Delfos - Jornalismo Parcial
   Cinema – Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown – EUA – 2005)

            Estava meio ansioso para assistir Tudo Acontece em Elizabethtown. Isso porque é um filme de Cameron Crowe, o mesmo sujeito que fez Singles, Jerry Maguire, Quase Famosos e Vanilla Sky, todos eles muito bacanas. Duas horas de projeção depois, saio da sala de exibição meio triste. Não, a película não é deprê, minha tristeza é resultado de decepção mesmo.

            Não que o filme seja ruim, ele é perfeitamente assistível, mas comparado às obras citadas acima, está bem abaixo da média de qualidade do diretor.

            Drew Baylor (Orlando “finalmente pararam de me escalar apenas para épicos como Cruzada” Bloom) é um projetista de sapatos que gastou oito anos de sua vida num projeto mirabolante de tênis. Acontece que o calçado é um fiasco e a companhia para a qual trabalha perde cerca de 1 bilhão de dólares! E mais, seu chefe (Alec Baldwin, o melhor ator do mundo segundo o protagonista de Team America) o obriga a dar uma entrevista assumindo toda a responsabilidade sozinho. A fatídica matéria será publicada dentro de uma semana e, quando acontecer, será o fim da carreira de Drew.

            Desolado, o rapaz pensa em cometer suicídio, porém, seu pai morre antes dele e nosso protagonista tem que prorrogar seus planos para tratar do funeral de seu velho, que faleceu durante uma visita a parentes em Elizabethtown, uma cidadezinha de Kentucky. Durante sua ida, conhece a aeromoça Claire (Kirsten Dunst, a Mary Jane dos filmes do < Homem-Aranha) que, num típico clichê cinematográfico, irá mudar sua vida e ajudá-lo neste momento tão difícil.

            O grande problema desse filme é sua indecisão entre se assumir como um drama, uma comédia ou um romance. Claro, Jerry Maguire misturou todos esses elementos com sucesso, mas dessa vez Crowe não consegue repetir a fórmula, resultando em diversos momentos irregulares.

            Porém, vou dizer que mesmo um filme mais-ou-menos de Cameron Crowe vale bem mais do que muita coisa com críticas mais favoráveis que circulam por aí. Dentre os méritos da película, estão o roteiro bem construído (mesmo que sua execução tenha sido falha), com diálogos espertos e o relacionamento entre Drew e Claire, mais de amizade do que de paixão propriamente dita, fugindo do convencional. Ainda que isso não se mantenha até o final. Uma pena, por sinal, já que esse quesito faria o filme subir muitos pontos.

            E quanto à atuação, você me pergunta? Bem, Orlando “por que vocês do DELFOS não me deixam em paz?” Bloom está mais à vontade como protagonista e segura bem o filme, ainda que dê umas “desarmadas” em alguns momentos. Mais um pouco de estudos e logo, logo o rapaz vai estar no ponto. Kirsten Dunst constrói uma personagem carismática, mas também apresenta alguns momentos irregulares. Mas a parte das atuações realmente não chega a comprometer a obra.

            O que me deu a impressão foi que Cameron Crowe estava sem paixão quando rodou este filme. Fica parecendo que faltou tesão mesmo. Há um certo distanciamento entre a história e o público que não permite uma maior identificação dos espectadores com o que é mostrado. Então não vai ser nenhum espanto se a reação da platéia a este filme for morna e nada mais.

            Bom, acho que com isso tudo, o que quero dizer é, a não ser que você seja um fã xiita da obra de Cameron Crowe, este filme não vale seu suado dinheirinho. Se você estiver a fim de torrá-lo mesmo assim, o DELFOS aceita doações... Ou então alugue os outros filmes de Crowe e assista numa tarde. Será um programa muito mais satisfatório.

 Escrito por Carlos Cyrino às 12:01 AM
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   Cinema – Habana Blues

            Hora de historinha: quando recebi o convite para este filme, já fiquei interessado por imaginar tratar-se de um filme sobre Blues na linha do tremendão [[Encruzilhada]] (aquele que tem um duelo de guitarra entre o Karate Kid e o Steve Vai). Como a vida de editor não é fácil, contudo, tive que repassar o convite para o meu xará cujo sobrenome é Cyrino, mais conhecido como “O Outro Carlos”, que gosta bastante de filmes sobre música. Pô, o cara adorou até 2 Filhos de Francisco, que nem trata de um estilo de música que o agrada. Infelizmente, nosso amiguinho também estava muito ocupado preparando textos para diversos especiais que vão levar os delfonautas ao delírio, então eu tive que assumir a responsabilidade. 

            Chegando ao cinema, sentei-me confortavelmente e, enquanto esperava a sessão começar, abri o release para ter uma idéia mais concreta do que me esperava. Embora não existisse nenhuma informação sobre isso, tudo indicava que era um filme cubano. Uh-oh. Ok, admito que nesses quase dois anos em que assisti a muitos filmes que normalmente não assistiria, perdi um pouco o preconceito contra obras não-estadunidenses. Mas não adianta, o me realmente me toca é mesmo o bom cinemão fantasioso norte-americano. E nem é preconceito, é apenas uma questão de gosto. O dia em que assistir a um filme francês que me toque tanto quanto um Star Wars ou um Homem-Aranha, serei o primeiro a admitir. Por enquanto, contudo, isso não aconteceu. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:38 AM
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   Cinema – Habana Blues

            Depois disso, ainda viriam outras decepções. O primeiro D’oh veio quando li no release o seguinte trecho: “Dois músicos cubanos recebem a oferta para assinar contrato com uma gravadora, sob a condição de irem para a Espanha. Os dois, então, ficam diante de um dilema: serão capazes de deixar para trás aqueles que amam e perseguir o sonho que pode significar o comprometimento de sua integridade musical?”. 

            Admita, meu amigo, ao ler isso, você também deve ter pronunciado um sonoro D’oh, não é? Pois é, é a velha fórmula: “O sucesso não vale os sacrifícios, então fica na sua vidinha podre e deixa o sucesso para aqueles que sabem lidar com ele”. Exatamente a mesma linha que estragou um filme que tinha tudo para ser tremendão, o Rock Star. 

            Pois os D’oh não parariam por aí. Na página seguinte viria uma classificação que criaria uma seqüência de D’oh comparável aos piores ataques de soluços que você já viu: “Habana Blues é uma comédia romântica”. D’oh! Sim, delfonauta, caso você ainda não tenha percebido em outros textos meus, comédia romântica (D’oh!) é, possivelmente, o único gênero cinematográfico que eu realmente não suporto. Felizmente, o release desse filme é um mentiroso, pois Habana Blues é um drama. E dos bons. Na verdade, tem tão pouco Blues no filme que acho que o Blues do nome se refere mais a “Tristeza de Havana” do que a “Blues de Havana”, como pensei inicialmente. 

            Pausa: nas últimas duas semanas, devo ter assistido a uns três filmes que se classificavam como comédia e que, na verdade, eram dramas. Por que será que as distribuidoras estão mentindo tanto sobre os gêneros de seus filmes? 

            Despausa: o primeiro D’oh, contudo, tinha alguma razão de ser, pois aquelas quatro linhas transcritas do release três parágrafos atrás permitem que um cinéfilo dedicado adivinhe tudo o que vai acontecer durante o filme. Mas, ao contrário do que aconteceu com Rock Star, não se rende a clichês que desmoralizam todo o trabalho. É previsível, mas é bom, sabe?

