber pelos fenômenos alienígenas E. T. – O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Jornada nas Estrelas e V: A Batalha final, Alf utilizou em parte esse conceito para explorar o humor que nasceria do convívio de um alienígena, não habituado com os costumes humanos, em nossa sociedade “moderna” (anos 80).

O conceito da série é bem simples: os Tanners são uma família tradicional da classe média norte-americana e seus integrantes seguem os padrões estereotipados dos sitcoms da época: Willie (Max Wright) – o pai engenheiro e trabalhador, Kate (Anne Schedeen) – a mãe dona de casa, Lynn (Andrea Elson) –  a filha adolescente e namoradeira e Brian (Benji Gregory) – o caçula chato.

Todos vivem normalmente até que, em um belo dia, uma nave espacial cai em cima da garagem de sua casa e de dentro sai um alienígena feio (embora, assim como o E. T., depois que você se acostuma, ele chega a ficar até bonitinho), peludo e com um topete estiloso, chamado Gordon Shumway que eles logo apelidam de Alf (uma sigla em inglês para forma de vida alienígena). Alf explica que veio de um planeta que explodiu chamado Melmac e que, além de tudo, sua nave está quebrada. Os Tanners não têm outra saída a não ser adotar o órfão intergaláctico e é exatamente nessa convivência e nas divergências entre Alf e os Tanner que reside a graça do show.

O alienígena é folgado, ranzinza, cínico e, por causa disso mesmo, muito engraçado, colocando a família em diversas confusões. Alguns episódios se tornaram verdadeiros clássicos dos sitcoms, como aquele em que Alf começa a vender cosméticos para ganhar uma grana ou quando Lucky, o gato da família, some e todos desconfiam do pobre alienígena só porque ele vive tentando comer o bichano (gatos são especiarias deliciosas em Melmac). Isso sem contar as várias situações em que o visitante do espaço precisa se esconder da intrometida vizinha Raquel Ochmonek ou aturar a mãe de Kate.

Em uma época onde o uso da computação gráfica estava apenas engatinhando, Alf utiliza bons efeitos especiais tradicionais no seu boneco principal. É o famoso efeito de marionete onde diversas pessoas controlam os movimentos de um boneco (que, na maioria das vezes, é mostrada apenas da cintura pra cima). Quando é necessária a visão total do personagem, um anão vestia uma fantasia, mas aí Alf ficava sem expressões faciais (como na abertura do programa, quando ele vai para a frente da câmera).



 Escrito por Bruno Sanchez às 10:10 AM
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   Televisão – Clássicos – Alf: o ETeimoso (EUA, 1986 a 1990) - Parte II

Apesar da série se focar quase sempre na comédia, temos alguns episódios mais dramáticos também, especialmente um em que Alf consegue fazer contato com os antigos habitantes de Melmac, também peregrinando pelo espaço, e decide pegar uma carona para ir embora com seus velhos amigos e sua ex-namorada Rhonda. Tudo leva a crer que Alf vai embora mesmo. Se ele foi ou não, só assistindo ao episódio, já que Spoiler é algo inexistente aqui no DELFOS.

Com o tempo, outros personagens entraram na série como Jake Ochmonek (Josh Blake), o sobrinho dos vizinhos pentelhos, Eric – o novo bebê dos Tanners, e uma jovem cega, Jody, que fica muito amiga de Alf em uma daquelas tradicionais lições de moral da época sobre as diferenças e os preconceitos.

A série estreou nos EUA em 22 de Setembro de 1986 pela rede NBC e terminou em 24 de Março de 1990 com quatro temporadas completas e 102 episódios. No último capítulo, um dos mais tristes da série e totalmente estranho ao contexto da sitcom, Alf conserta sua nave para ir embora mas é capturado por uma força-tarefa alienígena. Esse episódio ficou sem uma conclusão até 6 anos depois, quando os produtores decidiram dar o fim definitivo à série e lançaram um longa-metragem chamado Projeto: ALF (volta e meia passa na rede Telecine), que conta como o  peludo escapou da prisão e fugiu do planeta Terra. O filme não conta com a participação da família Tanner e é um final bem bobo para uma série tão legal.

Nos EUA, Alf  (sem o ridículo ETeimoso do título que a Globo colocou no Brasil na carona do sucesso de E. T.) alcançou um relativo sucesso e gerou uma série de produtos como um desenho animado (passou aqui no Brasil no Xou da Xuxa), um jogo de Master System (meia boca, mas dificílimo de se encontrar por aqui) e, obviamente, uma coleção de bonecos e bichinhos de pelúcia. Mas curiosamente, fora dos Estados Unidos, a série deslanchou e se tornou um fenômeno comercial, especialmente em três países: Argentina, Brasil e Alemanha.

Na Argentina, a série passa até hoje com bons números de audiência. No Brasil, volta e meia Alf volta para a telinha (começou na Globo, passou pela Bandeirantes, Canal 21 e atualmente está no SBT, de segunda a sexta às 12:45), mas na Alemanha (Ocidental – na época) a série fez um sucesso tão estrondoso que foram lançados vários itens inéditos como uma compilação de episódios em VHS e até mesmo a famosa caixa de DVDs (lançada primeiro na Alemanha para depois chegar aos EUA). Alguns envolvidos disseram que se cogitou inclusive a hipótese de reviver a série somente com atores alemães, mas aparentemente a idéia foi abandonada.

