Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema - Cruzada (Kingdom of Heaven - EUA - 2005) - Parte I - TEXTO POR CARLOS CYRINO

            De Ridley Scott sempre espero bastante. Afinal o cara fez Alien – O Oitavo Passageiro, Blade Runner – O Caçador de Andróides e Gladiador. Tudo bem que ultimamente ele vinha de dois filmes medianos – Falcão Negro em Perigo (sobre a mania que os estadunidenses têm de se meterem onde não são chamados) e Os Vigaristas (um filme bacana, mas menor em sua filmografia) – mas esta era sua chance de voltar à boa forma num gênero que ele ajudou a ressuscitar: o épico. Infelizmente, o resultado é morno, tanto devido a escolhas erradas quanto à utilização de muitos clichês do gênero. Continua abaixo...

 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:16 AM
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   Cinema - Cruzada (Kingdom of Heaven - EUA - 2005) - Parte II - TEXTO POR CARLOS CYRINO

            Antes de falar dos tropeços, um pouco da história. No século 12, durante a segunda cruzada, um grupo de cavaleiros faz um pit stop num pequeno povoado francês. O líder do grupo, Godfrey de Ibelin (Liam Neeson, o mestre Jedi Qui-Gon Jinn do Episódio I de Star Wars) descobre que o ferreiro local, Balian (Orlando “eu já trabalhei de ferreiro em Piratas Do Caribe” Bloom) é seu filho e convida o rapaz para se juntar a ele em sua jornada rumo a Jerusalém. Apesar de relutante, o rapaz acaba por acompanhar o pai, de quem rapidamente herda um senso de moral muito forte.

            A Terra Santa de Jerusalém está dominada pelos católicos, sob o comando do leproso Rei Balduíno, que passa o filme inteiro atrás de uma máscara de ferro que esconde as feições de Edward Norton. Há uma trégua com os muçulmanos, mais especificamente os sarracenos comandados pelo Rei Saladino. Porém, dois cruzados mal-intencionados logo tratam de acabar com a paz.

            É no meio dessa balbúrdia que Balian chega e se destaca por desencanar dos interesses políticos e por tornar-se protetor do povo. Ele espera que, através de suas boas ações, a alma de sua mulher suicida possa ser perdoada. Afinal, como o delfonauta sabe, no catolicismo, suicídio é pecado e quem o comete vai parar no inferno.

            Assim como em Gladiador, o filme dá um show na reconstituição de época, tanto de figurinos quanto de cenários. Tal como havia feito com Roma no filme acima, Jerusalém também é reconstruída através da computação gráfica. Aliás, este é um dos filmes de época mais precisos historicamente. As únicas liberdades tomadas dessa vez são o fato de que o personagem de Godfrey nunca existiu e que o Rei Balduíno na realidade morreu em 1185, um ano antes do começo da história.

            É uma grande produção, com centenas de figurantes, muitas cenas de batalha e todo o apuro técnico e visual que já são marcas registradas de Ridley Scott. Porém, ele errou feio na escolha de seu protagonista. Orlando “eu também estava em Tróia” Bloom precisa comer muito arroz com feijão para poder estrelar um filme como personagem principal. Como coadjuvante, ele até engana bem (principalmente as garotas), mas quando não conta com uma sociedade do anel ou um pirata afetado do seu lado, fica evidente a sua falta de expressão e total incapacidade de nos passar profundidade psicológica, algo que Russel Crowe fez muito bem em Gladiador.

            Mas ele não é o único problema do filme. O roteiro poderia trabalhar melhor a questão da batalha entre as duas religiões (algo que acontece até hoje), o verdadeiro motivo das Cruzadas ($) e como os homens usam a fé de desculpa para cometerem as maiores atrocidades e depois tirarem o corpo fora. Mas ele nem chega a arranhar a superfície.

            E, para aliviar um pouco o lado de Orlando “por que só me escalam para fazer épicos?” Bloom, seu personagem é muito mal construído. Afinal, quem em sã consciência decide acompanhar um homem que aparece do nada, fala que traçou sua mãe contra a vontade dela, diz que é seu pai e pede para acompanhá-lo a uma terra conturbada? Tudo em menos de cinco minutos!

            Fora isso os dois cruzados mal-intencionados de quem falei lá em cima acabam com a paz simplesmente porque são maus! Um deles praticamente fala isso em determinado momento. É o cúmulo da simplificação. Só perde nesse quesito para o primeiro Highlander, onde o vilão é mau só porque é russo (ou é russo porque é mau?).

            No quesito ação, as cenas de batalha são boas e a edição é frenética, porém não apresentam nenhuma novidade. Inclusive a batalha final, o cerco a Jerusalém, lembra muito a batalha do Abismo de Helm em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres.

            Outra coisa que sempre me pergunto é se um épico é assim chamado por causa de sua temática ou de sua duração. Este filme bem que precisa de um cortezinho aqui e ali. Em determinados momentos de seus 145 minutos tive que conferir o relógio pra saber quanto tempo restava para acabar, o que sempre é sinal de duração excessiva. Não me entendam mal, não tenho nada contra filmes longos, mas existem aqueles que parecem passar em uma hora e aqueles que parecem durar uma eternidade. Mesmo assim, esse é o tipo de filme feito para se ver no cinema. Afinal, na telinha da TV, aquele visual de encher os olhos e os sons da batalha perdem muita força.

            Este filme não vai botar o nome de Ridley Scott de volta ao topo, como Gladiador o fez, mas também não vai jogá-lo na lama como A Lenda. Simplesmente vai mantê-lo em seu status quo, e vai se juntar à lista de filmes medianos do diretor (aqueles citados no começo). E, da próxima vez que eu for ao cinema assistir a um de seus filmes, vou esperar um pouco menos dele.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:16 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Parte I

As bandas alemãs têm um carinho especial pelos brasileiros e sempre dão um jeitinho de passar por aqui quando marcam as suas turnês. Só como um exercício de memória, nos últimos anos tivemos shows marcantes do Helloween, Gamma Ray, Blind Guardian, Edguy, Masterplan, Primal Fear (leia AQUI), U.D.O, Kreator, Sodom e Destruction. O próprio Grave Digger já passou três vezes por aqui.