             E a trilha sonora, por si, já vale o ingresso. Acho que desde Star Wars III (tudo bem que aí já é covardia, afinal, John Williams é John Williams), não via uma trilha que me agradasse tanto quanto essa. Apesar de o filme acontecer inteiro em Cuba, não espere ouvir aquelas coisas latinas, tipo Ricky Martin ou Shakira. Isso, contudo, não significa que não se trata de uma trilha eclética. Temos de baladas românticas a Reggaes sexuais e Raps, mas a trilha é focada mesmo no bom e velho Rock, passando por seus vários estilos, desde o mais pesado do Metal até aquele Rock’n’Roll deveras divertido e bem-humorado. Mesmo com todo esse ecletismo, todas as músicas e eu realmente digo TODAS, me agradaram. E músicas não faltam, já que, embora não se trate de um musical, daqueles que as pessoas começam a cantar do nada e a cidade inteira acompanha com uma coreografia assaz complicada, o pessoal do filme está a toda hora com um violão, pronto para jams. E faz sentido, afinal, todos os personagens principais são pessoas que respiram música. 

            Mas e aí, os D’oh foram justificados? Não. Habana Blues detona. Se você tem um mínimo de ecletismo musical e consegue relevar a previsibilidade da história, pode assistir sem medo. E eu fico até feliz de o Cyrino estar ocupado, o que permitiu que eu fosse assistir a esse filmão. ;)



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 9:33 AM
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   Música – Notícias – Acaba a novela do Pearl Jam em São Paulo

              Fãs paulistas do Pearl Jam, podem relaxar. O prefeito José Serra voltou atrás e liberou o Estádio do Pacaembu para os shows da banda, com a única condição de que as apresentações acabem lá pelas 21h30, para respeitar os moradores da região que quiserem dormir em paz.

             Então, recapitulando, as datas, todas confirmadas, ficaram assim: dia 28/11 em Porto Alegre, no Estádio do Gigantinho; 30/11 em Curitiba, na Pedreira Paulo Leminsky; 2 e 3/12 em São Paulo, no Estádio do Pacaembu e 4/12 no Rio de Janeiro, na Praça da Apoteose. Os ingressos já estão à venda desde terça-feira e a procura está intensa, então é melhor correr.

             Outra boa notícia, ainda não confirmada oficialmente, é a de que o quinteto de Seattle vai trazer o Mudhoney para abrir seus shows brazucas. A informação teria saído da boca do próprio Mark Arm (vocalista e guitarrista) em uma conversa informal com amigos brasileiros.

             Se o negócio já estava bom, vai ficar perfeito assim que isto se confirmar. E você, o que está fazendo aí? Vá garantir o seu ingresso!



 Escrito por Carlos Cyrino às 3:50 PM
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   Cinema – A Lenda do Zorro (The Legend of Zorro – EUA – 2005)

             Sete anos após A Máscara do Zorro, chega esta continuação. Não consigo deixar de pensar por que tanta demora. O primeiro filme era bem legal, fez dinheiro e, no entanto, só agora saiu A Lenda do Zorro. O fato é que, com ou sem demora, a nova aventura do justiceiro mascarado é tão divertida quanto a primeira. Para um maior divertimento com o novo filme, é recomendável refrescar a memória reassistindo ao primeiro. Dada a dica, vamos à resenha.

            A nova história se passa 10 anos após os eventos mostrados no primeiro filme. A Califórnia está prestes a se tornar o 31º estado dos EUA, então Zorro está meio ocupado tentando manter a ordem em seu povoado. Don Alejandro De La Vega (Antonio Banderas), assumiu as posses e o sobrenome do Zorro original (no primeiro filme, interpretado por Anthony Hopkins). Casado com Elena (Catherine Zeta-Jones, de O Terminal e Doze Homens e Outro Segredo, os dois têm um filho, Joaquin, praticamente uma cópia do pai, com talento nato para se meter em confusão.

            Acontece que Elena não está nada feliz com Alejandro. Ele lhe prometeu que iria aposentar sua persona de vigilante e dar mais atenção ao filho, mas até agora não cumpriu com a palavra. Por outro lado, o pequeno Joaquin, que desconhece a vida dupla do pai, pensa que ele é só um nobre bobalhão sem tempo para ele. As coisas esquentam tanto na casa da família De La Vega que, em determinado momento, Elena diz a Alejandro que se ele sair para mais uma missão, é melhor não voltar. Dá para imaginar a cena? O Zorro escorraçado de casa pela esposa!

            Ao mesmo tempo em que precisa resolver a situação com sua família, Alejandro tem que lidar com um novo vilão, Armand (Rufus Sewell, o malvadão de Coração de Cavaleiro), um conde francês com planos nefastos (como todo bom malfeitor) para os EUA. Qual a surpresa de nosso herói ao descobrir que sua amada está arrastando asa para o sujeito! Chega, se eu contar mais posso estragar alguma surpresa.

            Bom, o filme é bem divertido. Mistura bem altas doses de ação com humor. É impossível, ao ver Antonio Banderas de espada em punho e falando com aquele sotaque espanhol, não lembrar imediatamente do Gato-de-Botas em Shrek 2, personagem dublado por ele. Descontado esse humor acidental, ele e Catherine têm uma boa química juntos e os dois apresentam um bom timing cômico. Para se ter uma idéia, até o cavalo do Zorro protagoniza duas ou três piadas!

            Quanto à ação, as coreografias das lutas de espada são muito boas. A primeira cena de ação do filme, que começa no vilarejo e termina em uma ponte em construção, é muito legal. Este é mais um filme que evita ao máximo o uso de efeitos de computação, privilegiando um realismo (dentro do possível) maior. Agora, não espere ver sangue. Embora a película esteja cheia de duelos de espada, ninguém espeta ninguém. Destaque também para o som. O filme é cheio de explosões no talo. Verdadeira prova de resistência para os tímpanos.

            Mas não espere por nenhuma inovação. O filme segue à risca velhas fórmulas, mas o faz com competência. Seu objetivo é ser uma mera obra de entretenimento, sem grandes pretensões. Neste papel, cumpre seus objetivos com louvor.



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:01 AM
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   Cinema – Matérias – Os extras do DVD de Batman Begins

            Fãs do morcego, podem comemorar. O DVD duplo de Batman Begins é recheado de bônus para agradar aos fãs dos quadrinhos, do filme, e a cinéfilos em geral.

            No primeiro disco, temos o filme propriamente dito, com imagem widescreen e som Dolby Digital 5.1. O único extra neste disco é o trailer. Por algum motivo bizarro, não existem comentários do diretor aqui.

            Mas muita calma, pois o bom mesmo está no disco 2. Ao invés de menus, ele tem a forma de uma história em quadrinhos, escrita pelo roteirista do filme, David S. Goyer e ilustrada por Killian Plunket. Os extras estão espalhados pelos quadros das páginas da história. É meio chatinho de achá-los, a visualização do cursor é difícil, mas vale a pena. São diversos documentários mostrando todas as fases da produção do filme. Para quem é fascinado pelos bastidores do cinema, é um prato cheio. Não há como não ficar de boca aberta ao ver o set das ruas de Gotham, um dos maiores cenários já erguidos, abrigado dentro de um enorme hangar.

            Outros documentários cobrem a fase de pré-produção, a construção do roteiro, o processo de criação do uniforme do Batman, a construção e posterior uso do sensacional Batmóvel. Em suma, todas as fases do filme estão bem representadas.

            Talvez o documentário mais legal para os fãs de longa-data seja “A Gênese do Morcego”, onde Christopher Nolan e David S. Goyer contam quais foram as histórias que os inspiraram no processo de roteirização. Dentre elas estão Batman: Ano Um, O Cavaleiro das Trevas, e Asilo Arkham. Há ainda depoimentos de tremendões dos quadrinhos como Denny O’Neil, roteirista de histórias clássicas do personagem e Jim Lee, o desenhista responsável por levantar as vendas da revista do morcegão com a saga Silêncio.