Após o fim da série, todos os atores principais voltaram a um semi-anonimato e não fizeram nenhum papel de destaque novamente. Os únicos que volta e meia ainda estão nos noticiários são Benji Gregory, que abandonou a carreira de ator mas segue trabalhando nos bastidores de filmes e séries de televisão e o veterano ator Max Wright, que volta e meia tem seu nome envolvido em escândalos sexuais e porte de drogas além de uma ou outra participação em sitcoms como A Minute With Stan Hooper, por exemplo.

Em 2004, o produtor original da série, Paul Fusco, decidiu resgatar o personagem alienígena e o colocou para apresentar um talk-show (estilo Jô Soares) bem descompromissado. O episódio piloto já foi ao ar com um bom sucesso, e novos episódios estão sendo gravados para o programa entrar na grade de programação da NBC a partir do dia 05 de Novembro. Vamos torcer para que o programa passe aqui no Brasil também.

Alf é, sem dúvida, uma das minhas melhores lembranças em frente à televisão. Se você viveu sua infância/adolescência nos anos 80, provavelmente é uma das suas também. E tenho certeza que de muitas outras pessoas também.



 Escrito por Bruno Sanchez às 10:08 AM
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   Cinema – O Expresso Polar (The Polar Express – EUA – 2004) - Parte I

            O Natal está chegando e, como sempre, Papai Noel traz seus caça-níqueis no saco. Entre eles está este O Expresso Polar, baseado em um livro de Chris Van Allsburg. A propósito, que modinha essa de filmar livros, hein? Será que se eu escrever um livro, eu consigo vender os direitos dele para a Warner por um punhado de milhões de dólares?

            Dirigido por Robert Zemeckis, o mesmo que nos trouxe alguns dos melhores filmes da história como De Volta Para o Futuro e Uma Cilada Para Roger Rabbit, O Expresso Polar mostra que nas mãos de uma boa equipe, até um caça-níquel de Natal pode gerar uma boa diversão.

            Ao assistir ao trailer desse filme, confesso que achei seu visual bem feio. Eu estava errado. É bem verdade que, ao ser comparado com pérolas como Shrek (Leia o Especial Shrek AQUI) ou Procurando Nemo, O Expresso Polar perde feio. O motivo disso é bem simples, enquanto os dois primeiros usam a computação gráfica para gerar um visual cartunesco e divertido, o Expresso usa a técnica para tentar gerar um visual mais real, algo semelhante ao que já havia sido feito em Final Fantasy. Agora eu me pergunto, para que dar um visual realista para o que deveria ser um desenho? Boa parte da diversão de um desenho não está justamente em seu visual inusitado? À possibilidade de o Patolino (apenas para citar um exemplo da própria Warner) levar um tiro na cara e ter como única conseqüência seu bico virado para trás? Pois é, isso não acontece neste filme. Para a computação gráfica chegar a um alto nível de realismo ainda falta muito. Felizmente, pois o único motivo que consigo pensar para quererem isso é economizar dinheiro nas produções.

            A história é bem simples. Em pleno Natal, um garotinho começa a deixar de acreditar em Papai Noel (o que, convenhamos, é um absurdo, já que é fato que Papai Noel existe, ou quem mais colocaria os presentes em baixo da árvore?). Então, do nada, um trem aparece em seu quintal e o condutor o convida a ir até o Pólo Norte. Logo, o moleque faz amigos e se mete em um monte de confusões, tanto no caminho até a terra do Papai Noel, quanto após chegar lá. Em relação a essas confusões, devo ser sincero. Embora elas sejam divertidas e em grande parte emocionantes, parecem apenas enrolações para fazer uma história tão simples durar uma hora e meia.

            A música é um destaque do filme. Contando com composições do mestre Alan Silvestri (que também presenteou o mundo com a fantástica trilha de De Volta Para o Futuro), a fita tem nas músicas orquestradas seus melhores momentos musicais. Não se limita a isso, contudo, já que aqui também temos aquela velha fórmula da Disney de fazer seus personagens cantarem em determinados momentos. Tudo bem, não dá para comparar a parte cantada de um Aladdin ou de um Rei Leão com O Expresso Polar, pois este traz músicas curtas e muito simples (embora divertidas), mas pelo menos temos de volta aquela magia dos antigos “desenhos musicais”. Além disso, a cena do chocolate quente é divertidíssima e eu adoraria ter alguém servindo bebidas para mim daquele jeito.  Ainda sobre a música, o filme traz a participação de Steven Tyler (Aerosmith) como um duende cantor pra lá de mal-aproveitado, já que o pai da Liv canta apenas uns dois versos no filme inteiro. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:29 AM
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   Cinema – O Expresso Polar (The Polar Express – EUA – 2004) - Parte II

            Algo que diferencia este caça-níquel natalino de quase todos os outros, é seu foco. Embora sua história e mensagem sejam completamente clichês para o gênero, o Expresso, ao contrário de Anjo de Vidro (que você leu em http://delfos.zip.net/arch2004-11-16_2004-11-30.html) não foca sua narrativa na hipócrita bondade humana, mas na fantasia. Sua grande mensagem é que devemos acreditar na fantasia. Convenhamos, é muito mais fácil acreditar que o sangue de um unicórnio pode nos dar a vida eterna do que crer que o ser humano tem a capacidade de tratar bem seus semelhantes. E isso torna o Expresso muito mais crível e mais divertido do que seus rivais que tratam do mesmo tema.