Mas como assim três vezes? Calma, amigo delfonauta, se você pensa que essa é apenas a segunda visita dos alemães ao Brasil, não está sozinho. A primeira turnê brazuca aconteceu em 1997 com o Rage na divulgação do hoje aclamado Tunes of War (leia a resenha desse álbum AQUI), o show em Sampa aconteceu no finado Dama-Xoc e foi tão bagunçado e mal divulgado que conheço apenas duas pessoas que foram. Aliás, é difícil até mesmo conseguir qualquer informação que seja sobre essa visita. Claro que como nós sempre pensamos nos delfonautas, quando entrevistamos o Grave Digger, tínhamos que perguntar sobre isso. Confira a resposta do Chris clicando AQUI).

Já para a segunda passagem dos alemães, a coisa ganhou corpo e tivemos uma boa divulgação, tanto nas revistas especializadas quanto no boca a boca e os shows, em especial os de São Paulo e Curitiba, foram muito bem sucedidos. Lembro-me um momento marcante em que Chris Boltendahl disse que as 4.000 pessoas presentes no DirecTV Music Hall na noite de 4 de Outubro de 2003 gritavam mais que as 15.000 do Wacken Open Air 2001, onde o Grave Digger registrou seu único CD ao vivo, o famoso Tunes of Wacken.

Único até o momento, pois justamente por essa empolgação dos brasileiros é que Chris Boltendahl (vocais), Manni Schmidt (Guitarra), Jens Becker (Baixo), H.P. Katzenburg (Teclado, e que faz também o mascote Reaper) e Stefan Arnold (Bateria) escolheram gravar um DVD oficial da banda por aqui como parte das comemorações dos seus 25 anos. Aliás, 2005 é o ano das comemorações e DVDs de Heavy Metal, primeiro foi o Sepultura, depois o Viper e agora o Grave Digger.

Para que tudo desse certo, os alemães seguiram aquela máxima (ultrapassada – é verdade) do futebol: em time que está ganhando não se mexe, e marcaram o show de gravação para o mesmo local de 2003, o DirecTV Music Hall. A princípio, essa decisão pareceu estranha já que São Paulo tem algumas casas maiores e melhor equipadas para esse tipo de ocasião, como o Via Funchal, aonde o Angra também gravou seu nojento CD/DVD ao vivo ou o Credicard Hall, aonde o Shaaman gravou seu show. Possivelmente temiam que uma banda como o Grave Digger talvez não lotasse uma casa como o Via Funchal. Polêmicas à parte, essa é até uma decisão pertinente já que uma coisa muito chata seria uma casa vazia durante um show para gravação de um DVD onde, eventualmente, a câmera filma o público e seus, digamos, buracos.

A casa não estava lotada, mas recebeu um bom número de fãs e, por falar no público, ao contrário de 2003 onde tivemos, em sua maioria, um pessoal acima dos 25 anos, desta vez encontrávamos tanto os fãs das antigas, bangers anos 80, quanto uma molecada que está descobrindo a banda agora. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:13 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Parte II

Vamos ao show: quem abriu foi o Child Of Flames, mas infelizmente não deu tempo de assistir à apresentação dos caras, pois entramos no DirecTV por volta das 21:30 (o show estava marcado para as dez) e a banda estava no final de sua última música que, me desculpe se eu estou errado, mas creio que era uma cover de Sixpounder, do Children of Bodom. Algumas pessoas, no entanto, me contaram que o Child foi bem vaiado durante todo seu set e seu estilo era bem diferente do Grave Digger porém, quando terminaram seu show, foram bem aplaudidos. Enfim, como não presenciei essa abertura, não posso tirar maiores conclusões.

Uma pausa de 30 min para a troca dos equipamentos e pontualmente às 22 hs, as luzes se apagam e a curta introdução The Passion começa. Em tempos de introduções gigantescas e monótonas (certo, Sr. Angra?), o Grave Digger dá uma aula de como se começa um show. As cortinas se abrem e um primeiro fato curioso: cadê o pano de fundo? Mesmo com a gravação do DVD e um show especial em comemoração aos 25 anos, a banda não trouxe nenhum pano de fundo, apenas uma cortina com listras pretas e brancas. A simplicidade se manteve durante todo o show, sem nenhuma produção especial, o que é curioso, já que na supracitada entrevista (não pegou o link? É só clicar AQUI), Chris nos confidenciou que traria toda a produção européia. Será que ele se referia apenas ao pano de fundo? :-)

O mascote e tecladista H.P. “Reaper” sobe ao palco com a fantasia e com seus olhos brilhando na cor vermelha. O show começa com as novas The Last Supper (ótima ao vivo) e Desert Rose. A empolgação do público era visível e quero fazer um pequeno comentário: se esse começo foi perfeito, grande parte se deve ao MP3, tão combatido pelas gravadoras, pois o The Last Supper só saiu aqui no Brasil no dia do show (parece brincadeira) e duvido que as 3.500 pessoas no DirecTV tenham importado a versão européia que saía por mais de R$ 100,00. É o anti-marketing em ação.

Chris diz o seu “boa noite” e o público responde com a tradicional saudação ensurdecedora “olé, olé, olé, Digger, Digger”. O vocalista, visivelmente emocionado, explica aos presentes sobre a gravação do DVD no Brasil e anuncia a primeira surpresa da noite, a excelente The Grave Dancer do Heart of Darkness (1995), seguida de uma seqüência matadora de clássicos, com Shoot Her Down (faixa que não era tocada ao vivo há bastante tempo, tirada do single de mesmo nome), The Reaper (do álbum de mesmo nome de 1993), Paradise (na minha opinião, a grande surpresa da noite, tirada do subestimado War Games, de 1986) e a maravilhosa Excalibur, do álbum de mesmo nome de 1999 (leia a resenha AQUI).

