Delfos - Jornalismo Parcial
   Televisão – O final de Senhora do Destino - Parte I - TEXTO POR ANDERSON LIMA

É difícil escapar de nosso moralismo. Ele está em muitas das idéias, falas e ações de nossos pais, colegas, professores e, porque não, de nós mesmos. E nós nem percebemos quando ele se mostra porque esse convívio vem de muito longe, quando nem conseguíamos diferenciar um dedo de qualquer outro objeto pontiagudo.

E é por meio de uma caixinha preta, que certamente você tem em casa, que esse moralismo ganhou terreno fértil para se propagar. Pois acredite. Esses ensinamentos que nos mostram o que é o certo e o errado – que nem sempre são tão certos ou errados assim – estão presentes em novelas e outras historinhas que costumamos assistir para distrair a mente – quer momento melhor do que este para ser atingido por um golpe certeiro?

A novela Senhora do Destino, exibida pela Rede Globo, é um bom exemplo do que digo. O político corrupto engana a própria mãe é desmascarado pela população e morre linchado, o cafetão malandro deseja riqueza e termina como mendigo e a antagonista principal mente, mata e rouba, recebendo como retorno um fim trágico nas águas da represa de Paulo Afonso (mas se a heroína não era pernambucana, o que fazia então na Bahia? Bom, deixa pra lá).

O que esses casos mostram é como nosso moralismo trabalha no sentido de mostrar que o crime não compensa e como é legal ser bonzinho, comer todas as verduras e rezar à noite para Papai do céu. É o popular “Aqui se faz. Aqui se paga” levado ao extremo.

A destruição pura e simples não basta. O vilão precisa ser atormentado e perseguido, sentindo na pele todo o mal que cometeu. Afinal, somente o bem triunfará no fim da história. E essa eterna luta entre o bem e o mal nada mais é que um sentimento maniqueísta que adotamos para nos sentirmos melhor quando estamos na pior.

Esse modo romântico de representar a realidade também é responsável por fazer sua namorada ver em você o príncipe encantado da vida dela e acreditar em um casamento feliz para todo o sempre. Por sinal, esta é uma das cenas mais manjadas de todo final de novela, quando todos casam e têm uma ninhada de filhos.

Poucos devem se lembrar de Vale Tudo e de seu ácido desfecho, quando o personagem interpretado por Reginaldo Farias rouba uma dinheirama, foge impune do Brasil e ainda nos dá uma banana de presente. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:20 AM
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   Televisão – O final de Senhora do Destino - Parte II - TEXTO POR ANDERSON LIMA

Isso tudo me fez lembrar de uma conversa que tive, semana passada, com uma senhora que acabara de conhecer. Foi um papo muito louco que começou com o Bento Milagroso* e terminou em Jesus Cristo passando, é claro, pelo céu e o inferno. Ela, que disse já ter sido católica e evangélica, e agora é espírita, falou algo interessante sobre essa história toda. Esse negócio de inferno seria tudo lorota. O inferno seríamos nós mesmos. Idéia com a qual concordei prontamente.

Toda a bondade e beleza do mundo têm sua morada no homem, penso eu. É dele toda a responsabilidade de usar esse dom ou de chutar o balde e pôr tudo a perder. A mesma humanidade que criou um Gandhi também não foi capaz de gerar um Hitler ou, para ficarmos em tempos recentes, um Bush?

Então, por que perder tempo com maniqueísmo? Porque desejar que o vilão seja punido na ficção enquanto toda sorte de falcatruas são realizada sobre a luz do dia, bem debaixo de seu nariz e você não faz nada? Apenas senta em frente à TV e espera o final feliz.

Pois eu proclamo um fim aos mocinhos apalermados, às donzelas que engravidam com apenas um beijo e às personagens rasas como um pires invertido. Isso não é diversão, nem mesmo alienação. É, isso sim, uma tremenda falta de respeito à inteligência de quem assiste. Não precisamos de tutores eletrônicos para nos mostrar o que devemos ou não pensar. Será que somos todos uns babacas? Quanto a mim, ainda tenho dúvidas. E você?

