Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema – Guerra dos Mundos – (War of the Worlds – EUA – 2005) - O filme e a polêmica na sessão para Imprensa - Parte I

            Há algum tempo, inventei um termo que costumo usar para sessões para imprensa muito esperadas: cabines terroristas. Com isso, designava aquelas exibições com um esquema de segurança bem maior que o tradicional. Por exemplo, a necessidade de confirmar presença, ter o nome na lista de convidados e a proibição da presença de mais de duas pessoas por veículo. Contudo, em Guerra dos Mundos, a UIP decidiu inovar e organizou a cabine mais terrorista até então. Não satisfeita com essa segurança tradicional, utilizada em filmes como Star Wars (AQUI) e Batman Begins (AQUI), optaram por “obrigar” os jornalistas presentes a assinar um papel dizendo que se comprometiam a publicar material sobre o filme apenas a partir da data de estréia, que é hoje, 29 de junho, dois dias depois da data em que assistimos o filme.

            Obviamente, os jornalistas não gostaram nada disso e começaram a imaginar que, para fazer um embargo de críticas, o filme deve ser um lixo atômico. Antes da sessão, a assessora de imprensa da UIP chamou a atenção de todos para dizer que, como profissional, entende nossa repulsa por isso, mas que a ordem veio do estúdio e a única coisa que ela podia fazer era encaminhar nossa insatisfação para a galerinha do poder, ou os “the man”, como dizem os manos estadunidenses.

            Nesse momento, um indivíduo que não faço nem idéia de onde é, se levantou indignado e disse que nós, jornalistas, temos que nos unir contra esse tipo de atitude dos poderosos. Segundo ele, isso beira o fascismo. Hoje nos impedem de publicar as críticas com antecedência, amanhã ditarão o conteúdo dos nossos textos. Aí se levanta um outro cara e diz: “Falei com um advogado e esse papel não tem valor legal nenhum”. Faz uma pausa dramática e continua com entoação de líder político: “Eu não vou cumprir esse embargo. Hoje à tarde já vai ter um crítica no veículo X!”. Termina de falar e começa uma saraivada de aplausos indignados.

            E eu lá, nas primeiras fileiras do cinema tentando entender: “Peraí! Isso tudo é porque nós vamos ter que esperar dois dias para publicar a crítica? Uhn... tipo assim... DOIS DIAS?”. Sim, aqui acabamos a parte jornalística do texto e vamos para a minha opinião. Cara, são só dois dias! A maior parte dos veículos diários só publica as críticas no dia do lançamento mesmo. Ok, não era isso que estava em jogo. Alguns, como o primeiro exaltado aí de cima, já acharam (com alguma razão) que isso era um atentado contra a liberdade de imprensa. Mas ninguém nos estava impedindo de falar mal do filme, apenas de espinafrá-lo antes da estréia.

            Sinceramente, se os caras não aceitavam os termos, por que foram? E, principalmente, por que assinaram o papel? Porque queriam ver o filme, hein? A-há! Que espécie de ideologia é essa que só se manifesta depois que seu interesse já foi atendido? Se acha que está errado, faça o boicote que quiser, mas não aceite tudo para depois se rebelar. É a mesma coisa que o Bill Gates sair por aí falando que é a favor da distribuição igualitária de bens, é simplesmente ridículo! E mais, é só uma crítica! E são só dois dias! Publicar uma crítica de um filme qualquer, por mais esperado que seja, é tão importante assim?

            Ora, por várias vezes nesse ano e meio de DELFOS, tive acesso a informações privilegiadas (bandas que vêm para o Brasil e coisas do tipo) que me pediram para não revelar até determinado momento. Normalmente essas informações são passadas pelas assessorias em papos informais e nunca tive problema nenhum com isso, até porque manter um contato amigável em uma assessoria vale bem mais do que fazer inimigos para revelar alguma coisa.

            Mas ok, eu sou um cara que não tem problemas com regras. Posso até questioná-las, mas não me estresso tanto por causa disso, até porque boa parte delas são necessárias e principalmente porque minha própria visão política vai para o lado de regras bem mais rígidas do que as que temos aqui no Brasil, onde para tudo se dá um jeitinho (volto a esse assunto outro dia). O que realmente me estressa são pessoas idiotas que não estão nem aí para as outras, mas esse é outro tópico que abordarei em um futuro texto.