Todas as músicas foram muito bem recebidas, mas senti que alguns ficaram meio perdidos, especialmente na execução da Paradise. Outro detalhe foi o erro de Chris em um verso de Excalibur, o que deve render um overdub na versão final do DVD. De resto, o som estava ótimo e a presença de palco de todos da banda, especialmente Chris e Manni, era fantástica. Os dois realmente se divertem e essa energia é contagiante.

A seqüência de clássicos continua com a cadenciada The House (faixa muito legal do álbum The Grave Digger), Circle of Witches (também do Heart of Darkness) e a mais recente Valhalla do Rheingold, de 2003. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:11 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Parte III

            Mais uma faixa nova dá as caras: a pesada Grave In The No Man´s Land. Há alguns meses acompanhei uma discussão no fórum do site oficial da banda onde alguns membros levantaram a polêmica de que o riff dessa música lembra muito Enter Sandman do Metallica. Tivemos a oportunidade de perguntar esse fato ao Chris durante a entrevista na semana retrasada (não leu ainda? Então não perca tempo e clica AQUI) e ele negou veementemente. Durante o show, pude prestar mais atenção e, realmente, o riff principal lembra um pouco o clássico do Metallica. De qualquer forma, esse foi o momento mais “apagado” da noite.

De volta aos clássicos, tivemos mais uma seqüência muito legal com Son Of Evil (outra do The Grave Digger), The Battle of Bannockburn do Knights of The Cross (bem que podiam ter trocado essa por Inquisition, mas tudo bem, ambas são legais) e a belíssima balada The Curse of Jacques, outra música subestimada da carreira da banda que jamais deveria ter saído do setlist das turnês.

Por falar em balada, a primeira da carreira da banda aparece: Yesterday do Heavy Metal Breakdown, no momento mais emocionante da noite até então, com algumas pessoas revivendo o velho hábito de acender os isqueiros e todos cantando. Será, sem dúvida, um dos momentos mais legais do DVD. 

Chris dedica a próxima faixa a todas as mulheres presentes no DirecTV e anuncia Morgane Le Fay do Excalibur. E ficou demais! Nessas horas eu torço para algumas bandas assistirem à empolgação do Grave Digger no palco e aprenderem um pouquinho como se faz um show de verdade. Como o baixista do Harppia, Ricardo Ravache (entrevistamos ele AQUI), me disse depois do show, foi uma aula de Heavy Metal.

Na seqüência e sem perder o pique, os caras mandaram mais uma penca de clássicos. Primeiro Symphony of Death, uma das faixas mais queridas pelos antigos fãs, do EP de mesmo nome. Depois mandaram uma versão maravilhosa da faixa título do álbum  Witch Hunter e finalizaram com mais um petardo, The Dark Of The Sun, tirado do Tunes of War.

Infelizmente, nesse momento, o público não participou tanto quanto no começo, mas a energia voltou com força total em Knights of The Cross (essa música é demais e a empolgação do público gritando o “murder, murder” no refrão emocionou até o Reaper que não parou de fazer “jóia” pro público!). Aliás, o Reaper era um dos grandes destaques da noite, fazendo invariavelmente coreografias assustadoras, lembrando movimentos de magia e coisas do tipo. Não é exagero dizer que o cara está lá mais pelo visual do que pelo som, já que os teclados do Grave Digger são, em geral, bem sutis. Pena que ele não foi devidamente iluminado em nenhum momento do show.

Chris anuncia a última música da noite e o público responde com sinais de negativo, formando uma bela coreografia, parecia até combinado e o vocalista não conseguiu segurar a risada quando viu a cena. O set normal fechou com a boa Twilight of The Gods do Rheingold. Eu gosto dessa música, mas acho que a banda poderia escolher alguma coisa mais clássica para encerrar essa primeira parte, como Scotland United e Lionheart, que infelizmente não apareceram. A banda agradeceu e saiu do palco.

Após um excelente coro do público, Chris voltou ao palco e apresentou todos os integrantes da banda, com destaque para os aplausos recebidos pelo tecladista Reaper e terminou com a frase “e nós somos o Grave Digger” que abriu espaço para uma versão matadora de The Grave Digger, faixa do álbum homônimo lançado em 2001.

O público novamente puxou o coro de “Olé, Olé, Olé, Digger, Digger” e Chris puxou um outro começo bem famoso “The Clans are marching against the law...”. Era o sinal para o maior clássico dos 25 anos de carreira: Rebellion. É até bobagem comentar a participação de todos, um daqueles momentos brilhantes de shows que carregarei para sempre comigo. Chris agradeceu mais uma vez e os integrantes saíram do palco novamente. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:10 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Parte IV

Para o Segundo bis, Manni voltou sozinho e tocou o riff inicial de Rheingold por várias vezes até o público responder à altura com os famosos gritos de “hey” na paradinha da música. Cada vez que ele tocava, um dos membros entrava no palco. Quando todos voltaram, mandaram uma versão mais rápida com grande destaque para Chris, que manda muito bem ao vivo nessa faixa, especialmente no refrão.

Em seguida mais uma grata surpresa: The Roundtable. Como eles não tocaram essa no tempo normal, achei que ficaria pra próxima e qual não foi minha surpresa quando Chris anunciou esse clássico? A versão ao vivo com a participação do público, especialmente no refrão, fica ainda mais legal que a original do Excalibur. 