            Agora vamos aos problemas. Para começar, as legendas desse filme estão horríveis. Parecem ficar tremendo na tela o tempo todo. Não sei se era um problema do cinema ou do filme em si, então já vá avisado. Outra coisa que nunca dá muito certo é a centralização de um filme inteiro em um ator (no caso, Tom Hanks). Ora, o ex-Forrest Gump faz 5 personagens no filme inteiro. Isso é ridículo, pois prejudica muito um filme, sobretudo uma animação, já que todo mundo tem vozes parecidas. Essa centralização em um ator era um dos poucos problemas em De Volta Para o Futuro, mas agora, quase 15 anos depois que a trilogia terminou, Zemeckis ainda insiste no erro? Que feio, Robert!

            Apesar dos problemas e de ser um caça-níquel natalino, O Expresso Polar é um filme legal. Certamente, superou minhas expectativas (que eram bem baixas), e sem dúvida eu me diverti bastante na sessão. Se você já tem uma pré-disposição para gostar de filmes do estilo, pode ir sem medo.

            O Expresso Polar parte nesta sexta, dia 26 de novembro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:28 AM
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   Cinema – Refém de uma Vida (The Clearing – EUA – 2004)

            Essa foi uma daquelas cabines que eu fui sem saber absolutamente nada sobre o filme. Ao chegar no Espaço Unibanco, comecei a folhear a sinopse e o filme começou a parecer bem interessante, fazendo o atraso para o início da sessão parecer ainda mais longo.

            Refém de uma Vida é basicamente uma história de amor contada como um suspense. O casal em questão, Wayne (Robert Redford) e Eileen Hayes (Helen Mirren) vive em uma casa que chega a lembrar um castelo (eu queria morar em um castelo). Ao sair de casa em determinada manhã, Wayne é seqüestrado por Arnold (Willem Dafoe – cuja ótima atuação salvou o Duende Verde do primeiro filme do Homem-Aranha de ser um desastre completo). A partir daí, duas histórias começam a ser contadas: a do seqüestro em si e a da família vitimada por ele.

            O que torna a narrativa original é que, embora as duas histórias sejam intercaladas, elas não acontecem ao mesmo tempo como é comum nesses casos. A narrativa de Eileen e seus filhos se desenvolve ao longo de várias semanas, enquanto a de Wayne e Arnold acontece em apenas um dia. Embora pareça que isso deixe o filme confuso, ele é bem mais simples do que parece.

            As atuações são os grandes destaques da fita. Willem Dafoe como sempre dá um show fazendo um vilão bem diferente do que estamos acostumados a ver no cinema. Ao invés de um assassino frio e calculista, Arnold está mais para um pobre coitado, uma reles vítima do sistema em que vivemos, sem emprego e sem outra opção na vida a não ser partir para o crime, por mais que isso seja contra seus próprios princípios. Em muitos momentos, ele parece até admirar o bem-sucedido Wayne. Robert Redford e Helen Mirren também estão muito bem. Para um filme desprovido de ação e completamente centrado nos personagens, um bom elenco era fundamental e Refém de uma Vida se dá muito bem nesse aspecto.

            Por outro lado, justamente por ser um filme composto basicamente por diálogos, pode deixar algumas pessoas entediadas. Isso também é auxiliado pela quase inexistência de músicas na montagem. Em alguns momentos, até ouvimos algumas melodias, mas quase todo o som do filme é composto apenas de diálogos e efeitos sonoros.

            O diagnóstico é muito simples. Se você curte filmes com bons diálogos e boas atuações, não perca Refém de uma Vida, que estréia essa sexta, 26 de novembro. Agora se sua praia são efeitos especiais, fantasia e ação, não perca Capitão Sky, que já está nos cinemas e cuja resenha você pode ler clicando AQUI.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:23 AM
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   Game de PC – Painkiller (Dreamcatcher/People Can Fly – 2004) - Parte I

            Manézinho morre e faz um pacto com o além para voltar e ver sua amada de novo. Hum... Onde já ouvi isso antes? Ah, já sei, em milhões de jogos, gibis, cinemas, músicas, RPGs e tudo mais que é comumente abordado aqui no DELFOS, dentro os quais o mais conhecido creio ser a epopéia de Al Simmons, vulgo Spawn, a criação máxima de Todd MacFarlane.

            Ok, mas é possível um jogo ser divertido sem ser criativo (vide Call Of Duty, cuja resenha você lê AQUI) e Painkiller se sai bem nesse aspecto, pois segue a linha “Atire primeiro, pergunte depois”.

            Painkiller é um jogo de tiro em primeira pessoa bem simples. Não existem chaves, nem labirintos, nem tramas mirabolantes. É porrada do início ao fim e é justamente isso que o torna tão divertido. A dinâmica do jogo é a seguinte: você atravessa uma porta, ela fecha assim que você passa por ela, um Heavy Metal começa a tocar, um monte de bicho aparece e começam a brincar de tiro ao alvo – e o alvo é você. Aí você saca sua arma, dá um sorriso de mal bem naquele estilo Wolverine e sai arrancando as tripas dos demônios (e demônios têm tripas?). Carnificina terminada, a música dá um Fade Out, as portas se abrem, você passa por um Checkpoint e recupera sua energia (se tiver escolhido as dificuldades mais fáceis) e segue em frente para fazer tudo de novo.