            E se isso ainda parece pouco, há fichas sobre os personagens e os equipamentos do morcegão, galeria de arte promocional do filme, além de um monte de easter eggs, que, apesar do nome, não são ovos de Páscoa (tá, essa foi horrível), mas pequenas entrevistas escondidas pelas mesmas páginas da história. Então fique ligado quando você apontar o cursor para algum detalhe de qualquer quadrinho e ele se iluminar, mas sem aparecer nada escrito.

            Se você, assim como eu, não agüenta esperar, vale a pena comprar o DVD. Agora, se você tiver um pouco de paciência, convêm esperar um pouco. Digo isso porque, embora o DVD tenha muitos extras, faltam algumas coisas. O principal é a ausência da faixa de áudio com os valiosos comentários do diretor. Hoje em dia, isso é um pré-requisito para qualquer filme. E, numa produção desse porte, com certeza há muitas curiosidades a serem reveladas. Também é sentida a ausência de cenas deletadas e erros de gravação. Este, geralmente é um dos extras mais divertidos de qualquer filme.

            Com isso, o DVD não é completo, o que me faz pensar que mais para frente pode ser lançada uma versão “definitiva”, com os itens que ficaram de fora. Esta é uma prática cada vez mais comum no mercado dos filmes em DVD. Maldito capitalismo!



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:02 AM
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   Tarja Turunen é demitida do Nightwish! - Texto por Bruno Sanchez

Neste último final de semana, uma verdadeira bomba se abateu sobre o cenário metálico, quando a página oficial do Nightwish divulgou que a cultuada vocalista Tarja Turunen fora demitida logo após um show da banda em Helsinque (na Finlândia – terra natal dos caras).

 

A grande ironia é que essa apresentação (a última da bem sucedida turnê do álbum Once) que passou pelo Brasil duas vezes, a primeira no ano passado e a segunda há algumas semanas no festival Live ´n´ Louder) foi registrada para a gravação de um DVD que já batizado de The End of an Era e, obviamente, após a demissão, ganhou um novo significado pois foi a última apresentação da banda com a formação “clássica” após 9 anos de um casamento bem sucedido (e rentável, diga-se) entre Tarja e os demais integrantes.

 

Essa notícia, apesar de chocante para os fãs mais fiéis, não era tão inesperada visto que essa divisão interna na banda era bem visível, especialmente se pegarmos entrevistas recentes que os músicos deram para veículos nacionais. Em uma dessas entrevistas, há cerca de 2 anos, a vocalista se mostrava insatisfeita com o Nightwish e dizia claramente que seu futuro no grupo era incerto, pois pretendia se focar apenas em sua carreira como cantora lírica, longe dos palcos de shows de Heavy Metal.

 

Na carta de demissão entregue à Tarja e aberta ao público em geral, o tecladista e líder dos finlandeses, Tuomas Holopainen, acusa a “musa” de se importar atualmente apenas com a fama e o dinheiro e de ter mudado muito após o casamento com o argentino Marcelo Cabuli (sobrou até pro cara). A gota d´água na história teria sido durante um vôo para Toronto, onde Tarja disse que poderia sair da banda a hora que bem entendesse.

 

Ainda complementando a nota e em uma notícia bem, digamos, precipitada, o tecladista, em uma entrevista hoje para a STT (agência de notícias da Finlândia), disse que lançará um livro em maio de 2006 onde contará todos os fatores que levaram a banda a tomar essa decisão (o que nos leva a refletir desde quando esse livro já estava sendo escrito – e o mesmo pode ser dito sobre o título do vindouro DVD). Na mesma entrevista, Tuomas confirmou que o objetivo do Nightwish é seguir em frente e eles já estão preparando todo o processo de substituição da carismática vocalista, o que não será fácil para os fãs e a mídia.

 

A vocalista, por outro lado, se pronunciou através de um fã site, onde disse estar chocada pela forma como as coisas foram feitas e disse estar muito triste como tudo chegou à imprensa, sem que ao menos ela tivesse a oportunidade de se despedir dos fãs.

 

Parece que os finlandeses têm uma tendência um pouco mórbida em abrir o coração nesses momentos delicados onde tudo deveria ser resolvido internamente na banda. Não vejo necessidade de uma divulgação tão aberta da demissão de Tarja, pelo menos não nesse momento. Enfim, vamos ver o que ocorre nas próximas semanas e qual será o futuro dos atuais queridinhos da mídia. Será que a banda sobrevive a esse baque?



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 3:06 PM
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   Cinema – A Noiva-Cadáver (Corpse Bride – Reino Unido – 2005)

            Após Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais, chega uma nova animação em stop motion, A Noiva-Cadáver. Repare no título de um e depois de outro. Pois é, o segundo é, digamos, mais sugestivo. Ou vai me dizer que a idéia de necrofilia nunca passou pela sua cabeça?

            Mas calma, é apenas mais um filme de Tim Burton. Por esse ângulo, o título até que é bem normal. Doze anos depois de O Estranho Mundo de Jack (que Burton apenas produziu, mas sua assinatura visual está em cada fotograma), Burton volta ao campo da animação com um filme de temática semelhante. E dessa vez, na direção, junto com Mike Johnson.

            Victor Van Dort (Johnny Depp, de Em Busca da Terra do Nunca) está noivo de Victoria Everglot (Emily Watson), que ele nem conhece. Acontece que o casamento foi arranjado pelos pais dos noivos. Os Van Dort, novos ricos, querem aceitação da alta sociedade. Os Everglot, nobres decadentes, precisam da ajuda financeira que a união irá proporcionar. Mas, por uma jogada do destino, Victor vai acabar noivo de Emily (Helena Bonham Carter, de Peixe Grande), uma cadáver. Ela leva seu novo amor para o mundo dos mortos e agora o jovem Van Dort precisa dar um jeito de se livrar dessa enrascada.

            Preciso dizer que, visualmente, o filme é magnífico. Sem brincadeira, acho que foi a animação em stop motion mais linda e perfeita que já vi. Os bonecos são de um design sensacional, os cenários de uma criatividade impressionante, especialmente a terra dos mortos e os movimentos irretocáveis. Um espetáculo técnico.

            A trama do filme é típica de Burton. Elementos macabros tratados como se fossem a coisa mais natural do mundo, criam uma fantasia divertida e engraçada. O filme tem apelo tanto para os adultos quanto para as crianças. Só mesmo Tim Burton para pegar esses elementos que, à primeira vista, parecem pouco atrativos, e transformá-los em diversão de primeira.

            A trilha sonora de Danny Elfman (colaborador habitual de Burton) também merece destaque, com canções no mesmo estilo das que ele fez para A Fantástica Fábrica de Chocolate, embora até hoje eu não entenda porque toda animação precisa ter números musicais... Mas essa é uma outra história (eu tenho um problema com números musicais. Qualquer dia eu conto).

             O único ponto negativo é que o filme é demasiado curto. Míseros 76 minutos! Você está lá, se divertindo a valer e, de repente, o filme acaba. Sacanagem. Essa sensação é acentuada pelo final deveras apressado. Todas as pontas do roteiro são amarradas e nada fica em aberto, mas acontece que tudo se resolve em menos de cinco minutos e aí o filme acaba de sopetão. Esse finalzinho podia ter um desenvolvimento um pouco mais calmo, sem precisar acelerar tanto. Mas também não é nada que comprometa o conjunto da obra.