Para fechar com chave de ouro, exatamente como ocorreu em 2003, Chris agradeceu mais uma vez a todos os presentes, disse que o Brasil agora faria parte da história da banda e anunciou a primeira música da carreira do Grave Digger: um dos hinos do Metal alemão, o clássico absoluto, Heavy Metal Breakdown. Confesso que me emocionei nesse final. Há muito tempo não vejo uma participação tão afiada do público. As milhares de pessoas no DirecTV se converteram em uma só voz e deram a base perfeita para um encerramento digno de uma lenda do Metal. No finalzinho, Chris ainda parou mais uma vez para agradecer a todos, os promotores que tornaram a realização do DVD possível e, lógico, os fãs que cantaram e agitaram muito nas 2 horas se meia de apresentação.

Na saída, ouvi diversas comparações com a apresentação do Grave Digger em 2003 e grande parte dos que comentavam, julgavam a apresentação daquele ano melhor do que agora, especialmente por duas músicas tocadas na ocasião e que não deram a cara dessa vez: Lionheart e Scotland United. É difícil mesmo imaginar um show da banda sem esses dois clássicos, mas vamos também levar em conta que o Grave Digger tocou 25 músicas em 2 horas e meia de pura energia, coisa que muita banda por aí ficou devendo na passagem pelo Brasil (Aproveite e leia a resenha ao show de 1 hora do Children of Bodom do ano passado. É só clicar AQUI). Não tivemos essas duas, mas eles tocaram Paradise, Witch Hunter, a ótima The Curse of Jacques, as também clássicas Symphony Of Death e Shoot Her Down. Enfim, músicas que não estavam daquela vez, mas marcaram presença no último dia 07/05. Pense também que escolher um set de 25 composições com 12 álbuns de estúdio nas costas não é fácil.

No geral, curti pra caramba. A apresentação superou minhas expectativas, resgatou alguns clássicos das antigas, o som estava ótimo, a banda muito animada e cumpriram a promessa de tocar pelo menos uma música de cada álbum (por motivos óbvios, deixaram o Stronger Than Ever do Digger de fora) e o público deu um show à parte, emocionando visivelmente o próprio Chris Boltendahl.

O DVD em comemoração aos 25 anos do Grave Digger, com a gravação desse show em São Paulo, deve sair em outubro e, antes que eu me esqueça: espero que da próxima vez a gravadora lance o CD da turnê em questão antes do show. Afinal, o público deve ter o direito de conhecer o álbum por vias legais antes de prestigiar a banda. Veja Mais Fotos Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:08 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Mais Fotos

 



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:07 AM
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   Música – Shows – Grave Digger (São Paulo – DirecTV Music Hall – 7 de Maio de 2005) - Mais Fotos

 



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:05 AM
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   Games – Kingdom Hearts (Playstation 2 – Square – 2002) - Parte I

A moda começou nos gibis ainda nos anos 70: primeiro tivemos um crossover entre duas editoras rivais com personagens da Marvel fazendo pontas nas revistinhas da DC e vice-versa. Com o tempo, lançaram até aquela porcaria de minissérie chamada DC vs Marvel onde colocaram os personagens das duas editoras em lutas que seriam decididas pelo público através de uma votação por cartas. Depois a moda chegou aos videogames com os personagens da Marvel enfrentando os da Capcom e depois os personagens da SNK lutaram contra a fabricante do Megaman. Mas a mistura de gêneros foi até para a música com Milton Nascimento cantando no CD do Angra (leia resenha de um show dos caras AQUI).

Finalmente, em 2002, a famosa produtora japonesa Square (responsável pelos melhores RPGs de todos os tempos), colocou no mercado um jogo que misturasse mundos totalmente diferentes: Final Fantasy com Disney. Não, você não leu errado, a empresa ousou juntar em uma mesma história alguns dos personagens mais queridos do mundo. Se essa mistura deu certo ou não, você vai ter que ler essa resenha para descobrir. J

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que esta resenha sai com 3 anos de atraso, mas como diz o velho ditado: antes tarde do que nunca. Nunca tive muito interesse nesse jogo e na verdade, nunca soube explicar também o porquê, já que, teoricamente, ele apresenta todos os elementos que eu procuro em um game e veio de uma produtora muito admirada por mim. Ultimamente, eu estava sem grandes opções de RPGs novos legais de Playstation 2 e resolvi dar uma chance a Kingdom Hearts.

Isto posto, quero comentar outro fator importante: eu não entendo por que não se pode criticar um filme ou um jogo com os personagens da Square e, especialmente, da Disney. Parece que tudo o que eles fazem é intocável e, na realidade sabemos que é um pouquinho diferente, basta ler a resenha do Corrales para o Nem Que a Vaca Tussa (leia AQUI ). Todos têm o direito de errar, mas se você já pré-julga um filme da Disney ou um jogo da Square como perfeitos, mesmo antes de seus lançamentos, então pare de ler esta resenha agora para não se irritar, pois perfeição é uma palavra que passa longe do jogo em questão.

A história é bem simples e passa paralelamente em dois mundos: o jovem Sora e dois amigos, Riki e Kairi, moram em uma ilha chamada Destiny Island, perdida no meio de um vasto oceano e jamais saíram para conhecer outros lugares do planeta. Como qualquer adolescente curioso, os três sonham com outros mundos e lugares para explorar onde possam viver mil aventuras e começam a construir uma pequena e rústica jangada, sem o conhecimento de seus pais, para cruzar o oceano em busca de terras desconhecidas. Neste momento, você incorpora Sora na busca pelo material necessário na construção da jangada e nos mantimentos para a viagem. Um começo bem chatinho, diga-se de passagem, pois você tem de ir e voltar até determinados pontos da ilha para coletar uma extensa lista de materiais, mas tudo serve como um grande tutorial para você se acostumar com os controles. Enquanto isso, no Reino da Disney, o Rei Mickey desaparece misteriosamente e seus dois fiéis escudeiros: o mago Donald e o chefe da guarda real, Pateta, saem em sua busca com a ajuda de uma nave espacial chama da Gummi (será algo a ver com os Ursinhos Gummi?) que pode viajar entre vários mundos. Essa nave também faz parte de um joguinho paralelo de viagem entre os mundos, no estilo Star Fox onde você pode ganhar alguns itens para melhorar a velocidade, resistência e canhões da nave. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 9:26 AM
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   Games – Kingdom Hearts (Playstation 2 – Square – 2002) - Parte II

