Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema – Coisa de Mulher (Brasil – 2005) - Parte I

            Qualquer um que tenha um aparelho de televisão em casa sabe da rivalidade ancestral entre o SBT e a Globo. A emissora do plim-plim prima por ser a maior da América Latina, com uma qualidade técnica invejável. Já o canal do seu Silvio, embora tenha melhorado muito nos últimos anos, ainda não chegou lá. Para criar um diferencial, oferece uma programação mais popular. Leiam-se novelas mexicanas, Programa do Ratinho e outras tranqueiras. A única coisa que se salva é o sensacional Chaves, há quase vinte anos no ar, mas essa já é outra história...

            Bem, fiz essa pequena introdução porque a batalha agora vai acontecer também nos cinemas. Pois é, o SBT copiou a Globo e criou a SBT Filmes. O primeiro rebento, Coisa de Mulher, chega agora aos cinemas. E eis que o nível de qualidade do canal de TV foi seguido pelo filme. Cara, é simplesmente embaraçoso. Para se ter uma idéia, eu fiquei com vergonha de ter assistido isso. E olha que foi de graça!

Cenografia pobre, fotografia de novela, direção chocha, mixagem de som ruim e um roteiro debilóide são apenas os defeitos mais gritantes da produção. Se você quiser se manifestar a respeito da má qualidade do roteiro e da direção, fale com Eliana Fonseca, que também atua.

            Então vamos à tradicional palhinha da história: Murilo assina uma coluna em uma revista voltada ao público feminino (tipo a Nova) como se fosse mulher, mas tem dificuldades de saber como as garotas pensam (e eu tenho dificuldades em tentar não pensar porque diabos não contrataram uma mulher de verdade. Alguém aí disse furo de roteiro?). Ele se muda para um apartamento e logo conhece um grupo de vizinhas (Hum... vizinhas...). Rapidamente, fica amigo delas e passa a gravar as conversas com elas, para usar suas opiniões em sua coluna, que vira um sucesso. Mas é claro, ele vai acabar se envolvendo com elas e aí...

            A trama deste filme lembra bastante a de Do que as Mulheres Gostam, esse sim um filme bem legalzinho, onde Mel Gibson (aquele cara sádico que dirigiu A Paixão de Cristo, lembra? Não? Então clica AQUI) lia a mente da mulherada e usava as informações para obter sucesso profissional. Troque a leitura de mentes por um simples gravador e pronto! Mas não basta copiar, é preciso respeitar a inteligência do espectador. Ou será que a roteirista pensa que popular é sinônimo de tosco?

            Quem consegue escapar quase ileso (o “quase” fica por conta do final medonho) é Evandro Mesquita, como Murilo e Cassandra, seu pseudônimo na revista. As poucas cenas engraçadas do filme são todas dele, que está bem canastrão. E, neste caso, isso é um elogio. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:28 AM
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   Cinema – Coisa de Mulher (Brasil – 2005) - Parte II

            A grande decepção fica por conta das moças d’O Grelo Falante (o nome é assim mesmo!), um grupo que escreve livros e produz peças de teatro. As quatro integrantes e mais Adriane Galisteu interpretam as amigas e moradoras do prédio, cada uma com seus problemas-clichê: uma quer engravidar, outra acaba de se divorciar, uma não tem a atenção do marido, outra ainda é virgem, e pra finalizar, ainda aparece uma prima de uma delas que largou o noivo no altar. Enfim, só situações hilárias (isto foi uma ironia).

            Bom, essas meninas não têm a menor graça, e olha que o tal grupo existe há 7 anos. E outra coisa. Acho que nunca disse isso aqui no DELFOS, então vou aproveitar a oportunidade. Atuação é para atores! De novo que é para fixar: atores! Não, não é para modelos (aproveite para ler AQUI a resenha de Táxi, que é para não esquecer nunca mais) e definitivamente não, não é para ex-namorada de piloto da Fórmula 1. Pelo olho furado de Odin, quando vão aprender?

            E para completar a aura trash, há ainda a participação especial de Hebe Camargo, uma “grafinha”. Em suma, uma obra de nível... nível Z.