            Voltando à parte jornalística, ao final da seção a garota da UIP voltou para dizer que essa indignação por parte da imprensa aconteceu em todo o mundo e que ela tinha recebido autorização de rasgar as folhas que assinamos, mas que o embargo para críticas continuava. Depois ouvi alguém comentar que ela tinha rasgado sem autorização do estúdio e que estava morrendo de medo de alguém publicar alguma coisa antes da hora e sobrar para ela. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:09 AM
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   Cinema – Guerra dos Mundos – (War of the Worlds – EUA – 2005) - O filme e a polêmica na sessão para Imprensa - Parte II

            Bom, o DELFOS vai respeitar esse embargo (tanto que, embora este texto esteja fechado desde segunda, você só o esteja lendo hoje), pois não achamos isso nada de mais e realmente não queremos criar problemas para a assessora. Além disso, já tenho problemas suficientes na minha vida para ficar me preocupando se a crítica do filme (que não chega nem perto em expectativa a um Star Wars) vai ser publicada na terça ou na quarta (percebe quão ridículo é esse stress todo?). Um desses problemas, como o delfonauta mais ligado já percebeu, está sendo colocar o portal DELFOS no ar e cobrar o programador picareta que, embora esteja sendo pago, não trabalha – por isso que estamos demorando tanto para “portalizar”. Aliás, se existe algum programador de PHP responsável nesse planeta, por favor entre em contato comigo (contato@delfos.art.br).

            Agora, como todos nós sabemos que o que vende mesmo é polêmica, a parte vendável deste texto acabou. De agora em diante, esta é uma crítica comum, como tantas outras que você já leu aqui no DELFOS.

            Guerra dos Mundos é baseado no livro homônimo de H. G. Wells, que relata uma invasão alienígena ao nosso planetinha, vista através dos olhos de um cidadão comum, mais ou menos como aquela maravilha chamada Marvels, cuja resenha você leu AQUI - http://delfos.zip.net/arch2004-02-16_2004-02-29.html.

            Guerra dos Mundos também ganhou fama ao ser transmitida no século passado via rádio pelo diretor de Cidadão Kane, Orson Welles (que, a título de curiosidade, já gravou a narração de algumas músicas para o Manowar). Essa transmissão tem um toque de gênio e um de canalha. O de gênio foi transformar o ouvinte no “cara comum” do livro, narrando a invasão como se fosse a programação normal do rádio, intercalando notícias com músicas e tal. Já o de canalha veio justamente daí, pois muita gente, acreditando que era o fim do mundo que se aproximava, se matou por causa disso. Sim, foi avisado no começo do programa que seria uma leitura de Guerra dos Mundos, mas convenhamos, quantas pessoas pegam um programa de rádio desde o início? Esse caso acabou se tornando assunto de estudo nos mais diversos cursos de comunicação para mostrar aos alunos quão perigoso o poder da comunicação pode ser se não for usado com responsabilidade (Ei, você já leu a resenha de Homem-Aranha 2? Não? Então clica AQUI).

            Infelizmente, o “cara comum” no filme é interpretado por Tom Cruise (aproveite e leia a resenha de O Último Samurai AQUI) que, convenhamos, de comum não tem nada. Veja bem, não tenho nada contra ele, pelo contrário, o considero até um bom ator. Agora é fato que combina bem mais com seu visual aquele playboy comedor de um Vanilla Sky do que um cara comum. A coisa mais inverossímil do longa não são as enormes máquinas alienígenas, mas vê-lo no começo do filme trabalhando em obras.

            Logo, somos apresentados a suas duas crias, um cara metido a valentão e uma garota interpretada por Dakota Fanning que, aliás, também não tem nada de comum, já que parece um ET, como disse em uma resenha que agora não lembro qual. Na dúvida, fique com a de O Amigo Oculto (leia AQUI) e de Chamas da Vingança (leia AQUI).