            Além de matar demônios, você também pode coletar suas almas e, a cada 66 almas absorvidas, você se torna um super-hiper-mega demônio destruidor por um curto período de tempo. Também existem cartas de Tarô Negro que fornecem poderes como invencibilidade, super força e outras coisas que conhecemos dos gibis da Marvel/DC. Para pegá-las, você precisa completar um objetivo específico que é informado quando você aperta a tecla TAB. Por exemplo: matar todos os inimigos ou encontrar todos os segredos da fase.

            Apesar de o objetivo do jogo ser matar os generais do inferno, inclusive o anjo da luz Lúcifer em carne e osso (ou ectoplasma, sei lá do quê demônios são feitos), as fases do jogo não são o que o jogador esperaria do inferno. Elas, na verdade, são bem variadas, passando por manicômios, castelos, cidades medievais, teatros e tudo mais. Até a última fase, chamada Hell (Inferno), tem um cenário diferente do que esperamos. O cenário do Inferno consiste em uma guerra paralisada, incluindo aviões sendo destruídos em pleno ar e bombas explodindo. Como está tudo imobilizado, um ar de Matrix (que você lê clicando AQUI) fica no ar. Os inimigos são bem variados, aparecendo monstros novos em quase todas as fases, o que pode animar os jogadores que acharem a rotina do jogo repetitiva. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:17 AM
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   Game de PC – Painkiller (Dreamcatcher/People Can Fly – 2004) - Parte II

            Eu, particularmente, acharia o jogo perfeito, se ele fosse tão simples quanto os parágrafos acima nos fazem acreditar. Em alguns momentos, chega a ser bem difícil encontrar o caminho certo e até mesmo descobrir como se mata alguns inimigos. Pois é, a porrada não é tudo, quiseram enfiar uma certa estratégia também, o que piorou o jogo substancialmente, considerando que, quem quer complexidade não se satisfaria com Painkiller.

            Os gráficos do jogo são ótimos, mas eu, infelizmente não pude aproveitá-los em todo seu poder de fogo. Não raro, principalmente nos combates com os enormes chefes, a movimentação ficava lenta, parecendo um Bullet Time eterno e deixando o jogo bem chato.

            Os sons são legais, principalmente as músicas. O problema é que as músicas se resumem a um Riff por fase que fica sendo repetido até que ninguém mais esteja respirando (demônio respira?). Talvez se fossem músicas de verdade, alternando Riffs diferentes e solos, o jogo seria bem mais legal. A última música (que toca nos créditos), por outro lado, é uma música completa, inclusive com vocais muito semelhantes aos de Ozzy Osbourne (não, não é ele cantando).

            Resumindo, Painkiller é um jogo que tem na sua simplicidade seu principal charme e na falta de simplicidade seu principal defeito. Explico, ao optar pelo caminho da simplicidade, os desenvolvedores da People Can Fly deveriam ter seguido apenas nele, se concentrando na ação pura, sem acrescentar caminhos escondidos e macetes para matar inimigos. Contudo, como os jogos estão cada vez mais complicados, se você é como eu e gosta apenas de matar uns bichos feios, vale a pena experimentar Painkiller.

            Painkiller é triplo e ocupa 2 Gb de espaço no HD.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:13 AM
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   Música – Nightwish – Once (Universal – 2004) - Parte - I

            E lá vou eu ser do contra de novo. Se você já leu alguma resenha deste CD em qualquer veículo, deve ter lido que se trata do melhor e mais pesado álbum do Nightwish. Pois bem, Once não é nem um nem outro. E isso me faz pensar que o jabá na mídia especializada está cada vez mais escancarado, mas como brasileiro não tem memória, ninguém percebe.

            Vamos pegar como exemplo o Helloween. Quando eles lançaram o Dark Ride, todas as resenhas diziam que o disco era ótimo porque trazia um Helloween mais sério e depressivo. Quando saiu o Rabbit Don’t Come Easy, todo mundo disse que ele era legal, pois trazia a banda de volta ao Metal alegre que a consagrou, depois do fiasco que foi o disco anterior. E olha que o Rabbit Don’t Come Easy nem é tão alegre quanto outros álbuns do grupo. O mesmo aconteceu com o Nightwish. Quando lançaram o último disco, o Century Child, todo mundo falou bem. Agora que saiu o Once, todo mundo fala que o anterior era horrível e que o novo é o melhor, se contradizendo descaradamente.

            Como sempre, no DELFOS você lê a verdade. Nada de jabá, apenas a nossa opinião. Realmente a primeira música do CD, Dark Chest Of Wonders impressiona pelo peso acima do normal para a banda, porém ela é a única música pesadona que encontramos aqui. E mesmo assim, não chega a ser tão pesada quanto Slaying The Dreamer, do álbum anterior. Quase todas as outras, até começam com um riff pesado e tal, mas quando entra o vocal, se tornam quase baladas. The Siren é o melhor exemplo disso.

            A segunda faixa, Wish I Had An Angel assusta, pois logo no começo, mostra uma certa influência eletrônica, com as tradicionais batidas “putz-putz”. Apesar disso, a música é legal e é a primeira do álbum que conta com os vocais do baixista Marco Hietala em dueto com a sex-symbol Tarja. Aliás, nessa segunda música já comecei a ficar decepcionado com a vocalista, que está cantando de forma muito mais natural e menos lírica, fato que se repete por quase todo o disco. Ora, boa parte do sucesso que o Nightwish alcançou foi justamente por terem uma vocalista lírica na banda. Me parece realmente errado a banda abandonar essa característica, até porque a voz “natural” de Tarja não é tão bonita, deixando muito a desejar se comparada com Sharon den Adel, do Within Temptation, por exemplo.