            Chamar esse filme de Coisa de Mulher é um desrespeito para com esses seres maravilhosos (embora compreendidos apenas por suas semelhantes) que habitam nosso planeta. Este filme definitivamente não é coisa para ninguém.

 

Aproveite para ler mais sobre o cinema brazuca com os links abaixo. A qualidade dos filmes pode variar, mas tem pra todos os gostos:

Cazuza – O Tempo não Pára

Pelé Eterno

Olga

Entrevista coletiva com a equipe de Olga

Cama de Gato

Contra Todos

Fábio Fabuloso

Como Fazer um Filme de Amor

Entrevista coletiva: Como Fazer Um Filme de Amor

Meu Tio Matou um Cara

Mais Uma Vez Amor

2 Filhos de Francisco



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:25 AM
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   Música – Notícias – Iron Maiden é boicotado no Ozzfest e fãs brasileiros preparam protesto!

Há cerca de uma semana, uma notícia constrangedora tomou conta das páginas de música pesada: a última e conturbada apresentação do Iron Maiden (aproveite e leia a resenha do show dos caras AQUI) no Ozzfest.

A banda, uma das atrações principais do evento ao lado do Black Sabbath, apresentou um setlist especial apenas com material clássico dos 4 primeiros álbuns de estúdio (na turnê de divulgação do DVD The Early Years). Os shows seriam inesquecíveis, se não fossem diversos problemas de som em quase todas as datas (o Ozzfest percorre todo os EUA), fato que enfureceu o vocalista esquentadinho, Bruce Dickinson.

Bruce deu algumas declarações reclamando e ainda alfinetou quem participava de reality shows (uma clara crítica ao The Osbournes, da MTV). As reclamações cutucaram a ferida da “dona” da família, organizadora do Ozzfest e esposa de Ozzy Osbourne, Sharon, que resolveu dar o troco em cima do palco no último show em Devore, na Califórnia.

Primeiro, a esposa de Ozzy interrompeu a introdução Ides of March do show do Iron Maiden com uma voz nos PAs gritando “Ozzy” incessantemente. Depois, já durante a apresentação, na execução do clássico The Trooper, quando Bruce empunha a bandeira da Inglaterra (coisa que ele faz desde 1984, afinal, a música fala de uma guerra entre a Inglaterra e a Rússia), o mesmo cara que gritou o nome de Ozzy, entrou no palco com a bandeira dos EUA e tentou atrapalhar o vocalista da donzela.

Apesar das provocações, o Iron Maiden adotou uma postura profissional e tentou seguir com o show, mas o sistema de som “falhou” por 5 vezes seguidas. Para piorar, um grupo de pessoas das primeiras fileiras passou a atirar ovos e outros objetos na banda. Segundo as fontes presentes no evento, uma dessas pessoas seria nada menos que Kelly Osbourne, a filha de Ozzy e Sharon. A testemunha também contou que foi Sharon quem providenciou os ovos e objetos atirados ao palco.

A donzela terminou o show e grande parte dos presentes, fulos da vida com toda a palhaçada, foram embora antes da apresentação do Black Sabbath. Esses fãs ainda perderam a Senhora Osbourne subindo ao palco e chamando Bruce de babaca sob uma sonora vaia (dirigida a ela e não ao vocalista do Iron).

Logo após o incidente, Sharon divulgou uma carta aberta onde acusa Bruce Dickinson de desrespeito com o público norte-americano (pela bandeira inglesa na The Trooper) e com seu maridão, Ozzy. No mesmo comunicado, a dona do Ozzfest ainda aproveita para rebater uma nota divulgada à imprensa pelo lendário empresário do Iron Maiden, Rod Smallwood, onde contesta as informações apresentadas e ainda justifica a sabotagem do som dos ingleses dizendo que Bruce vinha provocando Ozzy e sua família desde o início da turnê e que nenhuma banda de abertura jamais provocou o headliner e saiu ilesa com isso. Terminou com um "acho que ele (Bruce Dickinson) não percebeu com quem estava lidando. Eu não vou suportar um comportamento como esse de qualquer um." A empresária ainda assinou a carta como "A verdadeira Dama De Ferro" (em inglês, o termo Iron Maiden significa "Dama de Ferro").