            Aliás, Dakota já trabalhou com ETs antes na série televisiva Taken. Outro que retorna a trabalhar com seres de outro planeta é o diretor tremendão Steven Spielberg (a resenha de seu último filme, O Terminal, você encontra AQUI) que decidiu variar um pouco e abandonar os alienígenas fofos e bonzinhos de outrora para contar a história de bichos grandes, feios (nem tanto) e maus. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:07 AM
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   Cinema – Guerra dos Mundos – (War of the Worlds – EUA – 2005) - O filme e a polêmica na sessão para Imprensa - Parte III

            Uma grande polêmica envolvendo a adaptação é o fato do tio Spielberg ter optado por mostrar a invasão como se ela acontecesse na época atual e não no século XIX, como acontece no livro. Embora concorde que é bem mais legal e até mais original um filme mostrar uma invasão de bichinhos de outro planeta acontecida dois séculos atrás, devo dizer que entendo a opção de Spielberg. Afinal, o livro não foi escrito para que acontecesse no passado, mas no presente. O século XIX foi a época em que ele foi publicado. Considerando que o objetivo do livro/filme é fazer o espectador se sentir no papel do protagonista, fica mais fácil entendermos a decisão pois, caso a história acontecesse em uma época na qual não vivemos, facilmente adquiriria contornos de fantasia.

            Aliás, o maior trunfo do filme é também seu maior defeito. Na tentativa de retratar a família comum, decidiram apresentar Cruise como um pai negligente, que não gosta de passar tempo com os filhos. No decorrer de seu trajeto, ele acaba aprendendo a ser um pai mais presente, clichê completamente desnecessário. Sem contar que o filho dele poderia estar no filme Highlander, já que a última cena em que aparece contradiz completamente a cena em que se separa do pai.

            Uma outra cena constrangedora é quando Cruise pega uma pedra do chão e a guarda no bolso, o que imaginamos ser muito importante para o desenrolar da trama. Mas não, nunca mais aquela pedra será citada e está com toda cara de que ela foi utilizada em uma cena que foi excluída e esqueceram de apagar a “referência” anterior.

            Além da escalação da família “comum, mas nem tanto”, o roteiro deixa muito a dever ao colocar Cruise como um pivô do desenrolar dos eventos. Creio que teria sido uma decisão muito mais acertada deixá-lo apenas como “mais um” dentre tantos.

            Uma cena que faz isso muito bem é o momento onde a família passa de carro em meio a centenas de pessoas. Em momentos de desespero (e às vezes nem tanto), a raça humana se torna muito semelhante ou até pior do que os animais e os protagonistas não são exceção, já que querem (compreensivelmente) manter sua posição privilegiada (o carro) sobre os reles mortais que estão a pé.

            O filme é repleto de gritarias e explosões, o que pode machucar ouvidos mais sensíveis. Contudo, o som do filme é muito bom e merece ser assistido em um cinema que o deixe no talo, já que as explosões têm mais é que machucar os tímpanos mesmo. As cenas de ataques do início do filme são fenomenais. Aquelas máquinas imensas destruindo a cidade e os pobres humanos fugindo sem saber o que está acontecendo. Infelizmente, depois que Tim Robbins aparece, o filme esfria exponencialmente. Sério mesmo, se você sair do cinema assim que vir a cara de Robbins, vai achar que este é um filme tremendão. Se ficar até o final, vai sair com cara de bunda achando que foi enganado.

            Conversando com colegas, percebi que algumas pessoas não entenderam o final. Eu entendi, mas não gostei, pois lembra muito Sinais (e na falta de uma resenha deste, leia AQUI a resenha daquela porcaria atômica chamada A Vila). Aliás, o filme todo parece um Sinais anabolizado.

            Também reclamaram que o motivo da invasão não é explicado. Ora, se o objetivo é mostrar o ponto de vista de um homem comum, me digam como diabos esse Zé-ninguém vai saber o motivo? Creio que isso foi uma decisão acertada.