            De volta à ilha, nosso Sora se prepara para a viagem quando um portal aparece no céu e libera diversas “sombras” malvadas. Após derrotar as sombras, Sora ganha uma espada em formato de chave (keyblade) e é sugado para outra dimensão (uma cidade chamada Traverse Town que é uma mistura entre a tecnologia de Final Fantasy e a magia da Disneyworld) onde parte em busca de seus amigos. No caminho, você cruza com Donald e Pateta e os três resolvem descobrir o que há por trás dos seres sem coração (heartless – as sombras que Sora enfrentou na ilha e que também dão as caras na cidade) e do desaparecimento de Mickey. Logicamente, por trás de tudo estão os grandes vilões da Disney como o Capitão Gancho, Clayton, Hades, a Bruxa da Branca de Neve e alguns vilões da série Final Fantasy. A história se desenvolve a partir daí, com Sora, Donald e Pateta explorando os mundos (cada um é um filme famoso da Disney como Hércules, a Pequena Sereia e Tarzan), ajudando os personagens de cada aventura, enfrentando seus chefes (alguém falou em Megaman?) até descobrir a verdade sobre sua keyblade.

            Uma enorme variedade de personagens Disney cruzará o seu caminho. Além de Donald e Pateta, temos Margarida, Minnie, Huguinho, Zezinho, Luizinho, Tico, Teco, Alice, Simba, Ariel, Tarzan, Hércules, Bambi, Ursinho Pooh (antigamente era Puff) e muito mais com praticamente todos os seus respectivos coadjuvantes. Do lado de Final Fantasy, temos Cloud, Leon, Squall, Cid e mais alguns, mas a prioridade é realmente da casa do Mickey. Apenas para constar, com exceção de Donald como mago e Pateta como cavaleiro, os outros personagens aparecem bem caracterizados em seus respectivos mundos.

Os gráficos são eficientes. Kingdom Hearts não é o jogo mais bonito de Playstation 2 e não tem os melhores gráficos de um RPG (esse título dou para Xenosaga) mas cumpre bem o seu papel com cenários bonitinhos (mesmo que repetitivos dentro dos mundos), boas texturas e personagens com certo nível de detalhes. No caso, os personagens da Disney são os grandes destaques com seus modelos poligonais muito bem feitos e com várias expressões faciais. Os modelos, em especial do Grilo Falante e do Pinóquio são lindos. Vai entender, mas justamente Donald e Pateta, os dois personagens que acompanharão o jogador em 90% do tempo são os mais simples e limitados.

Os sons e músicas, como em qualquer jogo da Square, estão legais. As músicas utilizam alguns temas conhecidos dos filmes Disney, porém não de todos os filmes presentes no jogo o que é bem curioso. Para complementar, não temos uma trilha sonora o tempo inteiro e, às vezes, a música simplesmente desaparece durante o diálogo dos personagens o que dá uma incômoda sensação de vazio. Sabe aquele momento da revelação chave? Imagine sem uma trilha de suspense, silêncio total, apenas com os personagens conversando. Falta algum impacto.

Por falar nas conversas, grande parte dos diálogos é dublada e todo o trabalho de vozes é fantástico e bem fiel ao mundo Disney. A voz de Sora é interpretada por Haley Joel Osment, o garotinho de O Sexto Sentido e outros atores conhecidos também emprestam suas vozes.

Diferentemente da maioria dos jogos da Square, toda a ação acontece em tempo real, inclusive as lutas. Esqueça as tradicionais brigas por turnos da série Final Fantasy já que a empresa optou por um RPG ação no estilo Legend of Zelda. Na teoria a idéia é estranha, especialmente porque você controla apenas Sora e o computador se encarrega do restante de seu time (no máximo 3 personagens), mas na prática a coisa funciona legal até certo ponto. Mesmo sem esse controle total, você pode optar por algumas táticas (personagens mais ofensivos, focar em recarregar a energia e por aí vai) nos menus de inteligência artificial mas isso não impede que muitas vezes o mago Donald utilize alguma estratégia kamikaze, especialmente contra os chefes das fases. Se um personagem aliado morrer (o que ocorre frequentemente, especialmente com nosso querido pato), ele fica inconsciente por um tempo (longo) e depois volta com metade de sua energia recarregada. Já se Sora morrer é game over e você deve reiniciar a ação de algum ponto salvo ou da última troca de ambiente.

A dificuldade varia entre o ridiculamente fácil ao irritantemente difícil num piscar de olhos, especialmente por problemas que comentarei nos próximos parágrafos. Os heartless, no geral, são bem variados e fáceis, mas seus ataques, por mais estúpidos que sejam, sempre tiram uma energia considerável. O problema é que na maioria das vezes você não enfrenta três inimigos isolados e sim uma verdadeira horda. Por sorte, quando derrotados, eles deixam bolinhas verdes (que recuperam a energia) e douradas (o dinheiro do jogo). Com o dinheiro, você já deve imaginar: compra poções, ether (item famoso nos Final Fantasies pois recuperam o precioso MP – medidor de magia), armas e armaduras nas lojinhas.