Independente das declarações polêmicas de Bruce e de seu real descaso com uma banda do porte do Black Sabbath, seja com reality show ou não, é um absurdo que alguém desrespeite uma banda com tanta importância como o Iron Maiden de maneira tão humilhante e infantil, até porque os demais integrantes nada tiveram a ver com a história.

A atitude impensada de meia dúzia de babacas que atiraram os ovos e todo o boicote promovido por Sharon, geraram uma forte reprovação em todo o mundo e os fãs começam a se mobilizar com diversos abaixo assinados e manifestações localizadas. Os brasileiros indignados também podem manifestar o apoio à banda em um ato simbólico que será preparado e acessível a todo o país.

Segundo o idealizador da homenagem, Gabriel M. Silva: "a idéia é simplesmente sair de casa com uma camiseta do Iron Maiden na próxima sexta-feira, dia 2/9. Vamos mobilizar nossos amigos, parentes e conhecidos nos trabalhos, colégios e faculdades. Aos amigos que freqüentam outras páginas e chats, postem esta convocação também."

As mobilizações pacíficas (ao contrário do que ocorreu no show) ocorrem em todos os fórums da banda aqui do Brasil e já ganhou repercussão internacional com mensagens também na página oficial do Maiden.

Será apenas uma pequena manifestação frente à grandiosidade do ocorrido, mas com certeza mostrará a união dos fãs em prol da banda e dos absurdos ocorridos no festival de Ozzy. Quem sabe da próxima vez eles não se animem em tocar essas turnês especiais apenas para os fãs verdadeiros e realmente interessados, tipo em um ensolarado país mais ao sul?



 Escrito por Bruno Sanchez às 9:34 AM
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   Notícias – Pearl Jam, Rolling Stones e Elvis Costello no Brasil? Hell yeah, bitch!

            Para os amantes do bom e velho Rock, ótimas notícias se concretizaram hoje. O Pearl Jam, última das grandes bandas Grunge, finalmente confirmou sua vinda ao Brasil. A trupe de Eddie Vedder fará cinco shows em terras brasilis nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e duas apresentações em São Paulo, no Estádio do Pacaembu, dias 01 e 02 de dezembro. Este que vos escreve já está salivando por um ingresso (ou por uma credencial, afinal é um trabalho sujo, mas alguém tem que fazê-lo).

            Também está confirmada uma apresentação única dos dinossauros Rolling Stones na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, para o dia 18 de fevereiro de 2006. Por única, entenda que todas as outras cidades tupiniquins vão ficar chupando o dedo ou assistindo pela TV. Será que vai lotar?

            Por fim, Elvis Costello é a mais nova adição do Tim Festival. O tiozinho está cotado para encerrar o último dia do festival que contará também com Strokes, Kings of Leon, Wilco e Arcade Fire. Embora a organização do evento ainda não tenha confirmado Costello oficialmente, com as outras bandas já acertadas aconteceu a mesma coisa (a divulgação não-oficial seguida pouco depois pela aliviante confirmação), então a notícia é quente!

            Alguém mais está com falta de ar?



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:40 PM
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   Cinema – A Chave Mestra (The Skeleton Key) - TEXTO POR ALFREDO DE LA MANCHA

            Pelos 12 trabalhos de Hércules! Fui enganado! Calma, amigo delfonauta, você não começou a ler essa resenha pela segunda parte (quer dizer, eu acho). Eu explico o motivo da frase que abre essa resenha. Mas só o farei lá na frente, pois estou sem inspiração, motivo pelo qual vou enrolar este parágrafo inteiro só para aqueles que batem um olho sem ler acharem que esta crítica é maior do que ela realmente é. Aliás, acabei de ter uma idéia: para enrolar ainda mais, vou deixar duas linhas em branco antes de começar a falar sobre o filme.