            Este filme, assim como O Estranho Mundo de Jack, tem tudo para virar cult. Então, sugiro que ao terminar de ler esta resenha, o amigo corra para o cinema. Afinal, não é todo dia que temos em cartaz entretenimento de primeira.

 Escrito por Carlos Cyrino às 12:01 AM
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   Tremendões – Tim Burton – Um cara estranho - Parte I

             O que seria do cinema de entretenimento estadunidense sem Tim Burton? Com certeza, seria bem menos interessante e criativo. O diretor provou que há espaço e rentabilidade para histórias, a princípio, menos palatáveis para o grande público. Hoje, ao olharmos o conjunto de sua obra cinematográfica, podemos dizer com certeza que Tim Burton é um autor. É só assistir cinco minutos de qualquer filme dele, para se perceber suas características peculiares. Por isso, o DELFOS concede a um dos diretores mais criativos da atualidade, a honra de ser o mais novo tremendão a figurar nessa sessão.

            Timothy William Burton nasceu em 25 de agosto de 1958, em Burbank, Califórnia, filho de um casal de classe média baixa. Quando pimpolho, Tim era um garoto, digamos, um pouco anti-social. Não gostava de ir à escola e nem de ler (e qual criança realmente gosta disso?) e também não era chegado em brincar na rua com os outros moleques. Ao invés disso, preferia ficar em casa desenhando e assistindo televisão. Gostava do Godzilla, dos filmes com efeitos em stop motion de Ray Harryhausen, das produções da Hammer e dos filmes de seu maior ídolo, Vincent Price.

            Em 1976, o talento de Burton para o desenho o levou a entrar no Instituto de Artes da Califórnia, uma universidade fundada pela Disney com o objetivo de descobrir novos talentos para o estúdio do Mickey Mouse. Em seu segundo ano, Tim já integrava a equipe de animadores do estúdio. Seu primeiro trabalho para eles foi em O Cão e a Raposa, de 1981.

            Porém, seus gostos pessoais não eram nem um pouco compatíveis com o que a Disney produzia. Quando eles lhe deram 60 mil dólares para criar algo seu, Burton aproveitou a oportunidade para homenagear seu ídolo máximo. Tim adaptou um livro infantil sobre Vincent Price que vinha escrevendo, num curta animado de 6 minutos (Vincent, de 1982), que conta a história de um garoto que queria ser como seu ídolo, ninguém menos que o próprio Price. O próprio Vincent é o narrador do filme. E ainda sobrou dinheiro para que Burton realizasse seu primeiro curta com atores de carne-e-osso. Frankenweenie, de 1984, era a história de um garoto que tentava ressuscitar seu cachorro morto. Obviamente, a Disney, mundialmente famosa por suas fofas produções para toda a família, não gostou nem um pouco da temática mórbida do curta, e se recusou a lançá-lo, o que levou o diretor a deixar o estúdio.

            Mas nosso querido amigo Burton não ficou muito tempo na fila do desemprego. Isso porque o ultra-mega-super escritor de livros de terror Stephen King assistiu Frankenweenie, gostou, e recomendou aos executivos da Warner, que deram a dica a Paul Reubens. Na época, Reubens era astro de um programa de TV infantil onde interpretava o personagem Pee-Wee Herman. Paul assistiu ao curta, adorou e pediu para Burton dirigi-lo no filme que transporia seu personagem de sucesso para a tela grande. As Grandes Aventuras de Pee-Wee, lançado em 1985, primeiro longa-metragem de Burton, foi um inesperado sucesso e abriu as portas de vez para o diretor.

            Em 1988, ele lançou Os Fantasmas se Divertem, filme que apresentou pela primeira vez algumas das características marcantes de Burton e um dos filmes preferidos da infância do Corrales. Trata-se de uma insólita mistura de comédia com filme de terror. É a história de um jovem casal (Geena Davis e Alec Baldwin) que morre num acidente de carro e viram assombrações em sua própria casa, agora ocupada por novos moradores. Incapazes de afastarem os habitantes vivos, recorrem aos serviços de Beetle Juice, um exorcista daqueles que ainda respiram. O filme, de um belo colorido e com animações em stop motion é um divertido delírio visual. É também o início da primeira parceria entre Tim e um ator, no caso Michael Keaton, que interpreta, debaixo de pesada maquiagem, o insano fantasma cujo nome, traduzido para o português, é Suco de Besouro (embora em algumas traduções do filme, você possa encontrar como Besouro Suco). Mesmo aparecendo em apenas 17 minutos e meio do filme, Keaton se tornou a cara da película. Com todas essas esquisitices, o filme foi um sucesso, ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem, virou desenho animado e levou a Warner a escalar Tim para a direção de um projeto ambicioso envolvendo um certo Cavaleiro das Trevas (ainda sem mamilos). Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:05 AM
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   Tremendões – Tim Burton – Um cara estranho - Parte II

            Batman foi o grande sucesso de 1989, com uma campanha de divulgação imensa, produtos de merchandising dos mais variados (eu ainda tenho os lençóis com o símbolo do morcego) e, tudo isso graças a um personagem de quadrinhos. Porém, Burton nunca escondeu que não é fã de HQs e o resultado transparece na tela.

            Para este filme, ele não teve liberdade total, pois ainda era um relativo novato, com apenas dois longas na carreira. Mas ele pôde tomar algumas decisões importantes. A mais controversa foi a escolha do protagonista. Michael Keaton é um cara baixinho, magrelo e semi-careca. E mais, na época era mais conhecido por seus papéis em comédias (como o próprio Os Fantasmas se Divertem). Nada a ver com o Batman, certo? Pois Burton não quis nem saber e o escalou assim mesmo. Como Batman até que não comprometeu, pois o traje em forma de armadura deu uma melhorada no seu físico e ajudou a disfarçar sua altura. Já como Bruce Wayne... Keaton transformou o milionário atormentado num riquinho excêntrico e tapado. Nada a ver com o personagem que tanto amamos.

            Mesmo este não sendo o Batman que os fãs queriam ver, trata-se de uma aventura competente e um fenômeno para a época. O único grande acerto de Burton foi a atmosfera sombria e opressora de Gotham City, que valeu ao filme um Oscar de Melhor Direção de Arte e Cenários. Essa característica visual se tornaria uma constante na obra de Burton daqui pra frente. Quem se deu bem mesmo com este filme foi Jack Nicholson, muito elogiado pela crítica por sua interpretação do Coringa, e que roubou o filme inteiro de Keaton. Ah, numa jogada de mestre, Nicholson abriu mão de seu cachê em troca de uma porcentagem da bilheteria. Devido ao estrondoso sucesso do filme, Jack foi para casa 60 milhões de dólares mais rico. Caraca!

            Pausa para o “momento Contigo”: ainda em 1989, Burton se casou com a artista plástica alemã Lena Gieseke. A união durou somente até o último dia de 1991. A curta união se deu porque Burton logo conheceu a modelo Lisa Marie, de quem ficou noivo de 1992 até 2001. Ela se transformou na musa do diretor e, a partir do filme Ed Wood, ganhou papéis em todas as películas dele. Ah, mais um motivo para ele ser um tremendão: para um sujeito com a cara dele pegar uma modelo, alguma coisa a mais ele tem que ter.

            Voltando à vaca fria, 1990 marcou o início da sensacional parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, parceria essa que perdura até hoje. Trata-se de Edward Mãos de Tesoura, talvez o filme que melhor funcione como cartão de visitas do diretor. Todas as suas peculiares características estão lá. A atmosfera sombria, de pinceladas góticas, o personagem principal desajustado e o tom de fábula que mistura elementos cômicos com terror.