 

*Bento Milagroso foi uma figurinha que viveu aqui no Recife do começo do século XX. O cara se dizia santo e vendia garrafinhas com água benta com a promessa de que ela curaria diversas doenças.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 10:19 AM
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   Música – DVD – Blind Guardian – Imaginations Through The Looking Glass (Century Media – 2004) - Parte I

            Se tem uma qualidade na qual as bandas alemãs indiscutivelmente se sobressaem sobre a maior parte das outras – principalmente as escandinavas (leia resenha do show do  Children of Bodom AQUI e do Dimmu Borgir AQUI) – é na qualidade de seus shows. É incrível como as bandas deste país têm a capacidade de fazer ótimos shows. De Primal Fear (leia AQUI) a Gamma Ray e passando, é claro, pelo Blind Guardian, nunca presenciei um show de uma banda alemã que tenha sido ruim. Ok, talvez o do Helloween na época em que divulgava o escabroso The Dark Ride, mas aí a culpa foi mais do disco e das músicas escolhidas pela banda do que do show em si.

            Quem já teve oportunidade de assistir aos dois shows que o Blind Guardian fez em nossas terras deve se lembrar de quão bons são os nerds do Metal ao vivo, motivo mais do que suficiente para ser lançado um registro em vídeo de seus shows, coisa que já era exigida pelos fãs há tempos.

            Musicalmente é um DVD perfeito. Qualidade de som e de performance de gente grande, inclusive nos corais e nas músicas mais complicadas como And Then There Was Silence. O setlist também deve ser o suficiente para levar os mais fanáticos a orgasmos múltiplos nunca antes imaginados, principalmente na segunda metade do show. Saca só: Time Stands Still, Bright Eyes, Lord of The Rings, The Bard’s Song, Imaginations From The Other Side, And The Story Ends, Mirror Mirror e muitas outras. Na verdade a única que senti falta durante o show (Into the Storm) está presente no DVD 2 como faixa bônus. Mas falamos disso depois.

            Ainda falando sobre as músicas, é notório de que o grande momento nos shows do Blind Guardian é a linda The Bard’s Song. Pois aqui no DVD, algo diferente acontece. Durante Valhalla, a banda pára de tocar para deixar a galera cantar o refrão, como sempre fez. Pois o público simplesmente não pára de cantar. Hansi chega a cortar a galera, apenas para vê-los recomeçar o coro. E não é só isso, várias músicas depois, eles começam a cantar o refrão da Valhalla DE NOVO. Chega a ser engraçado observar a reação da banda, que fica com uma tremenda cara de ponto de interrogação.

            Elogios feitos, vamos às tradicionais críticas afinal, você está no DELFOS. Quem já viu o show deles, deve ter percebido, mas no DVD fica ainda mais evidente a falta de presença de palco de Hansi Kürsch. Não me entenda mal, o cara é um dos meus vocalistas e compositores preferidos, mas que ele parece não saber o que fazer com as mãos ou aproveitar o tamanho do palco é inegável. Chega a lembrar até um Ozzy Osbourne mais novo (por favor, fãs sem opinião própria, não venham me dizer que o Ozzy andando de um lado para o outro procurando o microfone é uma tremenda presença de palco).

            Outra crítica que tenho para fazer não se restringe apenas a esse DVD, mas a quase todos os DVDs de Metal que já assisti. Excetuando-se o Iron Maiden e seu Rock In Rio, é evidente que as bandas simplesmente não sabem aproveitar as qualidades técnicas do DVD, lançando produtos com qualidade de imagem abaixo da média (o que não é o caso aqui), mas que, principalmente, parecem terem sido feitos por uma equipe técnica amadora. Sabe aquelas edições que mostram o guitarrista base na hora do solo? Ou pior, que mostram só o vocalista? Esse é um tipo de erro que não pode acontecer. Tem coisa pior do que assistir um DVD que tem suas imagens constantemente mal enquadradas? Quer um exemplo? Em vários momentos a câmera mostra um dos guitarristas cortado pela metade enquanto em praticamente todo o plano nada mais existe. Outra coisa muito comum aqui é a imagem ficar fora de foco. Ora, qualquer um que já operou uma câmera de vídeo (ou mesmo de foto) sabe que a imagem sai de foco vez ou outra. Isso é normal e não tem nada de errado com isso, mas por que diabos deixar justamente a câmera que perdeu o foco no DVD se tinham muitas outras registrando o show? Isso é facilmente retirado na edição, o que demonstra um certo amadorismo do grupo contratado pelos alemães para cuidar da parte técnica do DVD e até mesmo da própria banda, que deveria ter solicitado a exclusão dessas imagens. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:03 AM
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   Música – DVD – Blind Guardian – Imaginations Through The Looking Glass (Century Media – 2004) - Parte II