 

 

            Ainda aqui? Puxa, é bom saber que o público do DELFOS é tão fiel a ponto de continuar lendo uma resenha que não fala nada até o segundo parágrafo. A Chave Mestra é mais ou menos assim, com a diferença que enrola o espectador por muito mais tempo do que o que se leva para ler um único parágrafo. Mas não é esse o motivo pelo qual me senti enganado. Esse motivo você só vai conhecer se continuar lendo. Então chega de enrolação que eu tenho mais o que fazer do que ficar escrevendo um monte de coisa sem sentido. Vamos lá.

            Desde que ouvi falar deste filme, estou muito ansioso para assisti-lo. Nada sabia dele, a não ser o título, mas isso foi o suficiente para atiçar minha curiosidade, já que, para mim, Skeleton Key é uma chave que você pode encontrar durante jogos de RPG que abre todas as portas do jogo. Admito que não sei se Skeleton Key (literalmente – chave esqueleto) realmente é o equivalente na língua de Shakespeare para Chave Mestra. Sim, faz todo o sentido, mas eu sinceramente nem me importo em descobrir. ;)

            É exatamente por isso que me senti enganado (olha só, minhas resenhas, assim como filmes de terror, também têm revelações). O filme não tem nada de RPG e a tal Chave Mestra quase não aparece e mal tem importância para a história. Na verdade, trata-se de um filme de terror, o que já basta para meter medo em qualquer pessoa que tenha assistido algum representante recente do gênero (por exemplo, Amaldiçoados, cuja resenha foi meu debut em texto no DELFOS e você pode conferir AQUI). E não me refiro àquele medo positivo, de um filme que cumpre seu propósito, mas àquele medo de bombas cinematográficas que povoam os pesadelos de todos os profissionais que trabalham com críticas de cinema.

            A Chave Mestra segue tintin por tintin todos os clichês dos filmes de terror mequetrefes. Principalmente aqueles que consistem em colocar o protagonista em uma sala escura e ir gradualmente aumentando a música até culminar com o momento em que um gato passa correndo ou um outro personagem encosta em seu ombro. Na boa, se a própria música anuncia que um gato vai passar correndo, como é possível se assustar com isso?

            Assim, o filme segue da forma mais mixuruca e sem graça possível. Até que chega ao final. E, cara, o final me surpreendeu por ser um bocado surpreendente e até por apresentar alguma qualidade. O povo aqui do DELFOS sempre fala que o mais importante em filmes do gênero é o desfecho. Este filme é um bom exemplo para cada um testar por si próprio a capacidade de um bom final. Já ficou provado que um “zê fini” não apropriado é capaz de estragar um filme que, até então, estava tremendão. Mas seria possível um final tremendão salvar um filme nojento de ser um desastre total? Particularmente, saí do cinema agradavelmente surpreso, mas não acho que seria um uso responsável de meus poderes de comunicador recomendar este filme para alguém, a não ser que seja um dos meus muitos inimigos (ei, quando você pensa que é um super-vilão com intenções de dominação global você acaba arranjando inimigos). De qualquer forma, se quiser tentar responder à pergunta acima, assista por sua conta e risco. E depois escreva para nós respondendo, porque eu ainda não formei minha opinião sobre isso. ;)



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 7:01 PM
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   Cinema – 2 Filhos de Francisco (Brasil – 2005) - Parte I

            Antes de mais nada, quero dizer que vejo todo tipo de filme (bem, quase todo. Eu abro uma exceção para os iranianos), pois é o meu trabalho. Mas eu estava mesmo a fim de ver a história de Zezé di Camargo & Luciano. Até porque gosto de filmes sobre músicos ou estilos musicais, mesmo que não sejam do meu agrado. Posto isso, posso dizer que 2 Filhos de Francisco é muito bom. Antes que você comece a se perguntar, eu já vou dizendo que estou em plena posse de minhas faculdades mentais e não sou fã de música sertaneja.

            Quando se ouve falar em filme de Zezé di Camargo & Luciano, logo se pensa que será como um filme da Xuxa, onde a loira maleta pensa que sabe atuar e enche o filme de convidados especiais, normalmente artistas-sensação do momento. Este não é o caso. Eles são interpretados por atores de verdade (Dablio Moreira e Wigor Lima quando crianças e Marcio Kieling e Thiago Mendonça quando adultos), e não há convidados especiais que não sejam de outra área que não a da atuação.