            Desta vez, Burton conta a história de Edward, um homem artificial criado por um cientista (ninguém menos que o próprio Vincent Price) que vivia numa isolada mansão. Infelizmente o cientista morre antes de terminar sua criação máxima e Edward fica com afiadas tesouras no lugar das mãos. Certo dia, uma vendedora de cosméticos (Diane Wiest) decide tentar a sorte batendo à porta da mansão e encontra o jovem Edward. Ela decide levá-lo para o subúrbio onde mora e logo o carinha vira a sensação do lugar. As coisas se complicam quando ele se apaixona pela filha da vendedora, interpretada por Winona Ryder.

            Burton traça, nas entrelinhas da história, uma violenta crítica social (todas as casas do subúrbio são iguais e pintadas em tons pastéis) e sobre a intolerância com aqueles que são diferentes. Em suma, algo que Burton provavelmente sentia em sua infância.

            Vale mencionar que este foi o último filme de Vincent Price. O ator e herói de Burton morreu em 1993. Tim deve ter se sentido honrado por ter sido o diretor da despedida de Price. Edward Mãos de Tesoura foi um sucesso e ganhou uma indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:04 AM
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   Tremendões – Tim Burton – Um cara estranho - Parte III

            Em time que está ganhando não se mexe. Esta é uma das maiores máximas de Hollywood. Por isso, apesar de Tim Burton provavelmente nunca ter lido uma revista do Batman na vida, ele voltou para a cadeira de diretor em Batman – O Retorno, lançado em 1992.

            Devido ao estrondoso sucesso do primeiro filme do morcegão e também de Edward Mãos de Tesoura, desta vez Burton teve controle maior sobre a produção. Como resultado, obteve alguns acertos maiores (elevou o clima sombrio de Gotham à nona potência, caracterizou muito bem a relação dúbia entre Batman e Mulher-Gato e tornou o Pingüim um vilão legal) mas também cometeu erros maiores (pingüins gigantes controlados por rádio. A origem ridícula da Mulher-Gato. Uma gangue formada por artistas circenses. Fala sério!)

            O filme foi muito bem recebido pela crítica, que o considerou superior ao primeiro. Embora não tenha tido o mesmo retorno financeiro do filme de 1989, foi uma das grandes bilheterias de 1992 e rendeu duas indicações ao Oscar (Melhores Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem), mas tudo isso não foi o bastante para conquistar a simpatia dos fãs de longa data do Cavaleiro das Trevas.

            Durante a produção de Batman – O Retorno, Burton também produziu seu primeiro longa em animação. O Estranho Mundo de Jack, feito em stop motion, trazia uma história bem exótica para um filme que, supunha-se, era destinado ao público infantil.

            Jack é um esqueleto, governante da Terra do Halloween. Cansado da data, acaba descobrindo o Natal. Fascinado por essa nova festividade, seqüestra o Papai Noel e toma seu lugar na tarefa da distribuição de presentes. Só que seus presentes são um tanto impróprios para comemorar o nascimento de Jesus.

            O filme, apesar de não ser dirigido por Burton (ele estava comprometido com Batman – O Retorno) tem toda a estética visual e temática típicas dele, com a vantagem de que uma animação permite se fazer coisas que um filme convencional não conseguiria. A direção ficou com Henry Selick. Burton assinou o argumento e a produção.

            Lançado em 1993, ninguém entendeu qual era a deste filme. Na época, os filmes em animação ainda eram vistos como produtos apenas para crianças. Obviamente, sua trama macabra não tinha muito apelo para os baixinhos. Como resultado, foi muito pouco visto. Com o passar dos anos, a animação foi redescoberta pelo público, recebendo seu devido valor e alcançando a aura de filme cult.          

            Em 1994, Burton lançou um de seus filmes mais pessoais e outro exemplar da parceria com Johnny Depp, Ed Wood, a cinebiografia romanceada do sujeito que é apontado por muitos como o pior diretor de cinema de todos os tempos.

            É mais um filme com todas as características “Tim Burton de se fazer cinema”, este com o agravante de ter sido rodado num belíssimo preto-e-branco. Recebido de braços abertos pela crítica e vencedor de dois Oscar (Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau e Melhor Maquiagem), tinha tudo para ser mais um sucesso. Infelizmente, devido a Ed Wood ser uma figura desconhecida do grande público e à sua fotografia p/b, que afasta ainda mais gente dos cinemas, o filme foi o primeiro fracasso financeiro de Tim.

            Mas calma, delfonauta. Com o tempo, o filme foi redescoberto pelos fiéis fãs de Burton, admiradores do cinema trash do verdadeiro Ed Wood e por cinéfilos em geral, ganhando a aura de cult, o que remediou um pouco a situação. Talvez o filme menos conhecido da carreira do diretor, é uma obra que merece ser descoberta.

            A principal fonte de material do cinema vem das adaptações. Livros, peças de teatro, musicais da Broadway, HQs, e até mesmo outros filmes. Agora, fazer um filme que era uma adaptação de uma série de cards (as figurinhas dos estadunidenses, muito populares entre os nerds) era algo, no mínimo, inédito. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:04 AM
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   Tremendões – Tim Burton – Um cara estranho - Parte IV

             Marte Ataca! chegou aos cinemas em 1996, provando que era possível. E o filme tinha pretensões bem altas. Com um elenco estelar, com nomes como Jack Nicholson (em dois papéis), Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox e Natalie Portman (muitos deles já haviam trabalhado com Burton antes), o filme pretendia ser uma grande homenagem à ficção científica dos anos 50 e 60.

            O filme basicamente conta a história da chegada dos marcianos à Terra. A princípio, eles parecem ter vindo em paz, mas logo usam suas armas avançadas para vaporizar quem estiver no caminho. Pior para o governo dos EUA, que se recusa a acreditar que se trata de uma invasão e prefere pensar em tudo como um mal-entendido (seria essa a única vez na história dos EUA que eles não partem pra porrada logo de cara?).

            O filme é bem divertido e se utiliza da estética mais colorida de Tim Burton. Novamente apresenta críticas, dessa vez à imbecilidade humana, disfarçadas numa sátira.

Destaque para os alienígenas cabeçudos (o idioma deles é hilário) e para a musa do rapaz, Lisa Marie, que aqui interpreta uma marciana gostosérrima.

            Mesmo com efeitos especiais de primeira e um elenco cheio de nomes famosos, o filme foi mais um fracasso de bilheteria. Não tão retumbante quanto Ed Wood, mas ficou longe de se pagar. O público não pegou bem com o estilo anárquico do filme e a crítica também se dividiu. Mesmo não sendo das melhores obras de Burton, com certeza merece uma conferida.

            Após dois fiascos seguidos, Burton se ligou a um projeto que seria certeza de retorno financeiro. Novamente ele não deu a mínima por não entender chongas de quadrinhos e assumiu a direção de Superman Lives, o projeto que traria o bom e velho Super-Homem de volta aos cinemas. E novamente meteu os pés pelas mãos. Primeiro, rejeitou o roteiro que fora escrito por ninguém menos que Kevin Smith, o nerd supremo e pessoa muito mais gabaritada que ele para cuidar de tal projeto. Depois, dizem os boatos, queria Nicolas Cage, outro careca, para o papel principal. O fato é que o projeto não deu em nada. A Warner engavetou a produção, decidiu fazer Batman Begins primeiro e o projeto do filme do azulão acabou virando o aguardado, e temido (ao menos por mim), Superman Returns, sob o comando de Bryan Singer, de X-Men. Burton teve que se contentar a voltar a fazer o que ele faz melhor, o que, definitivamente, não é adaptação de personagens de quadrinhos.