            Para terminar as críticas do disco 1 – no disco 2 tem mais – não posso deixar de comentar a desonestidade da caixinha, na qual diz que o disco 1 tem 140 minutos. Não se deixe enganar, meu amigo. A duração do show é de menos de 125 minutos. Ora, isso, além de desonesto, é um crime contra o código de defesa do consumidor. O problema é que ninguém reclama (além de mim e de mais uns gatos pingados) e daí o consumidor continua sendo tratado como palhaço pelas multimilionárias empresas (e não estou me referindo somente à gravadora, que fique bem claro, isso é um círculo vicioso). E ainda é simplesmente ridículo mentir nisso. Ou vai dizer que alguém que está lendo essa resenha deixaria de comprar o DVD se pegasse a caixinha e estivesse como duração apenas 120 minutos? Ora, é claro que não.

            Uma outra curiosidade do DVD é sua opção de legendas. Tudo que o Hansi fala com o público é em alemão e NÃO está legendado nem em inglês. Se você ligar as opções de legendas, a única diferença que fará no vídeo é que aparecerão os nomes das músicas, o que é bem legal. Porém, legendas em inglês para o que é falado em alemão seriam bem-vindas. E talvez uma opção que mostrasse as letras na tela também cairia bem (aliás, por que todo DVD não tem isso? É algo tão simples e tão legal).

            Disco 1 comentado, vamos ao disco 2 que traz os extras. E ele já começa com mentiras, já que na caixinha está escrito que contém “Backstage Scenes of the A Night At The Opera Tour 2002”. Não. Não existe nada nem remotamente semelhante a isso no disco. A não ser que esteja escondido e, nesse caso, não deveria estar listado na caixa.

            O que realmente está presente nos extras é um Slideshow que mostra algumas fotos enquanto os falantes soltam Nightfall. Também conta com um Making of do Blind Guardian Festival (este legendado em inglês) que é bem chato. Isso se deve ao fato de que a banda optou, não por um documentário profissional com entrevistas e coisas do gênero, mas por filmagens amadoras feitas por câmeras de mão com comentários dos membros da banda por cima (em áudio apenas, e em alemão). A fórmula é mais ou menos aquela seguida no péssimo Infinite Visions do Stratovarius (pelo menos aqui o documentário é bônus, lá era a atração principal). O disco também traz uma entrevista com a banda, que também não é grande coisa.

            Mas o mais legal dos extras são mesmo as músicas bônus. E temos belas versões de Majesty, Into The Storm, Welcome To Dying e Lost In The Twilight Hall. A maior parte delas (as três últimas) está um pouco escura, mas são, sem dúvida a melhor parte do disco de extras.

            Para terminar, vamos comentar a embalagem. Ela é simplesmente fenomenal, pelo menos na versão em que botei minhas mãos, que é proveniente dos EUA. É um digipack capa dura lindíssimo repleta de desenhos da mais alta qualidade abrangendo os tradicionais temas RPGísticos do Blind Guardian. Destaque para o ingresso que mostra como local do show Middle-Earth (Terra-Média para os que não falam inglês). E para um anão exatamente igual ao Gimli do filme Senhor dos Anéis.

            Bom, se você chegou até aqui, você provavelmente quer saber se vale a pena comprar esse DVD. Sim, vale a pena, mas infelizmente não é tudo o que poderia ser. Um DVD trazendo um show completo do Blind Guardian é algo com potencial para estar em qualquer lista de melhores DVDs de Metal, já que, além da  absurda qualidade técnica dos músicos, eles são uma banda grande e com potencial de investir em uma equipe técnica de primeira linha. Pena que, para este Imaginations Through The Looking Glass, eles preferiram economizar...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:02 AM
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   Cinema – Constantine (Idem – EUA – 2005)

            “Aqui é Constantine. John Constantine, idiota”. Baseado nos quadrinhos da Vertigo, que é da editora DC Comics, que é da Warner, que tem a Time, que é da AOL (e ainda tem gente que diz que não existe monopólio), Constantine chega aos cinemas após gerar muita polêmica na comunidade nerd. Dizem os mais xiitas que o ocultista John Constantine não é um personagem adaptável para os cinemas (pelo menos não em um filme hollywoodiano) afinal, trata-se de um personagem adulto, que aborda temas sérios como a religião em histórias cheias de violência.