            Também é necessário frisar que a música aqui não é o tema central. Esta é uma história de um pai que desejou o melhor para seus filhos e não hesitou em perseguir um sonho, mesmo que para isso fossem necessários alguns sacrifícios.

            Francisco, um homem simples da roça, sempre gostou de música. Conforme seus filhos foram nascendo, começou a passar esse amor para eles. Não satisfeito, incentivou Mirosmar (que mais tarde seria conhecido nacionalmente por Zezé di Camargo), o mais velho, e Emival (Marco Henrique), a perseguirem a carreira artística como uma dupla sertaneja.

            Vejamos: para a maioria dos pais, quando um filho diz que quer ser artista, trata-se de motivo para uma enorme preocupação. Neste caso, o próprio pai incutiu a vontade nas crianças. Só por este motivo, o homem já merece o meu respeito (apesar de ter batizado um de seus pimpolhos de Mirosmar).

            Enfim, acompanhamos a duplinha mirim aprendendo a cantar e a tocar seus instrumentos (acordeão e viola. Por falar nisso, o Alfredo, representante institucional sócio-cultural do DELFOS é um virtuoso no acordeão. Aproveite e leia a resenha dele para Amaldiçoados clicando AQUI) e os primeiros shows. Vemos a família Camargo se mudando do pequeno sítio em que viviam nos arredores de Pirenópolis (Goiás) para uma vida quase miserável em Goiânia, na esperança de aumentar a chance dos dois rebentos atingirem o sucesso.

            Testemunhamos as primeiras turnês dos jovens, graças a um empresário picareta (José Dumont), e um acontecimento nada feliz (quanto menos você souber sobre este fato, melhor) que vai levar à formação de uma nova dupla, Mirosmar e Welson (que você deve conhecer por Luciano), 11 anos mais novo que o irmão.

            Grande parte do filme mostra os percalços enfrentados por Mirosmar quando criança. Mais para o final, vemos as aventuras solo do agora Zezé di Camargo em São Paulo e o nascimento da dupla Zezé di Camargo & Luciano como a conhecemos, até culminar no estouro da música É o Amor, hit do primeiro disco do duo sertanejo. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:48 PM
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   Cinema – 2 Filhos de Francisco (Brasil – 2005) - Parte II

             O grande mérito deste filme é ter uma história tão forte e uma narrativa tão boa – sem apelar para dramalhões - que consegue quebrar qualquer tipo de preconceito que se possa ter em relação aos artistas. Assim, o filme diverte e emociona. É, quase chorei em diversos momentos, principalmente lá no final, numa espécie de epílogo documental, único momento onde os personagens verdadeiros aparecem. E só macho de verdade admite que quase chorou. ;)

            Quanto à música, sim, o filme está cheio de canções interpretadas pela dupla, mas quer saber, no contexto do filme elas funcionam muito bem e garanto que nem o detrator mais xiita vai reclamar (se bem que não acho que um desses detratores vai desembolsar seu rico dinheirinho para assistir a esse filme).

            Este é o primeiro filme de Breno Silveira como diretor (como diretor de fotografia ele é macaco velho), mostrando que tem muito talento e uma nova e promissora carreira pela frente. Claro que há uma ou outra coisinha que não funciona, mas nada que arranhe a qualidade de seu trabalho, que atinge seu auge na direção de atores. Todos os atores mirins estão ótimos. Ressalto este fato porque não é fácil trabalhar com crianças.

            Mas o dono do filme é mesmo Ângelo Antonio, como Francisco. Sua atuação é contida na medida exata para passar simplicidade e uma fé inabalável no talento de seus filhos. Há ainda uma ponta de Lima Duarte e a participação de outros globais, como não poderia deixar de ser em um grande filme tupiniquim.

            Temos aqui mais um bom exemplar do cinema nacional que, apoiado numa história forte, tem potencial para atrair bastante gente aos cinemas, não apenas fãs da dupla. Poucos filmes conseguem mudar noções pré-concebidas. Este é um deles. Portanto, não estranhe se algum dia me vir por aí cantarolando: “é o amoooooor / que mexe com minha cabeça e me deixa assim...”.