            No saldo geral, no entanto, isso não salva o filme. Guerra dos Mundos é um filme que, por mais que tente ser diferente, acaba se rendendo aos clichês do gênero. Se quiser ver alienígenas dirigidos por Steven Spielberg, opte por E.T., pois Guerra dos Mundos vai continuar sendo lembrado pela transmissão de Orson Welles.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:02 AM
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   Cinema – O Guia do Mochileiro das Galáxias (EUA/Inglaterra - 2005) - TEXTO POR ANDERSON LIMA

O Guia do Mochileiro das Galáxias já foi série de rádio, peça de teatro, minissérie de televisão e jogo de computador. Só os livros foram traduzidos para mais de 20 idiomas, tendo vendido algo em torno de 20 milhões de exemplares em todo o mundo. Agora, depois de 27 anos de sua primeira aparição, a obra do comediante e escritor britânico Douglas Adams finalmente ganha as telas do cinema. A comédia de ficção científica, abriu em primeiro lugar nos cinemas estadunidenses, rendendo uma bilheteria superior a 47 milhões de dólares apenas lá na terra do Tio Sam.

No filme, o pacato Arthur Dent (Martin Freeman) é salvo da demolição da terra graças a uma carona de seu amigo Ford Prefect (Mos Def). Ford é um alienígena que se faz passar por ator desempregado. Seu verdadeiro trabalho é como consultor de campo para O Guia do Mochileiro das Galáxias, o mais popular e barato “repositório padrão de todo conhecimento e sabedoria”. Ford também é semi-meio-irmão do obtuso e megalomaníaco Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell, o melhor em cena). Zaphod é presidente da galáxia e responsável pela tremenda dor de cotovelo de Arthur após conquistar (com uma cantada barata) Trillian/Tricia Macmillan (Zooey Deschanel), paquera dele em uma festa.

Zaphod também é o causador de muitas das desventuras pelas quais os heróis terão que passar. A maior delas é o roubo da nave Coração de Ouro, movida por um gerador de improbabilidade infinita. A nave é o cenário de algumas bons momentos do filme, como o que envolve uma assustada baleia e um vaso de petúnias. Completando o time, Marvin (voz de Alan Rickman, o Snape de Harry Potter – leia AQUI), um andróide cabeçudo, maníaco-depressivo e bastante mal-humorado.

Juntos, eles precisam escapar dos Vogons, seres extremamente burocráticos e donos de uma poesia mortal, encontrar a Arma do Ponto de Vista e descobrir por que a resposta para a vida, o universo e tudo o mais é 42. Destaque para a participação do ator John Malkovich na pele de Humma Kavula, excêntrico líder de uma seita que venera um imenso nariz congestionado e aguarda a vinda de um messias na forma de um grande lenço branco.

Apesar da reação histérica de alguns fãs mais ardorosos, O Guia consegue manter o humor nonsense das debochadas aventuras de Douglas Adams, principalmente pela contribuição do escritor no roteiro. Partes inteiras do primeiro volume de sua obra, composta de cinco livros, foram transpostas para a tela. No entanto, mudanças foram feitas e envolvem o namorico entre Arthur e Trillian, além de uma maior participação dos Vogons e a aparição da Arma do Ponto de Vista. Adams, porém, não teve tempo de ver a adaptação de sua obra maior chegar aos cinemas, pois morreu de um ataque cardíaco fulminante em 2001. Como homenagem, a produção do filme reservou uma surpresa aos fãs e familiares do homem que tornou possível todo o universo de O Guia do Mochileiro das Galáxias. É de Douglas Adams o rosto que aparece em uma das amalucadas transformações da nave Coração de Ouro na cena que fecha a história.

Mas não entre em pânico! Antes de correr ao cinema mais próximo, é bom saber, principalmente os mais distraídos: a voz do narrador que apresenta alguns dos verbetes do guia são dubladas pelo ator José Wilker, apesar de todo o restante do filme ser legendado. A opção foi feita para evitar o excesso de informação na tela e pode deixar o espectador extremamente confuso.

Quer mais Mochileiro? Então clica AQUI, meu!



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 5:47 PM
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   Cinema – Madagascar (Idem – EUA – 2005) - TEXTO POR CARLOS CYRINO - Parte I

            Não sou um apreciador de longas de animação. Nunca achei muita graça e odeio o “estilo Disney”, com aqueles números musicais chatos e intermináveis. Ultimamente, fiquei mais tolerante por causa de filmes bons como Shrek (leia AQUI) e Os Incríveis (Leia AQUI), mas mesmo assim, eles somem da minha cabeça meia hora depois de assistí-los.