            Nunca fui muito de acompanhar quadrinhos adultos. Como o amigo delfonauta já deve saber, eu gosto mesmo é do Homem-Aranha (leia AQUI) que de adulto não tem nada. Por isso mesmo, conhecia muito pouco do Constantine, embora sempre tenha achado que se tratava de um personagem bem interessante. Por isso mesmo, pude assistir a esse filme sem as idéias pré-concebidas dos fanáticos pelo personagem e sem me preocupar com coisas como a mudança de nacionalidade do personagem (nos gibis ele é inglês). E, cara, eu me diverti pra caramba.

            Nos primeiros minutos, parece até que estamos assistindo a um filme de terror assustador na linha de O Exorcista (aliás, o início parece muito com o longa da garota possuída). Contudo, a partir do momento em que Constantine (Keanu Reeves) dá as caras, o filme abre mão do terror para se tornar um filme de ação dos bons.

            A premissa é a seguinte: existe uma guerra entre o céu e o inferno. Alguns representantes de ambas as partes vivem com a gente aqui na Terra. Contudo, eles não podem interferir diretamente nas nossas vidas, apenas influenciar. Essa regra serve para manter o equilíbrio. O problema é que esse equilíbrio foi afetado e cabe ao nosso herói resolver o problema e colocar o mundo de volta nos eixos.

            Ok, admito que não é lá muito original, mas vai por mim, o filme é danado de bom. A condução da história prende a atenção, a trilha sonora é legal e os efeitos especiais são embasbacantes. Constantine tem tudo que um bom filme de ação deve ter. E isso, é claro, inclui a donzela em perigo interpretada pela deliciosa Rachel Weisz que fica boa parte do tempo com a camisa molhada. Mas calma, garotas, afinal, se vocês têm o Keanu no filme para suspirarem, nada mais justo que nós tenhamos a Rachel, certo? ;)

            Quando o filme é bom, realmente não tem muito motivo para ficar se estendendo na resenha. Ouvi algumas pessoas reclamarem das atuações, mas na minha opinião, isso é coisa de jornalista chato que só assiste filme iraniano. Para nós, que queremos nos divertir, não é nada que chegue a incomodar. Quem agüentou Keanu Reeves em Matrix (leia AQUI), filme muito mais pretensioso, não tem por que se incomodar com o dito-cujo em Constantine. Falei, falei, mas essa resenha pode ser resumida a uma única frase: “vai assistir Constantine, meu!”. Ele estréia essa sexta.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 6:35 AM
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   Games – Wings of War (PC e Xbox – Gathering – 2004) - Parte I

Versão analisada: PC

 

Um dos gêneros mais queridos pelos jogadores de videogame e computador é a simulação aérea. Sejam eles simuladores complexos de vôo (como a série Flight Simulator da Microsoft) ou simples jogos de ação (como a antigas séries, Top-Gun, a franquia oficial do filme para o Nintendo 8 Bits, ou sua contra-parte, After Burner, da Sega), este é um estilo que sempre teve o seu nicho de jogadores garantido, geração após geração. Posso dizer com muito orgulho que me enquadro na lista dos fanáticos por jogos de combate aéreo, em especial os da Segunda Guerra Mundial, a chamada era de ouro da aviação, onde tudo dependia da habilidade dos pilotos nas batalhas e não de bugs nos computadores das aeronaves e miras automáticas.

 Agraciado como uma das boas surpresas de 2004 no gênero, o jogo de PC, Wings of War, chegou ao mercado de mansinho, ganhou o seu destaque e fui conferir se ele realmente vale o dinheiro investido.

A primeira particularidade de Wings of War é que ele se baseia na Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) e não na Segunda, como a maioria esmagadora dos jogos de aviões e de guerra em geral. Se o jogo realmente levasse a sério sua licença histórica, teríamos aviões muito frágeis (estamos falando da primeira década da aviação), pouco poder de fogo e muita, muita dificuldade em se manter os biplanos no ar enquanto teríamos de desviar das artilharias e dos ases inimigos (o famoso Barão Vermelho – e não estou falando da banda brasileira – lutou e morreu na Primeira Guerra). Infelizmente, através deste aspecto entramos na segunda particularidade do jogo, já que ele reduziu todo o potencial destes primeiros anos de aviação para uma mera jogabilidade “arcade”, sem nenhum traço de realismo e muito, muito tédio.