            Ele só voltaria aos cinemas em 1999, com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, filme baseado numa tradicional história do folclore dos EUA. Este filme marcou: a volta de Burton à sua estética mais gótica, nova parceria entre Burton e Johnny Depp, e o reencontro do diretor com o sucesso comercial. Foi indicado aos Oscar de Melhor Fotografia, Melhor Design de Figurinos e levou o de Melhor Direção de Arte e Cenários, o que não é nenhuma surpresa já que é um filme do nosso amigo “Timóteo”. Ainda assim este não é dos seus filmes mais inspirados, mas isso talvez seja culpa da história, pouco conhecida do público brasileiro.

            2001 foi a vez de Planeta dos Macacos. Na época, o diretor dizia que não se tratava de uma mera refilmagem do filme de 1968, e sim de uma reimaginação. Mark Wahlberg (que já foi conhecido como Marky Mark) tomou o lugar de Charlton Heston como o astronauta que acidentalmente cai num planeta onde os macacos se tornaram os animais mais evoluídos. Os humanos são meros escravos dos símios, mas o personagem de Wahlberg cai do céu como o salvador da raça humana.

            Em comparação com a produção dos anos 60, o filme de Burton tem mais ação e as maquiagens de macaco são bem melhores. Porém, o filme não tem aquele subtexto político que a produção original tinha e Mark Wahlberg não tem nem de longe o mesmo carisma de Heston. Isto é, antes dele virar um maluco amante das armas, como visto em Tiros em Columbine. Quem rouba a cena no filme de Burton é Tim Roth, como o cruel General Thade.

            Foi neste filme que Tim Burton conheceu sua atual musa. A atriz Helena Bonham Carter, que interpretava a macaca de ideais libertários Ari. Detalhe, Lisa Marie também está no filme, como a personagem Nova. Deve ter sido uma tremenda saia justa, Burton com Lisa Marie e de olhos arregalados para Helena. O fato é que ele chutou a modelo e, ainda em outubro de 2001, já estava noivo de Bonham Carter. Os dois estão juntos até hoje e em 2003 a atriz pariu o primeiro rebento de Tim, Billy Ray. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:02 AM
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   Tremendões – Tim Burton – Um cara estranho - Parte V

            Mas, voltando à macacada, o filme original tinha aquele final bacana que eu iria contar aqui, mas o Corrales censurou. A produção de Burton, no esquema da reimaginação, quis dar um final tão forte quanto o original. Causa um choque, só que ninguém entendeu. Esse é daqueles que geram inúmeras discussões e teorias a respeito.

            Os críticos novamente dividiram suas opiniões. O único consenso foi que o Planeta dos Macacos de Burton não chega aos pés do original. O público não se importou com isso e lotou os cinemas. Novo sucesso.

            2003 marcaria outro dos filmes mais pessoais de Burton. Isso porque a história de Peixe Grande tem muitos paralelos com a história do próprio diretor. Trata-se de um filho que não fala com o pai há anos, devido à sua mania do progenitor de contar as mentiras mais cabeludas. Mas, por conta da doença fatal do velho, o filhote precisa retomar o laço de afetividade. Pouco antes do início da produção do filme, o próprio pai de Tim, com o qual ele não falava desde os doze anos, faleceu. Pesado, não?

            A história é emocionante sem cair no sentimentalismo barato. E, como trata-se de Tim Burton, este filme apresenta uma grande contagem de personagens esquisitos. Aqui, novamente o visual do filme é mais colorido, quase lisérgico, do que gótico.

            Helena Bonham Carter, sua nova musa, ganhou do amado um papel duplo e o filme recebeu uma indicação para o Oscar de Melhor Trilha Sonora para Danny Elfman, que fez a trilha para todos os longas de Burton, com exceção de Ed Wood. Novo sucesso de bilheteria, Peixe Grande é Tim Burton em sua melhor forma.

            Tim retornou aos cinemas agora em 2005, com nada menos que dois filmes. O primeiro foi A Fantástica Fábrica de Chocolate, novamente uma refilmagem. Porém, dessa vez a idéia foi deixar a nova versão da história de Charlie e Willy Wonka mais próxima do livro. Johhny Depp retorna ao universo de Tim Burton, no papel de Willy e Helena Bonham Carter interpreta a mãe do pequeno e pobretão Charlie.

            Novamente, o diretor se utiliza de uma viajante direção de arte que abusa dos coloridos para criar a fábrica de doces dos sonhos de qualquer um. O filme peca por ser muito infantil. Não tem muito apelo para os adultos. E, embora muita gente ainda prefira a primeira versão, este já é um dos sucessos de bilheteria de 2005.

            E é com o lançamento de A Noiva-Cadáver, com as vozes de Johnny Depp e Helena Bonham Carter, uma animação ao melhor estilo de O Estranho Mundo de Jack, que chegamos ao fim de mais um “Tremendões”.

            Tim Burton é um sujeito estranho, meio deslocado, mas com a incrível capacidade de nos tocar através de seus filmes. Esquisitos, pouco convencionais, mas extremamente belos e inventivos. Sua obra merece ser vista e revista, pois é o exemplo perfeito de que cinema pode ser um belo passatempo sem precisar cair no lugar comum. Por isso, nós do DELFOS, o saudamos como mais um a receber nossa honra suprema: figurar na seleta lista de tremendões.

            Para quem não conhece os trabalhos do diretor (o que eu acho meio impossível), todos eles (à exceção de As Grandes Aventuras de Pee-Wee), estão disponíveis no Brasil em DVD, e muitos são exibidos com freqüência na TV, tanto nos canais abertos, quanto nos pagos. É só ficar de olho.

           

Momento mais tremendão: Edward Mãos de Tesoura é o filme que melhor representa tudo o que há de melhor em sua obra.

 

Momento menos tremendão: Tim Burton seria um dos maiores ídolos nerds se não tivesse mostrado que não sabe nada de quadrinhos com Batman e Batman – O Retorno.

 Escrito por Carlos Cyrino às 12:01 AM
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   Cinema – Matérias – Tim Burton e Johnny Depp: parceiros estranhos - Parte I

             O lançamento de A Noiva Cadáver marca nada menos que o quinto filme onde o diretor Tim Burton conta com a participação de seu (e meu) ator favorito, Johnny Depp. Agora, ele empresta sua voz para Victor Van Dort, o noivo que acaba se envolvendo com uma cadáver.

            Aproveitando a chegada do filme aos nossos cinemas, que tal dar uma revisada nas parcerias anteriores da dupla? Sigam-me os bons!

 

Sandman com mãos-de-tesoura.

 

            Tudo começou em 1990. Tim Burton havia estreado nos longas-metragens com As Grandes Aventuras de Pee-Wee, em 1985. Em 1988 ele lançou Os Fantasmas se Divertem, o primeiro filme onde seus traços autorais deram o ar da graça. Fantasmas, um clima meio gótico e ao mesmo tempo colorido e uma temática meio fora do comum para uma comédia (fantasmas que querem exorcizar os vivos) se tornariam marcas registradas do diretor. Em 1989, os fãs de quadrinhos já sabem, Burton lançou Batman, um grande sucesso, mas onde não teve o controle total da produção.

            Se por um lado ele mostrou que não manjava nada de quadrinhos, por outro o filme serviu para definir de vez a identidade visual que seria a tônica de seus filmes a partir de então.     Após Batman, Burton teve a idéia de contar a história de um homem artificial que tinha tesouras no lugar dos dedos. Era uma espécie de reimaginação da história do monstro de Frankenstein em tom de fábula.