            Planet Hell é outra um pouco mais pesada. Sua introdução tem a orquestra em grande destaque e nos leva a imaginar como seria legal um show da banda acompanhada de violinos e companhia. Creek Mary’s Blood tem a participação de um índio chamado John Two-Hawks e sua letra lembra uma Run To The Hills (Iron Maiden) mais elaborada. A música é uma balada bem bonita, na linha de Dead Boy’s Poem, do álbum Wishmaster.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:57 AM
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   Música – Nightwish – Once (Universal – 2004) - Parte II

            Uma que merece um destaque especial é Ghost Love Score, possivelmente uma das melhores composições no Nightwish. Seus 10 minutos de duração parecem ser tão curtos quanto uma música dos Ramones, de tão bonita que é. Pesada e melódica na medida certa, é um dos grandes momentos da orquestra e do coral contratados pela banda. Seu refrão é simplesmente fenomenal, daqueles que ficam na cabeça, não por serem comerciais, mas por serem bons mesmo. A música como um todo realmente parece uma trilha sonora (Ghost Love Score significa algo como “Trilha sonora de um amor fantasma”).

            A capa também merece ser comentada. Embora seja, sem dúvida, bonita, trata-se da capa mais simples do Nightwish. O encarte também é bonito, mas a fonte escolhida para o título das músicas é quase ilegível de tão enfeitada. Uma das regras da direção de arte “Não sacrifique a legibilidade em nome da beleza” é completamente ignorada pelo responsável pelo visual do livrinho. As fotos também são estranhas, principalmente a foto central, onde os membros da banda estão todos com cara de mulher (lembra da foto do Jörg Michael no Infinite do Stratovarius? É por aí). Na verdade, o único que não está com cara de mulher na foto é a vocalista Tarja. Bizarro é pouco.

            Também me sinto na obrigação de comentar a falta de noção da gravadora Universal para colocar os preços nos CDs. Once, um CD simples, em versão nacional, sem bônus nem nada, não sai por menos que 35 reais (isso na Galeria do Rock de São Paulo. Em lojas de shoppings não duvido que passe dos 50). Mais caro do que muito DVD duplo que encontramos por aí. E depois vai ter a cara de pau de vir reclamar da pirataria? Faça-me o favor.

            No geral, Once é um bom disco, mas a mídia especializada me fez acreditar que seria um dos melhores discos da minha coleção e, quanto maior a expectativa, maior o tombo. Once tem baladas demais (umas 4, se você contar a semi-balada Nemo) e as músicas mais pesadas não são pesadas o suficiente, principalmente depois de todo mundo falar que é o disco mais pesado da banda. Se você gostar de Once, beleza, mas tenha certeza de que é a sua opinião e não simples influência da mídia “jabazenta” de nosso país.

            O Nightwish toca no Brasil nos dias 28/11 e 4/12 em São Paulo (Via Funchal), 30/11 no Rio de Janeiro (Canecão), 2/12 em Porto Alegre (Opinião) e 3/12 em Belo Horizonte.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:56 AM
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   Cinema – Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (Sky Captain and the World of Tomorrow – EUA - 2004) - Parte I

            Terça-feira chuvosa. Cabine marcada para a parte da tarde (normalmente são marcadas para de manhã) e ainda em local bem distante da base delfiana. Na esquina do ponto de ônibus, vejo o dito-cujo parado no ponto. Fui correndo tentar alcançá-lo. Em vão. Ainda tentei dar sinal enquanto ele passava por mim, torcendo para o motorista decidir fazer uma boa ação (que ingenuidade a minha), mas ele olhou para mim e passou direto. Só faltou me mostrar a língua. Ao chegar na Warner, estava ensopado e mal-humorado. Embora estivesse bem ansioso para assistir a esse filme, me perguntava se valia a pena ter passado por essa maratona para assistí-lo.

            Entrei na sala, me acomodei na cadeira e as luzes se apagaram. Então não existiam mais motoristas de ônibus estressados, flanelinhas que cobram proteção para “olhar” seu carro ou qualquer outro tipo de vilões da vida real. Finalmente encontrei a Terra do Nunca que há tanto procuro na minha imaginação. Ao menos por uma hora e meia, não apenas deixei de envelhecer, mas também voltei a ser criança. Um mundo mais simples, um herói altruísta, vilões vestidos de preto. Não podia ser mais simples. Não podia ser melhor.