Quero deixar bem claro, antes de qualquer coisa, que não sou contra jogos que fogem um pouco do realismo para deixar a jogabilidade mais divertida. Um grande exemplo é a série Air Combat de Playstation 2 (mas que começou nos fliperamas em 1993 e passou até pelo primeiro Playstation), que sacrifica totalmente as dificuldades em prol da diversão. Porém, estamos falando de caças modernos com equipamentos eletrônicos de última geração e não dos pioneiros da aviação, em especial do combate aéreo. Infelizmente, essa mistura não casou legal e o “frágil” avião de madeira e ferro se comporta como um verdadeiro F-14 Tomcat do filme Top Gun. Você pode fazer qualquer tipo de manobra que ele nunca entrará em “stall” (a potência dos motores não compensa a altitude desejada) ou você pode meter o bico do bicho no chão que, se a barra de energia estiver cheia, ele irá quicar de novo para o ar. Obviamente que alguns destes fatores podem ser alterados pelos modos de dificuldade da tela de opções, mas a grande maioria permanece intocável e tira toda a graça de se pilotar os antigos bólidos. Continua abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:16 PM
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   Games – Wings of War (PC e Xbox – Gathering – 2004) - Parte II

A “simplificada” excessiva da jogabilidade também encontra reflexos nas missões encontradas ao longo da jogatina: você começa como um piloto francês novato (nada de escolher se você quer ser o mocinho ou o bandido da história, que por sinal é bem linear e não reproduz em nada o clima da Primeira Guerra) em uma base aérea na frente de batalha.

A primeira missão é um tutorial básico que ensina como decolar, pousar, atirar, tirar fotos e lançar bombas. A partir da segunda fase, temos os primeiros contatos com os aviões e veículos inimigos e basicamente se define como o jogo caminhará até o seu final. Todas as fases são bem longas, com mais de 10 submissões que se resumem sempre a abater aviões inimigos, destruir alvos terrestres (artilharia antiaérea, blindados, caminhões e instalações), escoltar aviões bombardeiros (mesmo que eles não existissem naquela época como são mostrados) até o seu destino, tirar fotos de bases inimigas (outro maltrato com a história já que esse tipo de missão apareceu apenas no final da Primeira Guerra pela dificuldade de manuseio das câmeras fotográficas nos aviões). Pode ter certeza: em todas as fases você encontrará todos estes tipos de missões o que torna o exercício de se chegar ao seu final um verdadeiro teste de paciência pois as missões não variam nunca e os diversos aviões que você pilota no jogo inteiro respondem exatamente da mesma forma. Nas fases você também pode encontrar upgrades escondidos para o motor, a metralhadora e o escudo (sim, seu avião também tem uma espécie de campo de força a la Star Wars).

Paralelamente às missões principais (eu já disse que elas não variam nunca?), você pode aceitar ou não algumas missões paralelas, que basicamente se resumem a duelos 1x1 contra ases inimigos, corridas até um determinado ponto do mapa ou bombardeios em determinados pontos. Os prêmios para estas missões também são os já citados upgrades.

A parte técnica de Wings of War é o grande destaque e, provavelmente, o que chamou tanto a atenção dos que idolatram o jogo. As texturas são muito bonitas, o jogo não é pesado e os modelos das aeronaves e dos veículos são extremamente bem feitos, mesmo que algumas animações, como as explosões, pareçam um pouco artificiais. Os sons são interessantes, mas novamente temos uma falha histórica estúpida já que os pilotos se comunicam o tempo inteiro por rádio, fato impossível naquela época. Lembre-se que estamos falando do começo do século XX. Para efeito de curiosidade, a maioria das comunicações dos aviões na época era feita através de bandeiras com cores ou símbolos para sinalizar as situações. Eu até concordo que implementar um sistema de “bandeiras” no jogo seria pedir demais, mas precisava também adiantar a invenção dos rádios comunicadores?

Essa falha histórica acontece no jogo inteiro com modelos de tanques, blindados e caminhões, que só dariam as caras décadas depois, pipocando na tela. Em alguns momentos temos a impressão de estar jogando alguma paródia do Monty Python (leia AQUI), para falar a verdade. É tudo falso demais.

A minha dica é: quer jogar alguma coisa sem compromisso histórico? Apenas por algumas horas de diversão? Então Wings of War é o seu jogo. Caso contrário, busque nas lojas de usados, uma antiga cópia de Red Baron II (de 1998), esse sim um grande jogo que respeita sua licença histórica e também roda suave nos sistemas modernos.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:16 PM
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   Música – Matérias – Dual Disc – A Luz No Fim do Túnel - TEXTO POR MAURICIO GOMES ÂNGELO

A “cultura do bônus” é uma tendência natural e adotada em larga escala nos dias de hoje. As empresas se esforçam cada vez mais para dar ao consumidor o máximo possível em seus produtos na tentativa de combater a pirataria, já que os piratas têm profunda dificuldade em reproduzir os materiais com a mesma qualidade do original.