            Para o papel principal de Edward Mãos de Tesoura, foi escolhido um jovem ator que acabara de abandonar o seriado Anjos da Lei (aquele com jovens policiais infiltrados em escolas) e estava louco para ser desvinculado da imagem de galã e ídolo das adolescentes (o que, convenhamos, não deu assim tão certo).

            Johnny Depp agarrou o papel com as duas mãos (ou no caso, tesouras) e mandou uma senhora interpretação. Mesmo com poucas falas (ele diz exatas 169 palavras no filme), com uma apertada roupa de couro (ele chegou a desmaiar por causa do calor na gravação da cena onde ele foge da pacata cidadezinha de volta para sua mansão) e uma pesada maquiagem no rosto, que o deixaram a cara do Sandman de Neil Gaiman, ele conseguiu passar toda a inocência e estranheza do personagem apenas com o olhar. A cena onde Winona Ryder pede para Edward abraçá-lo e ele responde com um singelo “não posso” é particularmente emocionante.

            O filme angariou ótimas críticas e até hoje, quando se fala em Burton, este é o filme do qual as pessoas geralmente se lembram. É a obra que melhor sintetiza o cinema de Tim Burton, pois todas as suas marcas registradas estão lá.

            Após essa experiência bem-sucedida, Burton e Johnny Depp tornaram-se amigos e admiradores mútuo.. Sem contar que duas pessoas com predileção por histórias e personagens esquisitos e desajustados parecem mesmo terem sido destinados a tornarem-se parceiros. No campo profissional, é claro. Mas que mente suja, hein? Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:03 AM
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   Cinema – Matérias – Tim Burton e Johnny Depp: parceiros estranhos - Parte II

O pior diretor de todos os tempos.

 

            Todo diretor de cinema tem aquele projeto do coração, um sonho de longa data que ele espera ansiosamente pelo dia de tirá-lo do papel. Aquele que será conhecido como seu filme mais autoral. Com Steven Spielberg foi E.T., com George Lucas foi Guerra nas Estrelas e com Tim Burton, este projeto ficou conhecido como Ed Wood, realizado em 1994. Para quem não sabe, Edward D. Wood Jr. é o sujeito quase sempre apontado como o pior diretor de cinema de todos os tempos.

            O rapaz fazia filmes com orçamento irrisório, usando monstros de borracha, discos voadores presos por barbantes, cenários de papelão e roteiros simplesmente ridículos. Seus filmes mais conhecidos são Glen ou Glenda, de 1953 (um melodrama sobre travestis. Ed Wood também era famoso por adorar vestir roupas femininas) e Plano 9 do Espaço Sideral, de 1959, eleito diversas vezes como o pior filme de todos os tempos (uma grande injustiça, pois essa tosqueira é bem divertida) e dono da célebre fala: “E lembrem-se, meus amigos, eventos futuros como estes os afetarão no futuro”. Gênio!

            Burton transformou o que poderia ser uma potencial cinebiografia de Wood numa grande homenagem à sua paixão pelo cinema e à sua perseverança, enfrentando todas as dificuldades possíveis e imagináveis e usando de toda a sua esperteza e imaginação para conseguir fazer seus filmes. Infelizmente, o filme não fez sucesso, apesar das boas críticas. Isso se explica porque Ed Wood não é muito conhecido do grande público e Burton não fez concessões, escolhendo fotografá-lo em preto-e-branco, afastando mais uma parcela de gente. Uma pena, porque o filme é sensacional. Ah, e Martin Landau ganhou o Oscar de coadjuvante pela sua interpretação do decadente Bela Lugosi. Para quem não sabe, Lugosi foi o ator que interpretou Drácula no filme de 1931 e já em fim de carreira, virou amigo e colaborador de Wood.

            Na pele de Ed Wood, novamente Depp arranca mais uma grande interpretação. Consegue estampar toda a paixão e empolgação de Wood pela sétima arte, mesmo que ele não tivesse talento algum. E mesmo que não percebesse sua gritante falta de jeito para com a sétima arte. Como destaque, as cenas onde ele dirige sua equipe de filmagens mambembe travestido são impagáveis.

            O próprio Depp declarou que sua caracterização foi uma mistura do otimismo cego de Ronald Reagan (ex-presidente dos EUA), o entusiasmo do Homem de Lata de O Mágico de Oz e Casey Kasem (ator e dublador. Por sinal, ele é a voz original do tremendão Salsicha, de Scooby Doo).

            Isso sem falar na aprovação da própria viúva de Ed. Um dia, Kathy Wood foi visitar o set e pediu para conhecer Johnny. Naquele dia, eles estavam filmando uma cena onde Wood estaria na pior, o que deixou Burton meio preocupado com o que Kathy pensaria do filme. Quando Depp saiu do trailer, a viúva soltou um “Esse é o meu Eddie!”. Isso é que é trabalho de caracterização.

 

Cabeças vão rolar.

 

            Depp e Burton só iriam se reencontrar num set de filmagens em 1999, em A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, filme inspirado numa história clássica do folclore estadunidense e que o Corrales adora. Na lúgubre cidadezinha de Sleepy Hollow, um cavaleiro sem cabeça anda decapitando os moradores locais. O excêntrico policial Ichabod Crane (Depp) chega de Nova Iorque para tentar solucionar o caso, com seus métodos inovadores para a época e estranhos (que surpresa!) para os outros.

            Este é mais um filme com o selo visual único de Tim Burton. Visual gótico refletido nos caprichados figurinos, cenários e fotografia. Além da trama macabra, é claro. É aqui que Depp começou a burilar uma nova característica para seus personagens: Ichabod Crane é um personagem meio fresco, de trejeitos afeminados mesmo. A consagração destas características se daria com o pirata Jack Sparrow de Piratas do Caribe, papel que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de melhor ator, e mantido em A Fantástica Fábrica de Chocolate. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:02 AM
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   Cinema – Matérias – Tim Burton e Johnny Depp: parceiros estranhos - Parte III

            Desta vez, ele teria baseado sua caracterização em Angela Lansbury (da série Assassinato por Escrito) e nos falecidos atores Roddy McDowall (de A Hora do Espanto) e Basil Rathbone.

            Originalmente, a idéia de Depp era usar maquiagem para ficar feio, mas ao discutir a idéia com Burton, o diretor disse que só a personalidade de Ichabod já era feia o bastante e que, portanto, seria um contraponto interessante a beleza física do policial em oposição à sua personalidade nada atraente.

            A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça fez uma boa bilheteria, porém trata-se de um filme menor de Burton e da parceria com Johnny. Mas se você é fã dos dois, pode assistir sem medo, que você vai se divertir.

 

O bilhete dourado.

 

            Em 2004, Tim Burton anunciou que faria uma nova versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Não seria uma refilmagem do filme de 1971. Sua intenção era deixar a nova produção mais próxima do livro de Roald Dahl.

            O difícil seria arranjar um substituto à altura de Gene Wilder, o Willy Wonka original e única coisa que presta no filme que fez a alegria de milhares de crianças que assistiam à Sessão da Tarde (inacreditavelmente, eu só fui assistir ao filme depois de velho).

            Burton não teve dúvidas e chamou seu chapa Johhny Depp para a inglória missão. Johnny não teve dúvidas e aceitou o papel na hora, afinal, ele adora um desafio. E saiu-se muito bem, embora o Corrales discorde de mim na sua resenha. Seu Willy Wonka é tão excêntrico quanto o de Wilder, porém bem diferente. O Wonka de Depp chega a ser cruel e não está nem aí para as crianças que visitam sua fábrica. Pelo contrário, pelas suas caretas de repulsa, fica claro que ele não gosta nem um pouco delas. Novamente Depp emprestou trejeitos meio afeminados ao personagem, um dos mais esquisitos na longa galeria de personagens bizarros que ele já interpretou, e, dizem os boatos, teria construído sua interpretação inspirado no ex-rei do Pop e atual freak Michael Jackson. Bizarro...