            Isso ficou ainda pior quando fiquei sabendo que assistiria a uma cópia dublada: toda a minha boa vontade (que já não era muita) caiu por terra. Porém, com cinco minutos de filme, já estava rindo à beça. Quem diria que com todas essas adversidades Madagascar conseguiria me deixar de bom humor! Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:21 AM
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   Cinema – Madagascar (Idem – EUA – 2005) - TEXTO POR CARLOS CYRINO - Parte II

            Num zoológico em pleno Central Park (Manhattan), o leão Alex (a voz do Ciclope do desenho X-Men – Evolution na versão tupiniquim) é a grande atração, vivendo como tal e sem querer uma vida melhor que essa, assim como seus companheiros Melman, uma girafa, e Glória, hipopótama com a voz da global Heloísa Périssé na versão dublada. Quem não está nada contente é o melhor amigo de Alex, Marty, uma zebra de 10 anos que passa a sofrer uma crise de meia idade animal. Ele quer mais do que a vida na selva de concreto. Ele quer conhecer a natureza.

            Inspirado por um bando de pingüins insanos (de longe, os melhores personagens do filme), ele parte sozinho num passeio pela cidade, o início de uma jornada que acabará por levar ele e seus amigos para Madagascar. E é quando eles chegam à paradisíaca ilha que a história ganha contornos interessantes. Alex, totalmente domesticado, odeia a natureza de imediato. Afinal, ela não oferece as regalias que ele tinha no zoológico. Enquanto Melman e Glória ficam em cima do muro, Marty adora o lugar e tenta convencer os amigos a ficarem.

            É um paralelo bacana entre a vida na cidade e a vida no campo (nesse caso, uma floresta) e sobre como é difícil nos desapegarmos de um determinado modo de vida tão familiar a nós, mesmo que a outra opção seja até melhor.

            Forçando a barra, pode-se até dizer que se trata também do tema de como o meio em que estamos pode mudar as características de alguém. O mimado Alex, numa ilha sem humanos, fica sem seu prato principal, bifes, até que a fome o leva a regredir à sua natureza predatória. Aliás, o sonho dele com bifes, sacaneando a cena das pétalas de rosa de Beleza Americana é um dos pontos altos do filme, daquelas piadas feitas especialmente para os adultos, assim como a homenagem à cena final de O Planeta dos Macacos (o original, não a refilmagem de Tim Burton).

            O traço mais estiloso da animação, cheia de ângulos retos, também dá um visual mais diferenciado, mais caricato, que com certeza, junto com seu colorido, vai agradar os infantes .

            E os pingüins! Esses carinhas mereciam um filme só para eles. Para se ter uma idéia, toda vez que eles apareciam (infelizmente, são poucas) o cinema vinha abaixo em um terremoto de risadas. Organizados como uma milícia guerrilheira e com feições de super-vilões a la Pinky e Cérebro, seu grande sonho é ir para a Antártida, nem que para isso precisem roubar um navio! Ei, eu disse que eles eram insanos. Sem contar que um deles se chama Kowalsky, um dos nomes mais tradicionais em filmes de guerra e futuro nome do meu primogênito.

            Há ainda dois macacos intelectuais e um bando de lêmures festeiros. Um deles até lembra o Gato de Botas de Shrek 2 pelos olhões e a carinha de coitado.

            Sim, me diverti bastante com o filme dublado, mas acho que assistí-lo com o som original poderia ser ainda mais legal. Olha só quem originalmente dá voz aos personagens: Ben Stiller (Alex), Chris Rock (Marty, que obviamente, não perde a chance de fazer piadas raciais), David Schwimmer, o Ross de Friends (Melman) e Jada Pinkett Smith (mulher do MIB Will) como Glória. Eu gostaria de conferir em especial o trabalho de Schwimmer, que realmente tem voz (e cara) de neurótico. Deve ser assaz engraçado.

             Realmente a dublagem até que é muito boa, porém, algumas gírias ganharam aquele tradicional sotaque “carioquês”, cortesia de Heloísa Périssé, aquela mesmo que aparece depois do Fantástico. Ou seja, não faltam “tipo assim”, “tu vai lá” e aquela impressão de que todos os bichos, até o Melman, são manos. Parte da campanha de divulgação do filme em cópias dubladas é dizer que foi feito um trabalho inédito: é a primeira vez que um dublador (no caso, Heloísa) adapta as falas do filme para um melhor entendimento por parte do público tupiniquim.