            A história do filme se passa em 1939, época em que a humanidade passava por uma grande crise, mesmo ano na qual foi iniciada a segunda guerra mundial e alguns anos depois da criação dos primeiros super-heróis (o Super-Homem, por exemplo, foi criado em 1932). Ao mesmo tempo em que era uma fase negra para a humanidade, era também uma época mais romântica com vilões e heróis muito mais definidos do que hoje em dia. Ou seja, é a época ideal para situar um filme do estilo. Mas não se deixe enganar, embora Capitão Sky e o Mundo de Amanhã se aconteça no passado de nosso mundo, muitos de seus elementos não deixam nada a dever aos filmes mais viajantes de ficção científica. Ou você consegue imaginar uma legião de robôs gigante andando em Nova Iorque? Essa cena, aliás, fez meus olhos brilharem como os daquele garoto de 4 anos que se emocionou ao se imaginar voando nas costas do Falkor em História Sem Fim (que você relembra clicando AQUI). Cada passo dado pelos robôs gigantes, tremia não só a cidade, mas também o cinema (assista o filme em uma sala que tenha um bom som) e por que não, até mesmo o coração deste que vos escreve. Aliás, existe uma cena em Capitão Sky que lembra muito a cena dos oráculos de História Sem Fim. Homenagem ou plágio? Você decide, mas o fato é que homenagens a outros filmes podem ser encontradas durante toda a duração da fita, das quais uma das mais óbvias (e mais recorrentes) é ao clássico Mágico de Oz.

            Um grande destaque no filme é a trilha sonora. Suas músicas pomposas são tão “super-heroísticas” que chegam a competir com as músicas do filme do Super-Homem. São, indiscutivelmente, um tempero ideal para as cenas de ação. O herói (personificado por Jude Law), ao contrário de Peter Parker, por exemplo, não foi criado com o objetivo de nos identificarmos com ele. Pelo contrário, apesar de não ter super poderes, é um daqueles heróis idealizados, perfeitos, corajosos e altruístas, bem na linha de um Super-Homem ou de um Capitão América. Digo mais, Capitão Sky traz tudo o que um bom filme do Capitão América ou dos Vingadores deveria ter. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:12 AM
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   Cinema – Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (Sky Captain and the World of Tomorrow – EUA - 2004) - Parte II

            Em uma época de remakes e de filmes baseados em livros (leia resenha de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban clicando AQUI), quadrinhos (a resenha de Homem-Aranha 2 você encontra AQUI) e até videogames (a de Resident Evil 2 você pode ler AQUI), há muito tempo não víamos um filme de fantasia criado especificamente para a sétima arte. Quiçá desde Star Wars? Capitão Sky e o Mundo de Amanhã vem suprir esta carência e possibilitar ao público mais jovem que não teve chance de conferir a aventura de Luke Skywalker nos cinemas se maravilhar com este (espero) início de uma nova saga fantástica.

            O delfonauta a essa altura pode estar perguntando se Capitão Sky é um filme perfeito. Não, não é. O tão alardeado mundo gerado completamente por computador (Capitão Sky não usou cenários, os atores foram filmados sempre em frente à famosa tela verde/azul) deixa muito a desejar se comparado aos novos Star Wars ou mesmo a filmes da própria Warner, como Senhor dos Anéis. Isso é especialmente verdadeiro nas cenas em que vemos os atores interagindo com objetos gerados por computador. Fica bem claro que o humano não faz parte daquele mundo.

            Uma curiosidade do filme é a presença de Angelina Jolie que, embora seja creditada como parte do elenco principal, tem uma aparição pouco maior do que uma ponta, embora protagonize uma das melhores cenas do filme (mais uma na qual meus olhinhos infantis se encheram de lágrimas).

            Como deu para perceber, Capitão Sky é emocionante, empolgante e, principalmente, divertidíssimo. Ele me lembra de como o cinema deveria ser (e que quase nunca é), aquela máquina de nos transportar a um outro mundo, de nos dar a possibilidade de viver em um mundo fantástico onde sonhos se tornam realidade. Normalmente seria o tipo de filme que recomendaria apenas para quem admira a cultura nerd (quadrinhos de super-heróis, games, etc), mas nesse caso, eu abriria uma exceção e diria que Capitão Sky é recomendado para todos aqueles que gostam de uma boa diversão. E quem não gosta?

            Só não me arrisco a dizer que é o melhor filme do ano, porque em julho último fomos brindados com o também fantástico Homem-Aranha 2, mas digo que a disputa é brava e que, embora a sessão de Capitão Sky tenha acabado há menos de duas horas do momento em que escrevo essa resenha, já estou a fim de vê-lo de novo. Pois é, mais uma adição à minha lista de DVDs a serem comprados para daqui a seis meses. O difícil vai ser esperar até lá. Você, felizmente, não precisa esperar. Capitão Sky estréia hoje no Brasil. Então, agora que você já acabou de ler essa resenha, desligue o computador e vai ver o filme. Depois volta aqui e me diga o que achou. Fico esperando.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:11 AM
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   Cinema – Anjo de Vidro (Noel – EUA – 2004)

            Uma das maiores vantagens de se ter TV paga é poder escapar das épocas em que todas as TVs abertas tupiniquins passam a mesma programação, ignorando o fato de que seres humanos são diferentes uns dos outros e que alguém pode querer assistir alguma outra coisa em época de eleições, copa do mundo ou olimpíadas. Porém, se tem uma época da qual nem a TV paga é capaz de entreter nós que somos do contra é a época natalina, que afeta todos os canais com aqueles “especiais de Natal” que têm como único objetivo capitalizar em cima do nascimento de Jesus Cristo. Sim, eu não gosto de Natal e de nada que o envolve. Para ser sincero com você, meu amigo delfonauta, a única coisa relacionada com esse feriado da qual eu gosto (excluindo os presentes, é claro), são os CDs da fantástica banda Trans-Siberian Orchestra. E ainda assim, meu CD preferido dos caras (e que está também na minha lista de melhores álbuns da história) é seu único álbum não natalino até o momento: aquela pequena maravilha musical chamada Beethoven’s Last Night. Tudo isso para chegar em um ponto muito simples: começaram os filmes “especiais de Natal” e Anjo de Vidro promete ser o primeiro dos muitos que aparecerão na temporada 2004.