 

E se você, como eu, também curte cinebiografias de músicos e outros filmes que tem a música, seja ela qual for, como tema, não deixe de ler as seguintes resenhas:

Escola de Rock

Cazuza – O Tempo não Pára

This is Spinal Tap 

De-Lovely – A Vida e os Amores de Cole Porter



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:45 PM
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   Cinema – Três Vidas e um Destino (Head in the Clouds – EUA/Reino Unido/Espanha/Canadá - 2004)

             Se nossas resenhas aqui no DELFOS tivessem subtítulos, o de Três Vidas e um Destino com certeza seria “O épico que quebrou a cara”. Basta dizer que realmente foi uma boa idéia a criação do termo “filme nada”, pois este exemplar situa-se entre ele e um mero filme fraco. Se você não sabe o que é um “filme nada”, leia a resenha de Aprendendo a Mentir AQUI e descubra.

            Escrevi que o filme é um épico, mas não daqueles do tipo “a espada era a lei”, como Cruzada (AQUI) e Excalibur (AQUI), mas daqueles que mostram uma longa jornada que dura anos e é permeada por acontecimentos grandiosos.

            Aqui temos a história de amor entre Guy (Stuart Townsend, o Dorian Gray de A Liga Extraordinária) e Gilda (Charlize Theron, que andava sumida desde o Oscar recebido por Monster). Ele, um jovem idealista, quer contribuir para um mundo melhor. Ela, uma mulher ultraliberal para a época (a história começa em 1933) que só quer saber de se divertir. Os dois se conhecem na universidade e a partir daí viverão uma longa história de amor que irá perdurar até o final da Segunda Guerra Mundial, mesmo que nem sempre estejam juntos.

            Há ainda a presença de Penélope Cruz no elenco, como uma espanhola (por que será?) protegida de Gilda, que forma um triângulo amoroso com ela e Guy. Mas trata-se de um triângulo do bem, afinal, lembre-se que Gilda é bem moderninha e o certinho Guy também não parece se incomodar com isso.

            As coisas se complicam quando Guy e Mia (a personagem de Penélope) decidem participar da Guerra Civil Espanhola. Mais tarde, Guy irá combater também na Segunda Guerra. Gilda, que acha as guerras uma bobagem sem tamanho (não deixa de ter razão) se enfurece por ter de se separar de sua amiga e do amor de sua vida, mas a longa convivência com eles pode fazer com que ela perceba que lutar por um ideal pode ter seu valor.

            O filme segue todas as fórmulas possíveis para manipular as emoções do espectador e me pareceu bem visível a sua pretensão de ser um filme de Oscar. Sente só: uma história de amor inabalável, longas passagens de tempo, tragédias e mensagens edificantes estão presentes na obra. Todos elementos que os votantes da academia adoram, mas que neste caso simplesmente não funcionam.

            Se o filme tem algum mérito, é sua produção esmerada. Cenografia, figurinos e fotografia caprichados, mas de que nada adiantam com um roteiro burocrático, que simplesmente não empolga em nenhum momento. De que adianta torrar uma nota preta nos detalhes técnicos se o principal, a história, não recebe o mesmo cuidado? Para mim, isso é puro desperdício de dinheiro e seria melhor aproveitado caso tivesse sido doado para o DELFOS.

            Aliás, esse filme me lembrou bastante Cold Mountain, não pela trama, mas por ser outra obra grandiosa, com todos os elementos para dar certo, mas que simplesmente não conseguiu a identificação com o espectador.

            Não tenho nada contra obras grandiosas ou megalomaníacas, mas nesse caso a pretensão do filme bateu de frente com seu andamento sem inspiração, tornando-o um simples filme arrastado – seus 132 minutos parecem três horas – sem nada para atrair o público aos cinemas.

            Um romance sem sal, com toques de comédia e de filmes de guerra, que atira para todos os lados e não consegue acertar nenhum alvo. Totalmente dispensável. E, com essa declaração, digo que já está na hora de encerrar, pois estou começando a me repetir e isso não é nada bom, já que com isso esta resenha está ficando como o filme que a originou: chata e redundante.



 Escrito por Carlos Cyrino às 1:37 PM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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