Os chefes são os bem conhecidos inimigos da Disney e da série Final Fantasy (em menor quantidade) e não são difíceis se você acumulou níveis suficientes durante os mundos (uma dica preciosa – acumule o máximo de níveis, perca horas apenas matando os inimigos simples), mas também tiram bastante energia com seus ataques e é bom ficar esperto para utilizar as poções. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 9:25 AM
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   Games – Kingdom Hearts (Playstation 2 – Square – 2002) - Parte III

Aliás, falando nas poções, isso é algo que preciso comentar. Você tem três formas de recarregar as energias durante as batalhas: pelas bolinhas verdes, pelas poções ou pela magia cure (cura) um pouco mais pra frente. As bolinhas verdes são as mais funcionais pois basta passar em cima e pronto, porém recuperam pouca energia e não aparecem em todas as batalhas. A magia e o item herdaram o sistema de lutas por turno e são terríveis de se utilizar durante uma luta chata onde o menor descuido significa a morte. Você deve acessar o menu principal pelo direcional esquerdo, selecionar o submenu (de item ou magia), selecionar o que você quer usar, selecionar o personagem onde você quer aplicar e apertar o botão mais uma vez. Calma, ainda não acabou: Sora joga o item ou magia pra cima, grita o seu nome e só depois a energia é recarregada. Você imagina tudo isso em tempo real, no meio daquela batalha contra um mestre. Muitas vezes (bota muitas aí) eu morri enquanto o panaca do Sora gritava o nome de poção olhando para o céu, o que serviu para que eu exercitasse minha criatividade e inventasse vários apelidos lisonjeiros para a Square.

Apesar de uma história funcional (veja bem – funcional – nada de excepcional) e uma qualidade técnica decente. Kingdom Hearts sofre de dois problemas crônicos que quase põe tudo a perder. O primeiro deles é a câmera. Acho inadmissível que, após uma década com jogos 3D (na verdade, são quase 15 anos se contarmos as primeiras tentativas no PC no começo dos anos 90), as empresas ainda não tenham desenvolvido um sistema eficaz de câmeras e Kingdom Hearts sofre MUITO com isso: muitas vezes a visão trava em alguma parede e você não consegue enxergar um baú deslocado, por exemplo, ou então no meio de uma batalha com algum dos chefes a câmera dispara a girar e você perde totalmente sua referência, enfim, é um inferno e irrita bastante. Você até pode escolher uma câmera manual na tela de opções, mas a última coisa que precisa, quando está enfrentando um inimigo mala, é se preocupar com a câmera.

A perspectiva escolhida em terceira pessoa também não ajuda em nada pois a visão é sempre focada nas costas do personagem mas não falo daquele ângulo 3/4 de um Max Payne (leia AQUI), onde conseguimos visualizar todo o cenário, e sim de uma visão no bumbum de Sora mesmo, que nos impossibilita de enxergar o que acontece exatamente à sua frente.

Imagine a seguinte situação: você está em uma daquelas fases de pular de plataforma para plataforma até alcançar um determinado ponto no topo de uma montanha. Se cair, volta tudo e tem de recomeçar do zero só que o pulo do personagem é impreciso (aliás, esse é outro grande defeito), a câmera não consegue se fixar para mostrar um ângulo favorável e a perspectiva não te dá uma referência quanto à localização da próxima plataforma. Para piorar, os seus “companheiros de time” cismam em subir sempre na mesma plataforma minúscula onde você também está, limitando ainda mais seu espaço para o próximo salto. Frustrante não? Pois isso acontece muito mais do que você pode imaginar e esse é o resumo de Kingdom Hearts: frustrante.

Um jogo que tinha tudo para ser o melhor RPG de Playstation 2, mas naufraga nas falhas técnicas, enredo sem profundidade e falta de cuidado com a programação. Nota dez pela idéia de reunir dois mundos tão distintos, porém tão próximos quando se fala em fantasia e criatividade, mas nota zero pela execução que simplesmente desperdiçou duas das mais importantes franquias da história e não falo apenas dos videogames. Faltou um maior cuidado e aquela magia especial dos filmes da Disney. Tudo soa muito frio, você não consegue criar laços de carisma com nenhum dos personagens e sempre que cito esse lado da caracterização gosto de mencionar o melhor jogo de videogame de todos os tempos, na minha opinião, Chrono Trigger. Por que a própria Square, criadora dos dois RPGs, não consegue repetir a afinidade criada entre os jogadores e os personagens na era 16 Bits se agora tem muito mais recursos para aproveitar?  

Apesar de morno e, de certa forma, monótono – especialmente em seu começo - Kingdom Hearts conseguiu alcançar o sucesso (provavelmente pelos nomes que leva) e abrir espaço para uma continuação: Kingdom Hearts II que sairá daqui a alguns meses no Japão e nos EUA. Espero, de coração, que a empresa adote algumas mudanças drásticas na execução das idéias para o segundo episódio ou teremos apenas mais uma boa idéia esquecida em nossas prateleiras empoeiradas em alguns anos. E mais um resenha delfiana negativa, é claro.



 Escrito por Bruno Sanchez às 9:24 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte I

O vocalista e líder do Grave Digger, Chris Boltendahl realmente tem o dom da concisão. Tínhamos 30 minutos para entrevistá-lo e preparamos mais de 50 perguntas. Obviamente, achava que não conseguiria perguntar nem metade delas, já que nas entrevistas que fizemos por telefone anteriormente (W.A.S.P. e Sentenced, que já estão prontas e serão publicadas em breve), foi possível fazer menos de uma pergunta por minuto. Nesta não só fiz todas as perguntas planejadas, como inventei algumas e mesmo assim acabei usando apenas 16 dos nossos 30 minutos, o que me deixou com uma sensação de que o tempo poderia e deveria ter sido melhor aproveitado. Sem contar que eu fiquei extremamente sem graça em alguns momentos quando o Chris revertia as perguntas para mim.

Ainda assim, a entrevista que você confere abaixo passa a carreira do Grave Digger a limpo, inclusive as polêmicas, como a saída de Uwe Lulis e a fase Digger, quando a banda assumiu uma postura comercial. Chris também falou sobre religião, as freqüentes mudanças de formação, o público brasileiro e a decisão de gravar um DVD no Brasil, no show de São Paulo, que acontece no próximo sábado, dia 7 de maio no DirecTV Music Hall e que o DELFOS vai cobrir. Além desse show, a banda toca também em Curitiba no dia 6, no Espaço Callas. Sem mais delongas, divirta-se com a primeira entrevista internacional a ser publicada no DELFOS. Continua Abaixo...