            Divulgado como sendo uma comédia romântica, Anjo de Vidro falhou em todos os aspectos (ao menos comigo). Digo isso pois eu não só não ri em nenhum momento, como ainda saí um tanto deprimido da sessão. O filme é composto de várias pequenas historinhas que se encontram em determinados momentos e que têm como objetivo mostrar como a bondade humana floresce na época de Natal. Puxa, sinto dizer isso, mas na minha humilde opinião, se tem um adjetivo que ainda não pode ser atribuído à raça humana é a bondade, seja na época de Natal ou em qualquer outra. Você, por acaso, age diferente no Natal do que no resto do ano? Se age, você não acha que está sendo um idiota fazendo isso? Se você consegue ser uma boa pessoa na última semana do ano, por que não o é no resto dele? Entende o que quero dizer? E se você se considera uma pessoa boa, parabéns. Acredito que você sabe que você é uma exceção. Prova disso é a reeleição do anticristo para o cargo de presidente do mundo que aconteceu nas últimas semanas. E vejam só, foi perto do Natal, época em que as pessoas estão mais dispostas a amar do que a matar. Sei...

            Em uma dessas histórias, possivelmente a mais importante, temos Rose (Susan Sarandon), uma mulher que passa boa parte da sua vida cuidando de sua mãe, que sofre do mal de Alzheimer, uma das doenças mais terríveis conhecidas pela humanidade. Eu mesmo passei boa parte da minha adolescência observando uma tia muito querida sucumbir diante desta horrível doença, sem nada poder fazer para ajudá-la. Se existe uma forma pior de morrer do que essa, eu sinceramente espero que eu não venha a conhecê-la durante a minha existência. Agora você me diga, é possível rir disso? Qual é o objetivo de colocar uma senhora com o mal de Alzheimer em uma comédia?

            Nem todas as histórias são tão deprimentes, mas todas têm aquela carga emocional hipócrita que sempre vemos em filmes do gênero. Não faz meu estilo, mas se você gosta de filmes melosos e tristes (embora seja uma “comédia”), não pode deixar de ver. Verdade seja dita, hipocrisia ou não, algumas das cenas do final realmente deixam pessoas mais emotivas como eu com um nó na garganta. Seria bom se vivêssemos em um mundo assim, onde, ao menos por um ou dois dias, a humanidade perdesse esse instinto “Lemming” de se autodestruir e começássemos a ser bons uns com os outros. De verdade, não apenas no cinema e na TV.

            Enquanto eu fico com a minha utopia, você pode assistir Anjo de Vidro a partir dessa sexta, 19 de novembro. Na primeira semana de exibição, na compra de dois ingressos, você ganha um anjinho de resina para colocar na sua árvore de Natal. Eu não sei se isso é válido para todos os cinemas que exibirem o filme, então se informe antes de comprar para não botar a culpa na gente, hein?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:49 AM
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   Cinema – Contra Todos (Brasil – 2004) - Parte I

            Quando li a sinopse desse filme, imediatamente pensei que deveria tratar-se de um remake de Beleza Americana adaptando-o à realidade brasileira. Eu não podia estar mais certo, pois as semelhanças são tantas que é até estranho Contra Todos não ter sido batizado de Beleza Brasileira. Na verdade, o troço é tão parecido que chega a ser até desonesto não citarem que este filme foi baseado em sua contraparte estadunidense, mais ou menos como a deprimente atitude da Disney ao não divulgar que um de seus filmes de maior sucesso (O Rei Leão) nada mais é do que uma versão fofa de Hamlet.

            Tudo gira em torno de uma aparentemente feliz família de classe média baixa de São Paulo (segundo a sinopse, mas pelas condições em que vivem parecem ser de classe ainda mais baixa). A primeira cena que vemos é da família rodeada de amigos comendo lasanha (hum... lasanha...) e batata frita (hum... batata frita...). E o pior é que a cabine começou exatamente ao meio-dia (estava marcada para 11:30 e teve meia-hora de atraso) ou seja, horário de almoço total e eu só iria ter chance de almoçar dali a duas horas. Sinceramente, isso lá é hora para marcar uma cabine?

            Depois dessa cena, as coisas começam a desabar em uma cadeia de acontecimentos relacionados a sexo e assassinatos. Lembrou de Beleza Americana? Puxa, eu também. O filme inteiro. Até o final é idêntico, tanto nos acontecimentos quanto na forma em que ele é contado, através de diversos pontos de vista. Um grande diferencial e algo muito interessante é que, como o filme se passa em São Paulo, algumas cenas foram filmadas em locais que conhecemos e às vezes até freqüentamos, como a Galeria do Rock de São Paulo, por exemplo. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:21 PM
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   Cinema – Contra Todos (Brasil – 2004) - Parte II