            Adaptar as falas de um filme não é novidade nenhuma. Todos os filmes passam por esse processo (geralmente por causa de gírias inexistentes em nossa língua ou por referências que não conhecemos). De fato, é a primeira vez que a pessoa que dubla faz a adaptação, (embora Heloísa também seja roteirista), o que torna o fato menos relevante e menos grave. Já imaginou se a moda pega? Daqui a pouco até Reynaldo Gianecchinni vai estar nessa. O horror, o horror...

            Para concluir a resenha, digo que Madagascar é tão legal quanto os últimos exemplares do gênero, porém daqui a meia hora não vou lembrar nem de ter escrito este texto.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:20 AM
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   Cinema – Batman Begins (idem – EUA – 2005) - TEXTO POR CARLOS CYRINO - Parte I

            Muita expectativa. Devo admitir que este era o filme mais esperado por mim este ano, até mais do que Episódio III (leia AQUI). Por mais que eu adore a saga espacial de George Lucas, Batman é meu super-herói favorito de todos os tempos, um verdadeiro tremendão. Logo, queria muito saber se este seria o filme que redimiria a carreira cinematográfica do morcegão.

            As luzes se apagam e centenas de morcegos tomam conta da tela. Mais de duas horas depois sobem os créditos finais e consigo minha resposta. E ela não poderia ser melhor: esqueça os quatro filmes anteriores. Este, como os filmes do Homem-Aranha (leia AQUI) e dos X-Men, é ótimo e respeita a fonte. Christopher Nolan mostrou a Tim Burton e ao aspirante a diretor Joel Schumacher como é que se faz direito, e com muita classe. E sem batmamilos.

            Batman Begins é praticamente dois filmes em um. A primeira metade trata do treinamento de Bruce Wayne, suas viagens pelo mundo vivendo em meio a criminosos (para melhor conhecer sua forma de agir e aproveitar para descer o braço neles) e sua vontade de aperfeiçoar corpo e mente, até encontrar o treinador perfeito na figura de Henri Ducard (Liam Neeson, que também treinou Obi-Wan e o pequeno Anakin Skywalker no Episódio I), homem de confiança de Ra´s Al Ghul (Ken Watanabe, de O Último Samurai – leia AQUI), figura enigmática, líder de uma organização chamada Liga das Sombras que tem uma noção bem radical de justiça.

            Este período em que Bruce Wayne viaja pelo mundo é pouco mostrado nos quadrinhos e, assim, o filme preenche bem essa lacuna. Porém, ficou faltando mostrar os estudos em criminologia e ciências forenses, que transformaram Batman no maior detetive do mundo (eu já mencionei que ele é um tremendão?).

            Terminado o treinamento, Wayne recusa-se a se tornar um membro da Liga, o que causa um certo desentendimento entre ele, Ra’s, Ducard e um monte de ninjas, na primeira grande seqüência de ação da história.

            Na segunda metade, Bruce retorna a Gotham City e torna-se o Batman. A famosa roupa preta demora cerca de uma hora para aparecer em cena, o que não é de maneira nenhuma algo negativo, muito pelo contrário. O grande mérito do filme é não se apressar para contar a história, dosando muito bem o drama com a ação.

            Nesta parte, descobrimos que Gotham está chafurdando na criminalidade, controlada pelo mafioso Carmine Falcone (sim, o “Romano” está no filme!), que conta com a ajuda do Dr. Jonathan Crane (Cillian Murphy – de Extermínio), psiquiatra do Asilo Arkham, que livra os capangas de Falcone do xilindró alegando insanidade. E nas horas vagas ainda brinca de Espantalho, seguindo ordens de um chefe misterioso.

            Não bastasse tudo isso, o Sr. Wayne tem que ficar de olho em suas empresas, já que muita coisa mudou na direção delas enquanto ele esteve fora. E ainda precisa bancar o playboy desmiolado para proteger sua nova identidade secreta. Tudo bem que eu não me importaria em sair desfilando com duas garotas a tiracolo e comprando hotéis, mas Bruce não parece muito confortável com isso. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:30 PM
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   Cinema – Batman Begins (idem – EUA – 2005) - TEXTO POR CARLOS CYRINO - Parte II

            Todos os elementos dos quadrinhos estão presentes: a tradicional cena da morte de Thomas e Martha Wayne, pelas mãos de Joe Chill (e não de Jack Napier, o Coringa, como acontece no filme de Tim Burton) é apresentada de uma forma brusca, o que só causa um impacto maior. Há ainda a atmosfera sombria e suja de uma Gotham bem mais realista do que as anteriores e as relações entre Bruce/Batman e sua ótima galeria de personagens coadjuvantes.