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:34 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte II

Carlos?

É.

Aqui é o Chris do Grave Digger.

Oi, Chris. Quando o Grave Digger começou, muitas bandas boas estavam surgindo na cena alemã, como o Running Wild, Kreator e Helloween. O que você pode nos dizer sobre essa época?

Foi a First Wave of German Heavy Metal (Primeira Onda do Heavy Metal Alemão) e nós nos divertimos muito. Tinham muitas bandas, os fãs eram como clãs. Sim, foi demais. Nos divertimos muito. Foi Rock ‘n’ Roll. Foram anos realmente Heavy Metal.

Você acha que teve algum motivo especial para tantas bandas boas começarem na mesma época?

Não sei. Nunca pensei nisso. Acho que nós éramos fãs da New Wave of British Heavy Metal e muitas bandas tentaram seguir isso. Essa deve ser a razão pela qual elas começaram na mesma época.

Em 1984, vocês lançaram o Heavy Metal Breakdown. Como foram as gravações?

Foi bem fácil. Ficamos duas semanas no estúdio e gravamos, mixamos, bebemos muito e nos divertimos também.

No mesmo ano, vocês lançaram o single Shoot Her Down, para promover a turnê com o Metallica, que nunca aconteceu. O que aconteceu com a turnê?

Nós fomos chamados muito tarde. Acho que pouco antes da tour começar. Nós estávamos prontos. Mas não desistimos e fizemos Witch Hunter.

E quais são suas memórias sobre a época do Witch Hunter?

Foi como no Heavy Metal Breakdown: bebendo, se divertindo e tocando Heavy Metal.

Ainda em 1985, vocês participaram da famosa coletânea Metal Attack, considerada por muitos como o início da cena Metal alemã. O que você acha disso?

Eu acho que a cena começou um pouquinho antes, uns dois anos antes. É, nada mais a dizer sobre isso.

Em War Games, vocês fizeram um som que não era tão pesado. Por que vocês decidiram ir por esse caminho?

Bom, nós tentamos ser um pouco mais comerciais e colocar mais dinheiro no bolso. Mas ainda é um disco pesado. Não tanto quanto o Witch Hunter, mas é um disco de Heavy Metal de uma forma um pouco mais comercial.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:33 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte III

Foi por causa disso que vocês adotaram aquele visual com maquiagem?

(rindo) Sim, foi por isso.

Como foi a reação dos fãs a isso?

Você diz para o War Games ou para o Digger?

Para o War Games ainda.

Acho que eles gostaram. Ainda assim fez bastante sucesso.

E então por que vocês decidiram mudar o nome para Digger e lançar um disco mais comercial?

Nós queríamos receber mais dinheiro. Mas foi um grande erro e foi por causa disso que nós ficamos fora do meio por alguns anos.

E os fãs não gostaram dessa mudança?

Sim, você tem razão (risos). É isso mesmo. As pessoas não gostam e foi um grande erro.

O Grave Digger chegou a encerrar as atividades depois do álbum do Digger?

Sim. Ele não fez sucesso e a cena também estava diminuindo nessa época. Nós ficamos muito tristes e arrependidos e acabamos voltando.

Então vocês decidiram voltar com o nome Grave Digger e lançar o álbum Reaper. Como foi essa volta?

Nós tentamos ser muito agressivos e pesados, para voltar com tudo.

Então, em 1996, vocês lançaram o Tunes of War. Por que vocês decidiram escrever sobre a história do William Wallace?

Bom, nós queríamos fazer algo como um CD conceitual e tivemos a idéia de escrever umas três músicas sobre isso, mas quando compusemos as músicas, decidimos escrever um disco inteiro sobre isso.

Em Tunes of War, as músicas são mais complexas do que antes. Isso foi intencional?

Não, acho que elas saíram automaticamente assim.

Em Knights of the Cross, o tema eram as cruzadas. O que você acha da posição da igreja nessa época?

(pensativo) Ahn... Eu acho que religião é uma grande parte da história do mundo. E quando você lida com religião, você precisa ser cuidadoso.

Você segue alguma religião?

Não.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:32 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte IV

Você fez alguma pesquisa antes de escrever as músicas do Knights of the Cross?

Sim, fizemos muita pesquisa para isso. Lemos muitos livros.

Chegou a alguma conclusão sobre o significado do Santo Graal?

(gaguejando) Eu... Não sei... Acho que é uma grande saga histórica.

Então vocês fecharam a trilogia épica com Excalibur. Por que você decidiu escrever sobre algo do qual tantas bandas já falaram?

Acho que os fãs queriam ouvir essa história contada pelo Grave Digger, então nós a escolhemos.

Um cara aqui do DELFOS pediu para eu perguntar isso para você. Ele gosta muito da música Final War. Por que vocês não a tocam ao vivo?

(rindo) Não sei. Porque tocamos outras músicas mais importantes.

Você acha que a música The Round Table lembra a era Digger?

(silêncio) Você acha? (risos)

Na verdade, não. Mas esse cara que perguntou da Final War acha. Eu gosto muito dela, na verdade.

É, eu acho que The Round Table é uma música realmente Metal e não me lembra da saga Digger.

Esse álbum teve a participação do Subway to Sally. Como foi essa participação?

Nós somos amigos e decidimos deixar eles participarem no disco, tocando alguns instrumentos da idade média.

Por que o (guitarrista) Uwe Lulis saiu depois desse disco?

Porque a química com ele não estava boa, estava muito ruim, então nós decidimos dispensá-lo.

Você gosta do trabalho dele no Rebellion?

Não. Você gosta?

(rindo e sem graça) É, eu gosto.

(rindo) Ok.

Como vocês encontraram o (guitarrista) Manni Schmidt?