Num game, por exemplo (que consome milhões de dólares em investimento e anos em desenvolvimento), a preocupação com a duração do jogo, dos atrativos extras que ele possa ter (minigames, fases secretas, patchs, mods, atualizações freqüentes), do fator replay (o quanto ele é interessante e estimulante para ser jogado mais que uma vez), de suas opções multiplayer e do jogo online são atualmente mais fundamentais do que nunca, tornando o produto mais interessante para o consumidor. Da mesma forma os DVDs de filmes colocam cada vez mais material adicional para justificar a sua compra, cenas inéditas, detalhes de produção, entrevista com os realizadores, especiais de tv, etc. A indústria fonográfica não ficaria de fora dessa e decide investir (muito tardiamente) no Dual Disc.

Este formato apresenta em um único disco um lado de CD comum e outro de DVD. Com o primeiro lado sendo o álbum normal, e o outro uma versão do mesmo álbum com o som realçado (o não tão famoso DVD-áudio, com som 5.1 Surround), junto com efeitos multimídia como vídeos das músicas, cenas de bastidores, galerias de fotos, web-links, entrevistas, shows ao vivo e assim por diante, fazendo com que o público tenha uma experiência mais duradoura e divertida com o produto. Excelente notícia. Pode realmente revolucionar e dar um novíssimo impulso ao mercado musical. Levando-se em conta a evolução que ocorreu quando da transposição dos LPs para o CD, o Dual Disc pode ser considerado o último na escala evolutiva. E há muito para ser explorado dentro dele.

Nos álbuns de Rock/Metal, o cuidado com a arte da capa, o encarte e toda a caracterização que envolve um produto já é histórico e vem se intensificando nos últimos anos como forma de atrair os compradores para o produto original. O Dual Disc vem para ampliar essa cultura. Duas bandas que já anunciaram o lançamento de seus álbuns neste formato são o AC/DC que relançará o mais do que clássico Back In Black (um dos álbuns mais vendidos da história, que chegou inclusive a receber o disco de diamante) nessa tecnologia, e o Judas Priest (leia resenha do DVD de Electric Eye AQUI) terá seu novo trabalho – Angel Of Retribution -  lançado nas duas mídias, a comum e o DD.

Fato: só o Dual Disc não basta para combater os “Capitães Gancho da vida”, é preciso que (e essa bandeira já foi levantada inúmeras vezes, ao qual a indústria parece não dar ouvidos) que se diminua imediatamente o preço dos CDs, reduzindo um pouco o gordo lucro das gravadoras. Basta que uma major dê o exemplo, oferecendo melhores condições de compra ao consumidor. Sendo bem sucedida, e provavelmente será, todas as outras farão o mesmo (“nada se cria, tudo se copia”, lembram?). Persistir na teimosia (e no mundo encantado dos lucros exorbitantes) já provou ser uma estratégia errada. O Dual Disc é o último suspiro da indústria fonográfica e, se vier acompanhado das medidas necessárias, as possibilidades das gravadoras saírem da UTI não são assim tão remotas como elas parecem pensar.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:30 AM
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   Cinema – O Lenhador (The Woodsman – EUA – 2004)

            Eu adoro temas polêmicos. Para mim, nada é mais legal do que enfiar o dedo sem dó na ferida da nossa sociedade hipócrita (leia a coluna Pensamentos Delfianos AQUI). E, convenhamos, em tempos de Kelly Key e Queer Eye For The Straight Guy, provavelmente mais nada relacionado ao sexo é tabu. Nada, a não ser o tema deste filme: a pedofilia, assunto no qual, admito, até mesmo eu tenho medo de tocar, pois é algo que exige muito cuidado para ser discutido.