            Alfred, na brilhante atuação de sir Michael Caine (nome que, traduzido para o português, daria algo como “Minha cocaína”), é sem dúvida o porto seguro de Bruce. O fiel mordomo cuida dele desde a morte dos pais, e quando ele retorna de seus treinamentos, o ajuda a criar a persona do Batman e a não sucumbir ao lado negro de sua personalidade. Ele até vai buscar o patrão quando ele está acabado demais para voltar pra casa. E tudo isso com seu tradicional senso de humor irônico.

            Lucius Fox (Morgan Freeman) fazia parte da diretoria das Empresas Wayne quando Thomas Wayne estava vivo. Com sua morte e o sumiço do herdeiro, a empresa foi parar nas mãos de Richard Earle (o replicante Rutger Hauer) que trata de mandar Fox para a divisão de Ciências Aplicadas, considerada um peso morto, já que todos os protótipos de equipamentos são caros demais para serem manufaturados em massa.

            É com esses protótipos que Bruce construirá seu uniforme e seus brinquedos maravilhosos. E é através da ajuda de Lucius, que não faz perguntas, mas não é idiota, que se constrói a relação de confiança entre os dois, tão importante nas HQs.

            Já como Batman, testemunhamos pela primeira vez na tela grande, o início da parceria entre ele e o então tenente James Gordon (Gary Oldman, idêntico ao personagem!), um dos poucos policiais honestos na corrompida Gotham. Aliás, nunca entendi porque diabos Gordon nunca foi usado apropriadamente nos filmes anteriores, aparecendo pouco e parecendo um palerma. Mas finalmente, este é o filme que veio ensinar como se faz direito.

            A primeira aparição do Batman com seu uniforme completo então, é um clássico dos quadrinhos: num tradicional galpão, os meliantes ficam assustados com barulhos estranhos e um vulto misterioso. Capangas são apanhados de surpresa, os outros começam a tremer de medo e a atirar para todo lado, um batarangue acerta a lâmpada...Eles estão perdidos!

            Aliás, se você for fã dos quadrinhos, fique atento para uma pequena ponta do Sr. Zsasz (um assassino serial que, para cada vítima executada faz um corte no seu corpo), uma citação a Jeph Loeb (escritor que voltou a pôr a revista do Batman no topo das vendas com a saga Silêncio) no nome do Comissário de polícia e a homenagem a Batman: Ano Um, HQ que serviu de inspiração para o filme, com a presença do corrupto detetive Flass e a seqüência em que Batman é cercado pela polícia no Asilo Arkham. São estas pequenas referências que dão um sabor a mais na obra sem comprometer o entendimento da história para o espectador leigo, mostrando que a DC/Warner fez a lição de casa e decidiu copiar descaradamente essa tática usada em todos os filmes da Marvel desde X-Men.

            Devo admitir que um dos meus medos era o batmóvel. Quando vi as primeiras fotos, confesso que achei horrível, afinal, ele estava mais para o tanque de guerra de O Cavaleiro das Trevas (leia AQUI), do que para os elegantes carros dos quadrinhos e dos dois primeiros filmes (me recuso a falar sobre os carros carnavalescos dos filmes do maldito Joel Schumacher!). Mas, quando ele entra em ação (numa das melhores seqüências do filme) mostra que não havia o que temer. Depois de ver o que essa máquina pode fazer no trânsito de Gotham, eu comecei a querer um pra mim. Seria a solução a solução ideal para o caótico trânsito de São Paulo. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:29 PM
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   Cinema – Batman Begins (idem – EUA – 2005) - TEXTO POR CARLOS CYRINO - Parte III

            Devo avisar ainda que as cenas de luta com certeza vão gerar polêmica. Elas são mostradas com câmeras tremidas (para desespero do Corrales), em planos fechados, numa edição bem rápida, onde fica difícil saber direito o que está acontecendo. Esqueça os balés marcias de Matrix e O Tigre e o Dragão, aqui as lutas são as mais realistas possíveis e, afinal de contas, Batman é um sujeito prático que prima pela eficiência ao invés da plasticidade. Eu gostei, mas sei que elas serão o principal ponto de discordância entre o público do filme.