            Verdade ou não, o ator disse em entrevistas que seu personagem é parte recluso como Howard Hughes (o sujeito retratado em O Aviador) e parte astro do Rock glamuroso dos anos 70 (essa parte está bem representada em seu espalhafatoso figurino).

            Quanto ao trabalho de Burton, é impressionante como o visual de seus filmes é caprichado. Dessa vez, sai o visual dark e entra um colorido lisérgico que permeia todos os ambientes da fábrica de doces de Wonka, em uma estética mais parecida com a de Os Fantasmas se Divertem. Porém, ainda há elementos meio sinistros no filme. Algumas vezes, a fábrica é um lugar bem assustador, especialmente para quem não segue as instruções de Willy.

            Mesmo com essa pitada de medo, o filme ainda é bem infantil. Não possui muito apelo para os adultos. Por isso, não fez muito a minha cabeça. Mas ei, trata-se de um filme de Burton, e com mais uma interpretação insana de Depp. Por isso, mesmo que o tema (hum, chocolate...) não lhe seja muito atrativo, ainda sim é um filme obrigatório.

            O filme foi sucesso de bilheteria agora em 2005, mas dividiu as críticas e o gosto do público em comparação com a primeira versão. Eu achei superior, mas ainda longe de ser um filmão.

 

            É isso aí, quatro filmes live action e uma animação depois, a parceria entre um dos diretores mais criativos dos EUA e um dos atores mais versáteis em atividade, não parece dar sinais de cansaço. Melhor para nós, pois os filmes da dupla são diversão garantida. E que venham mais colaborações entre Burton e Depp. Nós, fãs, agradecemos.



 Escrito por Carlos Cyrino às 12:01 AM
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   Cinema – Carga Explosiva 2 (Transporter 2 – EUA - 2005) - Parte I

            A primeira vez que ouvi falar desse filme foi quando recebi o convite para a sessão de imprensa. Achei que se tratava de um filminho de ação daqueles bem mequetrefes. Uns dias depois, o comercial começou a passar na TV e ficou bem claro que se tratava de um Testosterona Total. Perguntei para o Cyrino se ele já tinha visto o primeiro e ele disse que era legal.

 

            Isso era tudo que eu sabia ao sair para assisti-lo. E minhas expectativas eram bem baixas. Isso começou a mudar na primeira cena, que já mostra a que o filme veio: uma gostosa decotada apontando uma arma para o protagonista (Jason Statham), rodeado de fortões ameaçadores. Menos de 3 minutos e muitas risadas depois, todos os fortões estavam caídos e gemendo de dor enquanto a gostosa estava encolhidinha no seu canto (não, ele não bateu nela). Pensei comigo mesmo: “esse filme vai ser legal!”.

 

            Não deu outra. A ação é quase ininterrupta, bem como o humor. As lutas vão bem naquele estilo Jackie Chan, ou seja, todo mundo armado, menos o herói. Este usa tudo que pode do cenário e dá um coro na galera sem levar um arranhão. Isso tudo acontece com muito humor e sem nenhuma gota de sangue, ou seja, esse é daqueles filmes que deve fazer a alegria dos adolescentes na Sessão da Tarde daqui a uns 5 anos assim como os filmes do Schwarzenegger fizeram na nossa.

 

            Ainda sobre as cenas de ação, o longa está repleto de perseguições de carros, explosões e tudo mais que faz o delírio de qualquer aficionado de longas do estilo. Tem uma cena, em particular, onde Frank (o nome do protagonista) está dirigindo um carro com uma bomba que vai explodir nos próximos segundos. A forma como ele se livra da dita-cuja é exemplar, de fazer qualquer fã dos filmes dirigidos por James Cameron pré-Titanic gritar “Hell, yeah!” com empolgação. É absurdamente forçado e, justamente por isso, é genial e muito divertido.

 

            Aliás, a dupla Schwarzenegger/Cameron é uma boa comparação, pois Carga Explosiva 2 lembra muito os filmes dos dois. Tem humor, tem ação e tem mulheres com pouca roupa (lembra daquele strip da Jamie Lee Curtis em True Lies? Uh-lá-lá!). O papel da gostosa aqui vai para a modelo Kate Nauta que fica o filme inteiro de lingerie. Até quando vai ao médico. Claro que, entre o público-alvo, ninguém vai reclamar. Mas tem gente que vai e eu vou falar sobre isso daqui a dois parágrafos (não vale pular). Eu, particularmente, prefiro mulher com corpo de mulher, como já falei em outras oportunidades. Continua abaixo...



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:25 AM
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   Cinema – Carga Explosiva 2 (Transporter 2 – EUA - 2005) - Parte II

            Ah, sim. A história. Bão, não tem nada de mais. Jack é o motorista de um trilhardário que tem o filho seqüestrado. Como a polícia serve mais para atrapalhar do que para ajudar, cabe a Jack salvá-lo. Está pensando que você já viu isso antes, certo? Eu também.

 

            Agora, conforme prometido, as reclamações. Cara, como crítico de cinema é chato. Acredita que tinha uma mulher que ficava a sessão inteira falando mal? Sempre que aparecia a tal Kate, ela exclamava super alto: “Nossa, que filme é esse?” e outras coisas do tipo “sou uma pessoa carente, por favor prestem atenção em mim”. É triste, mas nem estando rodeado de colegas profissionais é possível desfrutar de uma sessão de cinema em condições ideais: EM SILÊNCIO! E, na boa, era só ver o nome do filme. Estava na cara que esse era um pipoca que visa a diversão. Se isso incomoda tanto, cara colega, vá apenas nas cabines de filmes iranianos e fique torcendo para o órfão recuperar seu balão branco. Ficar reclamando desse tipo de coisa aqui é a mesma coisa que reclamar que uma comédia faz rir ou um drama faz chorar. E isso é justamente o que o cinema tem de mais maravilhoso: a possibilidade de emocionar, de divertir, e até de sair da realidade de vez em quando (como no caso da assassina que só usa lingerie). Sinceramente, se não tivermos essas válvulas de escape, a vida seria muito chata. Como provavelmente deve ser para a crítica em questão que vai ver um filme que sabe que não vai gostar para ficar reclamando alto.

 

            Pronto, agora que já falei mal de alguma coisa (ou de alguém), posso encerrar essa resenha sem peso na consciência. Quanto ao filme, não tenho do que reclamar. Assista e divirta-se muito. Vale a pena.



 Escrito por Carlos Eduardo Corrales às 8:22 AM
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Este é um site sobre tudo relacionado à arte, à cultura e à diversão em geral. Daí surgiu o nome Delfos, ilha onde nasceu Apolo, deus grego das artes, entre outras coisas. Isto NÃO é um Blog. Utilizamos este layout temporariamente devido à sua simplicidade. Nas próximas semanas estrearemos em formato portal, com um layout mais trabalhado, sistema de navegação adequado, promoções e, finalmente, a tão esperada (e reveladora) entrevista exclusiva com o Sepultura. Fique ligado! Enquanto isso, você pode se divertir com as nossas mais de duzentas resenhas já publicadas. Afinal, é para isso que serve o histórico aí embaixo. Para trocar idéias com os delfianos, fazer críticas ou sugestões, entre em contato com a gente pelo ICQ 9558279 ou pela nossa comunidade do Orkut em http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=254322. Se quiser falar com a gente por e-mail, deixe um comentário com o seu e-mail e nós entramos em contato com você.
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