Manni era um bom amigo nosso, então o convidamos assim que Uwe Lulis saiu.

Por que o Grave Digger mudou tanto de formação no passado?

Não sei. Você precisa das pessoas certas para a música certa.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:32 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte V

Ok, você acha que você está hoje com sua melhor formação?

Acho que sim. O que você acha? (ri)

(novamente sem graça) É, eu gosto da formação atual também. (Nota: Cara, o que se responde para uma pergunta dessas assim de sopetão?)

Ok.

Como foi o processo de composição para o álbum The Grave Digger?

(pausa) Ah, para o álbum The Grave Digger. Nós nos encontramos em um estúdio na Holanda e em duas semanas, compusemos cinco músicas. Foi um trabalho muito intenso.

Neste álbum, temos um som mais dark do que antes. Quais foram as inspirações para ele?

Depois da separação com Uwe Lulis, estávamos muito bravos e você pode perceber isso pelo humor e atmosfera nesse álbum.

Nessa época, pareciam haver muitos problemas entre o Grave Digger e a (gravadora) Gun Records. Até as revistas brasileiras reclamavam que não conseguiam entrevistar vocês porque a gravadora só ligava para a Europa. O que aconteceu aí?

A química entre a banda e a empresa estava muito ruim. Eles não faziam nada por nós e foi por isso que saímos de lá.

Então saiu o disco Tunes of Wacken. Você gosta desse álbum?

Eu adoro ele.

Tem overdubs nesse disco?

Não, não tem nenhum overdub nele.

Em 2003, o Grave Digger voltou para os discos conceituais. Por que você escolheu os Anéis de Nibelungs?

Era uma idéia muito antiga da banda, e a época parecia certa para isso.

Quais são suas lembranças da turnê brasileira nessa época?

Apenas boas lembranças. Nos divertimos muito e foi por isso que decidimos gravar o DVD ao vivo em São Paulo.

Logo depois dessa turnê, foi divulgado que você faria um disco sobre a bíblia e depois desistiu dessa idéia. O The Last Supper não é sobre a bíblia?

Não, só três músicas que são sobre os últimos dias de Jesus Cristo.

Por que você desistiu dessa idéia?

Porque para contar a história da bíblia, precisaria de uns dez discos, não apenas de um. A bíblia é um livro muito grande.

Essas três músicas são as idéias originais para este álbum?

Sim, sim, sim.

E você não tem mais planos de gravar um disco sobre a bíblia?

Não, não, não... Sem chance.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:31 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte VI

No fórum do Grave Digger, tinha algumas pessoas comentando sobre as semelhanças entre os riffs da Grave in no Man’s Land (do álbum The Last Supper) e da Enter Sandman (do Metallica). O que você acha disso?

Você acha elas parecidas?

Não, mas as pessoas do fórum parecem achar.

Acho que apenas os riffs são um pouco parecidos, mas no fim, ela é uma música tipicamente Grave Digger.

Ok. Algum motivo especial para gravar um DVD aqui no Brasil?

Sim, os fãs brasileiros são os maiores, melhores e mais barulhentos do mundo.

O DVD vai ser gravado só no show de São Paulo?

Sim, o plano é gravar só um show e tocar 25 músicas.

O que você se lembra da sua primeira tour por aqui?

A organização era boa, mas tinha poucas pessoas.

Os shows aqui vão ter alguma coisa especial? Setlist estendido, produção especial, fogos?

Nós não usamos fogos, mas vamos levar uma parte da produção alemã para o Brasil e vamos tocar o setlist estendido. Prometemos para os fãs um show muito bom.

O que você pode nos dizer sobre o setlist para o Brasil?

Vai ser surpresa (risos).

Você vê o Grave Digger como seu projeto solo ou como uma banda real?

Não, é uma banda.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:30 AM
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   Música – Entrevista Exclusiva: Grave Digger – Chris Boltendahl (realizada por telefone no dia 26 de abril de 2005) - Parte VII

Acho que vocês são a única banda onde o mascote toca um instrumento. Como vocês pensaram em vestir o (tecladista) HP como o Reaper (a Morte)?

(risos) Ele gosta. Ele gosta de usar aquela roupa e nós gostamos que ele faça isso. Ele faz o mascote e toca o teclado e isso é muito bom para nós.

Quais você considera os pontos mais altos e mais baixos na carreira do Grave Digger?

O ponto alto foi o Wacken 2001 e o ruim foi a saída do Uwe Lulis.

Você vê muita diferença entre as cenas Metal dos anos 80 e hoje em dia?

Sim, a cena hoje é bem maior do que nos anos 80.

Qual é a sua música favorita do Grave Digger?

The Last Supper.

Tem alguma que você não goste?

Eu gosto de todas elas.

Ok. Voltando ao War Games, muitas das faixas falam sobre a guerra. Quais foram as inspirações para esse álbum?

Foi a explosão atômica em Hiroshima em 1945.

Quando você estava escrevendo músicas como Rebellion e Dark of the Sun, você imaginava que essas músicas se tornariam clássicos do Heavy Metal?

Eu esperava que sim (risos). Não sou eu que faço clássicos, as pessoas que fazem.

Ok. Bom, essas eram todas as nossas perguntas...

(interrompendo) Ok, legal. Vejo você no show semana que vem.

Só queria que você deixasse uma mensagem para o seleto público do DELFOS.

Quero encontrar todo mundo na semana que vem, porque vai ser um show muito bom e as pessoas vão se divertir. (Quer um MP3 dessa mensagem? Escreva para contato@delfos.art.br solicitando que a gente manda para você!)

Ok, muito obrigado pela entrevista, Chris.

Ok, obrigado. Tchau.

 

Perguntas por Bruno Sanchez, com algumas adições de Carlos Eduardo Corrales. Entrevista conduzida, traduzida e digitada por Carlos Eduardo Corrales.



 Escrito por Bruno Sanchez às 12:29 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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