            Também é minha obrigação apontar um defeito: a trilha sonora. Não é que ela é exatamente ruim, mas se tem uma coisa que os filmes anteriores do “batimão” fizeram bem foi a música, que dessa vez deu uma decaída.

            E, como até agora eu só falei de homens e nenhum filme sobrevive sem uma presença feminina, lá vai: Joey Potter, quero dizer, Katie Holmes, interpreta Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce que, adulta, vira promotora e inicia uma cruzada (aliás, já leu a resenha delfiana de Cruzada? Não? Então clica AQUI) para levar Falcone e seus homens para trás das grades, o que, obviamente, não a torna uma figura muito popular na cidade. Seu personagem não existe nos quadrinhos, mas a relação entre ela e Bruce ficou muito legal no filme (ela tem um papel importante na gênese do Batman) e, além disso, Katie Holmes é um pitéuzinho.

            Mas e o Batman? Simples: Christian Bale é o Batman e ponto. Apague de sua memória o tampinha Michael Keaton, o insosso Val Kilmer e o grisalho George Clooney. Bale é sem dúvida, a escolha ideal. Como Batman, ele é ameaçador e violento, mas é como Bruce Wayne que ele se destaca, conseguindo dar toda a complexa profundidade psicológica que o personagem tanto necessita. E ainda desenvolveu muito bem a persona do playboy fútil, faceta ultimamente ignorada nos quadrinhos. Realmente fica difícil de acreditar que esse rapaz festeiro gosta de se vestir de morcego e socar malfeitores.

            E por falar em malfeitores, Ra´s Al Ghul pode não ser muito conhecido pelo grande público, mas ficou muito bem no filme. Ele não é exatamente um vilão, pois tem ideais nobres, mas o modo como pretende realizá-los é que causam divergência entre ele e nosso herói.

            Já o Espantalho, que nos quadrinhos já virou saco de pancadas, é um canalha de marca maior, sádico ao extremo, dando muito trabalho ao morcego e bastante medo nos espectadores. Muito bom o modo como Christopher Nolan retrata os efeitos do gás do medo. Porém, se o Espantalho recuperou no filme a dignidade perdida nas HQs, tornando-se uma figura assustadora, sua aparição final no filme é um total anticlímax, verdadeiro balde de água fria. Não posso falar mais para não estragar, mas basta dizer que é apenas por este fato que o filme não levou o Selo Delfiano Supremo. Nem tudo é perfeito...

            Mas não pense que o filme decai por causa disso. Há uma bela reviravolta surpresa lá pelo trecho final do filme e uma indicação muito bacana do que virá na continuação. Sim, este filme foi feito com a intenção de ter continuações, justamente por isso ele não tem pressa em desenvolver os personagens. Como o título bem diz, este é apenas o começo, o capítulo inicial do que pode ser uma das melhores séries cinematográficas de Hollywood. Para isso, depende apenas da resposta dos fãs na bilheteria. Então termine de ler este texto e, por favor, vá ao cinema, pois eu quero muito ver a continuação!

            Agora que já falei do filme, uma pequena reclamação quanto ao título. Por que não o traduziram? Se Batman Returns virou Batman – O Retorno, por que este não poderia ser Batman – O Começo? Mera preguiça de se traduzir o título? Ou será que é uma ordem da Warner para que ele seja uma marca conhecida em todo o mundo, como Guerra nas Estrelas que virou Star Wars, ou o Ursinho Puff, que virou Pooh? Se for este o caso, os engravatados de Hollywood, bem como George Lucas, se esquecem que a maioria da população mundial não fala inglês.

            Problemas lingüísticos à parte, a Marvel agora vai ter concorrência pesada no ramo das boas adaptações de quadrinhos para o cinema. E que Superman Returns siga os ensinamentos do mestre Christopher Nolan.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:28 PM
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