            Outro problema do filme é a direção do estreante (percebe-se) Roberto Moreira. As câmeras não param de tremer e a qualidade da imagem lembra um filme caseiro dos anos 70 que já foi copiado de fita para fita tantas vezes que já está até se desfazendo. Curiosamente, o filme começa mostrando logotipos de dezenas de patrocinadores. É sério, deve chegar a durar um minuto só de logotipos de indústrias de petróleo (como sempre), produtoras e etc. E onde foi o dinheiro do patrocínio? Porque o filme não tem atores famosos e percebe-se que não teve nem sequer um equipamento profissional. A qualidade audiovisual nos faz imaginar que o filme foi rodado em uma handycam caseira. Além disso, por diversas vezes, barulhos sem importância, como o do motor dos carros, por exemplo, é mais audível do que a voz dos atores, tornando muitas cenas incompreensíveis. Puxa, será que é exigir muito que o som de um filme seja mixado antes de chegar aos cinemas? E pior que parece que esse filme já está sendo exibido em festivais desde fevereiro. Considerando que essa resenha foi escrita em outubro e você a está lendo em novembro quando o filme estréia em circuito comercial (a não ser que você a tenha encontrado nos arquivos antigos), eles tiveram um bom tempo pra arrumar o som. Para você ter uma idéia, a qualidade técnica do filme é tão amadora que nos faz pensar que se trata de um projeto de faculdade. Um bom projeto, é verdade, mas nada além disso. E para chegar ao cinema de forma honesta ainda deveria ser muito trabalhado em todos os aspectos (roteiro e qualidade audiovisual, principalmente).

            Curiosamente, Contra Todos (novamente na cola de Beleza Americana) vem faturando muitos prêmios e chegou a ser o filme mais premiado do Festival do Rio 2004. Como sempre, prêmios não significam nada para mim pois não preciso que pessoas que eu não conheço me digam o que é bom. Mas pergunto: Premiar o quê? O que justifica a premiação deste filme? Ele não é original, não tem qualidade técnica, não tem absolutamente nada que o faça melhor do que qualquer outro filme a não ser uma história pesada. Isso me faz lembrar de algo que alguém me falou há algum tempo atrás. Rico adora estudar pobre. Isso me parece a mais pura verdade e o único motivo racional para Contra Todos ser tão premiado, ou seja, os ricos (as pessoas que distribuem os prêmios) devem ter adorado o fato de ele mostrar as condições precárias de uma vida tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. E eu duvido que os pobres gostem desse filme tanto quanto os ricos, afinal, ninguém gosta de ter seus defeitos jogados na cara. Essa teoria pode justificar também a premiação de Cidade de Deus, mas como não assisti esse ainda, não vou meter meu bedelho.

            Assim como o tal filme da terra do Tio Sam, Contra Todos nos faz olhar para dentro de nós mesmos e pensar em como a nossa vida é patética. Mas verdade seja dita, a violência e a “beleza” do que é mostrada  aqui é muito superior ao do seu antecessor estadunidense. Se a Beleza Americana já chocou os brasileiros, dado o tom de veracidade e a cara de pau de mostrar a vida como ela é, possibilitando que muitas pessoas se identifiquem com a história, a Beleza Brasileira vai deixar muita gente de cabelo em pé com seu show de realismo e uma possibilidade de identificação muito maior. Afinal, acontece aqui no nosso país. E isso me leva à pergunta: a Beleza Americana é menos pior do que a brasileira ou é apenas mais hipócrita? Eu fico com a segunda. E você?

            Conta Todos estréia esta sexta, dia 19 de novembro.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:21 PM
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   Cinema – Gosto de Sangue – Versão do Diretor (Bloodsimple – EUA – 1984)

            Mais uma cabine que eu fui sem saber nada sobre o filme, mais uma decepção. Sim, admito que nunca havia ouvido falar desse tal Gosto de Sangue que, pelo que diz no release é um filme cult. Como não assisti a outra versão, minha resenha o analisará de forma completamente independente do filme original, como se fosse um novo filme.

            Ao ver um filme com esse nome, logo me veio à cabeça um filme sobre vampiros, por motivos óbvios: ora, que outra criatura sente e gosta do Gosto de Sangue? Pois bem, o filme não tem nada de sobrenatural. É apenas mais uma história de adultério e assassinato. E olha só que bizarro: essa versão do diretor é MENOR que a versão original. Outra coisa bizarra: o filme tem uma introdução que mostra um carinha lendo em uma biblioteca enquanto fuma um cachimbo. Aí o cara olha para a câmera, faz uma introdução para essa nova versão do filme e volta a ler. Sério, o negócio é tão bizarro que parece aquelas sátiras que vemos em South Park ou em filmes do Mel Brooks.

            Apesar da decepção com a total ausência de vampiros, até que o filme se sustenta bem, até certo ponto. Sem querer entregar nada da história, tem uma cena que um cara encontra um corpo assassinado e então, ao encostar em uma mesa, tem uma visão do assassinato (??). Então, sem mais nem menos, ele decide limpar tudo e levar o corpo para dar uma volta (????). Ok, os motivos dele até são explicados mais tarde, mas demora tanto para essa explicação chegar que, quando chega, o filme já desandou, junto com o pouco de interesse que eu ainda tinha nele. Contudo, verdade seja dita, no final, o filme engrena de forma a chamar o público de volta e nos faz sair até satisfeitos da sala de projeção.

            E isso me deixa confuso. Sinceramente, assistir a esse filme não me deixou com uma opinião concreta formada sobre ele. Pode ser que seja daqueles filmes que fica melhor a cada vez que você assista. Por isso, como só assisti uma vez, não vou me arriscar a dizer que ele é bom. Nem ruim. Assista por seu próprio risco e divirta-se. Ou não. Enfim, você decide.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:27 AM
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