            Estrelado pelo “sósia do Bon Jovi com sobrenome de comida”, Kevin Bacon como o protagonista Walter, O Lenhador nos leva a acompanhar o personagem durante sua liberdade condicional, após passar 12 anos na prisão cumprindo pena por molestar garotinhas. Ele arranja emprego em uma serraria, onde conhece e começa a namorar Vickie (Kyra Sedgwick, a esposa de Bacon na vida real). Obviamente, o pessoal do trabalho acaba descobrindo sobre o vergonhoso passado de Walter e começa a julgá-lo. Paralelamente, Walter recebe freqüentes e humilhantes visitas do policial Lucas (o rapper Mos Def), que insiste que está de olho nele. E isso tudo acontece enquanto o próprio Walter luta contra seus desejos mais negros e a constante tentação das garotinhas que ele vê pelas ruas usando mini-saias e roupas reveladoras.

            Um dos maiores trunfos de O Lenhador é justamente o de colocar no papel do protagonista um personagem que normalmente seria um vilão desumano. Com isso acompanhamos seu desenvolvimento, sua constante luta em vencer seus instintos sexuais e as memórias e o sentimento de culpa que o consome.

Como nunca nada é perfeito e esse é um filme proveniente dos “States”, ele simplesmente não poderia escapar de todos os clichês do gênero e precisava ter um vilão, personalizado pelo personagem Candy. Embora este personagem protagonize uma das melhores cenas do filme (a cena do rapto com narração esportiva), ele é completamente desnecessário. Afinal, este não é um filme de heróis e vilões, mas um filme sobre seres-humanos, com suas qualidades e defeitos. O que, na cabeça dos roteiristas, torna Walter melhor do que Candy (ou mesmo do que qualquer um de nós)? O arrependimento? Ora, isso parece ter sido tirado da Bíblia e desculpe, mas não me convence. Não temos todos nós momentos de nossas vidas dos quais nos arrependemos e nos envergonhamos? “Quem não tem pecados que atire a primeira pedra” para usar outra citação bíblica.

Apesar disso, a direção de Nicole Kassel e os atores desempenham seu papel excepcionalmente bem e algumas cenas são realmente ótimas. É o caso da supracitada cena do rapto, mas também do último diálogo de Walter com a garota Robin (que diz ter nome de pássaro, mas para mim ela tem é nome de super-herói).

Para concluir, fecho dizendo que O Lenhador é um dos melhores filmes dramáticos dos últimos anos. Tem algumas cenas chocantes e o tema é para lá de polêmico e justamente aí reside sua força. Não perca. Ele estréia nessa sexta, 4 de março.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 1:28 PM
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   Cinema – Edukators (Die Fetten Jahre Sind Vorbei – Alemanha - 2004) - TEXTO POR SULA CARVALHO

Do diretor alemão Hans Weingartner (mesmo de O Som das Nuvens) Edukators é um filme político que debate e critica a mentalidade capitalista e suas conseqüências no mundo contemporâneo.

Jan (Daniel Bruhl, de Adeus, Lênin – leia AQUI) e seu amigo Peter (Stipe Erceg) se autodenominam “Os Edukadores”, e tomam para si a função de lutar contra a opressão da atual ordem social, política e, principalmente, econômica.  Á noite, disfarçados e encapuzados, eles invadem mansões e fazem a maior bagunça com os móveis e objetos da casa. No entanto, eles nunca levam nada. Deixam apenas bilhetes ameaçadores com frases como “Seus dias de fartura estão contados”. Quando a namorada de Peter, Jule (Julia Jentsch) fica sabendo das invasões, sugere que eles entrem na casa da um ricaço para quem ela deve muito dinheiro. As coisas não dão muito certo e são surpreendidos pelo proprietário da casa. A partir daí, a vida dos três (assim como o filme) toma um rumo totalmente diferente.

Em segundo plano à luta política e ideológica, há o triângulo amoroso entre os protagonistas que, na verdade, só serve para descansar o telespectador dos diálogos cada vez mais fortes e dar um toque mais pop ao filme.

Apesar dos diálogos intensos (e às vezes cansativos) da segunda metade do filme, quando toma lugar discussões sobre a luta sócio-política contra a burguesia, Edukators convence devido à ingenuidade e pureza dos jovens protagonistas e à esperança que alimentam de que realmente podem mudar o mundo (que jovem nunca quis fazê-lo?).

O filme, que foi muito discutido no circuito alternativo nacional e internacional, recebeu uma indicação ao European Film Awards em 2004 de melhor ator para Daniel Bruhl e fez sucesso no Festival de Cannes 2004.

Com um roteiro nada previsível, atuações incomparáveis (principalmente por parte de Daniel Bruhl e Julia Jentsch), trilha sonora rica (destaque para a versão de Jeff Buckley para “Hallelujah”, simplesmente lindo) e com um final espetacular e infalível, Hans Weingartner mostra a força do cinema alemão contemporâneo.

De Edukators, cada um tira sua mensagem, que será provavelmente aquela que lhe for mais cômoda. Para isso, o filme deixa margem a duas interpretações. A primeira, é a de que o tempo passa, os ideais morrem, e as boas idéias e convicções se vão junto com a juventude. A segunda nos lembra, no entanto, que os únicos que podem mudar o mundo são aqueles que realmente acreditam que isto seja possível e tentam fazer alguma coisa a respeito. Qual será a sua forma de interpretar?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:02 AM
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   Games – Clássicos – Rock N’ Roll Racing (Super Nintendo/Mega Drive – 1993/1994 – Interplay/Blizzard) - TEXTO POR MAURÍCIO GOMES ÂNGELO

Rock N’ Roll Racing marcou uma geração. Foi uma combinação única de todos os elementos que um bom jogo de corrida precisa ter. Seus gráficos inovadores, arrojados, redondos e bem caracterizados colocavam o jogador na atmosfera perfeita que o game insinuava. A premissa era simples: você escolhia um personagem de algum planeta entre os disponíveis, deveria ganhar as corridas para coletar grana e aperfeiçoar seu carro, entre armas, motores, e o próprio bólido, destruir os oponentes e, viajando entre os mundos, se tornar o melhor piloto da galáxia.

Mundos esses, aliás, que eram bem peculiares e cheios de armadilhas, tornando a exploração dos cenários divertidíssima, a briga por pegar os itens espalhados pelas pistas, os clássicos power-ups (importantes para o desenvolvimento no jogo) só eram um aditivo a mais para incrementar as corridas acirradas pela boa dose de velocidade proporcionada (sensação de velocidade é coisa fundamental em games de corrida, parece redundância, mas muitos games pecam neste quesito, ou por sua absoluta ausência ou por demorarem demais em engatar) e pela semelhança da potência dos carrinhos em cada planeta, já que seus adversários visivelmente evoluíam junto com você, deixando a disputa ser decidida “no braço” mesmo. Reza a lenda que a versão para Mega Drive (lançada um ano depois) é bem mais difícil do que a do Super Nintendo mas, tendo jogado as duas versões, considero isto apenas um folclore, já que o nível de dificuldade de ambas é parecido. A jogabilidade, a propósito, era fantástica! Extremamente macia e confortável, de rápida adaptação e fazendo com que o jogador desenvolvesse seu próprio estilo de pilotar. Rock N’ Roll Racing foi um dos jogos mais divertidos e viciantes de que tenho notícia.

Mas o que mais marcou Rock N’ Roll Racing foi, como o nome indica, sua trilha sonora. No auge dos 16-bits, quando a sonorização dos games alcançava os resultados mais “extra-sensoriais” da história, as versões para clássicos supremos do Rock e Heavy Metal aqui apresentadas pegou em cheio os jogadores e imortalizou em suas memórias os insanos rachas disputados. Dentre outras, temos aqui clássicos como Born To Be Wild do Steppenwolf, Highway Star do Deep Purple e Paranoid do Black Sabbath. Era impossível não se empolgar imediatamente no início das corridas quando surgiam os riffs poderosos de Tony Iommi e companhia. Considerada até hoje uma das melhores trilhas sonoras da história dos games, por ter criado total interação e fomentado a paixão nos gamers, a trilha de Rock N’ Roll Racing ainda está anos luz à frente do imbróglio eletrônico de games como os da série Need For Speed (leia AQUI - http://delfos.zip.net/arch2005-01-16_2005-01-31.html) e Gran Turismo, completamente antipáticas e destituídas de feeling. Embora, deva admitir que outros jogos recentes como Grand Theft Auto, Burnout e Project Gotham Racing também mandaram bem nos seus momentos mais inspirados.

É estranho que a Blizzard não tenha feito uma continuação de Rock N’ Roll Racing até hoje. Num momento em que remakes de jogos nem tão bons assim pipocam por todos os lados nos portáteis de última geração e as continuações são a tônica da indústria de games, uma nova versão de RRR para os poderosos consoles atuais, mantendo os elementos básicos que o tornaram um clássico e caprichando mais uma vez na trilha sonora (se quiserem, eu me encarrego de indicar as bandas J), teria grandes chances de novamente marcar uma época e conquistar milhões de novos fãs. Let the carnage begin!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 12:31 AM
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